Colorida.

1 Maçãs.


Notas iniciais
Opa, pessoal. Eu estou com muito sono agora, então se houverem muitos erros, perdoem-me >< Isso não é só romance, tá? Boa leitura, amiguinhos. Sinto muito também pelos bugs nos diálogos, mas eu não sei usar Word direito...

‘’Ei, Sol! Quando você vai parar de ser tão brilhante assim? Poderia deixar de invadir meu quarto todas as manhãs?’’, pensava. Até que não estava tão ruim para uma segunda-feira de provas. Do que eu estava reclamando, afinal? A pior parte, chamada matemática, mal havia chegado. Bom dia, Tassiana, bom dia... Vamos! Abra esses olhos –dos quais você não entende até hoje o porquê de possuir- e encare essa!
A cada movimento minha vontade de continuar dormindo só aumentava, entretanto, era a semana de provas e depois disso eu iria dormir o quanto quisesse. Com passos lentos e desajeitados fui arrumando o cabelo, depois vesti uma roupa qualquer... Jeans e muito cinza, talvez preto. Ah, essas definitivamente eram as minhas cores... Por fora.
Mal havia decido as escadas e já estava sendo obrigada a correr. O som do alarme do carro sendo desativado percorreu a casa toda, junto com os gritos de minha mãe:

—Tassiana, vamos! Você vai se atrasar!
—Claro, claro... – Digo- Mãe.

Chegando na escola, aquele velho prédio vermelho, eu já preparo o capuz. Meus cabelos são coloridos por um rosa intenso, ao qual me recuso tirar, por isso, muitas vezes sofro bullying da maioria das garotas ’’normais’’. Porém, o fato de eu não precisar beijar meninos pra conseguir atingir minhas metas me diverte, fazendo com que eu não ligue. Apenas evito para poupar energia.
A manhã segue muito animada, Tassiana, a menina sem amigos... Três provas diferentes. Eu não desejo isso nem para o meu pior inimigo, que aliás, também não tenho. Mas, antes de tudo, não me confunda com uma pessoa vazia. Eu sou bem cheia, na verdade eu como bastante. Embora, por algum motivo, eu ainda pareça uma magra desengonçada. A alguns dias atrás cheguei a conclusão de que devo ter um estômago imaginário, onde todas as minhas refeições fora de momento, exageradas e cheias de valor calórico vivem em harmonia...
Engraçado que, as pessoas que são diminuídas por outras possuem um valor incrível, não? Eu sou sincera quando digo não ter amigos, mas tenho meu ‘’conhecido’’. É um garoto que sempre vai colher maçãs em uma árvore escondida atrás da escola. Diferente do resto das pessoas, ele não se assusta ao ver-me sem capuz. Costumo colher maçãs quando não levo um lanche e às vezes é ele quem me ajuda alcançar as melhores frutas. Talvez esse menino seja o mais perto que já cheguei de socializar. Até mesmo de amar. Ele sofre bastante com bullying, pelo que vejo. Mas, corta essa. Isso não é nenhuma história de amor, até parece que sirvo para essas coisas...
Hoje ele estava lá, sentado no chão, com a cabeça entre os joelhos. Tassiana, sempre confusa, nunca precisou ajudar amigos com mágoas, mal sabia o que fazer. Decidi que colheria uma maçã para ele. Atirei em seus braços, ela bateu e rapidamente caiu no chão. Dois olhos ergueram-se a mim, como se não tivessem me notado o tempo todo, chorosos.

—O-Obrigado.

Olhei em minha volta, procurando por respostas. Pensei em várias coisas e quando estava quase em uma conclusão, pouso o olhar na pior cena da minha vida. Aqueles garotos ‘’normais’’, os irritantes com o casaco parecido, pois ‘’estava na moda’’, rindo feito monstros –era o que pareciam-. Viro a cabeça rapidamente, noto que o menino ao qual eu nem sabia o nome, estava sem mochila. Dou mais um giro e passo a entender o que estava acontecendo. Aquele grupinho possuía algo que não era deles, talvez algo que nunca deveriam ver, algo particular. Pensei então em todas as gargalhadas as quais foram atribuídas a mim. Pensei em como aquele garoto sofria por aguentar tudo sozinho. Pensei em como ele me ajudara com as frutas, sem sentir medo de mim. Soltei o capuz, joguei a mochila no chão. Corri até eles...
De todos os comentários aos quais já esperava, tive o pior: ‘’Oi, gracinha!’’. Removi os fios de cabelo do meu rosto e fixei meus olhos contra um daqueles idiotas. Foi o necessário para imobilizar-lo, apavorado. Segurei-o pela gola da camisa, fechei meus punhos.

___A única gracinha aqui é o seu fracasso! Gritei.

Soquei-o. Na medida em que ele foi cambaleando, os seus amigos foram correndo para longe. Então ele caiu, restamos nós dois ali, e ao longe, o meu amigo. Sim, aquele garoto era o meu amigo.
Peguei a mochila e saí dali, indo em qualquer direção, pois não conseguia pensar direito, meu punho doía muito e eu tentava colocá-lo para dentro da manga, com medo de que alguém visse meu sangue. Me aproximei do menino com um pouco de vergonha, afinal tinha agido sem pensar, mas ele me olhava sério.

___Aqui, a sua mochi...

Meu pulso foi puxado, de forma que meu corpo saltou para frente. Ele levantou a minha manga, sem eu poder protestar. Viu minha mão coberta de um líquido rosa brilhante. Meus olhos começaram a marejar de lágrimas. Soltei o peso do corpo e caí de joelhos no chão, fazendo com que a mão dele, que estava segurando meu pulso, escorregasse até a minha.

___O que é isso na sua mão? Disse, hesitante.
___Sangue... Isso é sangue.
___Não, é rosa! – protestou – Veja só!
___O meu sangue é rosa!

Notei que ele se assustou, mas lentamente foi abaixando-se, até estar na altura dos meus olhos novamente. Estendeu o braço até as mochilas e as jogou sobre o ombro. Levantou, ainda segurando minha mão.

___Preciso te levar até a enfermaria.
___N-não, eu estou bem... –hesitei- De verdade.
___Não está. Vamos.
___As pessoas não podem ver o meu sangue! – soltei minha mão, com um gesto forte — Você não entende?

Uma expressão de ‘’entendi’’ surgiu em seu rosto. Pela primeira vez eu havia dividido este problema com alguém, e ele, logo ele, correspondeu tão bem...

___Eu preciso ir para a casa. Disse.
___Mas vão ver esse sangue na sua mão.
___Não se preocupe, é rosa. –deduzi- Não parece sangue.
___Mas esse corte enorme na sua mão parece algo estranho, não? Retrucou, irônico.
___Eu vou esconder com a manga, pode deixar. -Na tentativa de fugir, disse.-
___Você não aguentaria a dor, o tecido vai entrar em contato.

Ergui meus olhos para ele com uma expressão confusa, não sabia o que fazer. Era muito estranho conversar com alguém... O fato de que ele conseguia entender perfeitamente e não questionava minha abominação me deixava abobada. Antes que pudesse pensar em mais uma solução inútil ele segurou mais uma vez a minha mão.

___Sinto muito, mas assim ninguém vai ver. Me avise se doer.

Ele caminhou com cuidado para não me machucar, olhava pro lado com o rosto vermelho. As pessoas nos fuzilavam enquanto saíamos lentamente da escola. Afinal, éramos os dois principais alvos da sociedade escolar adolescente.

Notas finais
:3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.