Colinas De Boston
1 Único
Notas iniciais
-Pode, por favor, me explicar por que mesmo eu estou no meio da nada bancando uma escoteira? — disse Jane espantando mais um mosquito com a mão.
-Ah vamos lá, Jane, você disse que eu poderia escolher qualquer coisa pra fazer.
-Eu pensei que você iria querer fazer compras, não ficar andando por horas...
-Você cansaria menos se reclamasse menos. Não sabia do seu repentino interesse por compras, abriu uma loja da...
-Eu não tenho interesse por compras, mas pensei que seria sua pior ideia, não ficar desbravando a mata. Vamos parar para descansar. — Disse já sentando na primeira pedra que achou. — Maura se tiver que dar mais um passo será para descer essa montanha!
-Não há montanhas em Boston, o relevo é relativamente baixo, sendo assim só podemos classificar as elevações de terreno como colinas.
-Corretíssimo, Dra Isles. — respondeu o guia, jovem rapaz de uns vinte anos, com cabelos encaracolados e um grande sorriso tentava ao máximo ser simpático, mesmo com as contínuas reclamações de um de suas empregadoras – Mais alguns metros e chegaremos a uma das mais bonitas cachoeiras daqui, vamos lá, Senhorita Riz...
-Detetive, é Detetive Rizzoli, garoto.
-Sim, Detetive... talvez... talvez seja melhor eu verificar o caminho primeiro, vocês descansam um pouco e eu verifico, além do mais pode ser uma subida bem cansativa para quem não está acostumado, — Jane levantou a sobrancelha e o pobre rapaz embolou mais ainda — não que você não esteja preparada para uma subida dessa, tipo olha suas pernas... não que eu estivesse olhando suas... Acho que eu... acho que eu vou ali ver a cachoeira. — Saiu o mais rápido possível de perto delas.
Maura e Jane caíram na risada.
-Uau, acho que conseguiu uma fã, notou algo interessante "senhorita Rizzoli".
-Nem comece com isso, Maura, se me chamar de senhorita te prendo por desacato.
-Ele foi paro lado errado.
-Como assim?
-Ele foi pelo caminho que chegamos.
-O cara que você contratou para nos guiar não sabe o caminho.
-Você o deixou nervosa com suas pernas.
-Acho que foi mais com meu distintivo, uma hora ele vai perceber que errou o caminho e vai voltar, nada vai me tirar dessa confortável pedra, exceto que apareça um...
O som de um rifle cortou os pensamentos de Jane, ela levou o dedo à boca pedindo silêncio a Maura que assentiu com a cabeça, andaram com cuidado na direção que vinha, deram alguns passos e acharam o guia, sangrando ainda vivo, Maura imediatamente seguiu em direção a ele, mas Jane a segurou e sussurrou.
-Não sabemos de onde veio o tiro.
-Jane, ele está morrendo.
-E se você correr pra ele, não será o único.
Maura regrediu para trás de Jane e acidentalmente pisou em uma tora oca fazendo a quebrar, tiros de metralhadora choviam na direção delas e um motor se fez ouvir.
-Corre, corre — Jane empurrava Maura na direção da cachoeira, cada vez o som do motor rugia mais alto — Vamos nos dividir, vire naquele tronco, desça até o rio e depois suba contra a correnteza, esconda-se na mata fechada o máximo que puder e não faça barulho.
-Mas como eu vou te achar?
-Farei o caminho inverso.
-Mas, Jane isso...
-Vai — antes que Maura pudesse protestar Jane já empurrara colina a baixo — Espero que ela não se machuque. — pensou consigo.
Jane continuou a correr, para seu azar depois de alguns metros o terreno se tornava totalmente visível com pouca vegetação, e só tinha um caminho, ela não teve tempo para parar, na verdade nem para pensar, assim que a ideia se formulou na cabeça o jipe surgiu roncando alto e forte a suas costas, no instante que seus pés saíram do chão três coisas passaram por sua mente, espero que Maura esteja bem, espero não morrer na queda e, por favor, que minha arma não fiquei encharcada.
Antes de alcançar a água já ouviu os tiros na sua direção. Eles atiraram por alguns minutos e esperaram que ela emergisse.
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Cheia de abrasões pelo corpo e com um corte na testa Maura resmungava, estava nervosa, preocupada, mas muito irritada, aquele plano maluco de longe era o pior que Jane já tinha tido, mas o seguiu assim como a amiga a pedirá, ficava as sombras atenta ao rio, a qualquer sinal de Jane, ou de qualquer pessoa. Repensava em o que estava acontecendo, será que alguém as seguirá colina acima esperando a chance de matá-las, ou o alvo era o pobre guia que a essa altura já deveria estar morto, enquanto ideias passavam na velocidade da luz em sua mente uma camisa conhecida descia o rio, assim que entendeu o que via seu coração gelou, correu em direção na qual Jane que estava sendo levada pelo rio abaixo, percebeu os ferimentos de bala e a arrastou para longe da água.
A dor trouxe Jane átona, ela olhou pra Maura, que trabalhava freneticamente com seu kit de primeiro socorros tentando ao máximo estancar o sangue de Jane nos quatro buracos de balas, dois de entrada e dois de saída.
-Tem sangue no seu rosto.
-Seu sangue, Jane, que ideia estúpida, duas balas atravessaram seu corpo, tem sorte de não estar sangrando mais ou ter acertado algum órgão, o que lhe aconteceu depois que me jogou morro a baixo?
-Pulei de uma cachoeira, fui alvejada e quase me afoguei.
-Ideia estúpida!
-Tinha alguma melhor?
-O que faremos agora?
-Eles vão dar a volta, e subir o rio, temos que sair daqui, o garoto tinha comentado que depois da cachoeira tinha um posto avançado da guarda florestal, deve estar vazio, mas ainda deve ter equipamentos que podemos usar para chamar socorro, acho melhor chegarmos lá antes deles chegarem a nós. Vamos me ajude a levantar.
-Você precisa descansar, nós poderíamos nos esconder por um tempo e depois...
-Se ficarmos aqui um segundo além do necessário vamos descansar pra sempre, agora poderia me levantar?
Contrariada e penalizada pela dor que cada passo causava Jane, Maura nem pensou em reclamar sobre a alça da sua mochila que machucava seu ombro, ou os vários pontos de dor no sei corpo a fora.
A noite chegará mais rápido que elas esperavam e com ela um frio intenso trazido pela correnteza. Chegaram até a cachoeira e começaram a pensar em algum plano.
Maura viu algo atrás da cachoeira deixou Jane escorada em uma arvore e foi verificar, havia uma caverna funda, lugar onde poderiam esconder do frio e esperar o amanhecer, com grande dificuldade arrastou Jane até lá e percebeu que ela voltava a sangrar no ombro, refez os curativos como pode.
-Maura, lembra-se daquela vez que quando Frankie conseguiu aquela namorada louca que era apaixonada pelo Hoyt?
-Por que agora esse assunto Jane?
-Lembra-se de como usar uma arma?
-Sim.
-Bom saber. — Jane com esforço dolorido entrega a arma para Maura, mas ainda a segura- lembre-se, esta car...
A arma escorrega das suas mãos. Maura então percebeu que Jane tremia violentamente.
-Jane! Jane, cadê sua mochila?
-Ah, Mã, devo ter deixado na escola...
-Jane, acorda! Jane...
-Está frio, Mã...
-Oh, Jane...
Jane estava entre delírio de dor e a consciência.
Maura sentou-se entre Jane e a parede gelada e a abraçou o melhor que pode.
-Vai ficar tudo bem Jane, vai ficar tudo bem, — repetia mesmo não possuindo tanta certeza assim.- Não posso perder você...
-Maura, tudo vai ficar bem, vamos passar por isso juntas, eu juro, e na semana que vem você vai comigo no jogo do Red Sox.
Rapidamente Jane cai em uma respiração profunda e ritmada. Maura então se permite o pranto e sucumbir ao cansaço caindo no sono.
Acorda com a luz do amanhecer entrando por buracos no teto Maura olha envolta, imediatamente confere os batimentos de Jane, sentindo mais dores que nunca se levanta com o máximo cuidado para não acorda-la, e checa seus ferimentos, ela estava muito fraca, tinha que tira-la de lá o mais rápido que conseguisse, olhou ao redor e encontrou no fundo da caverna algumas caixas, quando abriu a mais próximas teve algumas de suas perguntas respondidas.
-Jane, acorde, vamos lá, temos que sair daqui, agora!
-Maura, que foi.
-Eu sei o que aqueles caras estavam querendo e se não sairmos daqui vamos ter muitos problemas.
-Maura, ai, o que...
-Traficantes, Jane, eles estão trazendo drogas pra cá e estamos no esconderijo deles.
-Me levante.
-Vamos, cuidado.
Com mais dificuldade que antes Maura arrasta Jane para fora da caverna e segue a trilha, com o sol tudo piora.
-Maura não dá mais, para.
-Vamos lá, Jane, falta pouco.
-Eu não consigo dar mais nenhum passo, e eu estou só te atrasando, me deixe aqui, na sombra, com um pouco de água...
-Não, Jane, nem pensar...
-Não temos tempo pra essa discussão, Maura! — falou exasperadamente — eu não tenho mais tempo pra isso, você sozinha vai chegar mais rápido ao posto avançado e peça socorro, eu vou estar aqui, prometo, vai, Maura.
-Jane...
-Vai!
Contrariada Maura deixa Jane com sua mochila e corre em direção a mata fechada. Jane a assiste correr até as arvores e sumir, respira fundo, fecha seus olhos e deixa seu corpo relaxar contra a arvore. Alguns minutos depois escuta passos novamente.
Abre os olhos, pronta para ralhar com Maura, pois nunca daria tempo para ela chegar ao posto e voltar e se surpreende com um rifle apontado par seu rosto.
-De joelhos moça!
-Já não acha que já me deu tiros o suficiente?
-Acho que não, pelo visto você insiste em ficar viva. Agora de joelhos. — Ele bateu com a ponta do rifle no ferimento do ombro.
Com um gemido ela obedeceu. Sei cérebro afiado pelos anos na academia buscavam soluções, alternativas, mas seu corpo não resistia o suficiente par fazer nenhum movimento, pelo menos, Maura não está aqui.
-Ultima palavras, moça?
-Eu realmente queria saber como vai terminar o jogo do Red Sox contra os Yankees na semana que vem.
-Qual o seu time?
-Red
-Se os Yankees vencerem te acendo uma vela.
Bom, nada poderia ser mais divertido, morta por um fã dos Yankees, ela respira fundo, fecha os olhos e pensa o que fazer.
-Mão para cima, Polícia de Boston.
O traficante levantou a arma em direção a Maura, Jane segurou a arma apontada para o chão com suas ultimas forças.
-Atira, Maura, agora!
Um tiro acertou o ombro jogando o cara pra trás, Jane pegou uma pedra e acertou com força no rosto deixando-o inconsciente, um parceiro dele veio correndo da mata com um facão, sem perceber Maura parada do outro lado da clareira, correu na direção de Jane, Maura atirou novamente acertando-o no tornozelo.
-Você, fechou os olhos nas duas vezes?
-Que?
-Maura, você atirou de olhos fechado?
-Não. Eu só, eu só piquei.
-Me devolve minha arma. Lembre-me de nunca mais deixar você chegar perto dela. Como soube? que eles estariam aqui?
-O jipe deles está depois dessas arvores, vamos lá, Jane, vamos te tirar daqui.
Apontou a arma para o rapaz agonizando no chão.
-Chaves?
-Com ele. – Choramingou.
-Faça pressão para estancar o sangramento, e faça o mesmo com seu amigo, logo a policia vai chegar.
Achou as chaves com o cara do rifle.
Aos tropeços chegaram ao jipe, os ferimentos de Jane sangravam novamente.
-E aí como se sentiu gritando, “Mão para cima, Polícia de Boston”?
-É bem excitante. – Maura sorriu.
-Só não faça de novo, não quero tem que te prender por se passar por autoridade.
-Não pretendo nos meter em uma fria dessas tão cedo?
Maura acomodou Jane e sentou na direção e desceu a toda velocidade as trilhas, no caminho ouviram vários tiros, mas escaparam ilesas.
-Ótimo, eles tem um rádio, vamos ver se consigo contatar a delegacia.
Conforme se aproximavam da parte metropolitana de Boston o radio respondia melhor.
-Aqui é a Detetive Rizzoli, central, me conecte com o Detetive Frost!
-Um minuto, detetive.
-Jane? — o radio chama — Jane, está me ouvindo?
-Jane, não está ouvindo? O Frost... — então por um instante ela tirou os olhos da estrada e viu Jane desacordada ao seu lado.
-Não, não, Jane, vamos lá, fica acordada! Jane!
-Estou aqui, Maura... — sussurrava.
-Fique acordada! — tomando o radio dela e responde aos apelos de Frost cada vez mais desesperado no rádio. -Frost, a Jane foi alvejada, estamos chegando ao hospital Carney ... — brevemente ela explica o máximo que consegue sobre seus atacantes e desliga. — Jane, fale comigo, Jane!
-Desculpa, Maura...
-Desculpar o que?
-Acho que não vou poder cumprir minha promessa...
Ela se sentiu perdendo, a visão estava turva e o corpo pesado, respirar exigia muito e causava muita dor, a ultima coisa que ouviu foram os gritos de socorro de Maura, o desespero na voz dela fez com que desejasse poder levantar e ajudar, mas seu corpo estava além do limite. A ultima coisa que ouviu foi a pronuncia do seu nome, Jane, e fim.
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-Não, mesmo eu faço questão! – gritava Jane do sofá.
-Sério, Jane, essa roupa é horrível. – Reclamava Maura na porta do quarto.
-Que isso, Maura, o uniforme do Red Sox é uma honra para um torcedor. – Sorria Tommy sem desgrudar os olhos da TV.
-Frankie, trás a cerveja! Anda logo, Maura, ninguém vai ver você, só a gente.
Maura atravessou a sala do apartamento de Jane e sentou no sofá.
Frankie distribuiu a cerveja, parou encarando Maura, com a camisa vermelha, calça branca e meias vermelhas.
-Esperem um minuto. – correu para o quarto de Jane e voltou com um boné.
Colocou sobre os cabelos presos de Maura.
-Pronto, agora sim uma super fã.
Todos caem na risada.
-Shiuu, vai começar! Espero mesmo que o Sox vença!
Notas finais
Abraços!
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