Coletânea TW
4 Esquece que me conheceu - Maleo
Notas iniciais
O barulho irritante do telefone martela novamente em minha cabeça. Olho para meu celular e vejo que são três da manhã. Quem seria estúpido o suficiente para ligar para alguém nesse horário? Todos já estão dormindo e a maioria que está acordada, digamos apenas que eles não querem ser incomodados, assim como eu.
O número desconhecido continua aparecendo no visor, assim provando que o desconhecido quer mesmo falar comigo. Peço desculpas ao homem do meu lado antes de puxar o lençol para cobrir minha nudez e me sentar para atender.
—Alô? –Meu tom de voz soa irritado, exatamente como me encontro agora.
—Malia, meu amor... –A voz do outro lado é arrastada, perceptivelmente ele está bêbado.
Filho da puta.
—O que você quer, Theo?
—ConversAI, puta merda. –O escuto grunhindo, acho que o idiota bateu em alguma coisa.
—Eu vou desligar.
—Não, não faz isso!
—Por que eu não faria isso? –Pergunto revirando os olhos –Eu nem devia estar falando com um puta babaca como você.
—Eu só... Eu só tava lembrando dos nossos momentos felizes, Lia. –Soltou um suspiro.
— Peraí, deixa eu vê se entendi, me ligou às 03h00 da manhã pra dizer que lembrou dos nossos momentos felizes? Fala sério, outra crise, Theo? Eu não sou psicóloga pra ficar aguentando elas não.
O homem deitado de bruços ao meu lado, me esperando, ri do meu comentário. Sorrio observando seus dentes branquinhos e as costas largas, sem falar da linda bundinha ainda visível debaixo do lençol.
A voz do outro lado da linha interrompe o meu prazer visual.
—É sério Malia, eu não entendi até agora porque a gente terminou, mas eu posso te perdoar por todo esse drama, seus hormônios são loucos, coisa de mulher. Confia em mim, eu entendo. Sei que não tive culpa nisso. E não sei quem foi a maluca que inventou que eu tava te traindo, mas não é verdade, meu bem. Deve ser uma pessoa com inveja do nosso relacionamento e...
—Chega. –O cortei firme – Dizer que não foi culpa sua, sério? Isso é baixo até pra você. Assim você me insulta! E eu vi, Theo, não foi ninguém que disse. Eu vi você e Tracy aos beijos na praça. Eu não disse nada quando vi, porque fiquei com nojo, eu fui pra casa, mas ainda assim vi.
—Foi ela que me agarrou. –Ele tenta.
—Ela que te agarrou?
—Isso.
Solto de repente uma risada alta e assusto os dois homens.
—Meio difícil de acreditar nisso quando você apertava a bunda dela com tanta vontade, em meio à praça pública. Voltar pra você depois dessa humilhação seria muita burrice.
Consigo ouvir daqui o barulho da saliva descendo seca por sua garganta.
—Qual é, Malia, você também nem deixou meu cadáver esfriar, uma semana depois já estava por aí flertando com Scott, mesmo sabendo que eu ainda gostava de você. –Ele tenta me manipular, tentando fazer eu me sentir culpada.
—Gostar? Eu acho que você nem é capaz de fazer isso com alguém que não seja si mesmo, Theodore Raeken. E quanto a Scott, -Faço uma pausa, capturando o olhar dele com o meu, que levantou sua cabeça assim que ouviu seu nome –Não fale novamente dele assim, nesse tom. Você não consegue ser metade do homem que ele é. –Digo estressada e posso ver o lindo sorriso do meu queixo torto preferido.
—Okay, okay, eu só me alterei por causa do ciúme, me desculpe. E em qual sentido você quis dizer que eu não consigo ser metade do homem que ele é?
—Ah, em todos, principalmente na cama. –Digo com minha voz de cínica e posso ouvir ele engasgar — Agora me dá licença que eu preciso ir, eu tô voltando pra cama e não é pra dormir, se quiser, pode mandar um Oi para o Scott. Ah, e pega as desculpas e a coragem que a bebida te deu e esquece que me conheceu. –Finalizo, desligando a ligação.
Me jogo na cama escutando a risada do homem ao meu lado.
—Meu Deus, você é fantástica. –Scott diz, antes de colocar a mão no meu pescoço e me puxar para um beijo.
—Onde estávamos mesmo? –Pergunto com um sorriso sacana brincando nos meus lábios enquanto ele se ajeita em cima de mim.
—Acho que estávamos prestes a cuidar dessa ereção me incomodando a mais de 15 minutos. –Ele responde descarado.
—Ah, acho que era aí mesmo.
Sei que essa é, provavelmente, última fala com sentido dita nesse quarto esta noite, e então nos beijamos para continuar o que paramos.
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