Cold Fire
1 Pilot
Notas iniciais
Às vezes, as pessoas merecem mais.
Às vezes, merecem ter toda a sua fé recompensada.”
Batman
No meio da noite, uma faísca se acende. Ela ilumina momentaneamente todo o cômodo com sua luz, e depois diminui de intensidade. Quando volta a brilhar, um pequeno par de olhos veem a escuridão pela primeira vez. "Zoe" ela diz com sua voz fina. Ela não sabia, mas essa primeira palavra definiria todo o seu futuro. Esse seria o nome que ela carregaria por toda a sua existência.
Seu nome significa Vida. Como isso definiria seu futuro, ninguém sabia. Pois nesse mundo seu nome define seu destino. Nesse mundo forças além do controle de qualquer um dizia seu papel nesse mundo através de nomes. E o nome de ninguém era igual. Ninguém escolhia seu nome, nem ninguém escolhia por eles.
Poucos momentos depois, uma segunda luz acende. Ela sorri com ternura para a pequena faísca chamada Zoe. Seu nome é Alice. Ela pegou Zoe em seus braços vermelhos como lava e carrega para longe da escuridão. E Zoe vê a luz pela primeira vez. Ela vê seus pequenos braços irradiando luz. Ela vê sua mãe irradiando luz. Ela vê seu mundo irradiando luz. O quarto onde estava era branco, com pequenas ondar vermelhas pintadas nas paredes. Brinquedos estavam espalhados pelo chão no canto direito.
Seus olhos cor de sangue brilharam com tanta luz e movimento. Depois de admirar a beleza de seu novo lar, o olhar da pequena se volta para aqueles que cuidariam para que ela aproveitasse o máximo aquele mundo: Alice, sua mãe, e Rufus, seu pai. E se deu conta de que tinha boca, e sorriu um sorriso maravilhado. O som de sua risada parecia pequenos sininhos tinindo. Cada risada gerava mais outras, tão doce era a melodia.
— Minha pequena Zoe... – disse Alice suavemente. – Minha pequena faísca... Um grande destino a aguarda, nunca duvide disso.
Zoe sorriu, como se entendesse o que a mãe falara. Ela sabia apenas de uma coisa: queria explorar tudo que aquele mundo poderia oferecer.
Ele observava a neve caindo pela janela de seu quarto. A lua fazia com que os prédios de cristal azul brilhassem, e seus reflexos dançavam na calçada congelada. Pequenas fuinhas atravessaram a rua correndo, agitando a neve na rua ao passarem. Estava tudo quieto. Tudo em paz. A não ser...
Gritos ecoaram no andar de baixo. Toda noite se repetia, como em um loop impossível de quebrar. Seu padrasto voltava bêbado para casa. Sua mãe o repreendia por beber tanto e não conseguir um emprego. Ele começava a gritar com ela. Ele a espancava, a xingava, para depois implorar seu perdão. Ela o perdoava. E no dia seguinte a mesma situação se repetia. Continuamente, sem pausas, sem descanso.
Seu pai morrera na guerra contra Povo Vermelho. Um homem valoroso, o menino acreditava. Sempre lhe dava atenção, mesmo cansado, cuidava da sua mãe como se ela fosse uma joia rara e os tornava uma família feliz. Mas quando a guerra o chamou, ele decidiu defender seu mundo, ou morrer tentando. Todos acreditavam que ele iria voltar. Mas ninguém imaginou que voltaria com metade do corpo carbonizado, preto, terrível. Pois era assim que Jegs seres de gelo, ficavam quando os Tűzz, criaturas de fogo, os tocavam.
— Tűzz são um povo cruel... Cabelos de puras chamas, olhos vermelhos como de démons, pele intocável de tão ardente. Quando fixam o olhar em seu alvo, não há nada que os pare em sua sede de sangue Jeg. A única coisa capaz de pará-los é o frio. Eles perdem seu calor e morrem. Essa é a nossa única proteção. Nosso reino. – dizia sua mãe.
— Debaixo da superfície de outra maravilha perfeita... – começou a cantarolar o menino. — Onde é tão branco como a neve. Secretamente dividida por um mundo tão indeciso... E não há para onde ir.
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