Colônia De Férias
3 Capítulo 3 - Surpresa No Quarto 33
Alice combinou com todas de nos reunirmos em sua casa e dali partiríamos cada uma em seu carro ou de carona. Ofereci carona para Helena, mas ela ia em seu carro. Tina iria com Bette, Dana com a Alice, Jenny foi com a Helena. Antes de dar partida no carro, liguei o som e fui logo atrás do carro da Helena. A musica ia tocando me fazendo lembrar de coisas que um dia tentei esquecer e que não consegui. Três horas depois chegamos ao nosso destino. Uma colônia de férias. Fomos na recepção e pegamos as chaves dos quarto.
– Tina e Bette vão ficar no quarto 25, Helena e Jenny no 47, eu e a Dana no 62, Shane você vai ficar no quarto 33. – Alice falou distribuindo as chaves.
Fui até o meu carro e peguei minha mala e parei em frente a porta numero 33, girei as chaves e entrei. Deitei-me um pouco e cochilei, fui tomar um banho, vesti a mesma calça jeans e outra camiseta e liguei a televisão para ver o que passava de interessante. Até que alguém tirou a minha concentração.
– Será que posso entrar? – A voz do lado de fora perguntava.
– Entra. – Falei já de pé enquanto pegava uma coisa na minha mala. Ouvi a maçaneta da porta girar e alguém colocar sua mala em um canto. Virei-me para ver quem era. – OMG! – Exclamei.
– Shane? – Ela falou espantada encostando a porta.
– Olá para você também Carmen.
– O que você está fazendo aqui? – Perguntou confusa.
– Vim para a colônia de férias. Eu que tinha que te perguntar isso.
– A Alice me convidou algum tempo e ela falou que esse quarto era meu.
– Já entendi tudo. – Falei.
Ela ficou me olhando sem entender nada esperando que eu desse uma explicação a ela.
– Se você quiser eu saio e procuro outro lugar para dormir. – Falei.
– Não precisa. – Ela falou sentando na cama.
– Ajeite suas coisas. – Comentei.
– E como você tem passado? – Ela perguntou enquanto ajeitava suas coisas num pequeno armário.
– Bem e você? – Perguntei.
– Estou bem.
– Nenhum novo amor na sua vida? – Perguntei curiosa. Ela estava do mesmo jeito desde que a vi pela ultima vez algum tempo atrás.
– Nada desde... E onde estão as meninas?
– Ouvi a Tina falar que elas iriam na lanchonete no andar de cima.
– Vou lá um pouco. Quer alguma coisa?
Ela não terminou a frase, mas sabia exatamente o seu final. No quarto tinha uma cama e um pequeno sofá. Peguei um lençol e coloquei no sofá com meu travesseiro e uma coberta. Algo estava acontecendo dentro de mim que não sabia como explicar. Uma explosão de sentimento começou dentro de mim desde o primeiro momento que a vi. Resolvi me juntar com o resto de nossas amigas na lanchonete. Vi Alice e lancei um olhar mortal para ela. Sentei do lado de Helena.
– A televisão é boa? – Alice perguntou.
– Pelo menos é uma das poucas coisas que prestam nesse lugar. – Respondi. Vi Carmen dar um riso discreto. Ficamos conversando por algum tempo ali depois que terminamos de comer nossos lanches. Fui a primeira me levantar e ir para o quarto. Alguns minutos depois Carmen apareceu.
– O que você pensa que está fazendo? – Apontou para o sofá.
– O quarto era seu a bem mais tempo. Fique você com a cama, não seria justo ver você dormir no sofá. – Falei me deitando e liguei a televisão.
– Eu não me importaria se você dormisse comigo na mesma cama. – Ela falou, pegou algumas coisas em sua mala e foi para o banheiro.
– Acho que agora não seria uma boa hora. – Respondi enquanto ela ainda caminha em direção ao banheiro. Ela saiu do banho pouco tempo depois em seu pijama rosa que eu reconheci.
– Você ainda tem? – Apontei para o pijama.
– Depois de alguns meses é que me serviu. – Ela falou desconcertadamente.
– Ficou muito bom.
– Obrigada.
Ela se deitou na cama e começou a assistir televisão junto comigo. Eu no sofá e ela na cama. Revirei-me tanto que acho que isso me incomodou.
– Shane deita aqui, você vai ficar com torcicolo.
– Estou bem aqui.
– Não está não. Prometo não te morder.
Olhei para ela. Acho que ela não iria fazer nada comigo, mas o problema era o que eu poderia fazer com ela. Resisti por mais algum tempo e então ela se levantou e deitou em cima de mim.
– Mais o que você está fazendo? – Perguntei.
– Só saio de cima de você se for deitar ali comigo.
– Acho que não vou ter outra opção. – Comentei.
– Exato. – Ela falou.
– Carmen, você sabe que precisamos conversar sobre uma coisa mais cedo ou mais tarde. – Ela se levantou e sentou na beira da cama.
– Acho que podemos deixar a conversa para amanhã. – Ela falou e então se deitou. Fiquei um tempo deitada no sofá com meus pensamentos a mil. Enfim, tomei coragem, levantei pegando minha coberta e deitei do seu lado. Ela olhou para mim e sorriu. Retribui o sorriso e ficamos vendo um filme na televisão. Eu ainda estava com uma vontade imensa de esganar a Alice, mas por outro lado eu estava tendo momentos agradáveis ao lado daquela que um dia quase se tornou minha mulher, e se eu estava feliz era por causa da Alice.
Acordei com barulho do chuveiro. Eu estava do mesmo jeito que tinha me visto antes de adormecer. Carmen já não estava do meu lado. Tive tempo necessário para me levantar e arrumar a cama, dobrar as cobertas e ajeitar o pequeno sofá. Ouvi batidas na porta do quarto. Olhei para o relógio, era cedo demais. “OMG, quem pode ser?” pensei. Pensei uma segunda vez se deveria abrir. Com Carmen tomando banho, esse alguém poderia pensar na pior das hipóteses. Resolvi abrir a porta.
– Bom dia Shane. – Helena falou.
– Bom dia. – Respondi. A puxei para um canto para perguntar uma coisa. – Você sabia que ela estaria aqui?
– A Alice comentou ontem no The Planet. – Ela falou baixinho. – E como foi a sua noite?
– Não aconteceu nada porque eu não quis, porque se fosse por ela poderia ter acontecido de tudo. — Respondi baixinho. Helena me olhou admirada. Carmen saiu do banheiro com a toalha enrolada no corpo. Helena olhou para mim novamente e entendeu o que eu tinha dito.
– As meninas estão querendo saber se vocês querem ir caminhar na cidade? – Helena nos perguntou. Da Helena olhei para Carmen e olhei novamente para Helena.
– Acho que vou ficar por aqui e irei mais tarde.
– Tem certeza? – Helena perguntou.
– Tenho. – Respondi.
– Tudo bem, não vou insistir. E você Carmen, quer ir? – Helena perguntou para Carmen enquanto eu pegava minhas coisas para ir tomar banho.
– Acho que não. Cheguei um pouco tarde da viagem ontem e quero descansar mais um pouco. Poderíamos fazer alguma coisa amanha a noite. – Carmen sugeriu.
– Ok, vou deixar vocês descansando. Vou ver com as meninas o que elas querem fazer amanha e nos encontramos no refeitório de noite, combinado?
– Combinado! – Carmen respondeu. Eu apenas fiquei ouvindo e fiquei pensando no que elas iriam pensar por Carmen e eu não ter ido. Helena saiu do quarto e então ficamos a sós. Só nos duas. Nos entreolhamos e fui tomar meu banho. Quando sai Carmen não estava mais dentro do quarto, abri a porta e ela estava sentada em um banco do jardim de frente para a porta de nosso quarto.
– Tá começando a chover. – Comentei.
– Eu sei. – Ela falou.
– Então entra e venha ver televisão comigo.
– Se não se importa eu gostaria de ficar sozinha um pouco. – Ela falou em tom preocupante.
– O que você tem? – Perguntei sentando-me ao seu lado.
– Só preciso pensar um pouco. Acho que deve ser uma dor de cabeça.
– Eu vou deixar você sozinha. Vou lá na sala de jogos ver se tem alguma coisa interessante para nos divertirmos mais tarde. Qualquer coisa sabe onde me encontrar, mas não devo demorar muito. – Sem pensar duas vezes dei um beijo em sua testa.
– Obrigada. – Ela falou baixinho. Sorriu.
– Pelo que? Por cuidar de você? Nem precisa agradecer. Só estou retribuindo o favor.
– Que favor? – Ela perguntou quando ia me levantando.
– Por cuida de mim todas aquelas vezes. – Ela me olhou. Sorri e então caminhei para a sala de jogos. Antes de subir as escadas, olhei para trás e ela estava com as mãos no rosto.
Enquanto isso em algum lugar da cidade...
– Preciso descansar meus pés. – Alice comentou parando um pouco com seus passos para acompanhar suas amigas.
– Alice, você está muito mole. Nem a Dana está esta reclamando. – Bette falou.
– Ela não conta. Ela é atleta e esta acostumada a ter dores.
– Dana leve ela nas suas corridas matinais. – Tina comentou.
– Vou fazer isso mesmo. – Dana falou.
– Você nem pense em fazer isso. – Alice falou meio zangada apontando o dedo na cara dela.
– Calma Alice, só estamos brincando. – Bette falou antes que a situação piorasse. – Acho que também preciso descansar um pouco.
– Também não estou aguentando mais. – Tina falou.
– Também concordo. – Helena comentou. – Vamos ali naquela sorveteria.
Todas caminharam até o local e colocaram suas compras em uma cadeira e foram fazer seus pedidos. Aos poucos voltaram para a mesa e começaram a conversar sobre qualquer coisa.
– Cadê a Shane e a Carmen? – Dana perguntou.
– A Carmen queria descansar mais e a Shane vai vir outra hora conhecer a cidade, mas deixei combinado de nos encontrarmos a noite no refeitório.
– Isso esta muito estranho. – Alice comentou.
– Não tem nada de estranho. A Carmen chegou tarde ontem e ainda deve estar cansada e a Shane tem hábitos noturnos. – Helena comentou. Tina, Bette, Jenny e Dana ficaram prestando atenção.
– O hábito noturno da Shane é outra coisa. – Alice falou maliciosamente.
– Alice como você pode pensar assim da Shane? – Helena perguntou depois de ouvir aquele absurdo.
– Mais é verdade.
– Mais ela não é nenhuma maníaca. – Helena comentou baixo. – E além do mais, o que a Shane faz de noite não é da nossa conta.
– Alice... – Bette entrou na conversa. -... todas sabemos que a Shane quer se entender com a Carmen.
– Eu sei. – A baixinha falou.
– Então vamos mudar de assunto e deixar a Shane resolver o seu problema com a Carmen porque elas já são grandes e sabem se cuidar. – Tina comentou depois de não aguentar mais a pequena discussão.
– Vamos ver mais alguma coisa ou voltaremos para a colônia? – Jenny perguntou.
– Vamos voltar, meus pés não aguentam mais. – Alice foi a primeira a reclamar.
– Então voltaremos. – Helena comentou.
Cada uma pegou suas coisas e foram caminhando até a colônia. Identificaram-se na portaria e foram para seus quartos.
...
Da sacada da sala de jogos eu fiquei observando Carmen por alguns segundos. De repente começou a chover um pouco mais forte e ela entrou em nosso quarto provisório. Carmen estava com algum problema e isso esta a incomodando. Acho que sabia qual era o seu problema e porque ela estava tão perturbada. Fiquei ali por algum tempo e então voltei para o meu quarto. Entrei no quarto e a vi deitada olhando de relance para mim.
– Posso? – Perguntei indicando a cama.
Ela assentiu que sim. Deitei do seu lado e ficamos vendo televisão. Seu silencio me incomodava.
– O que você tem? – Perguntei, pois já estava ficando preocupada.
– Nada.
– Eu sei que tem alguma coisa te perturbando. Se não quiser contar agora tudo bem, eu vou entender, mas sinta-se a vontade para me contar quando quiser. – Ficou um silencio estranho até que ela falou alguma coisa.
– Obrigada. – Ela sussurrou.
– Sabe... – Comecei. – Às vezes acho que você não confia em mim, pode não ser como antigamente, mas ainda somos amigas, certo? – Perguntei olhando para ela. Ela olhou para mim por alguns segundos e não disse nada. – Eu queria muito conversar com você uma coisa. – Falei do nada já sem esperança alguma.
– Eu também quero, mas não agora. – Ela falou e ficou em silencio. Olhei para ela mais nada adiantou.
Ficamos vendo televisão e ouvimos batidas na porta. Pela conversa lá fora só poderia ser nossas amigas. Bateram na porta e falei que poderiam entrar. Vi Alice me olhar estranho.
– Estamos atrapalhando alguma coisa? – Tina perguntou.
– Não. Só estávamos vendo televisão. – Carmen respondeu.
– Só passamos para decidir um horário para irmos lá na lanchonete. – Alice comentou.
– Acho que as 20h está bom. – Comentei. Todas ficaram pensativas por um tempo e concordaram.
– E depois, o que vamos fazer? – Helena perguntou.
– Eu vi um karaokê na sala de jogos, poderíamos ir lá. – Falei.
– Ok. – Carmen falou. As meninas se retiraram do nosso quarto.
Fiquei pensando em uma coisa que era mais um dos meus planos que não iria dar certo e que entraria para a minha lista. Levantei-me da cama, peguei algumas coisas e coloquei no bolso da minha calça.
– Aonde você vai? – Carmen perguntou ao me ver pegando minhas coisas daquele jeito.
– Vou dar uma volta. – Falei olhando para ela.
– E as meninas, você não vai jantar com a gente? – Ela perguntou preocupada.
– Não sei. Preciso pensar um pouco. – Fiquei pensativa um pouco e olhei para ela. – Eu encontro vocês na sala de jogos. – Fui até ela e dei um beijo em sua bochecha. – Te vejo mais tarde. – Falei antes de sair.
Sai do prédio e caminhei pela calçada por algum tempo e tive uma boa ideia. Voltei umas duas horas depois com minhas ideias em ordem e encontrei as meninas no karaokê, exceto Carmen. Dei um “oi” para as meninas e sentei perto de Helena.
– Shane por onde você esteve? – Ela perguntou.
– Precisava esfriar minha cabeça.
– Você não fez nenhuma besteira, fez?
– Claro que não.
– Acho bom se comportar. – Ela me deu um tapa.
– Mais do que eu já estou é impossível. Cadê a Carmen? – Perguntei.
– Se cansou de tanto esperar você e foi dormir.
Olhei em volta e fiquei um pouco com minhas amigas me divertindo. Resolvi ir para o quarto. Abri a porta devagar para não acordar Carmen e quando estava fechando a porta, ouço uma voz atrás de mim.
– Shane?
– Volte a dormir Carmen.
– Onde você esteve, fiquei te esperando. – Falou um pouco sonolenta.
– Fui dar uma volta. Desculpe-me se te fiz esperar.
Ela se levantou e veio ate mim. Não entendi muito bem aquilo, talvez ela estivesse um pouco bêbada, mas depois conclui que não. Ela olhou bem em meus olhos.
– Está procurando o que neles? – Perguntei.
– Vendo se ainda posso confiar em você. – Caminhou de novo até a cama. Eu não aguentava mais isso, tinha que falar alguma coisa.
– Carmen, porque tudo isso agora? Desde que te vi aqui, estou querendo conversar com você, mas você sempre fala que depois e esse depois nunca existe. – Falei. Ela se aproximou de mim rapidamente e olhou nos meus olhos mais uma vez.
– Você ainda não sabe o porquê disso tudo? Pois bem, vou te explicar. Eu quero voltar a ter confiança em você porque ainda existe um pouco de amor que sinto por você dentro de mim. Entendeu agora? – Ela me encarou bem fundo nos olhos. Não pensei duas vezes e a beijei.
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