Coisas do Acaso
34 Milagres Acontecem, Quando Menos Esperamos.
Notas iniciais
Bia
— Bia o que deu? — ouço minha melhor amiga perguntar, mas não consigo dizer nada.
Porque novamente isso estava acontecendo? Tudo parecia como em um filme, um filme qual eu já fui protagonista principal e agora novamente voltava a ser. Será que tudo voltaria a se repetir como antes? Tudo até aquele momento me dizia que sim, novamente era a minha melhor amiga quem estava me dando apoio, e novamente eu estava só. Mas uma vez sem o pai do meu bebe.
Saio do banheiro do meu quarto com aquele teste na minha mão. Teste que mudaria mais uma vez o rumo e trajetória da minha vida, e apenas daqui um tempo que perceberia como aquelas palavras seriam verdadeiras.
— Você está grávida! — eu sabia que Katy estava perguntando, ou pelo menos ela queria perguntar, mas ela já sabia, assim como eu naquele momento tive a certeza disso.
Por isso fiz aquilo que queria fazer desde momento em que descobri que tinha a hipótese de estar grávida... Eu chorei.
Deitei minha cabeça entre as pernas da Katy e apenas deixei que a dor passasse. Mas ela não passava. Eu estava com medo, mais medo do que da primeira vez, pois quando sabemos a verdade parece que as coisas sempre ficam mais difíceis. Eu sei, deveria ser ao contrário, mas no meu caso não dava, simplesmente não daria certo.
Lembro-me de toda dor que senti, de como foi ao abrir meus olhos naquele hospital e descobrir que tinha perdido o meu bebe, como foi difícil conseguir viver sabendo que parte de mim se foi, saber que eu poderia chorar e me entregar a uma depressão sem fim ou tentar me erguer e voltar a viver. Eu preferi a segunda opção, mas será que agora eu conseguiria? O que havia de diferente de agora para antes?
— Você tem a mim, a sua mãe e ao Lipe — sussurra Katy, e foi ai que percebi que tinha falado a ultima parte em voz alta. Mas não liguei, na verdade naquele momento não estava ligando para mais nada. Eu não sabia mais o que pensar o que sentir e nem mais como agir. E com duvidas e incertezas logo peguei no sono.
Walkiria
Olho para o relógio e ainda marcava seis horas. Faltava mais uma hora para enfim eu poder ir para casa. Que ironia. Sempre fui uma mulher independente, e agora graças a ele, desejava ardentemente voltar para meu lar. E tudo aconteceu por causa de uma ida a balada, ida essa que mudou drasticamente a minha vida, para melhor.
Flash Back on
Porque às vezes agimos de forma tão burra, em relação a certas coisas que deveria ser fácil? Era isso que me perguntava, enquanto acabava de me arrumar para poder ir trabalhar. Depois daquela noite na boate, que para ser sincera tinha acontecido naquela mesma madrugada, mas que agora olhando parecia ter acontecido há dias, eu não parava de me perguntar certas coisas que eu sabia que eu jamais teria resposta, pois perdi essa chance ao sair correndo da boate. Mas talvez, apenas talvez tivesse a salvação para toda aquela confusão que andava fazendo no meu coração.
Lembro de acabar de tomar o café da manha de pressa, pois tinha recebido uma ligação da minha secretaria, dizendo que eu tinha um novo cliente, que era filho de um empresário muito rico e que ainda por cima era estrangeiro – o empresário era estrangeiro, não o filho — é claro que fiquei feliz, assim tomei de pressa meu café e ainda dei uma passada no quarto da Bia, para saber como ela estava. E tudo continuava como na noite anterior. E foi ai que percebi algo, nos devemos viver o hoje, pois o amanha pode não existir, e o passado irá ficar exatamente onde ele está no passado.
Logo que fechei a porta do quarto, saí e fui direto pedir um táxi, já que meu carro estava no conserto.
Meia hora depois me encontrava já na empresa onde trabalhava, pago o táxi e subo rapidamente para minha sala.
— Bom dia Dona Wal — Annie minha secretaria me cumprimenta.
— Bom dia Annie, então cadê o novo cliente? — pergunto, já que não o via em lugar algum.
—Ele estava com pressa — falou meio incerta. — Assim tomei a liberdade de falar que ele poderia ir já vendo um do apartamento, e como o Josh não estava fazendo nada eu falei que ele poderia ir junto
— Tudo bem, e qual dos apartamentos é esse?
— É aquele fica no centro — estende uma pilha de papel — É o primeiro da lista
— Ah sim, sei qual é — digo olhando algumas informações sobre o imóvel — Esse imóvel não é muito caro? — indago por causa do susto que levei, era simplesmente um milhão.
— Bem, foi do gosto do rapaz — diz dando de ombros.
— Ok — digo ajeitando tudo da melhor forma que eu pudesse, o que não era muito é claro. — Já vou indo, até mais Annie
— Até Dona Wal
Quinze minutos depois, enfim tinha chegado ao apartamento que poderia ser do possível comprador.
Sabe aquele momento quando você pensa que nada tem solução? Que nada pode ir a favor de você? Pois bem, às vezes a vida da uma mãozinha para que isso não aconteça.
Logo que subi para a cobertura, que era onde fica esse apartamento, me deparo com ele. Seus olhos me olharam de em cima em baixo e aquilo fez com que me sentisse insegura. Aonde já se viu isso, uma mulher de 35 anos nas costas, insegura apenas por causa de um olhar? Realmente eu estava com sérios problemas, e um deles estava bem na minha frente.
— A garota da balada? — vejo ele me olhar com uma expressão confusa.
— Deixei de ser garota há muito tempo — respondi de modo profissional.
— Mais o espírito continua de uma jovem garota— responde sem deixar de se abalar pela forma como falei.
— Você se engana — digo o olhando.
— Ou é você que quer ser enganada — responde me deixando sem fala. — Melhor começar a me mostrar o lugar não é mesmo? — apenas abano a cabeça, ainda sem saber o que falar.
Flash Back off
E foi a partir daquele encontro que nos nós conhecemos melhor, como nós aproximamos a ponto de nos se apaixonar? Isso é algo meu, é algo que não gostaria de compartilhar com mais ninguém, mas não é como se alguém estivesse lendo todos os meus pensamentos. Às vezes tenho pensamentos tão absurdos, até porque, em que hipótese alguém perderia seu tempo lendo meus pensamentos? Não que isso seja possível, ou por acaso algum Edward Cullen foi descoberto? Ignorando essa briga interna com meus pensamentos avessos, olho para o relógio, e percebo que já marcava sete horas. Traduzindo hora de ir para casa.
Bia
Acordo e olho em volta. Tudo parecia estar como antes, exceto uma coisa. A Katy não estava no meu quarto, e sim a minha mãe.
— Mãe? — indago com a voz rouca e do nada uma vontade de chorar veio.
— Você realmente está grávida novamente? — pergunta se aproximando de mim.
— Sim — digo não sabendo o que dizer — O que eu vou fazer mamãe? — pergunto me aninhando no seu colo.
— Fazer o que você sabe de melhor querida, ser forte — diz passando seus dedos pelos meus longos cabelos — Lembra quando você ficou grávida pela primeira vez? — balanço a cabeça em sinal que sim. — Eu não te ajudei, eu te julguei e acima de tudo te maltratei, eu sei que deveria ter ficado ao seu lado, te dado apoio, amor, mas eu assim como todos sou humana, errei uma vez e não vou errar novamente.
— Mas, e se eu não conseguir cuidar desse bebe? — a insegurança falou mais alto.
— Porque não conseguiria? Você tem tudo que precisa querida, você tem amor, uma família que te apoia, e uma nova razão para viver, o que mais há de se precisar? — faz a pergunta retoricamente — Sabe que quando descobri grávida de você, seu pai me acusou me chamou de nomes que dói apenas pensar, me magoou de todas as formas, apenas porque não acreditava que você pudesse ser dele, e nem por isso, nem por todas as desconfianças, eu deixei um dia de pensar em você, você era o meu pequeno sol e ainda continua sendo meu pequeno sol, que agora é capaz de iluminar muito mais que apenas uma constelação, você é a minha vida, assim como a partir de agora esse bebê vai ser a sua vida, por ele você é capaz de morrer e matar, qualquer coisa para que a felicidade dele não seja acabada ou destruída pelas coisas ruim do mundo. — finaliza com lágrimas nos olhos, e eu apenas fechei meus olhos, tentando memorizar aquelas palavras, pois eu sabia que tudo que ela disse era verdade, principalmente a parte em que eu seria capaz de matar e morrer para salvar o meu pequeno ou pequena.
— Que tal se você comesse algo? A Katy disse que faz horas que não come nada — minha mãe pergunta, mas eu continuava quieta. — Filha? — indaga com uma leve preocupação na voz.
— Sim mãe — digo abrindo os olhos, e logo me ponho de pé. — Até porque meu bebê tem que receber muito nutrientes — digo abrindo um sorriso enorme, pois eu tinha percebido algo que antes não enxergava. Aquele bebê foi uma dádiva dado por Deus, não era para ocupar o lugar do outro bebê que morreu, pois a dor de ter perdido ele e o vazio que sentia no coração, sempre continuaria, mas era um presente para eu lembrar que milagres acontecem, principalmente quando menos esperamos.
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