Notas iniciais
Apenas um surtinho doce para animarPara todos aqueles que piram em Baby Caskett


– Sente aqui! Quero te contar uma história...


Era meados de 2018, eu estava sentada no sofá, com o olhar perdido e uma ruga pairava em minha testa quando Castle se aproximou e ao se sentar, depositou um beijo carinhoso em minha barriga de sete meses. Sorri com a leve cócega que o gesto causou, mas mesmo assim ele percebeu que alguma coisa me incomodava. "Hey, o que se passa nessa cabecinha?" Ele falou, acariciando meus cabelos.

"Só estou preocupada com o Alex". Nosso primogênito estava com três anos de idade e desde o início daquela gravidez, ele mostrava-se resistente a ideia de ter outra criança dentro de casa. Antes que Castle pudesse falar alguma coisa, o pequeno apareceu na sala trazendo consigo seu boneco do homem aranha, o qual ele não deixava nenhuma outra criança pensar em tocar, emprestar, então, nem por um decreto.

"Oi meu amor, vem aqui para o colo do papai, vem! Sua irmãzinha quer conversar, é só colocar a mão sobre a barriga da mamãe que ela se mexe, quer tentar?". Castle arriscou mais uma vez, eu acho que era a milésima tentativa de fazê-lo se aproximar.

"Nããão". Os lindos olhinhos azuis dele estavam tristes e sua voz era quase chorosa, como sempre acontecia quando o assunto era o bebê que estava para nascer. No instante seguinte, Alex já corria de volta para seu quarto. Castle foi atrás dele e Olive se mexeu com violência em meu ventre. "Ei amor, está tudo bem, ele só precisa de mais um tempinho". Eu realmente gostaria de acreditar nas minhas próprias palavras.

Quando nós chegamos da maternidade carregando Olive nos braços, Alex olhou de longe com curiosidade, mas não se aproximou, pelo menos no primeiro momento. Um terço de hora depois, ele entrou timidamente no nosso quarto, onde eu e Castle conversávamos baixinho e a Olive repousava levemente sobre a cama. Alex deitou-se de frente para a irmã, que tinha os pequenos olhos verde oliva voltados para ele. Um pequeno movimento involuntário no rosto da recém-nascida fez parecer que ela havia sorrido. Nesse momento um brilho azul foi acesso, nosso menino sorriu abertamente para o bebê a sua frente e estendeu o boneco do homem aranha em sua direção. “Toma, Olive, é ‘pá’ você”.

Foi amor à primeira vista.

~x~
“Mamãe, o Alex é um boboca”.

Bom, isso foi no natal de 2022,Olive já estava com quatro anos e no momento encontrava-se bastante chateada porque o irmão, há dias, falava que Papai Noel não existia. Castle brincou na ocasião dizendo que ele só poderia ser meu filho mesmo, pois pessoa mais cética do que ele só havia eu. Então, voltando ao problema do bom velhinho, conversamos sobre o assunto e Alex entendeu que não poderia privar a irmã de viver aquela ilusão. O menino deu uma boa ideia para tirar qualquer minhoca que existisse na cabecinha da caçula.

Seria o último natal que Alexis e Pietro, seu marido, passariam conosco antes de se mudarem para a Itália. Após a ceia e a troca de presentes, o casal ‘foi embora’ e nós fomos colocar as crianças para dormir. Estava tudo combinado para que em determinado momento Alex dissesse que havia ouvido um barulho na sala e puxasse todos nós para averiguar do que se tratava. Ao cruzarmos a sala fazendo um barulho mais que suficiente para que Pietro nos ouvisse, vimos sair pela porta a silhueta de um homem corpulento vestido de vermelho e arrastando um saco aparentemente pesado.

Olive não conteve uma risadinha nervosa, olhou para o chão sob a árvore de natal e pôde ver novos presentes lá. “Viu, Alex, eu não falei que Papai Noel existia?” Ela se aproximou e deu um beijo úmido na bochecha do irmão mais velho que fez uma careta. “Eca, eu odeio a minha irmã”. Nós quatro caímos na gargalhada enquanto Alex piscava de modo confidente para mim e para o pai.

~x~
Eu nunca vou esquecer aquele chamado da diretoria do colégio das crianças. Alex estava com dez anos e se meter em briguinhas não era raro, porém, naquele dia, a reclamação tinha um adicional. A minha princesinha simplesmente presenciou o irmão ser derrubado por um garoto e ela sem pensar duas vezes partiu para cima dele, mordendo-o no maior estilo Mike Tyson vs Evander Holyfield. Por sorte ela não arrancou um pedaço do braço do menino que revidou puxando seus cabelos castanhos. Alex se levantou e deu uma joelhada nas partes baixas do encrenqueiro.

“Ninguém mexe com o meu irmão na minha frente, só passando por cima de mim” e “Eu só queria que ele tirasse aquelas mãos imundas de cima da minha irmã”, Foram as últimas frases que nós ouvimos antes de colocá-los de castigo.

~x~
O cuidado mútuo entre eles sempre encheu meus olhos de alegria, eu me pegava pensando "então ter um irmão é assim? "É um amor diferente de tudo que já vi, é um sentimento de dedicação absoluta, sem qualquer outro interesse, que não seja o fazer o bem, sem jamais desejar algo em troca.Você pode perguntar "e eles não discutiam nunca?". É claro que discutiam, mas nunca passavam mais de 24 horas chateados um com o outro, a não ser na ocasião em que a Olive passou uma semana sem falar com o Alex... Foi na adolescência, eu acho que eles tinham doze e quinze anos.

"Escuta aqui, pirralho, minha mãe anda armada, meu pai é grande e ciumento, mas eu posso ser muito pior que eles. Eu acho melhor você não se meter a besta com a Olive, ou eu inutilizo isso que você tem no meio das pernas". Eu não preciso dizer que o garoto nunca mais procurou a Olive, não é?

E foi assim durante toda essa fase de acne, rebeldia e paixonites. Alex tinha mais ciúmes da irmã do que o próprio pai e, você sabe muito bem como a Olive sabia ser irritante com as namoradas do irmão...


(...)
As duas mulheres riram. Beckett pegou as mãos da nora nas suas e elas se encararam por alguns instantes.

– Não se preocupe, Ellen, o Stephen vai se acostumar com a ideia assim como o pai dele se acostumou — Falou a agora capitã do 12º distrito acariciando a pequena barriga que carregava seu segundo neto.

– Obrigada!

– Vovóó, mamããe — A voz estridente do garotinho de cinco anos foi ouvida ao longe — O papai e o vovô não querem jogar Laser Tag antes do passeio, mas ele prometeram – Ele já adentrava o quarto.

– Stephen, sente-se aqui com a vovó! Quero te contar uma história antes de irmos para a casa da sua tia, a brincadeira pode ficar para quando voltarmos...

~FIM~

Notas finais
E aí? Me contem o que vocês acharam tá certo?? Beijos com muita fofura baby caskett e até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!