Coffee
1 Two years, one feeling.
Notas iniciais

Montreal, julho de 2020
A primeira coisa que Wiley fez quando o relógio bateu o horário das cinco, foi colocar os pés no chão ao levantar. Se alongou e abriu as cortinas, permitindo que a claridade das luzes da rua entrassem pelo quarto, considerando que o tempo ainda estava escuro, não apenas pelo horário, como também pela própria natureza do país.
Quando finalizou as higienes matinais, pôs-se a preparar o café da manhã. Café preto com torradas para si, leite batido com maçã e banana e mini panquecas com mel para Jason.
Sorriu, seu bebê amava tudo que ela preparava, mas essa vitamina matinal e essas mini panquecas tinham sua preferência.
As deixou no forno para que não esfriassem. Ela sempre deixava Jason dormir um pouco mais, assim ela conseguia tomar seu café e se arrumar de forma tranquila. Fora que o pequeno poderia ter mais alguns momentinhos sonhando em baixo das cobertas quentinhas.
Ao finalizar seu café, voltou ao quarto a fim de trocar de roupa. Escolheu uma calça jeans, blusa branca de manga curta e um suéter quentinho por cima, apesar de ser verão, o clima do Canadá poderia ser um pouco traiçoeiro e mudar as temperaturas apesar da estação. All-star marrons e um rabo de cavalo finalizaram a vestimenta. E maquiagem era algo completamente dispensável, assim como os acessórios, por exceção do cordãozinho com pingente de um menino que tinha no pescoço; presente de Natal de sua tia, quando se mudou para Montreal. Esse, ela nunca tirava!
Ao chegar ao quarto de seu bebê, sorriu ao vê-lo tão quietinho e tão imerso na inocência daquele soninho… sentia pena de acordá-lo, mas ele precisava comer antes de saírem de casa e infelizmente, precisavam sair em quarenta minutos.
Se aproximou da caminha e se abaixou, acariciou os fios loirinhos e deu um beijo na bochecha do pequeno, que sorriu inconsciente.
–Ei meu amor, vamos acordar?
Jason murmurou algumas coisas sem sentido e após o que pareceu dois minutos, abriu os olhinhos, voltando a fechá-los por milissegundos, para então abri-lo de novo, enquanto choramingava.
–Mamã… que mimi.
Wiley suspirou. Essa era a pior parte do dia, sempre lhe entristecia ter que acordá-lo tão cedo.
–Eu sei meu amor, eu sei, mas você precisa ir para o berçário e eu para o trabalho. Fiz panquecas pra você.
Esse argumento sempre funcionava. Assim que disse a palavra mágica, Jason parou de choramingar e abriu um pouco mais os olhinhos. Wiley então, o tirou da caminha e o levou para o banheiro.
Minutos depois o pequeno já estava alimentado e de roupinha trocada; uma calça jeans, blusinha de manga curta por baixo e um casaquinho bem quentinho por cima.
Wiley pegou sua bolsa, a bolsa dele e o carrinho. Desceu de elevador com o pequeno adormecido em seu ombro, por sorte já estava acostumada com isso então não encontrou problemas na hora de colocá-lo no bebê conforto.
Quando finalmente entrou no carro e assumiu o banco do motorista, suspirou aliviada; a primeira parte do dia já estava cumprida!
Colocou uma música em volume baixo e deu partida.
Seria um longo dia!
{...}
Desde que se tornara mãe, Wiley havia se tornado uma grande amante da cafeína, principalmente quando se mudou e passou a viver, de fato, sozinha com o filho.
E é por isso que mesmo após ter tomado seu clássico café preto de todas as manhãs, sentia a necessidade de passar na Prophecy; uma cafeteria incrível que ficava apenas dois quarteirões de seu trabalho.
O clima do lugar era tranquilo e agradável. Quando entrou, havia poucas pessoas sentadas nas mesas e um único atendente no balcão. Pediu por um cappuccino e algumas rosquinhas de coco para a viagem, e sorriu satisfeita ao dar o primeiro gole naquela delícia em forma de bebida quente.
Ao sair do estabelecimento, se distraiu guardando as rosquinhas em sua bolsa, então não percebeu a pequena movimentação que o horário das sete e meia começava a causar nas ruas, o que a fez se esbarrar em algo, ou alguém; por estar cabisbaixa não pôde perceber.
– Me desculpa, moça. Você está bem?
Aquela voz…
Aquela voz masculina que havia acabado de se desculpar com ela e agora estava com a mão repousada em seu ombro… lhe era estranhamente familiar.
Franziu o cenho, e então olhou para cima, arregalando os olhos em seguida.
Liam Cullen estava em sua frente.
Depois de todo aquele tempo… como ele ainda conseguia despertar-lhe sensações tão fortes?
Não era como se fossem conhecidos de uma vida toda, haviam convivido por apenas uma semana… mas, a sensação que tinha é de que havia sido por muito mais tempo!
Seu coração batia em ritmo frenético, suas pernas estavam bambas, sua respiração pesada. E tinha certeza de que se não fosse pela mão forte dele que ainda segurava seu ombro, ela teria desmaiado ali mesmo.
E Liam… não estava nem um pouco diferente da loira.
O rapaz não podia acreditar que finalmente a havia reencontrado. Durante dois anos e vinte e cinco meses havia sonhado com esse momento, chegou até mesmo a procurá-la de todas as formas possíveis através da internet, mas não encontrou nada além de seu perfil no Instagram que por sua vez era privado. Pensou em enviar uma solicitação mas não conseguiu, teve medo de estar incomodando-a e não quis causar-lhe mais nem um dissabor.
A vida já havia castigado demais aquela jovem!
Seus batimentos cardíacos estavam acelerados e não sabia como ainda tinha forças para continuar segurando o ombro de Wiley, considerando que se sentia desprovido de todas elas. Fora sua respiração pesada e seus olhos arregalados, que se ocupavam denunciando a enorme mistura de sensações e emoções que ver sua amada havia lhe causado. Surpresa, alegria, temor, encantamento, saudade… eram todos sinônimos do que sentia no momento.
Não conseguia acreditar no que estava lhe acontecendo no exato segundo, então soube que precisava se beliscar para que tirasse a dúvida. Ele só esperava que não fosse mais um dos maravilhosos sonhos que sempre tinha.
Usou a mão livre para beliscar o braço, e a resposta veio em forma de uma dor, que foi capaz de lhe arrancar um grito e tirar a mão do ombro de Wiley; um reflexo da ação.
O momento foi capaz de os despertar do torpor e Wiley não conseguiu evitar uma risadinha pelo o que o moreno fizera.
– Liam, tá tudo bem?
Ele olhou no fundo dos olhos azuis, e sorriu aliviado por ela estar sendo receptiva.
– Tá, tá tudo bem sim, eu só precisei me beliscar… sabe? -confessou, sem jeito, e a moça apenas sorriu mais um pouco. -Mas e você? Como você está, Wiley?
– Eu também estou bem, só um pouco cansada.
– Entendo. E como vai o Jason?
Wiley sorriu.
– Ele vai bem, cada dia mais esperto!
– Que bom, fico feliz.
– Quanto tempo faz mesmo, hein? Dois anos?
– Dois anos e vinte e cinco meses…
Por alguns segundos se perderam novamente no olhar um do outro. Wiley havia se surpreendido mais uma vez em poucos minutos; então Liam havia contado os meses também?
Ele sentia sua falta? Mesmo depois de tudo?
– Você… você, também contou os meses?
– Sim… tentei contar os dias, as horas, os minutos e os segundos também, mas achei que a esse ponto já seria loucura.
Os dois riram, a leveza tomando conta do ambiente.
– Entendi… -ela olhou pra baixo por alguns segundos e deu uma risadinha quando um pensamento veio à sua mente. Voltou a encará-lo. -Bom senhor Liam Cullen, pelo o que eu me lembro, o senhor está me devendo o cumprimento de uma promessa!
Ele ergueu a sobrancelha e então sorriu, “então ela se lembrava?” pensou ele, se surpreendendo mais uma vez. Nem em seus maravilhosos sonhos ela era tão receptiva!
– Ah é? -Seu sorriso se alargou ao se fazer de desentendido, por brincadeira. — E que promessa é essa?
– Era um dia de muita neve, estávamos em seu carro e você se virou pra mim e me perguntou se depois de toda aquela loucura, eu toparia tomar um café com você, e eu disse que um café seria legal. Depois disso você me prometeu que iria me buscar e teríamos esse encontro!
Dessa vez o sorriso da loira assumiu uma aparência triste, era como se estivesse arrependida por ter dito algo, ou feito alguma coisa… mas ela logo tratou de disfarçar então Liam decidiu que não falaria sobre isso por agora.
– Ah sim, essa promessa… -fez uma pausa para chegar um pouco mais perto dela- Bom, agora que eu finalmente te reencontrei, faço questão de cumpri-la!
Wiley se sentiu mais tranquila e extremamente feliz ao ouvir essas palavras.
– Que bom. Então… o que acha deste sábado? As dez horas?
– Pode ser. E o lugar pode ser essa mesma cafeteria,-apontou com a cabeça para o logo da Prophecy acima da cabeça da loira- o que acha?
– Perfeito! Não poderia ser lugar melhor.
– Então está combinado!
Ela assentiu, e pegou o celular na bolsa.
– Me passa seu número, assim fica mais fácil nos comunicarmos até lá.
O sorriso do moreno cresceu ainda mais, “então ela quer ir se comunicando até lá?”. Pegou o celular no bolso da calça.
Após trocarem os números, se abraçaram e Liam percebeu que o perfume dela havia mudado, estava mais suave. Fechou os olhos e intensificou o abraço, e Wiley não fez a mínima questão de protestar, pelo contrário, acariciou suas costas, também embriagada pelo perfume que o moreno exalava. Tinha algo de diferente… estava um pouco mais forte e ao mesmo tempo mais suave, talvez fosse algo provocado pelo clima, ela não sabia definir com exatidão.
E quando cessaram o gesto, se olharam novamente e sorriram; um sorriso cúmplice e feliz.
– Até logo, Wiley.
Ele lhe beijou a mão, e ela sorriu.
– Até logo, Liam.
{...}
Wiley chegou correndo ao prédio, mas por sorte estava em tempo; cinco minutos antes das oito.
Se dirigiu à sala de espera do consultório da doutora Davis e assumiu seu lugar na mesa. Se sentou e começou a folhear a agenda; checando os horários do dia.
Fazia um ano que trabalhava como secretária, havia conseguido esse emprego alguns dias depois de ter chegado em Montreal. E suas motivações para aceitá-lo foram muitas, não apenas porque precisava trabalhar e o salário era bom, como também por ser pediatra, a doutora Camila Davis se ofereceu para consultar Jason de graça, justamente por não ver sentido em cobrar de uma funcionária. Quando ela disse isso, Wiley se sentiu surpreendida mas também muito agradecida; saúde não era algo muito barato e quanto menos despesas ela tivesse, melhor seria! Com um bom salário, folga aos finais de semana e seu filho tendo consultas garantidas, só conseguiu enxergar vantagens no emprego, e se sentia sortuda por tê-lo.
– Bom dia, Wiley. -a doutora a cumprimentou assim que chegou, com seu clássico sorriso de sempre. -Tenho algum paciente agora?
– Bom dia, doutora. Tem sim, uma garotinha chamada Charlotte, de oito anos, mas ela ainda não chegou. Quer que eu ligue para a mãe?
– Não precisa, ainda é um pouco cedo. Mas caso dê umas oito e quinze e ela ainda não tenha chegado, peço que ligue sim, por favor.
Wiley assentiu e a doutora entrou em seu consultório.
{...}
Quando Liam chegou ao laboratório, se surpreendeu ao ver tantas pessoas na sala de espera, o movimento estava crescendo a cada dia mas ele sinceramente não esperava que isso aconteceria tão depressa.
Desde que se formara em biomedicina, seu sonho era montar um laboratório para si, sonho este que havia se tornado realidade há poucos meses. Mas apesar de sonhar alto, ele sabia que negócios assim demoram para fazer sucesso, então não esperava que seu laboratório se tornasse conhecido da noite para o dia.
Mas ao que tudo indicava… isso havia acontecido!
Sorriu, parecia que a sorte estava a seu favor, afinal.
Se dirigiu à mesa de uma das secretárias e perguntou se o material que ficou de analisar já estava em sua sala e ela confirmou. O moreno então agradeceu e passou pelo corredor, podendo observar alguns exames de sangue já sendo realizados em algumas salas, sentiu pena por uma criança que aparentava não menos que cinco anos, chorando enquanto a agulha era colocada em seu bracinho. Preferiu sair dali antes que seus olhos enchessem de água; ele só tinha três pontos fracos e um deles com certeza eram crianças.
Fechou a porta da sala e então começou a se preparar. Vestiu o jaleco, a touca, a máscara e lavou as mãos antes de colocar as luvas. Abriu o frigobar e retirou as amostras de cabelo; era um teste de irmandade, duas mulheres que achavam que poderiam ser irmãs após terem descoberto algumas coisas do passado. Ambos os cabelos eram castanhos então ele tomou muito cuidado para não confundir as donas das amostras.
E após vários minutos de análise, ao que tudo indicava, elas eram mesmo irmãs pois foi provado que o DNA daquelas amostras eram os mesmos.
{...}
Wiley havia acabado de desligar um telefonema de confirmação de consulta, quando o relógio anunciou a chegada do horário de almoço. Tanto ela quanto a doutora Davis saíam meio dia e quinze e voltavam à uma e quinze; era o horário que melhor se aplicava a elas, nos demais consultórios, os horários poderiam ser diferentes.
Após desligar o computador, arrumou a cadeira, pegou sua bolsa e saiu.
Tinha um restaurante maravilhoso ao lado do prédio, e muitos que trabalhavam lá gostavam de ir almoçar nele. Era um restaurante italiano, a comida era maravilhosa, o ambiente confortável e o preço excelente!
Fechou os olhos em apreciação quando sentiu a massa daquele macarrão com queijo dissolver em sua boca, e quando os abriu novamente, voltou a encarar a comida no prato.
E enquanto almoçava, sua mente se perdia em inúmeros pensamentos. No entanto, ao invés deles se resumirem a Jason, como de costume, dessa vez, se viu pensando em Liam também.
Reencontrá-lo depois de tanto tempo, havia mexido com ela de inúmeras formas… como era possível que ele ficasse ainda mais bonito e gentil? Sinceramente, não esperava que algum dia iria vê-lo de novo, e mesmo se visse, já havia sido tomada pela certeza de que ele fosse guardar algum tipo de sentimento negativo em relação a ela, mas… ele era tão incrível que além de ter sido gentil, perguntou de seu filho e ainda aceitou marcar um encontro com ela.
Sorriu, não via a hora de sábado chegar!
{...}
Já era meio dia e meia, no entanto Liam ainda não havia saído para almoçar, e nem sairia, decidiu pedir marmita de seu restaurante favorito; haviam muitos relatórios e laudos de exames para serem feitos.
No entanto, quando a comida chegou, não conseguiu trabalhar enquanto comia, por isso se sentou no sofá de sua sala para que pudesse almoçar em paz. E quando fez isso, sentiu como se uma tonelada tivesse sido tirada de suas costas; estava mesmo precisando descansar um pouco.
Se permitiu fechar os olhos para que apreciasse melhor o sabor daquele peixe grelhado, no entanto, os pensamentos que invadiram a sua mente a partir dali, nada tinham a ver com o sabor que seu paladar estava sentindo, e sim, com uma certa loira que havia conquistado seu coração há exatos dois anos atrás.
Sorriu, Wiley estava tão linda, mais do que quando ele a conheceu, e sua energia… radiante, como sempre!
Como isso era possível? Tinha certeza de que algum dia iria vê-la de novo, mas nunca lhe passou pela cabeça que seria em uma situação tão corriqueira assim…
Mal podia esperar por sábado… algo dentro de si lhe fazia acreditar que a partir do momento em que se vissem novamente naquela cafeteria, algo iria mudar!
Ele só esperava que tivesse haver com um dos sonhos que tinha com ela.
{...}
Havia chovido na noite anterior, motivo que justificava o ar frio e as vestes quentes das pessoas naquela manhã de sábado.
Liam estava distraído, olhando pela janela de uma das mesas que ficavam no fundo da cafeteria. Havia escolhido aquele lugar porque pensou que ele e Wiley ficariam mais à vontade para conversar, fora a vista esplêndida!
Na mesa que ocupava, havia uma garrafa d’água, e dois copos, a única coisa que fora capaz de pedir enquanto aguardava a moça.
Sabia que estava adiantado, haviam marcado as dez e agora eram nove e vinte e cinco… mas a ansiedade que sentia era tanta, que não conseguiu se aguentar e saiu mais cedo de casa do que deveria.
Abriu um sorriso quando desviou o olhar para a porta e viu Wiley entrando enquanto empurrava um carrinho de bebê. Se a porta do estabelecimento não possuísse aquela rampinha, ele mesmo teria ido até lá para ajudá-la.
– Bom dia, Liam. -ela disse, quando se aproximou da mesa, posicionando o carrinho bem ao lado da cadeira que viria a ocupar, segundos depois. -Foi mal, mas eu não consegui encontrar ninguém que pudesse ficar com ele… meus tios viajaram anteontem e só voltam na próxima semana.
Ele não conseguiu evitar em achar adorável a forma como ela falava, “é sério que ela acha que eu vou me importar em ela trazer o filho dela?” pensou.
– Tudo bem, Wiley, relaxa, não precisa se desculpar. -olhou para o carrinho e viu os dois olhinhos azuis bem abertos o encarando. Sorriu para o bebê. -Oi carinha, como você está? Meu nome é Liam. Talvez você não se lembre de mim, mas eu te conheço desde que você era bem pequenininho.
Wiley sorriu.
– Oi. -disse o bebê, enquanto abria um pequeno sorriso e balançava a mãozinha em forma de cumprimento.
– Caramba… ele tá enorme! -disse Liam, após voltar a olhar para Wiley, que apenas abriu ainda mais o sorriso.
– Tá mesmo, às vezes até eu me assusto quando vejo que ele não é mais o meu recém-nascido…
Ela fez um carinho no rostinho do pequeno e em seus cabelinhos loirinhos, e pegou a bolsa, que estava no bagageiro do carrinho.
– Ele costuma sentir fome nesse horário, aí eu dou o que eu chamo de segundo café da manhã; leite com achocolatado e bolachinhas de nata.
Liam assentiu, enquanto observava Wiley arrumar o carrinho para acomodar os aperitivos.
– Eu também amava essas bolachinhas quando eu era pequeno!
– Sério? Jason adora… parece que vocês têm algo em comum.
Ela sorriu, e Liam não conseguiu não se contagiar por aquele sorriso.
– Pois é… bom, eu até agora só pedi uma água, fica a vontade se você também quiser tomar, eu pedi dois copos.
– Ah eu vou aceitar sim, ainda não tomei água hoje.
A loira pegou a garrafa e serviu o copo, tomando o líquido em uma rapidez de segundos, algo que fez o bebê no carrinho rir, pois a pressa de sua mãe em se hidratar, havia feito com que quase respingasse água em seu colo.
– Fica rindo da mamãe, Jay, fica… -revirou os olhos de forma divertida, algo que fez Liam rir. -Mas enfim… viemos aqui para tomar café, já tem algo em mente?
Ele pegou o cardápio.
– Na verdade não, eu nunca tinha vindo aqui até aquele dia que a gente se esbarrou.
Wiley levou as mãos à boca, em um gesto de surpresa.
– Como assim você não conhecia a Prophecy? É a melhor cafeteria da cidade!
– Bom, em minha defesa eu não estou há tanto tempo aqui, me mudei há seis meses.
– Bom, então nesse caso, está perdoado.
Deram mais algumas risadinhas e então finalmente fizeram os pedidos; latte para Liam, e macchiato para Wiley. Pediram também alguns mini-muffins de chocolate e blueberry para acompanhar.
– Mas e você, senhorita Day, -assoprou o latte para esfriar-lo um pouco. -está há quanto tempo em Montreal?
– Há dois anos. -Deu um gole no macchiato, fechando os olhos por milissegundos para apreciar melhor o sabor. -Me mudei dois meses depois de tudo aquilo acontecer…
De repente seu olhar se tornou vago no ar, e Liam franziu um pouco o cenho.
Era evidente que aquele assunto todo ainda mexia com ela… e não era para menos, Wiley havia sido uma das pessoas mais afetadas pelos eventos da cidade de Pretty Lake, especialmente porque… bem… sua vida já estava complicada antes mesmo de eles começarem a acontecer.
No final das contas, os problemas apenas se intensificaram de forma abrupta.
Levou sua mão direita até a dela, fazendo um carinho, algo que fez Wiley voltar o olhar para ele. A viu sorrir; um sorriso tão lindo e que parecia tão… aliviado?
– Entendo… não precisa remexer nesse assunto, se for algo que te fere.
Wiley franziu o cenho levemente. “Do que ele está falando?” pensou ela.
Será que ele se referia a todos os eventos bizarros que ocorreram em Pretty Lake envolvendo aquele vírus maldito?
Se for isso… ele era muito inocente.
Não, não era isso que fazia Wiley se sentir péssima… é claro que ainda sofria pelas perdas que tivera na família, em especial a de sua mãe e de sua irmã Melissa. Ainda sofria pelas lembranças da fome e do frio que a obrigaram a deixar Jason com os menonitas em uma ação desesperada.
De vez em quando, em noites de tempestades de neve, costumava ter até mesmo pesadelos envolvendo tudo isso…
Mas definitivamente essas lembranças não a faziam se sentir péssima, pelo contrário; a faziam se sentir viva, pois eram a prova de que havia sobrevivido a aquele horror, e de que estava conseguindo proporcionar à Jason, uma infância feliz e saudável, onde sua única preocupação seria brincar e dormir, e não se teria algo para comer no dia seguinte.
O que fazia Wiley se sentir péssima… era a forma como havia tratado Liam na última vez que se viram.
De cabeça virada após ouvir tudo o que o ex-namorado dissera, se sentiu furiosa e impotente em acreditar nas pessoas, prendeu Liam em um celeiro para que ele não fugisse.
Céus, ela chegou a apontar uma arma na cara dele.
Até hoje não havia se perdoado por isso… por esse seu surto de loucura indiagnosticada.
Não se reconhecia naquela lembrança… em circunstâncias normais jamais teria feito aquilo!
Fechou os olhos por milissegundos e cobriu a mão de Liam com a sua mão desocupada, enquanto sentia algumas lágrimas quererem escapar de seus olhos.
– Me perdoa.
Ela soltou a frase, e a expressão de Liam se alterou para a surpresa; olhos arregalados e pensamentos cortados.
Demorou alguns segundos para que conseguisse dizer algo, ou tentar.
– Pelo… pelo o que?
– Ué, pelo o que eu fiz com você na última vez que a gente se viu… -olhou em volta, e sussurrou o restante- Você sabe.
Ah, então ela estava falando daquilo?
Agora estava mais ou menos explicado o porquê ela estava sendo tão receptiva desde que se reencontraram… ela se sentia culpada, e havia amargado essa culpa durante dois anos.
Sentiu vontade de se levantar e abraçá-la, pegar ela e Jason, os colocar em seu carro e os levar para um lugar onde Wiley pudesse se distrair e esquecer aquilo tudo… afinal, para ele, não já não importava mais o que ela fez, ou não fez. Só o que importava era que ela estava em sua frente, de mãos dadas consigo em uma cafeteria incrível!
– Não se preocupe com isso, eu já esqueci!
Ela franziu o cenho.
– Como assim?
– Wiley… eu nunca guardei rancor ou mágoa por aquilo. Você estava passando por muita coisa; era a vacina que descobrimos funcionar, a fome… você tinha acabado de deixar seu filho com pessoas desconhecidas porque as circunstâncias te obrigaram… e o Adam tem um poder de persuasão assustador!
A loira se sentiu extremamente surpresa ao ouvir aquelas palavras… para ela, era inconcebível alguém ter empatia por alguém que causou mal a si. Mas o homem à sua frente era Liam Cullen… o cara que mesmo após ter sido quase linchado por uma cidade inteira, não desistiu de tentar ajudar seus cidadãos.
E ela… realmente sentia verdade em cada palavra dita por ele, sempre fora assim.
– De verdade? Você realmente se sente assim?
Ele apenas assentiu, e sorriu, o que fez com que Wiley sorrisse também.
– A única coisa ruim que eu senti esse tempo todo, foi de não ter te contado tudo desde o início e não ter lutado por você. Eu até cheguei a te procurar mas preferi não te incomodar… eu achava que você pensava que eu era um monstro.
– Isso é besteira, Liam, você poderia muito bem ter me procurado e tentado contato… e eu nunca te achei um monstro! Pelo contrário, eu me sentia assim.
Se encararam por alguns segundos até se perderem no olhar um do outro.
Havia uma coisa mágica acontecendo ali e ela se chamava sinceridade.
Términos abruptos de relações ou convivências costumavam gerar mal entendidos, que por sua vez geravam pensamentos ruins, e a única forma de acabar com eles era através de uma conversa sincera.
Sorriam, aqueles dois jovens haviam entendido isso muito bem, e se sentiam tremendamente aliviados e felizes pelos seus pensamentos ruins gerados pelos mal entendidos do término abrupto de suas convivências, terem sido derrotados!
Apenas acordaram do torpor que os envolvia quando ouviram a voz fina de Jason:
– Mamã, que muffi.
Sorriram, enquanto dirigiam os olhares para o pequeno.
– Qual você quer meu bem? Tem de chocolate e de blueberry.
– Chocolate!
Wiley cortou um pedaço do doce e o pequeno bateu palminhas, em uma felicidade contagiante quando ela se aproximou e o colocou em sua mãozinha. Jason comeu e pediu por mais, algo que divertiu os adultos da mesa.
– Ele ama chocolate! Se pudesse comia todo dia, né meu bem?
O pequeno assentiu e ela beijou a bochechinha dele.
Liam sorriu com a cena.
– Fico muito feliz em ver vocês assim, felizes. Você é uma ótima mãe, Wiley, meus parabéns!
A loira sorriu ao ouvir o elogio.
– Obrigada, eu tento fazer o meu melhor, não é fácil ser mãe ainda mais tão nova… e por mais que eu tenha os meus tios, que sempre me ajudam quando podem, não é certo eu sempre bater na porta deles, eles já tem os filhos criados, merecem curtir a casa vazia e a aposentadoria.
– Entendo… mas saiba que agora você tem mais uma pessoa que está aqui por você, não exite em me pedir ajuda sempre que você precisar!
– Eu não vou. Obrigada, Liam.
Ambos sorriram e voltaram a tomar suas bebidas.
A conversa seguiu tranquila. Wiley contou que conseguiu concluir o ensino médio na mesma época em que trabalhava em uma loja; o primeiro emprego que conseguiu quando chegou em Montreal. Mas que alguns meses depois foi contratada como secretária da doutora Davis, e que gostava muito do emprego, mas que queria voltar a trabalhar de meio período assim que Jason entrasse na escolinha, para que pudesse fazer um curso técnico em belas artes; seu sonho era ser fotógrafa!
Liam se mostrou muito orgulhoso dela, e disse que ela poderia contar com seu apoio para que pudesse realizar esse sonho, algo que a fez se sentir agradecida.
– Mas e você? O que anda fazendo da vida? -ela perguntou, segundos antes de dar uma generosa mordida em um muffin de blueberry.
– Eu montei um laboratório! Era meu sonho desde criança e eu consegui realizar recentemente.
Havia um brilho em seu olhar quando ele falou do trabalho, Wiley apreciou esse detalhe.
– Que legal! E do que é esse laboratório?
– De análises clínicas. Então já sabe que quando precisar fazer algum exame laboratorial, deve procurar o Cullen’s Laboratory.
Ela deu uma risadinha.
– Ok, eu procuro, desde que você me dê desconto…
– Não, não vou te dar desconto, vou fazer melhor; não vou cobrar nada de você!
Ela se engasgou com o resto do café ao ouvir isso, e Liam não pôde evitar uma risadinha.
– Como assim? Não, já não basta a doutora Davis não cobrar nenhuma consulta do Jason… sem chance, Liam, eu aceito um desconto de vinte por cento, mas não de graça! Fora que você está começando, precisa de dinheiro!
Ele levantou as mãos para o alto em um sinal descontraído de rendição.
– Tudo bem, tudo bem, não vou insistir.
– Obrigada!
Riram e conversaram por mais alguns minutos. A essa altura Jason havia caído em um soninho agradável, e os cafés e os muffins já tinham acabado. Quando deram por si, já era quase meio-dia e a cafeteria estava quase vazia.
– Bom Liam, eu gostei muito de hoje, obrigada mesmo. Obrigada pela companhia, pela conversa sincera e por não ter se importado em eu trazer o Jason.
– Que isso Wiley, não precisa me agradecer, sabe que eu não sou esse tipo de cara!
– Sim, eu sei, mas mesmo assim, obrigada.
Ele sorriu.
Se levantaram e caminharam juntos até o balcão do atendente, e ao chegar lá, se entreolharam, como se estivessem se estranhando.
– O que você tá fazendo aqui? -o moreno perguntou.
– Ué, vou pagar a conta.
– Nada disso, eu vou pagar.
– Não, eu!
– Mas fui eu quem fiz o convite, eu devo pagar!
– Mas fui eu quem te lembrei desse convite, me deixa pagar, vai.
Eles não perceberam, mas o atendente os olhava com uma expressão confusa ao mesmo tempo em que lutava contra a vontade de rir.
Mesmo ganhando pouco, às vezes o emprego valia a pena por momentos como esse, que dariam ótimas cenas de sitcom em sua opinião.
–...Wiley, mas você já tem muitas despesas…
–É só dois cafés e alguns muffins! Deixa de ser orgulhoso. Em que século você acha que estamos?
O atendente resolveu tomar a liberdade de se interferir naquela discussão e limpou a garganta, chamando a atenção do moreno e da loira, que o olharam.
– Eu posso sugerir algo? -ele perguntou, e os clientes assentiram. -Se não se importam, vocês podem dividir, a conta deu quarenta pratas, cada um dá vinte e fechou!
Liam e Wiley se entreolharam, como se estivessem pensando em conjunto, e então suspiraram, vencidos,
– Tudo bem! -disseram em uníssono, e deixaram as duas notas de vinte no balcão.
Se dirigiram para a porta de entrada e Liam ficou atrás de Wiley para que ela saísse do estabelecimento enquanto empurrava o carrinho com mais facilidade.
– Nossa, que vergonha! -ela disse, quando já estavam do lado de fora, e sua voz soou em risadas depois, o que contagiou Liam a rir também. -Imagina a cara dele vendo a gente discutir?
– Nem me fala, eu não pagava um mico assim desde a faculdade…
– E eu desde o ensino médio.
As gargalhadas aumentaram; a discrepância de suas experiências devido a diferença de idade de sete anos era algo que sinceramente, os divertia muito!
Quando as risadas cessaram, se olharam de forma intensa, e Liam tomou a liberdade de abraçar Wiley; que imediatamente correspondeu o gesto. E ao cessarem o contato, ela se aproximou mais e deu um beijo demorado em sua bochecha.
– Obrigada mais uma vez por hoje, Liam, você é incrível!
Ele sentiu as bochechas esquentarem ao ouvir o elogio, e sorriu.
– Você que é incrível, Wiley. Muito obrigado por tudo!
Se abraçaram novamente e então a loira deu as costas para ir embora, -a contragosto, diga-se de passagem.
Enquanto Liam observava a moça caminhando, empurrando aquele carrinho de bebê com um Jason ainda adormecido, ele se deu conta de que todo o amor que sentia por ela apenas se tornava mais forte a cada dia, sem que ele percebesse devido a distância que estavam um do outro durante aqueles dois anos.
Mas agora que ela estava outra vez em sua vida… os sentimentos apenas se tornavam mais intensos, e talvez tenha sido isso que tenha feito com que eles se tornassem mais evidentes à ele.
Sorriu, agora que ele a havia reencontrado… não a deixaria escapar novamente!
Wiley Day seria sua, se assim ela desejasse, porque ele…
Bem, ele já pertencia a ela desde que seus olhares se encontraram pela primeira vez!
{...}
À medida que os dias foram se passando, as conversas se tornaram cada vez mais rotineiras entre os jovens. Todos os dias mandavam mensagens de bom dia um para o outro, e à noite gravavam áudios ou faziam ligações para conversar sobre o dia que se passara.
Esses momentos eram sempre maravilhosos para ambos e acrescentavam emoção a uma rotina outrora extremamente comum. Especialmente para Liam, que passava horas e horas dentro de sua sala fazendo análises, relatórios e laudos, e quando chegava em casa… não havia ninguém para recepcioná-lo, nem nada a se fazer além de um banho para tomar e um jantar para esquentar.
Era como se… ele estivesse vivendo apenas pelo trabalho.
Não que estivesse reclamando, afinal, eram esforços necessários para o sucesso de sua profissão.
Mas… não podia negar que reencontrar Wiley o fez criar uma perspectiva em relação a sua vida pessoal, que não tinha há tempos!
De repente se deu conta de que precisava tanto de sucesso em sua vida pessoal, quanto na profissional!
Havia acabado de acender as luzes da sala ao chegar em seu apartamento, quando sentiu o celular vibrar no bolso da calça. O pegou ao se sentar no sofá, abrindo um sorriso quando se deparou com uma mensagem de Wiley em sua tela:
“Hey Liam, boa noite. :) “
“Aproveitando que amanhã é sábado outra vez, o que acha de fazermos algo? Meus tios já chegaram de viagem e dessa vez vão poder ficar com o Jason.”
Era incrível como essa mulher melhorava seus dias e seu humor da forma mais simples possível.
“Ei Wiley. :)”
“Acho ótimo! Tem algum lugar em mente?”
“Pensei em a gente se encontrar na Dorchester Square. Conversamos um pouco e depois podemos ir, sei lá… almoçar.”
“É uma ótima ideia!”
“Ótimo. Então te espero lá às nove!”
“Fechado!”
Seu sorriso aumentou ao bloquear o aparelho. Encostou a cabeça no sofá, e teve a certeza de que iria dormir feliz aquela noite!
{...}
Wiley estava sentada em um dos bancos daquela praça, aproveitando o sol matinal que banhava seu rosto. Os olhos fechados faziam as sensações ótimas provocadas pela natureza, apenas se intensificarem.
Não havia chegado há muito tempo; cinco minutos. Precisou sair mais cedo de casa para deixar o filho na casa de seus tios, que o tratavam como um netinho, e o pequeno adorava passar um tempo com eles.
A loira adorava esses momentos em que podia se permitir ter contato com a natureza, adorava o verão, adorava o sol e a vida que emanava nessa época do ano! Abriu um sorriso ao sentir uma leve brisa se contrastar com aquele quentinho proporcionado pelo sol.
De repente sentiu seus olhos serem cobertos por duas mãos, e ao contrário do que se esperaria, ela apenas aumentou seu sorriso, enquanto sentia aquele perfume característico.
– Adivinha quem é. -disse o dono da voz, e instantes depois retirou as mãos do rosto da moça.
Wiley virou a cabeça para trás; encontrando um Liam extremamente sorridente, cujos olhos amendoados brilhavam naquela luz solar.
– Liam!
Ela o abraçou pelo pescoço; gesto que pegou o rapaz de surpresa, e ele apenas se permitiu corresponder aquele gesto. Ficaram alguns segundos assim, até que cessaram o abraço para que Liam desse aquela pequena volta e se sentasse ao lado dela, no banco.
– Como você está, Loirinha?
Ela sorriu ao ouvir o apelido.
– Estou bem, aproveitando esse sol. E você?
– Agora estou muito melhor!
Ela sentiu suas bochechas esquentarem, e abaixou um pouco a cabeça, enquanto um sorriso surgia em seus lábios.
– Fico muito feliz em saber! -Ela disse, ao levantar novamente a cabeça para encarar seus olhos. -E como vão as coisas no trabalho? Tirou muito sangue essa semana?
Ele deu uma risadinha.
– Vão bem, e não, não tirei sangue, essa parte não é comigo. Mas e o seu trabalho, como vão as coisas por lá?
– Também vão bem, ontem o movimento estava muito cheio, quase não tive tempo pra almoçar. -deu uma risadinha- Mas no final, ficou tudo bem.
– Que bom. Você está linda hoje!
Suas bochechas novamente se esquentaram e Wiley teve a certeza de que estava, por um momento, voltando a adolescência.
– Ah, então nos outros dias que você me viu eu não estava linda? -ela disse, apenas para implicar, e deu uma risada.
– Não é isso, é que hoje… não sei, você está ainda mais linda, é como se tivesse algo de diferente na sua energia, não sei…
– Deve ser esse sol, e por eu não estar com um carrinho de bebê.
Ele assentiu.
– Sabe, Liam, tem uma coisa que eu queria muito ter te perguntado aquele dia na cafeteria, mas não achei de bom tom…
Ele franziu levemente o cenho, curioso.
– E o que seria? Pode me perguntar sem medo!
Ela respirou fundo e fechou os olhos por milissegundos.
– Como você… como você conseguiu sair… daquele celeiro?
Ele arqueou as sobrancelhas, não esperava por uma pergunta assim. Mas, tinha a sensação de que deveria ter esperado o momento que isso fosse-lhe perguntado, afinal, fora a própria Wiley quem o prendeu lá.
E diga-se de passagem ela amarrou aquelas cordas muito forte! Não fazia ideia de que para uma jovem tão delicada, sua mão fosse tão pesada.
Mas isso era algo que, sinceramente, o fazia rir nos dias de hoje.
– Eu fui escoteiro na época da escola, e lá a gente aprende essas técnicas de sobrevivência e autodefesa. Depois de mil anos tentando cortar aquela corda raspando ela na madeira solta, eu consegui me soltar. Depois foi só arrombar a porta e voilá: estava livre!
Sua voz soou em gargalhadas e Wiley se surpreendeu com aquilo.
Como ele conseguia rir com uma lembrança daquelas?
– Me admira a forma como você é resiliente!
Ele balançou a cabeça, em um gesto despreocupado.
– Eu só… penso que havia coisas mais sérias naquela cidade, sabe? E bom… depois que o Adam resolveu ir atrás da Horatio… a situação saiu do controle! Eu comecei a temer por aquela cidade, e por tudo e todos que a envolvia!
– Pois é… eu fiquei tão aliviada quando tudo aquilo acabou. A Horatio fechada, os cientistas presos…
– Sim… inclusive, eu sempre tive curiosidade em saber como isso aconteceu…
Wiley abriu um sorrisinho travesso.
– Bom… o Adam queria vazar tudo pra imprensa, mas eu sabia o quão era arriscado, então peguei o pen-drive dele e encaminhei os arquivos para o FBI!
Liam levantou as sobrancelhas; surpresa era pouco perto do que ele sentia no momento.
Nunca havia se passado por sua cabeça que a mente brilhante por trás do encerramento daquela experiência criminosa, era ninguém mais ninguém menos do que Wiley.
E esta… bom, teve vontade de rir ao observar as expressões que o rapaz à sua frente fazia.
– Está chocado? Eu entendo, enviei os arquivos de forma sigilosa, acho que nem eles sabem que sou eu e mesmo que saibam, não irão dizer.
– Wiley você… você foi uma heroína, sabe disso não sabe?
– Que isso Liam, eu só fiz o que deveria ter sido feito! Uma cidade inteira iria morrer se alguém não parasse aquela farmacéutica… e eles chegaram a liberar o vírus para outras cidades também…
– Entendo… mas, se tudo chegou ao FBI, -uma organização de inteligência com inúmeros agentes super bem treinados-, como eles não chegaram até mim?
– Porque eu… bem, eu apaguei os registros que envolviam você. Substitui seu nome pelo nome do pai do Adam, assim ninguém iria questionar já que foi ele quem criou o vírus!
Lágrimas ameaçaram surgir nas orbes castanhas.
Então… Wiley havia salvado a sua vida, o impedido de amargar seus dias atrás de uma cela de prisão…
Não haviam palavras a serem ditas e ele apenas conseguiu expressar sua gratidão de uma única forma: a abraçando.
Wiley foi surpreendida por aquele abraço, mas o aproveitou e o correspondeu na mesma intensidade. Ela podia sentir lágrimas silenciosas molhando seu vestido verde, e ela o apertou ainda mais em seus braços.
De repente o mundo havia parado; só haviam eles naquela praça… todo o resto foi esquecido! Não sabiam quanto tempo estavam abraçados, e sinceramente, isso nem importava.
Apenas cessaram o gesto quando o choque das informações passou.
Liam acariciou a face da moça, se deixando perder naquele mar azul que ela tinha nos olhos, e se aproximou mais um pouco, para dar-lhe um beijo na testa.
– Muito obrigado. Muito obrigado mesmo, Wiley! Você não faz ideia do quanto isso significa pra mim… caramba, você salvou a minha vida, em todos os sentidos! Eu nunca vou ter palavras e nem gestos o bastante para te agradecer.
Ela sorriu e segurou sua mão.
– Não se preocupe com isso. Era o mínimo que eu podia fazer depois de tudo! Fora que você era o único ali que realmente estava preocupado com a cura… eles só te usaram e te enganaram aquele tempo todo.
– Não, você não tinha nenhuma obrigação em fazer isso, mas fez mesmo assim. Eu… -as palavras se perderam na garganta. Ele queria dizer que a ama, queria finalmente se declarar, mas aquela vozinha em sua cabeça lhe dizia que ainda não era o momento certo, e com medo de acabar assustando a moça, preferiu não dizer aquelas palavras por enquanto. -Eu gosto muito de você!
Ela sorriu.
– Eu também gosto muito de você!
{...}
Era uma sexta-feira à tarde.
Tanto Wiley quanto Liam iriam trabalhar apenas na parte da manhã naquele dia; ela, porque a doutora Davis precisava viajar a trabalho, e ele, porque o movimento no laboratório costumava ser fraco nas sextas e seu trabalho com os relatórios estava adiantado.
Wiley buscou Jason mais cedo no berçário, ela e Liam combinaram de fazer uma sessão cinema em seu apartamento, ainda não haviam decidido o filme, mas ela queria Mamma Mia!
Quando chegou em casa, deu um banho em Jason, e fez uma papinha de legumes para ele, que minutos após comer, caiu em um soninho gostoso.
Enquanto o filho dormia, Wiley tomou um banho rápido e começou a ajeitar a sala; havia uma pequena bagunça organizada ali e ela não queria causar uma má-impressão quando Liam chegasse.
Passada meia hora, recebeu uma ligação do porteiro no interfone; Liam havia chegado. Ela sorriu e liberou sua entrada. Foi até o espelho no quarto e ajeitou mais uma vez a roupa; havia escolhido uma calça legging preta e um blusão de manga curta do The Killers. E o cabelo estava solto, não gostava muito de prendê-lo em casa.
Ouviu a porta bater e ao abri-la, se deparou com Liam sorrindo. Ele estava lindo naquela calça jeans e camiseta branca, e em seus braços havia um buquê de lírios e uma sacolinha de uma loja de conveniência.
– Boa tarde, Wiley.
– Oii Liam, entra.
Ela liberou passagem e ele entrou após pedir licença.
Após ela fechar a porta, ele se virou para ela e ergueu o buquê.
– Trouxe para você. Espero que goste de lírios.
Ela sorriu e pegou as flores, as acomodando de forma protetora em seus braços.
– Muito obrigada, eu adoro, são as minhas flores favoritas!
Ele não pôde deixar de se sentir feliz ao ouvir isso.
– É bom saber. E ah, -ergueu a sacolinha- trouxe esses biscoitos para o Jason, você disse que ele ama biscoitos de nata.
O sorriso da moça apenas aumentou de tamanho, e ela pegou a sacolinha, feliz com o gesto de Liam.
– Ele ama mesmo, obrigada. Agora ele está dormindo, mas quando acordar tenho certeza de que ele vai amar o presente!
Ela o abraçou rapidamente, antes de se dirigir até a cozinha a fim de colocar o buquê em um vaso com água. A caixinha dos biscoitos ficariam na bancada.
– Vou fazer pipoca! -ela anunciou, enquanto pegava a panela no armário. -Você gosta dela com ou sem manteiga?
Ele saiu da sala e se sentou em uma das banquetas da bancada; a fim de observá-la.
– Com manteiga.
– Que bom, por que eu também!
Deram algumas gargalhadas, e então Liam se lembrou de algo, que o fez parar de rir.
– Mas… o Jason não vai acordar com o barulho?
– Vai não, ele tem sono pesado e a porta do quarto dele está encostada.
– Ah sim.
{...}
Risadas eram ouvidas naquele apartamento enquanto Dancing Queen era performada por Meryl Streep e suas companheiras de elenco; Christine Baranski e Julie Walters.
A essa altura Jason já havia acordado e estava sentadinho em seu tapetinho de atividades no chão, completamente entretido com seus biscoitinhos de nata.
Havia pipoca espalhada pelo sofá que Wiley e Liam ocupavam, e na mesa de centro -que agora estava posicionada perto do sofá ao lado do rapaz-, dois copos com refrigerante se faziam presente.
– Isso é demais! Não acredito que eu nunca assisti esse filme antes… -o rapaz exclamou, fazendo Wiley o olhar surpresa.
– Caramba, não acredito! Mamma mia é um clássico dos musicais! Até eu que não sou muito chegada em musicais, amo esse!
Ele riu.
– Pois é, estou descobrindo um novo mundo agora com você.
Ela o olhou, sorrindo.
– É bom saber disso.
Após alguns minutos um bloco de cenas com uma música lenta começou, causando uma mudança no clima.
Como já haviam terminado de comer a pipoca, sem que um dos dois percebesse, Wiley acabou chegando mais perto de Liam e recostando a cabeça em seu ombro, que por sua vez, involuntariamente, a abraçou. Era como se… seus corpos estivessem falando por eles; como se esse gesto fosse a coisa certa, algo natural que por algum motivo, havia demorado para acontecer.
E ficaram o resto do filme assim, até que os créditos começaram a passar.
– E então… o que achou? -ela perguntou, enquanto saia dos braços do moreno.
– Incrível! Eu adorei.
Ela sorriu e se levantou, pegando o balde de pipoca e os copos.
– Que bom, e você querendo que eu colocasse um dos filmes do Jurassic World…
A torneira foi ligada; ela estava lavando a louça.
– Ei! Jurassic World é incrível, não sei porque você implica com essa franquia…
– Não é questão de implicância, é que sei lá… eu já assisti tanto esses filmes, acabei enjoando um pouco.
– Entendi.
Liam se levantou e estava prestes a se dirigir até a cozinha quando sentiu algo puxar a barra de sua calça. Olhou pra baixo e abriu um sorriso extremamente sincero quando viu Jason, com seus olhinhos azuis o encarando com aquela carinha de criança pidona.
– Ei, carinha, o que está fazendo aí agarrado na minha calça?
Ele riu e se abaixou para pegar o pequeno no colo, que imediatamente se aninhou em seus braços.
Wiley desviou o olhar por alguns instantes e sorriu com a cena.
– Ele gosta muito de você. -Ela disse, enquanto terminava de enxaguar um copo e colocá-lo no escorredor.
O sorriso de Liam apenas aumentou ao ouvir isso.
– Sério?
– Sim! Ele sempre me pergunta quando a gente vai ver o “tio Liam” de novo, ou se pode ver o “tio Liam”.
Ela deu uma risadinha, e ele olhou para o pequeno, que ainda o encarava.
– Bom… eu também gosto muito de você, garotão!
Deu um beijinho na testa do pequeno, que sorriu e agitou os bracinhos em uma demonstração de felicidade.
O sorriso de Wiley aumentou, e ela sentiu vontade de dizer algo, mas a emoção que cresceu dentro de si não deixava, então se limitou a apenas sorrir e secar uma lágrima silenciosa que lhe descia a bochecha.
{...}
Algumas horas se passaram, a pedido de Jason -do qual fora reforçado por Wiley-, Liam ficou para jantar. Resolveram pedir uma pizza calabresa e uma garrafa de suco de melância.
Risadas preencheram o ambiente da cozinha e conversas proveitosas surgiram. Foi a primeira vez que Jason comeu pizza, e o pequeno adorou, para alívio de Wiley, que já se sentia cansada para cozinhar naquela noite.
Após o jantar, a loira e o moreno lavaram a louça juntos enquanto Jason continuava sentado em sua cadeirinha. O pequeno riu bastante quando Liam deixou a esponja cair no chão por acidente, fazendo com que sua mãe quase escorregasse. O que não aconteceu, devido aos braços protetores de Liam tê-la pegado antes, mas só da cena quase ter se concretizado, já era motivo para que o pequeno soasse em gargalhadas.
E quando Jason dormiu, Liam viu a sua deixa para ir embora. Mesmo querendo ficar mais na presença deles, ele sabia que não podia; já eram dez horas, precisava ir.
Wiley o acompanhou até a porta.
– Muito obrigado por hoje, Wiley, eu me diverti muito!
Ela sorriu.
– Que isso, eu quem agradeço, tinha tanto tempo que eu não me divertia assim… a gente devia marcar mais vezes.
– Sim, eu também acho.
De repente um silêncio se fez presente, eles se olhavam de forma profunda e ambos sentiam a necessidade de dizer algo, mas… o que, exatamente? Não se passava nada por suas mentes no momento.
O barulho de algo caindo do lado de fora do prédio os fez despertar daquele torpor, e então Liam segurou a mão de Wiley, a ergueu, e plantou um beijo casto ali, algo que a loira sem dúvidas não esperava mas que a fez se sentir extremamente feliz.
– Bem… até mais. -ele disse, e ela deu um leve sorriso.
– Até.
O moreno deu as costas e começou a caminhar em direção ao elevador.
As mãos de Wiley estavam suadas; ela não queria que ele fosse embora, não ainda, ela queria fazer mais alguma coisa.
Seu coração começou a bater de forma frenética, se não fizesse isso agora, não saberia quando poderia fazer novamente.
O Cullen estava prestes a entrar no elevador, quando ela chamou seu nome; de forma alta o bastante para que ele escutasse.
– LIAM!
Ele se virou para trás e a única coisa que viu foi Wiley correr em sua direção antes de esmagar seus lábios nos dele.
O gesto foi tão rápido que por um instante o moreno não conseguiu reagir, apenas ergueu as sobrancelhas em total surpresa. Mas quando caiu em si, correspondeu imediatamente aquele beijo. Ela tinha as mãos em seu colarinho, e ele aproveitou para levar as suas até a cintura e as costas dela, as circulando com seus braços protetores.
Não podia acreditar que isso finalmente estava acontecendo! Esperava há tanto tempo por esse momento, chegava até mesmo a sonhar com ele.
O beijo de Wiley era muito melhor do que ele pensou que seria; tinha um sabor inexplicável de morango e menta.
O ritmo começou frenético mas depois foi se acalmando… e quando o gesto finalmente se findou, apenas tiveram tempo de recuperar o fôlego e ver o quão inchados seus lábios estavam, antes que ele os colasse novamente.
Poderiam fazer aquilo pelo resto da vida!
{...}
– Obrigada pelo convite, eu adorei a noite, Liam. -disse Wiley, após o carro parar em frente ao seu prédio.
– Não precisa me agradecer.
Ambos sorriram e Liam se aproximou dela para beijar-lhe os lábios.
Eram nove horas da noite de sábado.
Haviam acabado de chegar de mais um encontro e dessa vez o rapaz a chamou para irem juntos a estreia de um filme de suspense, e ela aceitou após verificar com a tia se poderia deixar Jason com ela.
Desde o dia que se beijaram pela primeira vez; a duas semanas atrás, vinham se encontrando com cada vez mais frequência, e as conversas se alteraram para uma forma da qual o flerte sempre vinha de forma natural.
Estavam adorando essa nova fase em suas vidas; Wiley tinha uma companhia da casa dos vinte e Liam não vivia apenas pelo trabalho.
Quando o beijo cessou, se olharam nos olhos e a loira começou a rir quando percebeu que o moreno estava com as bochechas coradas.
– Hum, o que aconteceu? Por que está todo vermelhinho?
O rapaz engoliu em seco; estava tão na cara assim?
Quando chamou Wiley para irem a essa estreia, já tinha um plano em mente e a hora de executá-lo chegou.
Ele iria pedi-la em namoro.
Havia comprado até mesmo uma pulseira para simbolizar o novo laço.
Mas… por algum motivo, estava nervoso. E não sabia porque, considerando os inúmeros ensaios na frente do espelho antes que o presente momento chegasse.
Ele pigarreou, em tentativa de retomar a postura, e conseguiu acalmar um pouco o nervosismo que sentia.
– Wiley eu… já tem dias que eu venho pensando a respeito disso e, acho que já está na hora de oficializarmos a nossa relação.
Ele começou a mexer no bolso da calça; como se estivesse procurando por algo, e a moça engoliu em seco; nervosa.
Dentro de si ela já sentia e sabia o que ele estava querendo fazer.
Ele retirou do bolso uma caixinha preta, do tamanho médio, e olhou profundamente em seus olhos.
– Wiley Day, quero que saiba que desde que você entrou na minha vida, você trouxe luz a ela, de tal forma que eu já não me imagino vivendo sem você.
Ele abriu a caixinha, revelando uma linda pulseira de ouro branco, com pedrinhas entre um azul claro e marinho.
Wiley levou as mãos à boca, completamente chocada.
– E por isso eu preciso te perguntar -ele continuou- se você me daria a honra de ser minha namorada.
Seus batimentos estavam acelerados e ela olhou para ele, ainda extremamente chocada e surpresa com o que havia acabado de acontecer.
Seus olhos estavam marejados, e seus pensamentos haviam se tornado uma névoa.
Tudo o que ela mais queria era se jogar em seus braços e dizer sim, inúmeras vezes!
Mas… não podia.
Pelo menos não agora.
Sua vida não se resumia apenas a ela, todas as decisões que tomava também atingia seu filho.
E não suportaria dar um passo tão grande quanto entrar em uma relação, se não tivesse certeza de que isso também seria benéfico para Jason.
Ela enxugou as lágrimas e após retomar o fôlego, pegou uma das mãos de Liam, e olhou profundamente em seus olhos.
– Liam Cullen… quero que você saiba que você é muito importante para mim, e que eu amo cada segundo dos momentos que passamos juntos. Eu estou extremamente surpresa e feliz com o seu pedido! Acredite, você me deixou sem palavras e eu nunca vou esquecer dessa surpresa tão linda. -Fez uma pausa e suspirou. -Mas… eu sou um pacote completo, minha vida e minhas decisões também se aplicam a Jason, e eu sinceramente tenho medo de ele acabar se apegando demais a você e a nossa relação não dar certo. E aí como fica? Ele pode ser um bebê mas é esperto, e gosta muito de você, tenho medo de um relacionamento amoroso fracassado acabar destruindo a nossa amizade e a convivência de vocês ser afetada por isso. Por esse motivo, eu não posso aceitar agora, preciso pensar primeiro, colocar as ideias em ordem… e aí eu respondo.
Ela deu um fraco sorriso e acariciou a face do moreno, que fechou os olhos para apreciar melhor o carinho.
– Não fica chateado comigo, vai… eu quero muito aceitar, mas preciso pensar primeiro.
Ao abrir os olhos, ele suspirou, de forma vencida.
– Tudo bem, eu entendo os seus motivos, não estou chateado! -deu um selinho nela- Mas, promete que vai pensar com carinho?
Ela sorriu.
– Prometo!
Ele acariciou a bochecha dela e fechou a caixinha da pulseira, a colocando em suas mãos.
– Fica com a pulseira, ela já é sua desde que eu a vi na loja!
Ambos riram e ela assentiu.
– Tudo bem, muito obrigada, ela é muito linda!
– Só não é mais linda do que você!
O sorriso dela aumentou e suas bochechas coraram.
– Você ama me deixar envergonhada!
– Envergonhada por que? Se é a verdade?
– Melhor eu ir, antes que eu acabe virando um tomate! -Ela deu uma risadinha e guardou a caixinha em sua bolsa.
Se olharam por alguns segundos antes que ela o abraçasse.
– Muito obrigada, Liam, por tudo.
– Eu quem agradeço, boa noite, Wiley.
– Boa noite.
Ela sorriu e abriu a porta, saindo do veículo em seguida.
E quando chegou ao saguão do prédio, podia sentir seus batimentos ainda acelerados.
Precisava pensar logo na decisão que tomaria!
{...}
Durante os três dias que se passaram, o que Wiley mais fizera foi pensar.
Pensar em… tudo!
Pensar no que significaria entrar em um relacionamento amoroso depois de dois anos sem ter ninguém.
Pensar no que significaria entrar em um relacionamento amoroso tendo um filho bebê para criar.
Pensar no que significaria entrar em um relacionamento amoroso sendo dona de uma liberdade que lutou para ter.
Pensar no que significaria entrar em um relacionamento amoroso com um homem sete anos mais velho.
Poderia ser algo simples a se chegar a alguma conclusão mas certamente não para ela.
Sabia que Jason gostava muito de Liam, assim como Liam também gostava muito de Jason. Não haveria problemas de convivência entre eles… o que a fazia se preocupar eram os riscos de não dar certo.
E se não desse certo e Jason se apegasse à Liam? Como lidaria com essa situação?
Essa tecla fora batida pela sua mente inúmeras vezes naqueles três dias, e após pensar tanto, concluiu que Liam jamais entraria em um relacionamento com uma mulher que é mãe, se não tivesse certeza de que daria certo. Ou que pelo menos não tivesse certeza de que se esforçaria para que desse certo.
Ela só precisava… confiar nele, algo que ela já fazia.
Sorriu ao entrar no consultório, parecia que já havia tomado sua decisão, afinal.
Aquela era uma notícia que não se podia dar de qualquer jeito, então após muito pensar, Wiley decidiu marcar um jantar em seu apartamento no dia seguinte.
Ligou para Liam durante o horário de almoço, e sorriu quando ele atendeu.
“Oi Wiley, como vai?”
O sorriso aumentou quando ela sentiu que ele também estava sorrindo do outro lado da linha.
“Vou bem, e você?”
“Melhor agora.”
“Que bom. Seguinte, eu estou te ligando pra te convidar para jantar aqui em casa amanhã à noite, o que acha?”
“Acho ótimo! Que horas é pra eu ir?”
“Bom, o Jason dorme às oito, então eu pensei em umas nove. Está bom pra você?”
“Está sim!’
“Ótimo! Então te vejo amanhã.”
“Até amanhã, Wiley, já estou ansioso para ver o que você vai preparar.”
Ela deu uma risadinha.
“É surpresa!.”
{...}
Liam fechou o laboratório mais cedo no dia seguinte; queria se preparar melhor para o jantar. Algo lhe dizia que seria um momento especial e que alguma coisa mudaria.
Ele só esperava que fosse o que ele estava pensando!
Decidiu levar lírios vermelhos e uma caixa de chocolates para Wiley. Já para Jason, passou em uma loja de brinquedos e comprou um ursinho de pelúcia com um cachecolzinho azul, ele pensou que o pequeno fosse gostar de brincar e dormir agarradinho com ele.
Ao chegar em casa, colocou os presentes em cima da mesa, -com exceção claro, dos chocolates, que por sua vez se fizeram presentes em uma das prateleiras da geladeira-, e foi tomar banho.
Em meia hora já estava em seu carro, pronto para dar partida.
Sorriu, estava com muitas saudades de Wiley e de Jason, não via a hora de finalmente chegar ao apartamento deles!
{...}
Quando Wiley abriu a porta, Liam foi surpreendido por uma imagem da qual poderia ser igualada a uma pintura de museu.
A loira estava majestosamente bela! Trajava um vestido rosa claro com detalhes delicados. Os cabelos penteados com a franja para o lado e uma singela pequena trança do lado direito. E uma maquiagem que apenas realçava a beleza natural que ela possuía.
E seus lábios… estavam abertos em um enorme sorriso, tão belo quanto a dona.
– Boa noite, Liam.
Ele suspirou e sorriu.
– Boa noite, Wiley. Trouxe pra você.
Ele ergueu o buquê junto com a caixa de chocolates e a loira os pegou, olhando para as flores em uma expressão de admiração.
– Obrigada, Liam. São tão lindas…
Ele sorriu quando ela aspirou o perfume dos lírios, “tão perfeita”, pensou.
– E ah,-Wiley voltou sua atenção a ele- eu trouxe esse presente para o Jason, espero que ele goste. -Entregou a sacolinha para ela, que sorriu ao pegar. -É um ursinho.
– Obrigada. Agora ele está dormindo, mas tenho certeza de que ele vai adorar quando abrir!
Ela deu um espaço e ele entrou, fechando os olhos por milissegundos quando sentiu o cheiro maravilhoso que emanava da cozinha.
– Caramba, que cheiro incrível!
Ela sorriu, enquanto colocava as flores em um jarro com água.
– Obrigada, preparei frango grelhado com agrião e salada tradicional para a gente, espero que goste.
– Eu adoro!
Ela caminhou até a sala, e parou em frente a ele.
– É bom saber disso.
Se encararam por alguns segundos até que o moreno teve a iniciativa de abraçá-la.
– Senti saudades, Loirinha.
Ela sorriu, fazendo um carinho na nuca do rapaz
– Eu também!
{...}
O jantar correu de forma tranquila e leve, regado a conversas incríveis e risadas; era impossível elas não surgirem quando estavam juntos.
Liam perguntara a Wiley se ela ainda mantinha contato com alguém de Pretty Lake e ela dissera que sim, com Chuck e Tracey, da qual ela considerava sua melhor amiga. De acordo com ela, ambos estavam bem. Chuck estava cursando administração na Universidade de Toronto e Tracey ainda vivia em Pretty Lake, montou uma creche e estava namorando firme com Mark, além de, claro, ter sido uma das principais na linha de frente na missão da restauração da cidade.
O rapaz ficara satisfeito e feliz ao ouvir as novidades, Chuck e Tracey eram ótimas pessoas e mereciam tudo de bom!
Após o jantar, seguiram para a sala, onde se sentaram no sofá.
Wiley estava pronta para trazer à tona o motivo do convite, e por isso segurou as mãos do rapaz enquanto olhava profundamente em seus olhos.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Liam… teve um motivo maior do que as saudades para que eu te chamasse para jantar aqui hoje.
Ele arqueou as sobrancelhas; curioso, e seus batimentos começaram a acelerar.
– Pode falar, estou te ouvindo.
Ela respirou fundo, a fim de tomar fôlego.
– Eu pensei muito no seu pedido, e após refletir dia e noite, noite e dia, eu decidi aceitar. -sorriu ao ver as orbes castanhas dilatarem- Eu aceito ser sua namorada, Liam, eu quero ser sua namorada. Quero viver esse sentimento maravilhoso que você me faz sentir, quero dar uma família completa ao Jason, quero me permitir ser feliz. -acariciou o rosto dele- E quero te fazer imensamente feliz!
Os olhos de Liam estavam marejados e seu coração não cabia dentro do peito de tão feliz que as palavras da amada o deixaram!
Ele não sabia como reagir, havia ensaiado esse momento tantas vezes em sua cabeça mas parecia que nada do que ele pensava em fazer, fazia sentido naquele momento.
Então, em uma reação quase que inconsciente, ele a abraçou, de uma forma da qual nunca havia abraçado antes. Deixou que suas lágrimas silenciosas molhassem o vestido de Wiley, acariciou as costas dela, aspirou seu perfume, sentiu as mãos dela fazendo carinho em sua nuca e em seu cabelo, sentiu a respiração pesada dela… havia algo dentro daquele abraço se manifestando ali.
Amor.
Se afastaram para poder se olharem, e sorriram quando os olhares se encontraram, encostaram as testas e enfim, se beijaram.
Apesar da intensidade do momento, o beijo fora calmo, sem pressa, como se ele tivesse lhes dizendo que os segundos valiam a pena, e que teriam uma vida inteira para se apressarem.
– Você não sabe como me deixa feliz ouvir isso, Wiley. -ele disse, ao interromper o beijo, enquanto acariciava a bochecha dela. -Eu te amo tanto!
E finalmente dissera aquelas três palavrinhas das quais queria dizer desde que a reencontrara na porta daquela cafeteria.
Wiley arregalou os olhos, completamente surpresa, não esperava ouvir essas palavras tão cedo.
Suas mãos suavam e sua respiração se tornou descompassada, e seus batimentos… estavam tão acelerados que ela podia jurar ouvir seu coração dançar em seu peito.
– O-o-o'que? -ela gaguejou, e por um segundo Liam se arrependeu do que dissera, será que foi precipitado?. -Você p-pode re-petir?
Ele engoliu em seco.
– Eu disse que eu te amo, Wiley. Me desculpa, eu não quis te fazer se sentir pressionada, não precisa dizer nada se não estiver pronta, eu v-
Suas palavras foram interrompidas pelos lábios da loira, que haviam acabado de esmagar os seus em um selinho profundo e curto.
– Não seja bobo, eu estou imensamente feliz em ouvir isso! Só fiquei… surpresa, não estava esperando, mas que bom que você disse, porque agora eu posso dizer também sem parecer uma desesperada. -deu uma risadinha- Eu te amo, Liam! Te amo muito.
Ele sorriu e mais uma vez, a tomou nos braços em um beijo e um abraço profundo.
Era incrível como suas línguas já tinham sua própria linguagem e já se reconheciam. Seus beijos eram algo muito mais além de um mero gesto romântico, era ali onde todas as palavras se tornavam completamente desnecessárias, e os sentimentos e as emoções falavam por eles.
Quando Wiley passou seu braço direito na nuca do rapaz, a fim de aprofundar o beijo, sentiu-se sendo levantada do sofá.
Ele a havia pegado no colo em estilo noiva.
– Liam, seu louco, o que está fazendo?
A voz dele disparou em risos, como uma criança na noite de Natal, e começou a rodar com a -agora namorada- no colo.
– Eu estou feliz, meu amor, muito feliz!
Ela começou a rir, dizendo o quão bobo ele era, e mais uma vez, grudou seus lábios.
{...}
Estavam deitados e abraçados no sofá.
Wiley acariciava a pulseira em sua mão direita, da qual Liam fizera questão de colocar após as fortes emoções se acalmarem, e sentia seus dedos fazerem um carinho em suas costas.
– Dorme aqui hoje? -ela perguntou, em voz manhosa.
– Nem me passou pela cabeça me desgrudar de você hoje.
Ela sorriu.
Falavam em voz baixa, quase em sussurros, não queriam acordar Jason e nem os vizinhos que a essa altura, provavelmente já estavam no décimo terceiro sono.
– Hum, danadinho. -deu uma risadinha e voltou a ficar em silêncio, ainda pensando em algo que queria muito comentar com ele. -Liam, meu bem.
– Diga, querida.
– É que… teve um outro motivo além de eu ser mãe solteira, que me fez pensar no seu pedido.
– Qual?
Ela se sentou, recostando no sofá, e ele fez o mesmo.
– A minha insegurança como mulher. -ele franziu o cenho e ela sentiu vontade de rir- Sabe, é que faz tempo que eu não me relaciono com ninguém, o meu último namoro foi com o Adam e o término foi… complicado.
– O que aconteceu?
– Ah ele… desde sempre me manipulou, eu é que fui uma boba em só enxergar isso anos depois.
Liam suspirou e segurou a mão dela, em gesto de amparo.
– Não, você não foi boba, era normal você ter acreditado nele, vocês se conheciam desde crianças.
– Pois é… mas o curioso, foi a forma como eu percebi tudo aquilo…
– E como foi?
– Bom, ele sempre dizia algumas coisas estranhas… mas, quando ele percebeu que eu estava me afastando dele, começou a dizer que ninguém além dele iria me querer porque mães jovens e solteiras não são respeitadas, que os caras só se aproximam de mulheres assim para se divertir… e que mesmo que eu conseguisse alguém que me aceitasse com um filho, nenhum cara iria ser para o Jason, o “pai” que ele era para ele. Enfim, colocou um monte de minhoca na minha cabeça… mas, durante uma conversa com a Tracey, ela me ajudou a perceber que nada daquilo que ele dizia era verdade, e que eu tinha que sair daquele relacionamento o mais rápido possível, antes que ele se tornasse algo bem pior. E foi o que eu fiz. Terminei com o Adam, que não aceitou muito bem e me expulsou da casa em que a gente morava, passei aquela noite em uma pousada e no dia seguinte liguei para os meus tios. Foi aí que eu decidi me mudar pra cá. E desde então eu me sinto mais feliz do que nunca, principalmente agora que eu voltei a ter você!
Ele sorriu e beijou a testa dela.
– Você nunca deixou de me ter, Baixinha! -Entrelaçou os dedos de ambos- E obrigado, por ter dividido tudo isso comigo. Eu prometo te fazer a mulher mais feliz que existe, não apenas do Canadá, como também do mundo inteiro!
Ela sorriu.
– Obrigada meu amor, mas não precisa me prometer nada, eu sei que será assim! Assim como eu vou te fazer o homem mais feliz do mundo!
– Te amo!
– Te amo!
E mais uma vez se beijaram, voltando a se deitarem no sofá.
{...}
Dois meses depois
Liam estacionou o carro embaixo de uma árvore a poucos metros de distância do prédio. Desceu do carro e se aproximou do portão de entrada, a fim de aguardar a saída de Wiley.
Apesar de o outono estar se aproximando, ainda fazia um lindo dia de sol , o que os motivou a planejar algo divertido para fazer naquele fim de tarde.
Foi inevitável para ele não sorrir quando Wiley finalmente saiu do prédio.
– Oi, amor. -ela o cumprimentou com um selinho. -Como foi lá no laboratório hoje?
– Foi bom, e o consultório?
– Na mesma, apesar de que eu quase tive que apartar a briga entre duas meninas que disputavam uma barbie…
Ele deu uma risadinha.
– Sinto muito, amor.
Ela o acompanhou na risada e abanou o ar com a mão direita; em um claro gesto de não importância.
– Bom, vamos buscar o nosso garoto?
– Vamos sim, estou ansioso para esse passeio!
Ela sorriu e deu um selinho rápido nele.
Antes de entrarem no carro, Liam fizera questão de abrir a porta para que a namorada entrasse, -como sempre-, e ela ligou o Spotify, deixando que o som maravilhoso de um dos hits do Led Zeppelin soasse dentro do automóvel.
{...}
Caminharam de mãos dadas até o berçário. Liam estava nervoso, era a primeira vez que buscava Jason junto com Wiley, a primeira vez que iria no berçário. Ela apenas o tranquilizava, dizendo que não era pra tanto, e dava um selinho rápido em seus lábios.
Assim que entraram, foram recepcionados por algumas professoras e cuidadoras e logo em seguida chegaram na salinha onde ele costumava ficar; a sala das crianças de dois anos. Pararam na soleira da porta e sorriram juntos vendo o Pequeno brincar com os amiguinhos; colocavam círculos em um cone e davam altas gargalhadas fininhas enquanto o faziam.
Em determinado momento a professora que olhava as crianças notou a presença de Wiley e Liam, e foi até a porta.
– Olá, senhorita Day, como vai?
– Vou bem. Kristen, esse é Liam, meu namorado. Liam, essa é Kristen, a professora e cuidadora do Jason.
Liam e Kristen sorriram e deram um aperto de mãos.
– Vou lá pegar o Jason, com licença.
Ela se afastou e pegou o pequeno no colo, o colocando no carrinho em seguida. Depois pegou a bolsa e a colocou no maleiro do carrinho.
O pequeno sorriu ao ver a mãe e o padrasto, e ergueu os bracinhos para que algum deles o pegasse no colo.
– Oi meu amor. -disse Wiley, com carinho enquanto guiava o carrinho para fora da sala.
Liam sorriu e pegou o pequeno no colo, dando um beijinho em sua bochecha.
– E ai, garotão? Brincou muito hoje?
Ele apenas sorria, o que contagiou os adultos a sorrirem também.
– Sabe o que vamos fazer hoje, meu amor? Vamos passear! -disse Wiley, enquanto fazia carinho nos cabelos ralinhos do filho. -Diz aí tio Liam, aonde vamos.
– Vamos ao parquinho! O que achou?
Mesmo não entendendo quase nada, o pequeno ergueu os bracinhos para o alto e sorriu ainda mais quando ouviu a palavra “parquinho”.
Os adultos novamente se entreolharam e caíram em risadas. Beijaram juntos as bochechas do bebê antes de começarem a caminhar em direção ao portão.
{...}
As crianças corriam e brincavam pelo parquinho inteiro, alguns pais e mães apenas as observavam e outros corriam atrás deles para que não se machucassem.
Wiley empurrava Jason em um dos balanços para bebê em um ritmo nem muito lento e nem muito rápido, enquanto Liam os filmava com a câmera do celular.
– Mais alto mamã, mais alto! -o pequeno pediu, entre inúmeras risadinhas e bracinhos levantados para cima.
– Não posso meu bem, já está alto o bastante para você!
– É verdade, Jay, se a mamãe te balançar mais alto é capaz de você cair e se machucar. -disse Liam, ainda filmando o momento.
Wiley olhou para ele e sorriu, em um gesto de agradecimento.
Quando Jason se cansou de balançar, Liam encerrou a gravação e guardou o celular. Estendeu uma toalha em cima da grama e ele e Wiley começaram a brincar junto com o pequeno, era um joguinho de encaixar pecinhas, muito bom para estimular a coordenação motora.
Quando terminaram de montar a figura do dinossauro, o pequenino se levantou e começou a pular de alegria, enquanto ria. Wiley e Liam se entreolharam e abraçaram o bebê, o cobrindo de beijinhos.
Quando o soltaram, Jason apontou para um senhor de boné, do qual sempre vendia algodão doce naquele parquinho.
– Agudã doce, agudã doce. Nenê qué.
Liam olhou para Wiley.
– Posso comprar pra ele?
Ela sorriu.
– Pode sim.
O moreno pegou o pequeno no colo e quando voltaram, Jason segurava um algodão doce de morango em sua mãozinha direita, enquanto que com a esquerda, mexia no cabelo de Liam.
Wiley começou a rir com a cena e logo pegou o celular a fim de tirar uma foto.
– Ah meu Deus, que graça! Preciso registrar isso.
O Cullen tinha as bochechas mais vermelhas do que um pimentão, de tanto que sorria.
Era revigorante a forma como Wiley e Jason transformaram sua vida para melhor!
{...}
Eram sete e meia da noite quando decidiram ir embora. Jason já se queixava de sono e Wiley e Liam estavam loucos para comerem alguma coisa.
A loira segurava um pequeno Jay sonolento em seus braços enquanto Liam guardava as coisas no porta malas do carro; o carrinho, a bolsinha dele, a toalha que levaram e algumas pelúcias que compraram para o pequeno.
Quando ele terminou de arrumar tudo, Wiley prendeu o filho no bebê conforto -do qual Liam havia feito questão de comprar para deixar em seu carro-. E depois os dois adultos entraram, colocaram o cinto de segurança e Liam deu partida. Wiley já procurava algo no Spotify para os acompanharem no caminho; iriam dormir na casa de Liam aquela noite.
– Nossa! Hoje foi tão bom! -Ela disse, enquanto dava play em alguma música da Taylor Swift.
– Foi mesmo. -concordou Liam, após terem parado no sinal. -O que achou do passeio, Jay? Gostou?
– Si papá, foi legal! -o pequeno respondeu, enquanto coçava os olhinhos.
Liam ergueu as sobrancelhas, completamente surpreso!
Definitivamente nunca esperou pelo dia em que Jason iria chamá-lo de pai, afinal, não queria ser um substituto daquele que estampava seu nome a certidão do pequeno. Mas, não podia negar que a felicidade que tomou conta de seu ser era enorme e podia pular pra fora de seu coração a qualquer hora!
Ele amava aquela criança, como se realmente fosse sua!
Seus olhos se encheram de água e por um segundo ele se esqueceu de que estavam no trânsito, esperando o semáforo abrir.
Ele olhou para o lado, e Wiley se encontrava da mesma forma que ele; completamente emocionada!
Decidiu olhar para trás, apenas para confirmar.
– Jay você… você me chamou de papai?
O pequenino assentiu.
– Si, é o te voxe é, né?
O sorriso presente em seus lábios se alargou ainda mais e ele sentiu vontade de pegar Jason em seus braços e dá-lo aquele abraço apertado protetor e carinhoso, que apenas os pais davam em seus filhos.
Mas, no momento, apenas podia se limitar a fazer um carinho nos pezinhos gordinhos do pequenino, que sorriu com o gesto.
– É sim, filho. Eu sou o seu papai!
Ele retomou sua posição na frente, no volante, e novamente, olhou para o lado.
Wiley continuava sorrindo, apesar de ela e Liam nunca terem conversado sobre isso, sinceramente desde que começaram o relacionamento, ela sempre achou provável que o namorado se tornasse uma figura paterna para seu filho ao ponto de ele o chamar de pai.
Mas… ver isso se concretizando assim, em um momento tão rotineiro e natural, era ainda mais emocionante do que ela pensou que talvez seria.
Segurou a mão direita de Liam e enlaçou seus dedos.
Não precisavam falar nada naquele momento, afinal, quando uma família se forma oficialmente, o vocabulário se torna algo completamente dispensável, e quem faz as honras de coroar o momento, são as emoções.
E naquela ocasião, a maior emoção que abraçava a jovem-nova família, era a felicidade, de mãos dadas com o sentimento amor, do qual jamais os abandonaria!
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