Coffee
2 Capitulo 2
A felicidade pelo amigo o contagiou por um instante. Dean estava feliz por finalmente alguém ter chamado a atenção do loiro, porém sua mente o traiu fazendo–o relembrar de quando era ele naquela situação. Seu primeiro encontro com Layla não fora o ideal, mas apesar de tudo fora especial a sua maneira e tudo dera certo, ao menos até certo ponto.
—Quais eram as chances? – Com um sorriso amarelo, a garota tentou amenizar o ar tenso que se formara.
O momento não podia ser mais inoportuno. A chuva estava forte lá fora o que não atrapalharia o jantar que Dean havia preparado no apartamento que dividia com o amigo, porém toda aquela água causara um apagão no bairro. O moreno agora estava de cara amarrada. Havia feito tudo de maneira que parecesse perfeito, o jantar, o filme e depois ele a levaria para casa. Qualquer um acharia esse um plano simples de ser planejado e executado, até mesmo ele, que agora lembrava de roer as unhas enquanto tentava organizar tudo da melhor forma possível.
—Ei, então – a garota chamou tirando–o de seus devaneios – o que faremos agora? – Perguntou cruzando os braços de forma tímida – por que você está assim? – Finalmente juntou o pouco de coragem que lhe restava e perguntou.
Agora ele estava com mais raiva, só que de si mesmo. Agora ele a estava assustando e isso era a última coisa que queria. Era para ser algo especial, algo a altura de sua companhia e que ao mesmo tempo não fosse algo intimidador, contudo o mundo parecia estar contra naquele momento.
—Eu só – se interrompeu para soltar um suspiro em uma tentativa de ficar mais calmo – eu queria que fosse algo especial, que você se lembrasse de hoje e de mim – disse sincero – agora você só vai lembrar de como a noite fora um desastre – disse desviando o olhar e empurrando o prato.
O riso baixo da morena o fez olha–la novamente. O fato dela parecer mais relaxada não fez sentido nenhum em sua mente, fazendo–o franzir o cenho e ela abaixou o olhar ainda com um sorriso no rosto.
—O fato de você querer que hoje fosse especial já me deixa feliz porque eu também quero isso – ela o olhou – e eu acho que se deixarmos um simples apagão estragar a noite, talvez não devêssemos ficar juntos – fora a vez da morena ser sincera – houve um tempo no mundo em que não existia luz elétrica e eu tenho certeza que nessa época já existiam encontros – Layla fora capaz de arrancar uma risada dele e sentiu que estava no caminho certo – você teria algum jogo de tabuleiro ou carta por aqui?
—Você realmente vai querer passar o resto do encontro jogando dama?
—Você quer que a noite acabe aqui?
—Vou buscar o tabuleiro – respondeu se levantando até rápido demais.
O jogo não foi tão ruim assim e lembrava de ter passado a semana que se seguiu se defendendo porque Layla dizia ter certeza que ele havia roubado, já que ninguém nunca ganhava dela e no fim acabaram no sofá cobertos e com uma caneca de café na mão, ideia da morena que argumentou dizendo que não havia hora certa para um café quentinho e aquela situação pedia por aquilo.
—Dean, você ainda está nesse plano astral? – Seu amigo chamou sua atenção e a amiga sentada ao lado dele o cutucou.
Com um riso fraco ele cutucou a menina de volta e respondeu o amigo de forma casual. Eles haviam acabado de lanchar em uma lanchonete perto de onde morava e assim que decidiram pagar a conta, caminharam de forma lenta para casa.
—Então onde devo leva–la? – O loiro perguntou a morena.
—Eu não sei, só lhe desejo boa sorte – ela ri.
—Mas fora você quem me empurrou para ela! – Exclama como se isso justificasse.
Dean estava ainda imerso em pensamentos ignorando quase que completamente os amigos. Aquele estava sendo um dia ruim para ele, por algum motivo não conseguia desviar o pensamento de Layla, o que ultimamente tinha sido frequente. Ele sentia falta dela, do seu cheiro doce e convidativo e toda vez que o rosto dela aparecia em sua mente seu coração doía. A conversa sobre o encontro não estava ajudando, porém, pedir para pararem não era uma opção já que fazia meses que dizia ter superado o fim do relacionamento quando perguntavam, o que claramente não havia acontecido.
O cheiro do café com menta o fez recobrar a concentração e de maneira automática ele procurou por ela.
Dean se aproximou por um instante, apenas para sentir o cheiro que vinha do cabelo dela, fazendo–a congelar no lugar por um momento.
—Isso é menta, não é? – Perguntou de maneira casual.
Assim que as palavras atingiram Layla, ela puxou o cabelo para perto do nariz em um movimento quase que automático. Em um suspiro, a menina fechou os olhos.
—Ah café! Você é maravilhoso, mas uma gota e meu cabelo fica com o cheiro o resto do mês! – Murmura antes de abrir os olhos.
—Você é fofa – ele estendeu a mão e pegou uma das mechas dos fios castanhos da garota.
—Eu faço o meu melhor – ela retribui o sorriso, satisfeita com o elogio.
—Aposto que faz – se permitiu encara–la por mais alguns poucos segundos antes de recolher a mão e virar a cadeira para frente – e é confiando nisso que vamos trabalhar hoje.
Por mais que raramente tomasse aquele sabor, Layla havia lhe explicado que era o seu favorito.
—Se o com menta é o seu favorito, por que o toma tão pouco? – O moreno pergunta curioso enquanto bebiam juntos na cafeteria.
—Porque eu quero que ele continue tendo um gosto especial – explica sorrindo – se eu o tomar todo dia, isso vai se perder. É por isso que quase sempre tomo o com caramelo.
—Então o que aconteceu naquele dia que você derramou café no cabelo? – Questiona novamente curioso – algo de especial aconteceu naquele dia, não?
—Pode parecer ridículo, mas o tomei porque finalmente eu tinha tirado uma nota alta com uma receita preparada por mim.
—Não é ridículo, eu vi como você se esforçou. Você definitivamente mereceu aquele Macchiato de menta – disse rindo e com entusiasmo.
A rua não estava cheia e não fora difícil encontrar a pessoa que segurava um copo de café, mulher essa que em nada lembrava Layla.
—Dean, o que a de errado com você hoje? – A morena pergunta novamente o cutucando – a gente perguntou se você quer ir ver um filme com a gente.
—Não é... – Impaciente ele suspirou e colocou as mãos nos bolsos – eu vou para casa.
Antes que alguém pudesse perguntar o porquê ou se ele estava bem, Dean saiu andando sem se despedir, deixando seus amigos sem entender o que havia acontecido e o moreno pouco se importava com isso. Ao se afastar, diminuiu o ritmo do caminhar, deixando sua mente se perder novamente em lembranças.
—Isso não é justo! – A morena choramingou – era o último sanduiche!
—Como eu ia saber que você queria?! Eu estou com fome!
—Você sempre está com fome! Me pergunto como você vai trabalhar sendo Chef de cozinha algum dia, só vai dar prejuízo.
—Ah é? Eu estava pensando em dividir esse pacote de biscoito – ele segurou a embalagem no ar – mas acho que terei de alimentar o buraco negro no meu estomago.
—Não, espera! – Antes que ela pudesse pegar o pacote, ele levantou o braço – isso não vai funcionar
Sem pensar duas vezes, Layla se jogou em cima dele, fazendo os dois caírem sobre a grama. Quando ela finalmente pegou o pacote, ela o olhou satisfeita consigo enquanto ele ria. Enquanto tentava conter a risada, a morena o observava com atenção.
—Eu te amo – as palavras saíram dos lábios de Layla de maneira natural e seus olhos capturaram os do moreno de maneira intensa.
O som doce de sua voz fez a mente do moreno dar um branco. Não porque não sentia o mesmo, pelo contrário. Ela era muito mais do que poderia pedir e ouvir tais palavras vindas daqueles lábios os quais era assumidamente viciado o fez se sentir a pessoa mais sortuda do mundo por ter alguém como Layla em seus braços.
—Eu também te amo – ele a envolveu e a puxou para um abraço apertado – e muito.
Permitiu que ela se afastasse apenas para que pudesse beija–la. Ela era única e era só dele.
Se deteve no meio do caminho e olhou ao redor. Com um suspiro pesado, ele soltou uma serie de xingamentos que fizeram os que passavam pela calçada olharem torto. Sua mente havia vagado tanto que nem vira a esquina do seu apartamento ficar a duas ruas atrás.
—Qualquer dia desses eu fico louco – disse para si mesmo antes de coçar a nuca e riu sem humor – falando sozinho na rua... talvez eu já esteja louco.
—Então temos a cozinha só para nós hoje? – Ela sorri.
—Temos a casa inteira – ele responde com um meio sorriso, embora seu rosto ainda tivesse traços de inocência – pensei em fazer um doce, aí poderíamos maratona qualquer coisa que você queira.
—Parece um ótimo plano para mim – ela o abraça e ao retribuir ele deposita um beijo em sua cabeça – vamos começar então!
O ânimo da menina o surpreende por um instante, antes de ampliar seu sorriso. Dean não teve tempo de questionar, pois já estava sendo puxado pela mão até a cozinha.
—Eu pensei que tivesse vindo aqui por mim, não pela comida... – ele finge tristeza.
—Você sabe que eu vim pelos dois – diz depositando um beijo nos lábios do moreno enquanto prendia os fios longos com uma presilha. Porém, antes que pudesse quebrar o breve contato, seus braços ágeis a envolveram impedindo–a de se afastar.
—Talvez devêssemos cancelar o doce – antes que pudesse terminar a frase, Layla o interrompeu.
—Se você disser que eu sou um doce, eu vou embora agora – disse rindo.
—Porque você nunca me deixa te elogiar?
—Eu deixo, mas você sempre acaba fazendo referência a comida
—Eu só entendo de comida! – Ele ri, a liberando do abraço – eu posso fazer referência a café...
—Não precisa, amor – sorrindo, ela começa a pegar as coisas necessárias para o doce.
Ao chegar em casa se jogou no sofá, tirando o tênis com os próprios pés e com o olhar vazio encarou a parede de tom pastel que parecia tão sem graça quanto a sua vida agora, até mesmo sua casa tinha a atmosfera de que algo estava fora de lugar.
A conversa fluía de maneira agradável enquanto o casal assistia a um filme qualquer que passava na televisão. Fato era que estavam se divertindo mais entre si do que com a comedia na TV.
—Se morássemos juntos eu o faria cozinhar todo dia para mim – disse rindo.
—Então eu seria seu escravo ou seu marido? – Perguntou no mesmo tom de brincadeira, porém aquilo soara tão estranho para ele quanto para ela.
—Acho que um pouco dos dois – respondeu depois de alguns segundos, esticando–se para beija–lo.
O clima mudou e por mais que o assunto tivesse acabado naquela brincadeira, ambos sentiram que aquilo era uma promessa silenciosa de que o futuro reservava algo bom para o casal.
Talvez seja por isso que o relacionamento havia chegado ao fim. Promessas e mais promessas, silenciosas ou não, foram feitas e jamais cumpridas. Por mais que doesse, o moreno tinha de admitir que ambos colaboraram para o desgaste da relação, fantasiaram muito sobre a relação perfeita, mas agora que estavam separados por não corresponder às expectativas um do outro, ele sentia falta de cada mania e imperfeição que Layla tinha. Devido a sua idealização da perfeição, acabara perdendo a garota mais perfeita que poderia conhecer.
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