BASE (12) — COMOR


Ela estava lá, os olhos concentrados nos papéis que manuseava, as luvas parceiras de vida dela, os óculos na ponta do nariz, parecia nem perceber minha chegada. Passei por ela, atrás dela estiquei meu braços e arrumei os óculos em seu rosto, chamando sua atenção, que se virou na cadeira para mim...

—Eric! — A exclamação surpresa me fez rir

—Achei que os guardas teriam te avisado que eu tinha chegado

—Devem ter avisado — Virou a cadeira, gesticulando com a mão como que fosse algo sem importância — Mas eu tava muito focada nisso

Voltou aos papéis e eu me sentei na cadeira em frente a mesa dela

—E o que é isso?

—Apenas algumas informações novas, nada que você não vá saber quando eu terminar de analisar e em uma próxima reunião

—Tudo bem — Sorri

—Mas então, meu bom rapaz, o que te traz aqui? — Brincou

—Novatos, dois ficaram conosco da última base que invadimos

Ela pareceu interessada e abriu um gaveta na mesa, pegando um mapa e estendendo

—Qual base?

—Essa aqui — Apontei no mapa e ela marcou a base — Base 23 dos Estados Unidos

—E os documentos? Conseguiram muita coisa?

—O essencial — Mostrei a ela

—Quem são os novatos? — Ela mexia nos documentos — Interessante

Me devolveu e esperou minha resposta

—Se chamam Sara e Victor, a garota parece ter uma visão de longo alcance e incapacidade de sentir dor, já o rapaz pode criar novos braços ou o que ele quiser em qualquer parte do corpo

—Você quer deixar eles aqui, é isso?

—Não sei, quero acompanhar a garota de perto, não estou certo sobre ela- Me levantei, inquieto com o assunto, andando um pouco pelo cômodo

—Como assim? — Pareceu ainda mais interessada

—Ela foi treinada para ser uma espiã, têm noção disso, Beatriz? Eles agora estão treinando espiões! Eu preciso levar essa informação para a Força!

—Quem te disse isso?

—Que ela foi treinada para espionar? A própria Sara — Ela riu

—Ah, Eric, relaxa! Você leva as coisas muito na seriedade

—Eu preciso!

—Não, não precisa — Beatriz veio até mim, me virando para ela — Você já está dando o seu máximo e assumindo responsabilidades demais para a sua idade

Suspirei e ela sorriu, me sentando novamente e se sentando na cadeira ao meu lado

—Agora me diga porque realmente veio aqui?

Ri sem graça, ela me conhecia bem

BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


O guarda me deixou em minha cela, me ajudando a andar, percebi a movimentação na cela vizinha, onde Lucca notou minha chegada, seus olhos colados em minha figura, o guarda me deixou na cama e saiu. O ruivo se aproximou do vidro apressado...

—Você está bem? — Ele parecia preocupado e me mexi desconfortável com o seu olhar

—Sim, apenas um teste cansativo. Como foi seu treinamento?

Mudei de assunto, mas a dor forte no lado em minha cintura não me permitiu me mexer muito. A cada movimento doía mais, eu sabia que minha pele estava tentando se confortar depois daquela sessão de extração de células, mas parecia que quanto mais sessões mais eu ficava sensível naquela região. Ouvi o suspiro de Lucca e ele se sentou em frente ao vidro...

—Me colocaram para brigar com o Jhon de novo

—O garoto lobo? — Perguntei, só notando agora os arranhões em seu rosto e braços, me preocupei

—Sim, ele e sua manada

—Alcateia — Sussurrei

—Mas dessa vez eu quase ganhei

—O que aconteceu?

Arregalei meus olhos e tentei me levantar, a dor me atingiu e eu me deitei rapidamente, segurando a dor. Lucca se levantou assustado, me encarando...

—Você está bem? — Murmurei uma confirmação e ele rosnou — Quando vai me contar o que acontece nesse teste, que você volta cada vez com mais dor?!

—Eu não estou com dor, você sabe que... — Ele me interrompeu

—Seu corpo produz uma substância anestesiadora e pode se regenerar rapidamente — Ele terminou o que eu falaria e revirou os olhos — Então porquê você não está conseguindo nem se levantar?!

Eu tentei pensar em uma resposta, mas não achei e apenas fiquei quieta

—Tudo bem — Foi sua fala conformada por enquanto, Lucca é imprevisível, então não sei por quanto tempo ele estará conformado com essa falta de resposta