Cobaias - A Luta Pelo Amanhã
11 Capítulo 10
BASE (12) — COMOR
Já era um novo dia. Nós tínhamos dormido aqui, me pergunto se vamos ficar?
—Então vocês se conheceram aqui? — Eu questionava a Thalia e sua amiga
—Pois é, Sara, quando eu cheguei a Ana já estava aqui, mas ela sempre foi muito na dela, então eu quem "forçou" a amizade — Brincou
Desde que cheguei e a Thalia falou comigo, ela me apresentou a Ana e já conheci muito sobre as duas. Como que a Thalia veio de uma base japonesa, onde foi cobaia de um experimento que visava juntar o corpo humano a peças robóticas, ela têm parte dos dois braços sendo robóticas, já a Ana parece ficar invisível, eu ainda não entendi bem como esse experimento foi possível
—Hãn — Eu estava rindo com as garotas, até que vi, um pouco longe de nós, o Eric com uma garota bem bonita
Aquilo me incomodou, não que eu sinta algo por ele, não, ele foi somente quem me tirou daquela base
—Hum, então você está de olho no Eric? — Thalia zoou, me cutucando
—Não. Mas quem é ela?
—Ah, ninguém especial... Só a Beatriz, a que cuida dessa base, você sabe, a que manda aqui, só que não se preocupe, ela e o Eric são como mãe e filho, ou seja lá o que for aquele cuidado estranho! E ela é bem mais velha do que parece — Riu
BASE (40) DA CORÉIA DO SUL
Eu já estava melhor hoje, o meu lado só me incomodava um pouco, mas podia me mexer sem dor. Estava escrevendo em meu caderninho, até perceber que o Lucca estava acordando...
—Oi — Falei baixinho e sorri
—Oi — Ele murmurou sonolento e eu ri, o fazendo sorrir
Voltei para o meu caderninho, enquanto ele se arrumava, havia um banheiro em cada cela obviamente. Quando ele voltou, sentou-se próximo ao vidro e deu duas batidinhas
—Pois não? — Sorri
—Quero conversar com você, posso?
Assenti e me aproximei, de frente para ele agora
—Sobre o que?
—Que tal sobre o seu teste de ontem?
Suspirei e fiz menção de me afastar, quando ele me chamou de novo
—Espera, não precisa!
Fiquei lá de frente a ele. Não, o problema não era ele saber sobre as sessões de extração, mas sim das consequências dessas sessões
—Você estava escrevendo de novo? — Lucca fez menção ao meu caderninho e eu murmurei uma confirmação — Pode me contar?
—É uma história boba que eu tô fazendo — Corei, envergonha em pensar o que ele acharia da história
—Me conta — Sorriu
—Tudo bem...
*História*
Havia uma garotinha sentada no colo de seu pai, seus olhinhos brilhavam enquanto ele a contava sobre quando viu pela primeira vez as cores
—Eu tinha saído do colégio e quase corria para chegar em casa antes da chuva ficar mais forte, mas na pressa, acabei esbarrando com ela, encontrei meus olhos com os seus e foi quando eu vi, eles eram lindos e em uma tonalidade que eu nunca tinha conhecido, eu me desculpei e continuei meu caminho, louco para descobrir o que foi aquilo. Mais tarde eu descobri que ela era minha nova vizinha de frente. Só dois dias depois eu fui ter coragem de falar com ela, a mesma estava sentada no galho de uma árvore e eu subi também, ali foi o começo real de tudo. Ficamos amigos e quanto mais perto eu estava dela mais cores eu podia ver, em um dia aleatório eu questionei minha mãe sobre isso e ela me contou que quando víamos aquilo, que ela nomeou cores, era porquê havíamos encontrado nossa alma gêmea. Eu neguei a minha mãe, não podia estar certa, podia? Sim, ela podia! Quanto mais eu conhecia, mais me apaixonava pela minha vizinha da frente, em outro momento eu descobri que ela também via as cores, levou mais tempo para quê ela me contasse que começou quando me conheceu, porém, quando ela contou, tudo fez sentido e eu recordei as palavras de minha mãe, não demorou mais e eu a pedi em namoro. Sei que foi o melhor, porquê hoje ela é sua mãe e minha esposa.
O pai da garotinha conclui sorrindo bobo e a menininha sabia que foi ali que ela começou a sonhar com as cores, seu mundo preto e branco um dia poderia ter mais cores? Ela sonhava em encontrar sua alma gêmea, a pessoa que colorirá seu universo
*História Off*
—Então eles realmente vivem em um mundo preto e branco? — Questionou o Lucca
—Pois é — Concordei tímida, ele deveria estar achando aquilo tão bobo — As cores eles só vêem quando se apaixonam
—Continue — Ele sorriu
*História*
Alguns anos se passaram e a garotinha já estava com 11 anos quando conheceu aquele que viria a revirar sua vida.
Ele não era seu vizinho da frente, nem ao menos estudava com ela, ele era do mesmo colégio, mas ela nunca tinha o visto.
Foi durante uma tarde no pátio do colégio, ela estava sentada em um banco desenhando, suas duas amigas conversavam animadas ao seu lado, um pouco mais a frente alguns garotos jogavam bola.
Ela estava desenhando seu sonho novamente, desenhando um casal envolta de cores que ela não podia enxergar, ela tinha lápis coloridos que seu pai a comprou, mas sabia que pintava sem reconhecer as cores, por isso, não se atrevia a pintar o casal, apenas seu arredor.
Seu cuidado foi por água abaixo quando uma bola acertou ela e a fez borrar, mesmo sendo calma, a visão de um enorme risco cortando o casal a irritou e quando o responsável pela sua raiva se aproximou dela
—Ei, garota, pode me devolver a bola? — Ele sorria
Ele não se desculpou e pelo que parecia não havia nem notado o que fizera
—Ei, não vai me devolver?
—Você estragou meu desenho! — Empurrou a bola no peito dele
—Ei! — Reclamou pela "agressão"
—Você... — Ela ia continuar, até finalmente perceber, boquiaberta — Seu cabelo...
O cabelo dele era de uma cor que ela não conhecia, claro e chamativo, como isso poderia passar despercebido por ela? Pois é, ela estava vendo cores, finalmente, e não sabia como lidar
Ela não completava e ele não entendia o que estava acontecendo com aquela garota, até que ela se afastou um passo
—Eu tenho que ir! — E saiu correndo para casa
Mais tarde...
A garota ainda não acreditava no que ocorrera e porque ela correu? Sua mãe bateu em sua porta
—Tem um garoto na sala querendo te ver — Ela estranhou, todavia foi até a sala
Já de longe reconhecia aquele rastro chamativo e sentiu vontade de correr de volta ao seu quarto, mas evitou, continuou o seu caminho até em frente a ele
—Ei! Você esqueceu isso — Ele mostrava seu caderno com o desenho e o estojo a ela
—Como você descobriu onde eu moro? — Ela fazia de tudo para não prestar atenção no cabelo dele
—Suas amigas — Sorriu como se fosse mais esperto
—Quem é você e porque veio?
—Eu sou o Marcos, suas amigas quase me mataram sobre como eu fiz algo para você, então eu vim me desculpar antes de ser espancado — Riu — Mas e você? Qual seu nome?
—Luiza.
E foi assim que ela conheceu aquele garoto que não sairia mais de perto dela
Naquele mesmo dia, de noite, ela estava conversando com seu pai...
—E o garoto que sua mãe me disse que esteve aqui?
—Sim, o Marcos... Pai? Você conhece todas as cores não é?
—Bom, acho que sim? — Respondeu em dúvida pela pergunta
Luiza foi até seus lápis de cor e confirmou, ela realmente conseguia ver aquela cor, a cor do cabelo de Marcos, não era exatamente a mesma cor, mas parecida
—Que cor é essa? — Ela questionou o pai
—Laranja, mas porque disso tudo? Você pode ver essa cor, Luiza? — Perguntou com desconfiança
—Hm, eu só estava curiosa. Obrigada, Pai — Pegou seus materiais de desenho e correu para o quarto
*História Off*
Fechei o caderninho
—Te conto mais depois? — Sugeri e ele assentiu
—Eu gostei — Sorriu sincero, o que me fez sorrir — Ainda mais que eu estou na história! — Se levantou exibido
E eu ri
—Você está? — Pedi explicações
—Claro, um ruivo lindo e que fez a garota se apaixonar de cara, sou eu — Ele se exibia brincalhão
—Claro, claro, como não percebi antes — Ri — E quem seria a Luiza então? — Incentivei a brincadeira
—Hum, essa pergunta é mais difícil, Linda
Ri junto dele, mas por dentro queria que ele dissesse que sou eu, porquê realmente era e ele estava certo sobre o ruivo, talvez eu tenha me inspirado nele
Fale com o autor