Cobaia 0013

5 Capítulo 5 - Primeiro dia no novo emprego


Notas iniciais
Oi povo! Capítulo novo! Já temos tretas no começo (adoro ♥ ) , mas sem spoilers. Obs. : Nesse capítulo cito duas músicas (kpop, claro ♥ ) e uma a primeira delas é muito importante para essa história. Acho que vou explicar isso na Page no Facebook. Os links das músicas vão estar nas notas finais. Boa leitura :*

07-02-5026 — Segunda-feira

—Só pode ser brincadeira- resmunguei.

—Não estou brincando Daisuke. -disse Otousan.

—E nem eu. -Completou Robert.

Me estressei e me levantei não acredito que Otousan fez isso.

— Pq fez isso Otousan?!

— Todos os agentes de casos de ordem B e A tem um parceiro e com você não será diferente Daisuke!

—Eu não preciso de uma babá!

Depois do que eu disse tudo ocorreu muito rápido. Robert pegou o "colarinho" da minha regata e me jogou contra a mesa .

— Escute aqui Yamamoto! Eu não sou nenhum tipo de babá! Não desrespeite meu trabalho! Estou aqui porque fui o único que se solidarizou -ele praticamente cuspiu essa última palavra- em estar aqui e trabalhar com você. Entende isso? Por causa dessa sua postura de moleque que não quer nada sério e de menino mimado ninguém quer trabalhar com você.

Otousan colocou a mão no ombro de Robert, os olhos dele, que pareciam há pouco turvos de ódio, voltaram ao azul natural e ele me soltou.

— Se quiser começar a trabalhar em casos mais arriscados começou do jeito errado.

Eu não sabia o que fazer, não conseguia mexer um só músculo do meu corpo, eu estava estático, não esperava por isso. Eu só conseguia encarar Robert e ele me encarava.

—Certo Robert.- Otousan quebrou o silêncio que havia se instalado ali.- Eu vou conversar um pouco mais com Daisuke.

Robert ainda me encarou por um tempo.

—Sr. Haysawa. -disse ainda olhando para mim. E saiu da sala.

Otousan se sentou e logo depois eu me sentei.

—Parece que alguém te calou, não é?

Permaneci em silêncio, eu tentava formular alguma frase. Mas só uma queria sair da minha boca.

— O que Robert disse... — Otousan olhou para mim e se curvou levemente sobre a mesa enquanto eu abaixei o rosto e olhei em direção a minhas mãos, enquanto eu entrelaçava meus dedos- é verdade? Ninguém queria mesmo trabalhar comigo?

Otousan inspirou de forma audível e apoiou as costas novamente em sua cadeira.

—Sim. Ninguém queria trabalhar com você. Não que eu quisesse que outro agente fosse seu parceiro, pois Robert sempre foi minha primeira opção.

—Então. .. Como ele...

—Bom...-Otousan me cortou- Ele pediu um tempo para pensar, provavelmente deve ter pedido a opinião de seus colegas, e pelo jeito não teve um apoio sobre isso.

Não sabia o que dizer, então Otousan começou a falar e eu não o interrompi.

—Agente Robert tem apenas 37 anos, não é o agente que esta aqui a mais tempo, claro, mais sem dúvidas é um dos que mais confio.

Eu continuava olhando para minhas mãos .

— Você já percebeu que todos os dias, às 17 horas aonde quer que ele esteja, seja em um reunião, ou tomando um café com os outros agentes ele vai para o quarto?

Balancei a cabeça de forma positiva. Realmente ele fazia isso. Eu nunca havia parado pra pensar sobre isso, mas era algo que ele realmente fazia.

—Ele liga para família. Sabe filho, a maioria dos agentes moram aqui para a segurança não só deles, mas em alguns casos, para a segurança de suas famílias.

Robert tem dois filhos e um marido. Ele lutou muito para adotar os filhos e um deles é um centauro.

"Ele deve ter passado por muitas dificuldades."- pensei.

—Ele ainda fica com eles nos feriados e datas comemorativas. Já as férias, bom, muitas vezes ele diz que não precisa , pois diz ter um dever com Barkesfield.

Olhei para Otousan e ele me olhou de volta.

—Robert e um ótimo agente, um homem empenhado e trabalhador. Provavelmente por isso ficou irritado por ser chamado de babá.

Me levantei e abri a porta da sala.

—Obrigado Otousan.

Sai, precisava encontrar Robert.

Eu sai da sala e ia em direção ao seu quarto, porém encostado na parede perto da porta da sala de Otousan, estava Robert.

Eu não havia o visto, ele me parou com uma das mãos enquanto eu saia feito louco dali.

— Vai com calma garoto. -Dei um pulo pra trás.

—Robert! Eu... eu... ah...- Eu não sabia o que dizer, meu plano era chegar até o quarto dele e pensar um pouco antes de bater na porta, mas tive o meu tempo reduzido quando o Robert me encontrou.

—Não vou desistir do cargo de babá se é o que está tentando me perguntar.

—Não, não! Não é isso. Eu... eu... queria pedir desculpas. Eu não devia ter dito aquilo eu realmente sinto muito.

Ele parecia surpreso. Eu realmente não devo passar uma imagem muito boa para todos daqui.

—Bom... — completei- É claro que eu espero que você continue querendo ser meu parceiro.

Robert soltou uma risada nasalada.

— Certo Yamamoto.-disse enquanto andava. -Venha. Vou dar uma olhada no que temos para amanhã.

Rapidamente o segui.

.

.

Eu estava deitado em minha cama,comendo um misto quente e assistindo TV.

Robert não me disse nada demais, conversou com alguns agentes e disse simplesmente para eu estar no saguão da Companhia às 06:30.

Meu misto quente acabou e o programa que eu assistia também, coloquei num outro canal, parecia ser um programa musical. Havia acabado de começar uma música.

—Nillili Mambo. .. do Block B. -murmurei.-É. O que tem para hoje.

O clipe era bem legal, mas resolvi levantar e arrumar minhas coisas pra amanhã. Estava distraído enquanto limpava minhas Colts.

—Nilliri rarara nilliriya nillirimambo... -cantarolei acompanhando a música.

Ouvi algumas batidas na porta e olhei para o relógio, eram 20:00 horas. Ninguém vem ao meu quarto, principalmente nesse horário. Eu estava só de calça de moletom, mas não me importei em atender a porta assim mesmo.

—Otousan?

—Olá filho. Posso entrar?

—Ah! Claro, claro.-dei passagem para ele.- Só não se importe...

—Não me importo com a bagunça filho. Esqueceu que tem câmeras no seu quarto? — Eu já ia me pronunciar sobre aquilo.

—Não, não se preocupe. Minha maior preocupação era ficar de olho em você. Sobre aquele assunto de outras cobaias. Mas agora já vou mandar tirá-las daqui.

—Obrigado.

Empurrei minhas cobertas para o canto da cama.

—Quer se sentar?

Otousan sorriu e se sentou, eu sentei ao seu lado.

—Vim aqui para lhe entregar isso, filho.

Ele me estendeu uma caixa, que eu não tinha visto com ele quando havia chegado, de madeira do tamanho do meu antebraço, polida e com desenhos entalhados na tampa. Eu a peguei e fiquei só olhando.

Otousan soltou uma risada nasalada.

—Vamos. Pode abrir.

Dentro da caixa havia um punhal muito bonito, com uma lâmina curva e o cabo dourado em um acolchoado vermelho.

—É lindo.

— E é seu.

Eu me surpreendi e olhei para Otousan. Ele sorriu de forma calorosa.

—Pode ser útil em seu novo trabalho.

—Obrigado Otousan. Por tudo.

Nos abraçamos, e ele disse ter muito trabalho para fazer ainda.

—E vou deixá-lo com sua cantoria.- Ele disse enquanto fechava a porta.

Não acredito que ele me ouviu cantando.

Ri sozinho e coloquei a caixa perto das Colts, sentei na cama enquanto pensava em um jeito de levar o punhal comigo.

Resolvi deitar na cama novamente e outra música havia começado. "Bang Bang Bang — BigBang" que era muito boa por sinal.

08-02-5026 Terça-feira

Acordei com o alarme tocando. Novamente eu tinha tido aquele sonho. Era um sonho tranquilo, apesar de eu estar correndo sem saber o porquê, mas sempre acordo com o coração disparado e todo suado.

Fui tomar um banho e fazer minha higiene matinal, depois vesti minhas calças jeans pretas peguei meu casaco, as Colts e aí voltei a pensar onde colocaria o punhal e em seguida olhei para minhas botas. Seria um ótimo local para guardá-lo. De verdade! Era só colocar algo para encaixar o punhal na lateral, por dentro da bota.

Demorei um pouco, mas fiz um bom trabalho. O punhal ficou muito bem ali. Comi um pouco de cereal com leite e sai para encontrar com Robert.

.

.

Enquanto andávamos pelas ruas de Barkesfield, Robert me explicava o que devíamos fazer hoje.

—Nem sempre vamos ter um horário para trabalharmos. Não é como fazer uma patrulha. Podemos ter que sair da Companhia a qualquer momento. Estamos atrás de seres únicos, entende?

Concordei com a cabeça.

—Certo. A Evolution Alpha Company está atrás de um lobisomem no momento. Ele parece ser meio descontrolado.

—Pronto, evolui de duendes para lobisomens causando confusão. — debochei.

—Yamamoto, esse lobisomem não está simplesmente causando confusão com a vizinhança ele está matando sem um motivo aparente.

—Ah... certo. — Respondi enquanto andávamos em uma ruela afastada do centro da cidade. — E como vocês descobriram quem causava as mortes.

—Boa pergunta. Ele, além de matar o humano, sim são só humanos, sempre acerta o coração, com uma estaca de madeira ou com qualquer outra coisa. O coração sempre está marcado.

—Isso é bem cruel.

—É, mas nem de longe é a pior coisa que encontramos aqui.

Começamos a adentrar uma floresta de pinheiros. Robert disse que esse lobisomem já foi seguido até aqui, mas por estar tarde os agentes não conseguiam segui-lo. Por isso estávamos aqui tão cedo.

A floresta estava silenciosa até ouvirmos um uivo extremamente alto. Nos entre olhamos e apressamos o passo em direção ao som. De repente começamos a ouvir rosnados e começamos a correr com nossas armas em mãos. Por fim, ouvimos um baque no chão e paramos. Me concentrei na minha audição e o lobisomem parecia se afastar. Robert avançou e eu o segui, mais à frente havia um centauro morto com uma lança cravada no peito.

—Essa lança não deve ser do lobisomem, certo? -perguntei.

—É...-respondeu pensativo.

—Mas um centauro? Você não havia dito que ele só matava humanos?

—Sim... Talvez o centauro tenha tentado fazer justiça com as próprias mãos. A lança deve ser do centauro.

Concordei com a cabeça.

—Vamos. Não podemos perdê-lo de vista.

Seguimos o lobisomem por um tempo e forma lenta, se escondendo atrás dos pinheiros. Ele se aproximou de um casebre, que parecia ser a casa dele e Robert resolveu se pronunciar.

—Civil! -Gritou.

O lobisomem se voltou em nossa direção e Robert tentou conversar.

—Civil, não queremos entrar em um conflito, só queremos conversar.

—Eu não converso com humanos. -Ele respondeu, enquanto se virava para seguir seu curso.

—Por quê? -Robert perguntou.

—Por quê? Por que vocês são criaturas nojentas, preconceituosas, que acham que sua raça imunda é mais importante que as outras.

—Por que pensa assim, o que ouve?

—Sua raça matou minha família! — Então ele generalizava os humanos por esse caso infeliz. Provavelmente isso ocorreu quando os seres místicos apareceram para os humanos. Nem todos os receberam de bom grado.

—Sentimos muito senhor.- Robert era bem pacífico. -Mas...

—Não precisa sentir muito. -Ele disse enquanto se aproximava devagar.

— Droga. — murmurou Robert enquanto pegava sua arma e apontava em direção ao lobisomem enquanto dava passos para trás. Fiz o mesmo.

—Para trás civil! Não queremos machucá-lo.

—Hahahahaha! Mas eu quero machucar vocês!

O lobisomem veio correndo em nossa direção e Robert atirou em seu ombro. Ele rosnou baixo por conta da dor.

—Pare civil! Agora!

Ele continuou correndo e Robert e eu também corremos.

— Daisuke! — Ele gritava enquanto fugiamos. — O que pode fazer de especial? -Provavelmente se referia ao meu olho e as experiências que fizeram comigo.

— Eu sei lá! Algumas coisas.

Peguei Robert pelo braço e o joguei em minhas costas. — Se segure!

Robert jogou os braços em meu pescoço e eu corri mais rápido, escalei um pinheiro rapidamente e Ficamos apoiados em galhos um de frente pro outro.

—Rapidez, força, agilidade... O que mais?

— Audição e visão aguçadas e também me curo mais rápido que o normal. Acho que não sou imortal, mas me curo rapidamente. Bom, é o que eu sei.

— Então consegue vê-lo daqui? — Se referia ao lobisomem.

—Provavelmente.

Olhei na direção que viemos e o lobisomem andava à alguns metros daqui, nos procurando.

—Ele está à alguns metros daqui.

—Certo. Vamos ter que lutar. Não quero matá-lo, nunca queira matar. A primeira opção é prende-lo e levá-lo, mas se isso custar nossas vidas ou a vida de um inocente esqueça a primeira opção.

—Certo.

—Vamos descer.

Coloquei Robert em minhas costas novamente e pulei da árvore.

—Onde ele está?

Olhei na mesma direção e não vi nada!

—Eu... eu não sei!

—Como disse?

—Eu realmente...

—Cuidado!

Robert atirou em minha direção. Olhei para trás e o lobisomem estava caído.

—Droga! — Robert exclamou.

— Ele provavelmente viu onde nos estávamos e tentou nos pegar num ponto cego.

De repente o lobisomem se mexeu. Ele estava vivo.

—Não acredito!

Apontamos nossas armas para ele enquanto este se levantava.Ele rosnou e pulou em minha direção.

—Daisuke!

Tentei atirar na sua cabeça, mas com o empurrão errei o tiro. O lobisomem mordeu meu ombro esquerdo e com isso larguei a colt que segurava com esse braço.

—Ahhh! — Gritei por conta da dor.

Tentei atirar com a mão direita, mas com um murro, o lobisomem tirou a Colt de minha mão.

Olhei para o lado, Robert ia atirar enquanto o lobisomem me prendia ao chão.

—Não atire! Assim ele vai atrás de você! Acertei um soco no lobisomem.- Vá pra longe daqui!

—Não! Somos parceiros!

—Mas você não tem cura acelerada! — Conversávamos aos gritos por conta dos rosnados do lobisomem.

—E você não é imortal, Yamamoto!

—Vai logo, Droga!!

Felizmente Robert se afastou, assim ele não se machucaria.

O lobisomem me arranhou várias vezes, e eu acertava vários socos nele. Depois ele tentou me morder novamente, dessa vez o alvo era minha cabeça. Eu segurei seu maxilar empurrando para cima.

Com um grito uni forças e empurrei mais uma vez, assim quebrando o pescoço dele.

Eu empurrei o corpo desfalecido para o lado e me joguei no chão enquanto arfava.

—Você está bem? — Robert se aproximou.

Eu afirmei com a cabeça.

—Vou ligar para a Companhia.

—Para que? -perguntei.

—Nós nunca deixamos os corpos assim, temos que levá-lo e levar o centauro também.

—Certo.

Robert fez a ligação, pedindo para que viessem pegar os corpos. E quando chegaram pudemos voltar para a Companhia.

.

Chegando na companhia eu tinha intenção de ir diretamente para o meu quarto e continuar por lá até amanhã, mas Carter já acabou com meus planos no saguão.

—Yamamoto! Você está bem?

—Sim, Sim.

—Ótimo. Sr. Haysawa pediu para que quando chegasse fosse a sua sala.

—Certo.

—Ah. E sua compra acabou de chegar.- disse apontando para as caixas de sorvete.

—Ah! Que ótima notícia! Dessa vez demorou.

Abri uma das caixas peguei um pote de sorvete de chocolate e fui em direção a sala provisória do meu Otousan.

—Sr.Haysawa já está em sua sala nova. Disse que não precisa bater para entrar.

—Valeu Sr. Carter.

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A sala nova era idêntica à antiga, que havia sido destruída. Entrei na sala e deitei num sofá perto da lareira inativa. Otousan não estava na sala.

Droga. Precisava de uma colher para comer meu sorvete.

Otousan entrou na sala e arregalou os olhos ao me ver machucado.

—Você está bem filho? — perguntou preocupado.

—Ah. Sim, sim. Não precisa se preocupar.

—Mesmo? -perguntou enquanto ia em direção a sua poltrona atrás da mesa de madeira ainda meio desconfiado do meu bem estar.

—Claro... Otousan?

—Sim?

—Você não tem uma colher por aí, tem?

Ele riu, pegou uma colher numa das gavetas da mesa e a estendeu em minha direção.

—Wow! — exclamei enquanto me levantava. — Não esperava por isso.

—Sou um homem prevenido, filho.

Voltei a deitar no sofá e comecei a saborear meu sorvete.

—Por que queria me ver?

— Só queria saber como foi seu dia, no caso, manhã de trabalho. Mas já notei que foi do jeito que você queria.

—É. — sorri satisfeito. — Foi sim.

Notas finais
Links Nillili Mambo: https://youtu.be/4AYJZvHeKFo Bang Bang Bang: https://youtu.be/2ips2mM7Zqw Facebook: https://m.facebook.com/Cobaia-0013-Daisuke-Yamamoto-266418527043017/ Até a próxima meu povo :*