Cobaia 0013
3 Capítulo 3 - Explicações
Notas iniciais
05-02-5026 Sábado
Ouvi vários passos em direção a sala e apoiei minhas costas na parede onde a porta, ou o que havia restado dela, se encontrava.
Eu já havia feito a merda mesmo.
Os passos pararam, deviam estar decidindo se entravam ou não. Apurei meus ouvidos, mas não ouvia mais nada.
Um cara entrou, mas começou a revistar a sala pelo lado contrário ao que eu estava. Não esperei mais nenhum segundo, ele estava de costas pra mim.
Atirei em sua cabeça.
Talvez eu não devesse ter feito isso.
Mais cinco entraram. Claro, todos apontando e disparando para meu ex- esconderijo.
Pulei por cima da mesa, chutei o tampo, assim , fazendo com que ela virasee um escudo improvisado e me escondi atrás dela. E assim os tiros pararam. Para onde eu iria?
Deitei com as costas viradas para o chão e meus pés virados para a mesa. Apoiei os pés no tampo da mesa e me aproximei dela , arrastando as costas no chão e flexionando as pernas. Me concentrei e empurrei a mesa com força.
Meu plano havia dado certo. A mesa foi em direção aos invasores, algunsão ficaram prensados entre a parede e a mesa. Minha sorte era que a porta da sala havia sido destruída e o lugar onde ela costumava ficar é bem espaçoso, senão a mesa cobriria toda a abertura.
Havia uma abertura grande o suficiente para eu escalar a mesa e deslizar por cima. E foi o que eu fiz
Mas dois dos invasores conseguiram escapar da minha armadilha, provavelmente estavam de frente para a mesa e assim, de costas para a abertura na parede.
Na minha fuga por cima da mesa acabei caindo por cima de um deles. O outro se assustou e deu um passo para trás o que me deu tempo suficiente para me levantar e chutar o seu rosto com minha perna direita. Ele voou de encontro com a parede e desmaiou.
Corri virando em vários corredores, eu era mais rápido, por um lado isso era bom, eu com certeza iria despistá-los rapidamente. Porém eles notariam a velocidade fora do que seria normal para um humano e poderia concluir que eu era quem eles procuravam.
Enquanto eu continuava correndo pelos corredores senti meu celular vibrar.
Peguei ele do bolso enquanto corria.
"-Daisuke. Ouça e não interrompa. Vou te passar ordens, siga estritamente o que vou te dizer.- Era Robert do outro lado da linha. Continuei correndo. — Me responda somente com "Ok" ou se não intender algo diga apenas "não entendi" não queremos que ninguém escute suas respostas e assim saibam do que estamos falando.
–Ok
– Ele está comigo. Não se preocupe. Tente não chamar atenção enquanto faz o que lhe digo.
–Ok — dizia simplesmente enquanto, agora, andava pelos corredores. Decidi parar em um deles.
– Entre em um das lixeiras e saia do prédio. ..
–Não entendi — soltei uma risada nasalada.
–Droga Daisuke, não me interrompa! Você sabe aquelas gavetas enormes que tem em todos os corredores? Abra uma delas.
– Ok. — acho que eu irritei ele. Andei um pouco mais e estava de frente para uma dessas. Era grande, metálica e tinha um pegador em cima. Ela abria em 90°.
– Agora entre nela deslize até o final. Você vai parar no térreo onde são coletados os lixos da Companhia. — Eu ouvia atentamente. — Sem alertar ninguém vá até a praça Lady Whelan e espere até um carro ir te buscar. Não ligue para esse número e espere lá.
-Ok."
Ao fim da ligação ouvi alguns passos, rapidamente pulei na lixeira.
Tirando o fato de que eu estava fugindo da minha própria casa e que aquilo era meio nojento, com todo aquele chorume naquele lindo escorregador de lixo,aquilo teria sido divertido.
Para minha felicidade pousei em um monte de lixo.
Sai de cima daquilo e olhei em volta procurando uma saída , era um grande galpão com uma grande porta, que conclui que servia para que o caminhão de lixo entrasse, e tinha uma porta menor ao lado.
Corri em direção aquela porta e parei pegando as Colts. Abri a porta devagar. E felizmente não havia ninguém aos fundos da Companhia.
.
.
Cheguei na praça que estava movimentada por ser final de semana. A praça era muito bonita com vários bancos de madeira, um lago e várias árvores que tinham uma folhagem bem verde e viva por estarmos no verão.
Muitas crianças brincava no local. Sentei num banco meio afastado do movimento enquanto esperava minha carona, que não demorou muito, rapidamente um Rolls-Royce Phantom preto com algumas engrenagens douradas e brilhantes à mostra, chegou e a porta foi aberta. Eram um dos agentes.
Entrei no carro e haviam mais dois guardas lá.
– Para onde vamos?
– Você verá Daisuke.
–Custa me dizer?
–Sr. Haysawa quer lhe explicar tudo.
Concordei com a cabeça.
Me explicar tudo né? Então ele sabia o que estava acontecendo. Sabia o porquê daqueles caras invadirem a Evolution Alpha Company.
Passamos por várias ruas, viramos várias esquinas, estávamos nos afastando do centro da cidade até que paramos em frente a uma porta de garagem de um prédio abandonado e velho.
Um dos guardas, que estava sentado ao meu lado desceu do caro e foi até a parede em que a porta estava colocou o polegar em um ponto da parede e depois de alguns segundos a porta de madeira se abriu e depois ele entrou no predio. O guarda que estava dirigindo avançou com o carro e assim entramos também.
Era um lugar lindo. Amplo. Era como um espaçoso corredor, com tons de creme dourado e preto. Um lustre grande pendia do teto no meio daquele salão. Vários guardas estavam em paralelo com as paredes que nos cercavam e todos estavam com armas nas mãos.
Andávamos em direção à única porta do local, tirando a que havíamos atravessado agora que se fechava atrás de nós, me virando pra trás pude perceber que não era uma simples porta de madeira, por dentro haviam mais duas de metal que pareciam ter um sistema de segurança em que dois guardas, um de cada lado da porta precisavam acionar alavancas simultaneamente para fechá-las, provavelmente faziam isso para abri-la também.
Me virei de volta e a porta a nossa frente também tinha o mesmo sistema. Dois guardas que já estavam em frente a porta abriram esta.
Lá dentro havia um lugar imenso, parecia outra Companhia e todos estavam alterados. O agente que estava comigo e um dos guardas foram em direção a todas aquelas pessoas que falavam e gesticulava ao mesmo tempo. Corriam com papéis, falavam ao telefone e teclavam rapidamente. Era um caos.
–Por aqui Daisuke. — o guarda que restou me indicou um dos corredores.
Depois de um tempo paramos em frente a uma porta de madeira escura.
O guarda bateu três vezes na porta e então ela foi aberta por agente Robert. Ele estavam com uma expressão preocupada, com uma tensão aparente. Seus cabelos pretos que estavam sempre bem arrumados se encontravam totalmente desalinhados no momento.
– Ainda bem que seguiu minhas instruções garoto! — Disse enquanto dava tapas em minhas costas. — Entre. Sr.Haysawa quer falar com você.
–Otousan. .. — sussurrei involuntariamente.
–Filho? — ouvi enquanto me dirigi à porta. Entrando na sala vi meu pai, que parecia ter acabado de se levantar de uma cadeira de madeira. Atrás de uma mesa do mesmo material.
Ele parecia abatido e cansado, mas sorriu verdadeiramente quando me viu. O que me fez sorrir também.
E eu chorei.
–Otousan!- Gritei enquanto corria e depois o abracei, como se tivesse 09 anos de novo, quando perdi Haysawa numa mercearia. Quando o assunto era ele eu não tinha vergonha de chorar. -Achei que tivesse te perdido.
– Estava preocupado com você. Disse para ter ficado comigo na sala.
Ele parecia querer brigar comigo, mas tinha o tom sereno enquanto fazia carinho em minhas costas. Deveria ser uma cena bem cômica, um rapaz de 1,80 abraçando e chorando com a cabeça apoiada no ombro de um senhor de 1,65.
–Sinto muito. O senhor sabe que não gosto de ficar longe...
– Da confusão. -ele disse concluindo minha frase. — Sente -se.
Enxuguei as lágrimas e me sentei de frente pra mesa em que ele estava. Essa sala parecia com a da Companhia, mas numa versão menor e mais simples. Ao invés de várias prateleiras com livros só havia uma e nada de lareira.
Decidi iniciar a conversa.
–Várias pessoas estavam no prédio, não acho justo estarmos aqui enquanto eles estão em perigo.
– Vários outros agentes foram mandados daqui para a Companhia para auxiliá -los. Não se preocupe.
–Onde estamos?
– Esse local foi construído há alguns anos com o intuito de ser um local mais bem protegido do que a Evolution Alpha Company. A Companhia, como você sabe não só trata de casos sérios, mas também trata de casos comuns com civis.
–Que é o que eu faço.
–Isso, isso. -Ele se levantou e começou a andar pela sala. — Por conta desses casos comuns com a população de Barkesfield o local não podia ter o endereço desconhecido. Por isso criamos um local mais seguro.
– E por que precisamos de um local de localização pouco conhecida? Por conta dos casos mais perigosos?
– Também.
– Também? E por que mais seria?
–Por causa de você , Daisuke. E isso nos leva ao que aconteceu hoje, na Companhia. Você foi uma cobaia, uma cobaia com resultado bem sucedido, e não foi a única. Há um tempo os agentes souberam de casos onde pessoas ditas, mestiças , com sangue humano e místico, estavam desaparecendo. Mandei investigar o caso e elas não eram mestiças, eram cobaias assim como você.
Eu não interrompia. Estava atento a tudo que ele dizia.
– Eu já esperava que procurassem por você, principalmente por que você fugiu de lá. O problema é que não sabemos quem eles são, não existe nenhum registro. Como acabar com algo que tecnicamente não existe? E além disso existem cobaias pelo mundo todo. Então não havia só um laboratório. Como não podíamos exterminá-los investigamos o que acontecia com as cobaias. — Ele parou de falar, enquanto parecia meditar olhando para um quadro em uma das paredes.
– E então? — tentei fazer com que ele voltasse a falar.
– Alguns passaram a matar pessoas, provavelmente viraram assassinos de aluguel, ou algo parecido. — Disse fazendo contato visual. — Já outras foram encontradas mortas.
– Então eles me queriam para uma dessas opções, mas... e você?
Ele inspirou de forma profunda e audível.
– Provavelmente queriam me matar. Sou uma pessoa que tem conhecimento das cobaias, e sou pai de uma.
– Eles não vão te matar.
Haysawa soltou uma risada nasalada, foi atrás da cadeira em que eu estava sentado e pôs as mãos em meus ombros
–Não vão. Mas quero que você entenda o porquê de eu ter pedido que ficasse na sala, o porquê de estar aqui e o porquê de ter que ficar sempre aqui.
–Não, não. Sinto muito Otousan. — Me levantei e me virei para ele. -Não vou ficar preso aqui. Agora que sei de tudo isso quero estar perto das investigações. Quero participar da ação e dos casos mais difíceis e não apartando uma briga de vizinhos.
– Não , eu não vou permitir.
– Otousan, me deixe usar meus poderes para alguma coisa. Acho mesmo que eu não seria útil nesses casos?
–Acho que ajudaria sim Daisuke, mas não quero te colocar em perigo.
– Sei disso... — Pensei um pouco, precisava convencê -lo. -Vamos fazer assim. Eu continuo sendo um agente de casos simples com civis, mas você escolhe alguns casos mais trabalhosos para eu te provar que posso fazê-los.
– Ok, Daisuke.
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