Cobaia 0013
22 Capítulo 22 - Mentiras
Notas iniciais
09-09-5026 Domingo
— Acho que encontramos Kalena.
As palavras de Robert ficaram repetindo em minha cabeça como se fosse difícil de processa-las.
—Isso é sério?
—Eu acho que sim. — Ele deu enfase em "achar" enquanto fechava a porta do quarto e entrava.
Eu me sentei e dei espaço para que ele fizesse o mesmo.
—Bom... — depois de se sentar ele pegou o celular, procurou por algo e fez com que uma imagem se projetasse na altura de nossos olhos. — ... Essa é a divisa de Ghriffitis com Bennett. — Ele apontava para além da cidade de Ghriffitis que aparecia na imagem.
Ele mudou de imagem , agora estava mais próximo da divisa.
—Você vê? Aqui. — Ele apontou. — Uma grande mansão.
Afirmei com a cabeça.
— Ontem, depois de eu ter ido buscar você no Cosgrove tive uma reunião. Estávamos analisando as cidades novamente e vimos isso, o local estava tão movimentado quanto a Companhia em seu horário de pico apesar de já ser tão tarde.
Só uma pergunta passava em minha cabeça.
—Viu Kalena?
—Não, mas tem grande movimentação lá, inclusive de algumas cobaias. E hoje mesmo alguns agentes voltaram dizendo que o máximo que haviam conseguido chegar sem combate foi em Ghriffitis.
— Você podia ter vindo me avisar ontem.
— Do que adiantaria? Você estava horrível! E além disso, ainda não decidimos qual será nosso próximo passo.
—Como não? Kalena pode estar em perigo! Já faz um mês!
—Eu sei Daisuke, também estou preocupado, mas não cabe somente a mim essa decisão.
—Certo. — foi o que eu pude dizer.
Depois de um tempo Robert rompeu o silêncio.
—Hoje, depois do almoço haverá uma reunião para decidirmos o que fazer.
Ele parou e me observou, eu esperava ele falar algo mais.
—Você pode vir se quiser, mas por favor tente manter a calma.
—Obrigado.
—De nada, Daisuke. — Disse enquanto colocava a mão em meu ombro. — A reunião será após o almoço, passo aqui para irmos juntos.
—Ok. — Robert então saiu e eu fiquei sozinho com meus pensamentos.
Eu estava ansioso. Robert pediu para eu manter a calma, mas eu sabia que aquilo não seria nada fácil.
Resolvi levantar e tomar um banho. Depois disso comi cereal e comecei a arrumar meu quarto numa tentativa de fazer o tempo passar mais rápido.
"Arrumar" não era bem a palavra certa. Estava mais para pegar as roupas do chão e arremessá-las no guarda-roupa. Então pensei melhor e comecei a dobrar as roupas. No meio do processo de tirar de lá as roupas que não estavam dobradas encontrei a pequena sacola de papel, onde estava o colar que eu pretendia dar a Kalena.
Respirei fundo, guardei a sacola novamente em seu esconderijo e voltei a dobrar as roupas.
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Terminava de amarrar minhas botas quando Robert bateu a minha porta. Peguei rapidamente meu casaco e abri a porta.
—Vamos, Daisuke.
Começamos a andar de forma despreocupada quando Robert me fez uma questão inusitada.
— Por que você anda com esse casaco enorme? — disse enquanto fazia uma careta.
—Hey! É estiloso!
Ele riu baixo.
—Pode ser várias coisas, mas estiloso não é uma delas.
—Desculpe Sr.especialista. — zombei.
— Esta desculpado.
Chegamos a sala que estava cheia. Apenas uma das dezoito cadeiras, uma que estava numa das pontas da mesa, estava vazia, provavelmente a cadeira de Robert.
O homem que estava sentado na outra ponta da mesa, que parecia ter a idade de Robert, porém não o mesmo porte físico, soltou uma risada de deboche ao me ver.
"Manter a calma, Daisuke"
"Manter a calma"
Robert fez menção de que eu devia me sentar no local reservado para ele, enquanto ele ficou de pé e fez com que o holograma da divisa entre a cidade de Ghriffitis e Bennett aparecesse.
—Boa tarde. — ele iniciou a reunião. — A reunião de hoje está sendo realizada com a intenção de decidirmos o que fazer à partir das informações coletadas na reunião de 08/09 às 23 horas e as informações trazidas por agentes na manhã de hoje.
Ele ampliou o holograma e agora só víamos a mansão que ele havia me mostrado mais cedo.
—Esse é o local que vimos estar movimentado ontem às 2 horas e desconfiamos ter ligação com as pessoas que estamos procurando a um tempo. — ele agora colocou a mão direita na mesa e puxou um holograma dos círculos em formato de alvo.
— Precisamos entrar em acordo sobre que passo dar a partir de agora.
—Qual sua opinião agente Robert? — Só ai me dei conta de que agente Isabella estava ali e havia perguntado.
— Devemos investigar, não digo atacar, pois isso demandaria mais tempo e como sabem ele tem uma prisioneira.
Engoli em seco.
— Desculpe agente Robert. — Aquele cara sentado na ponta da mesa fez questão de dar enfase na palavra agente, como se ali não fosse o lugar de Robert estar.
— Diga Sr. Hughes. — Robert disse sem se abalar.
— Acho que não devemos perder mais tempo com um local pequeno como este. Deveríamos focar nossos esforços em lugares maiores e onde temos certeza de que esse grupo está.
— Kalena pode estar sofrendo lá. — disse tentando me manter calmo.
— Estamos discutindo coisas mais importantes que sua namorada, Yamamoto.
Minha respiração pareceu pesar.
Senti meu sangue borbulhar em minhas veias como se fervesse.
Meus ouvidos zumbiam.
E as palavras dele se repetiam devagar em minha mente.
"Estamos discutindo coisas mais importantes que sua namorada"
Quando dei por mim o sujeito estava no chão e eu tinha minhas pernas em cima de seus braços estendidos, minha mão esquerda segurava com força sua mandíbula e na direita estava meu punhal que já havia se afundado um pouco na carne do pescoço dele de onde o sangue vermelho-vivo escorria lentamente.
Com os meus lábios semicerrados apenas uma palavra saiu.
—Repita.
—Daisuke! — Isabella gritou.
Depois de um tempo sai de cima do homem, mas não tirava os olhos dele.
—Desculpe Robert. — disse enquanto saía de forma confiante, porém calma e limpava o sangue do punhal na calça jeans.
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Estava deitado em minha cama de olhos fechados quando ouvi a porta do quarto ser aberta de forma brusca.
—Pode entrar.- eu disse zombando sem ao menos abrir os olhos.
—Yamamoto Daisuke!
—Sim? — Só ai abri os olhos e me sentei de frente para Otousan. Ele parecia furioso.
— Você quase matou Sr. Hughes!
— Você está exagerando.
—Exagerando? Ele está neste momento na enfermaria recebendo pontos. E você ainda deslocou um dos braços dele!
Eu ri.
— Você está rindo?
— Não me importo com ele. Quero mais que aquele filho da...
—Daisuke!
—Quero mesmo que ele morra.
—Você sabe que isso só irá complicar mais ainda a busca por Kalena.
Sim, eu sabia. Mas quando dei por mim já estava com o punhal no pescoço daquele imbecil.
— Já acabou?
Ele apenas me encarou e depois saiu fechando a porta atras de si.
—Droga! — Gritei sozinho no quarto. — Calma, calma... — disse baixo.
Não importa. Agora eu sabia onde Kalena estava.
E eu ia até lá, nem que fosse sozinho.
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19 horas.
Eu estava de calça jeans, botas, regata branca e meu casaco.
Tinha meu punhal, minhas Colts e claro bastante munição nos bolsos, além de algumas kunais.
E bem, meu celular, afinal eu precisava de um GPS.
Dessa vez preferi não sair pela porta da frente, subi até o terraço e por um tempo me permiti olhar Barkesfield de cima. Depois desci devagar pelo lado de fora do prédio na direção dos fundos, por onde os caminhões entravam.
Já no chão corri até o portão dos fundos e o escalei, abri-lo chamaria muita atenção. Depois peguei meu celular e liguei o GPS. Respirei fundo, aquela caminhada demoraria muito.
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" I love you, baby i'm not a monster
Neon al-janha yejeon nae moseubeul shi-gani chinamyeon sarajyeo beoril tende keu ttaen al tende baby "
Eu cantarolava baixo enquanto ouvia musica no celular e andava pela cidade de Ghriffitis que estava silenciosa, quando meu celular vibrou.
Uma mensagem de Robert.
"Onde você está?"
Decidi responder.
" Estou indo buscar Kalena. Não me espere acordado."
Depois disso meu celular começou a vibrar incessantemente por conta das varias mensagens. Por não responder ele começou a me ligar, então conferi as horas e desliguei o celular.
01 hora.
Meu coração batia descompassado, mas não por ir confrontar o inimigo sozinho, mas pela esperança de ver Kalena depois de tanto tempo.
Finalmente cheguei próximo a mansão o local era fortemente guardado. Haviam muitos homens vestidos completamente de preto por toda parte dela, mas o local não tinha muros, talvez para não levantar suspeitas, pois não faria sentido uma construção numa cidade teoricamente deserta.
A mansão era realmente grande e no momento se encontrava iluminada ao redor haviam poucas arvores e uma vegetação um pouco alta por conta do descaso.
Comecei a caminhar agachado e devagar de forma paciente pelo terreno. Ainda estava um pouco distante da construção e demoraria um pouco por ter que andar devagar. Já mais próximo a mansão comecei a jogar kunais com minha força sobre-humana nos vigias no terraço. Depois de um tempo três caras saíram da casa e vinham em minha direção, não tinha o que fazer, se eu tentasse sair dali rapidamente eles me veriam se eu ficasse ali também.
Decidi levantar e atirar antes que eles atirassem em mim. Rapidamente todos estavam no chão, mas alguns dos vigias me localizaram e logo sirenes foram acionadas e vários deles vinham em minha direção.
—Só faz bosta, né Daisuke? -discutia sozinho enquanto atirava nos inimigos. — Achou que ia chegar aqui, pegar a Kalena e pronto?
Uma lança foi jogada perto demais do meu rosto, mas consegui desviar. Guardei as Colts e passei a usar aquela arma. Eu girava a lança e cortava os inimigos com facilidade. Acertei um no rosto girei meu corpo e a lança e acertei dois que estavam as minhas costas, e assim fiquei por um bom tempo até que levei um tiro de raspão no braço direito. Reclamei por conta da dor, mas não parei de lutar.
—Não atirem! — Pôde se ouvir um grito.
A lança se quebrou, e antes que eu pudesse pegar as colts levei socos em meu rosto e abdômen, tentei atacar, mas agora não conseguia mante-los distantes. Logo, mais e mais inimigos vinham e eu sabia que estava tudo ferrado, quando senti uma pancada forte na nuca e cai.
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Abri os olhos devagar. Eu estava em uma sala pequena e rustica, havia apenas a cadeira onde eu estava sentado, com braços acorrentados fortemente as minhas costas e pernas também acorrentados, uma cama simples onde estava meu casaco com minhas armas e um espelho médio. Pensava que pelo menos agora estava dentro da mansão e agora precisava me soltar para encontrar Kalena, quando a porta a minha frente foi aberta.
Um rapaz de cabelos loiros entrou com uma garota atrás dele.
Kalena.
Quando nossos olhos se encontraram meu coração falhou uma batida e esqueci como respirava. Ela parou de caminhar e o homem a puxou pela cintura enquanto ela desviava o olhar.
Eu não conseguia falar, nem parar de olhar para ela. Estava deslumbrante em um vestido vermelho longo de alças finas e decote generoso.
Ela estava bem. Mas.. por quê?
— Você deu trabalho, hein moleque? Sozinho matou mais de 50 homens.
Eu não dizia nada, apenas encarava a mão dele que repousava na cintura de Kalena.
— Quem diria que a cobaia viria aqui de bom grado?
—Vim pegar algo que me pertence.
Ele riu.
— Kalena, o que esta acontecendo? — perguntei.
— Então a sereia te enganou mesmo?
Senti a raiva me consumindo devagar.
— Se não se importa estou falando com ela.
Kalena evitava olhar em meus olhos e aquilo me rasgava por dentro. Depois de um tempo ouvi sua voz.
— Faço parte da Oroboro agora.
—Ela é nossa aliada agora,cobaia. -Ele disse enquanto sorria para Kalena, que lhe devolvia o mesmo sorriso.
Aquilo... não podia ser verdade.
—Kalena...- soltei involuntariamente enquanto baixava meu rosto.
—Você fez a cobaia se apaixonar por você mesmo, querida.
—Não a chame assim! — Gritei.
O imbecil vinha em minha direção, mas Kalena colocou a mão direita em seu peito indicando que deveria parar. Então ela se posicionou a minha frente e ainda falava sem olhar em meus olhos.
— Aquilo tudo... — ela se referia a nós dois. — Não significa nada, Daisuke.
Don't recall — K.A.R.D
"Saia de perto de mim, fique longe de mim
Você me irrita, você está sujo
Não me toque"
—Você só pode estar brincando!
— Não estou.
—Então por que não olha para mim ao dizer isso?
"Eu não o conheço mais
Você finge que não me conhece também
Você olha para mim como se soubesse de tudo
Eu não quero esse sentimento"
Ela respirou fundo e olhou nos meus olhos, tenho certeza que vi algum pesar, mas que rapidamente desapareceu.
— Certo, Yamamoto. Eu te usei como um meio para chegar até Oroboro.
— Você disse que me amava! — Gritei com lagrimas nos olhos.
"Não olhe para mim assim
Não me afaste
Eu te dei todo meu amor, amor
Todo meu amor, amor
Não quero te deixar jamais."
—Eu menti.
Eu não sabia se era ódio ou tristeza que sentia, apenas encarei Kalena.
—Não vou voltar, Yamamoto. Espero que entenda.
"Não olhe para mim assim
Não chegue mais perto
Você precisa me deixar ir, ir
Me deixe sozinha, sozinha
Nunca mais quero voltar"
— Então todo aquele tempo que passamos juntos ... não significou nada?
— Não.
— Nem aqueles bons momentos?
—Eles nunca existiram.
"Não me lembro dos bons momentos
Só resta arrependimentos
Inúmeras vezes eu senti que não haveria nenhum amanhã
Mesmo as vezes eu senti meu coração acelerado
não, não, não, não, não
Já não tem significado
Pare, eu não me lembro
Já não tem significado
Pare, eu não me lembro"
Eu fui um imbecil.
Eu sentia raiva de mim e raiva dela.
Sentia o buraco em meu peito aumentar mais, tudo aquilo era uma mentira para ela enquanto pra mim foi tudo tão verdadeiro. Quem sabe ela não me enfeitiçou?
Tentava segurar as lágrimas, mas era tão difícil.
—Você me usou. — sussurrei.
"A solidão permanece na minha pele
Me dá calafrios
Porque eu me culpo, como eu fui irresponsável
A culpa me segue como uma sombra
Decalque, uh esse é meu preço a pagar
Por toda minha estupidez do passado
Enrolado como um novelo de lã, inútil
Vivendo na memória desvanecida, miserável
Espero que você me ouça, meu monólogo
Não é para me exibir, é verdade"
— Sinto muito, Daisuke.
—Você sente? — Perguntei, rude.
"Não olhe para mim assim
Não chegue mais perto
Você precisa me deixar ir, ir
Me deixe sozinha, sozinha
Nunca mais quero voltar"
— Bom, é isso. — agora o rapaz que até agora observava disse. — Ela é incrível, não é? — Ele fez a pergunta retórica baixo enquanto a enlaçava pela cintura.
"Não olhe para mim assim
Não me afaste
Eu te dei todo meu amor, amor
Todo meu amor, amor
Não quero te deixar jamais."
Ela estava mentindo e tudo o que passamos juntos parecia tão real para mim.
Eu amo Kalena e é assim que ela me retribui?
"Não me lembro dos bons momentos
Só resta arrependimentos
Inúmeras vezes eu senti que não haveria nenhum amanhã
Mesmo as vezes eu senti meu coração acelerado
não, não, não, não, não
Já não tem significado
Pare, eu não me lembro
Já não tem significado
Pare, eu não me lembro"
—Você está mentindo Kalena! — Gritei.
— Não, ela não está. — O rapaz me respondeu baixo enquanto se aproxima de Kalena.
E então, ele a beijou.
Aquilo...
Foi a gota d'água.
"Você não quer dizer isso
Eu sei, sei, sei, sei, sei, sei."
(Eu não me lembro)
Agora a raiva me consumia de tal forma que eu não conseguia controlar.
Meu sangue borbulhava e meus ouvidos zumbiam incessantemente.
Comecei a suar e ofegava enquanto minha visão embaçava, por causa das lagrimas talvez.
Aquilo não podia ser real, ela não podia ter feito aquilo comigo.
Só podia ser mentira.
"Diga que você não quer me dizer essas palavras
Baby, eu não posso eixar você ir"
(Apenas me deixe ir)
"Não posso deixar você ir
não, não, não, não"
"Já não tem significado
Pare, eu não me lembro"
De repente senti com se meu corpo todo estivesse em chamas tanto por dentro quanto por fora, e aquela dor me consumia de tal forma que não pude evitar um urro e dor.
Senti minhas costas rasgarem e algo sair delas, minha cabeça girava e sentia ser rasgado por algo pontiagudo. Gritei devido a dor novamente.
Respirava de forma descompassada de cabeça baixa e olhos fechados, porém algo dentro de mim cresceu, algo que parecia me tornar imbatível , uma força e confiança que eu jamais havia sentido.
Um sorriso crescia em meus lábios ao mesmo ritmo em que a auto confiança crescia, senti meus caninos mais pontiagudos e ri de forma involuntária por conta de tudo aquilo que me consumia.
Virei meu olhar e via que os dois estavam estáticos olhando em minha direção. Endireitei minha postura e em dois movimentos rápidos rompi as correntes que me prendiam como se fossem papel. Agora me levantei e Kalena tinha as mãos por cima da boca e os olhos arregalados.
Só ai vi meu reflexo no espelho.
Eu estava mais alto e forte, e em minha cabeça haviam chifres curvos além de dois grandes pares de asas em minhas costas. Meu pescoço e ombros estavam cobertos de escamas pretas-arroxeadas e minhas mãos haviam apenas quatro dedos com longas unhas afiadas. Orelhas pontudas e língua bifurcada como a de uma cobra.
E agora meus dois olhos estavam negros com a iris branca e a pupila de forma vertical.
O rapaz loiro pareceu sair do estado de choque e tentou sair pela porta. Fui mais rápido e o segurei pelo pescoço enquanto Kalena soltou um grito de horror.
— Cale a boca, vadia! -Gritei enquanto apertava o pescoço dele com facilidade.
— Você... Nunca mais tocará nela. — sussurrei. E então separei o tronco dele da cabeça como se rasgasse uma folha de papel inútil e arremessei as partes em qualquer lugar no chão do quarto. Agora eu e Kalena estávamos banhados do sangue do rapaz que a um segundo atras estava vivo.
Kalena gritou mais alto e aquilo só me irritou mais. Segurei em seu pescoço e a tirei do chão.
—Eu mandei calar essa sua boca! — e a arremessei no chão.
Ela agora chorava de forma descontrolada e eu revirei os olhos por ter que ouvir aquele teatro.
—Você me usou!
—Dai...
—Cale a boca quando eu estiver falando!- e então ela se encolheu em um canto enquanto me ouvia. — Você me usou, por todo aquele tempo! Enquanto eu estava sofrendo e brigando com todos para vir te "salvar", enquanto eu passava noites em claro e vinha até aqui sozinho porque tinha medo do que você podia estar sofrendo... Você estava ai! Se esfregando no corpo dele como uma vadia!
Eu mirrei a cabeça loira no chão e ri.
— Como pude ser tão cego! — peguei novamente no pescoço de Kalena e a prensei contra a parede enquanto lagrimas saiam de meus olhos. — Você pode ficar com sua preciosa Oroboro agora. E por mais que você não me ame.... Eu sei que não vou conseguir tirar esse maldito sentimento por você do meu coração.
Eu a joguei no chão novamente e peguei meu casaco.
—Daisuke...
—Eu não quero ouvir mais suas mentiras!
Neste momento vários homens entraram no quarto e eu pulei a janela sem me importar com o vidro que me cortaria, pois ainda sentia aquela imunidade em mim.
Eu corri ainda mais rápido do que o meu normal. Só tentava me concentrar em correr, mais era difícil.
O que havia acontecido comigo, o que era tudo aquilo em que eu me transformei?
Por que eu?
Por que Kalena havia feito aquilo comigo se eu a amo tanto.
Olhei para trás e parecia que os homens da Oroboro desistiram de me perseguir.
Mas eu ainda corria.
Só queria correr.
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