Cobaia 0013

23 Capítulo 23 - Jantar


Notas iniciais
Oi, oi Estou escrevendo o quanto posso povo... ta dificil kk O capitulo não esta tão longo, Sorry Espero que gostem

10-09-5026 Segunda-Feira

Minha cabeça latejava

Reclamei por causa da dor irritante e nesse curto espaço de tempo as lembranças da noite anterior vieram a minha mente.

Eu indo até a mansão.

Kalena.

A transformação.

Quando me lembrei disso, sentei num pulo e olhei para minhas mãos. Estavam normais.

Apalpei minha cabeça em busca de chifres pontiagudos. Nada.

Apoiei o rosto nas minhas mãos e respirei fundo.

—Você é louco, Daisuke.

Só ai me dei conta da presença de alguém, Robert para ser mais exato.

Eu estava na ala hospitalar, que estava vazia. Robert estava sentado em uma cadeira perto da cama em que eu estava. Não o respondi, apenas voltei a apoiar o rosto nas mãos.

—Por que você fez isso?

—Você sabe o porquê, Robert.

Ele respirou fundo.

—E então? O que houve?

Soltei uma risada fraca.

—E então... -Eu falava baixo e sem emoção alguma. — E então eu sou um idiota, fui um idiota e vou continuar sendo.

Robert ficou em silêncio.

E eu não me arriscava a olhar para ele.

—Kalena... — doía dizer o nome dela. — Ela ... ela nos traiu, Robert. Ela me traiu — sussurrei.

Ouvi Robert se levantar da cadeira. Ele então se sentou na cama, perto de mim.

—Daisuke...

—Eu a vi. — Eu tentava segurar as lágrimas. — Ela disse que me usou. Me usou para encontrar a Oroboro.

Eu fiquei em silêncio. Doía falar sobre Kalena.

— E então você voltou e desmaiou em frente a Companhia.

Eu ri.

—Então foi assim que me encontraram? — Só agora olhei para Robert.

Ele sorriu fraco.

—Sim.

—E... Como eu estava?

—Como assim?

—Bem... eu ... — Não sabia como explicar. Eu nem sabia o que havia acontecido comigo.

Nesse momento Otousan entrou na ala e me encarou. Em sua face havia uma mistura de raiva, tristeza e varias outras coisas. Ele andou a passos rápidos em nossa direção e me encarava como se me odiasse.

Engoli em seco, e depois de um tempo parado e de respirar de forma profunda e audível Otousan só pronunciou duas palavras.

— Yamamoto Daisuke.

Eu não respondi, apenas o encarei.

—Por que? Porque sair daqui sem avisar alguém? Achou mesmo que conseguiria fazer algo sozinho?

—Não.

—Então por que?

— Por sou um imbecil!- eu gritei. — É isso que quer ouvir? Sou um imbecil! Fiz de tudo para salvar alguém que me usou!

Ele ainda tinha um olhar firme sem se abalar.

— Fui la salvar alguém que não precisava ser salva! Pronto!

— Pronto? Você podia ter morrido.

— Eu não morri!

Ele agora se sentou na cama.

—Eu fiquei preocupado.

—Eu estou bem. Sinto muito, mas pensava que ela podia estar sofrendo.

—Daisuke. — Robert pronunciou- Você ia me dizer algo.

—O que eu ia dizer? — Eu já nem lembrava.

—Disse que te encontramos desmaiado em frente a Companhia. Você me perguntou como estava...

Droga.

Respirei fundo.

—Alguma coisa aconteceu comigo lá.

Otousan e Robert me olhavam com atenção.

—Eu... eu não sei bem.- Passei a mão na testa lembrando do meu reflexo e daquele sentimento de ser imbatível. — Eu me transformei em algo. Eu estava maior e mais forte, tinha chifres, asas, caninos longos...

Silêncio.

—Você se sente bem agora, filho?

— Sim. — apenas fisicamente.

Vamos todos ate minha sala e você nos conta o que houve.

.

.

Depois de contar tudo o que havia acontecido e sobre Kalena ter mencionado o nome de nossos inimigos, Robert deu a ideia de que eu devesse tentar me transformar.

Fomos nós três até a parte de fora da Companhia, nos fundos, no pátio onde eu havia treinado a uns dias atras.

—Você acha que consegue, filho?

—Não custa tentar.

—Consegue... — Robert exitou. — Consegue recriar o sentimento que o fez se transformar?

O sentimento.

Fechei os olhos e lembrava dos dois juntos.

De trechos onde nós discutíamos.

" — Você disse que me amava! — Gritei com lagrimas nos olhos.

—Eu menti."

O ódio que senti ao ver aquele cara beijando Kalena.

O beijo dos dois...

Senti as lagrimas molharem meu rosto e algo me queimava por dentro. Gritei e me ajoelhei por conta da dor.

Ouvi de forma distante a voz de Robert.

—Não, Sr. Haysawa.

Meu corpo queimava, senti minhas costas se rasgando e dor em minha cabeça.

Só queria matar aquele homem.

Minha cabeça latejava, mas finalmente a dor foi diminuindo a medida que aquela confiança ia crescendo.

Me sentia forte e imbatível novamente. Era um sentimento bom.

Eu respirava de forma rápida, queria matar.

Só sentia ódio.

— Daisuke? — Robert chamou e o encarei.

Robert e Otousan me olhavam com espanto. Quando olhei nos olhos de Robert o vi estremecer e sorri com isso.

Me levantei e só os encarava com o queixo erguido, passei a língua pelos lábios e ao ver a língua bifurcada foi a vez de Otousan estremecer.

Ri e abri os braços de forma amigável.

—O que vocês tem? — Minha voz era grossa e rouca.- Sou só eu!

— Não... Não é meu filho.

—Não reconhece mais o seu filho , O- tou-san? — Disse zombando?

O que estava acontecendo comigo?

Eu não era assim. Mas algo dentro de mim dizia que era bom, que eu devia ser assim.

Não seja assim com Otousan, Daisuke.

Pare de ser tão bonzinho... você sabe que não o conhece de verdade. Ele não se importava com Kalena.

Eu travava uma batalha interna, eu estava tão confuso.

Eu devia matar Kalena, ela me traiu.

Eu nunca faria isso com ela.

— Daisuke! — Robert chamou.

— O que foi? — Perguntei de forma pausada e rude.

—Tente voar.

—Ta me achando com cara de passarinho? — Quem ele achava que era?

—Você tem asas, por que não tentar?

Bati as asas com facilidade e fiquei por cima das cabeças deles, como se fosse pisar sobre elas.

—Satisfeito?

—Não parece tão difícil para você.

Eu gargalhei e pousei de forma brusca bem próximo aos dois.

—Claro que não, nada é difícil para mim.

— O que mais consegue fazer?

—Com certeza consigo fazer essa sua cabeça explodir em pedaços. — Disse enquanto o encarava

Robert deu um sorriso de canto e semicerrou os olhos como se me desafiasse. Ou ele era corajoso, ou muito burro.

— Que tal aqueles caixotes? — Haysawa apontou para algumas caixas de madeira onde haviam frutas e cascas, lixo.

— Certo, velhote.

Senti algo queimar em meu peito e ir de encontro as minhas mãos. Então chamas começaram a dançar em meus dedos longos. Joguei bolas de fogo na direção dos caixotes que se partiram em vários pedaços enquanto o lixo foi lançado para todos os lados.

Eu ia dizer algo sobre eu ser incrível quando senti o fogo em mim se apagar.

Senti minhas pernas fraquejarem e fui de encontro ao chão.

.

.

Mais uma vez na ala hospitalar, com Robert e Otousan lá.

Sentei na cama e gemi, apoiei a cabeça nas mãos e fechei os olhos. Minha cabeça latejava incessantemente.

—Daisuke? — Robert chamou.

—Hum....? — disse de forma arrastada.

— Você esta bem?

—Vou ficar.

—Como conseguiu fazer aquelas coisas? Digo, você parecia fazer como se não fosse novidade.

—Eu não sei. Quando me transformo sinto uma confiança inexplicável, me sinto único, imune, imbatível. Um ódio me consome e sinto que qualquer coisa que me irritasse, faria com que eu matasse sem remorso algum.

Eles não me responderam.

—Acho que fui rude com vocês, sinto muito.

—Você terá que tentar controlar isso, filho.

Eu não estava com cabeça para isso, tanta coisa estava acontecendo.

—Certo, certo... mas não hoje, ok?

—Claro, vou chamar os enfermeiros para que eles liberem você.

.

.

Eu me arrumava para ir a casa de Robert, ele havia me convidado para jantar lá.

Coloquei uma das minhas varias calças jeans pretas, uma camisa branca de botão em que arregacei as mangas e tênis cano médio branco.

Respirei fundo enquanto olhava meu reflexo deplorável no espelho.

Peguei meu celular e fones de ouvido, sai da Companhia e comecei a caminhar. Robert havia me passado o endereço, seria fácil chegar lá, já que eu conhecia todas aquelas ruas.

Coloquei os fones de ouvido e nem ao menos me importava em escolher uma musica, mas parece que o aparelho fez isso por mim.

Toy — Block B

"Quem se preocupa com as minhas emoções?

Você pode brincar comigo até se cansar

Você pode me quebrar se é isso que você quer

Porque eu sou um brinquedo, um brinquedo"

Ri fraco por conta dessa ironia, mas não tive coragem de tirar a musica. Deixei tocar enquanto admirava as ruas de Barkesfield iluminadas a noite.

"Quando eu não sou mais útil você me joga fora

Se eu puder ser lembrado, mesmo que um pouco

Tudo o que eu faço é por você

Eu sou um brinquedo, um brinquedo

Quando estamos tendo uma conversa sincera

Depois de você ter me acariciado, você sorri

Em breve eu vou ser deixado de canto,

Mas o meu destino está em suas mãos

(Garota, me use enquanto pode, eu sou seu)

Eu não quero mais nada de você

Se eu puder ver você me preenchendo

Eu posso dar tudo a você, você vai ter tudo de mim

Se o amor é uma piada então me use impiedosamente

Agora você sabe, tudo o que você precisa sou eu

Eu sou seu brinquedo

Eu sou seu brinquedo

Eu sou seu brinquedo

Se o amor é uma piada então me use impiedosamente

'O que eu sou para você?'

Estou sendo muito ganancioso fazendo essa pergunta?

Para você eu dei tudo que eu tinha e tudo que eu não tinha

Mas eu me sinto como tendo a menor expectativa, é digno para mim

Eu não posso dar um passo fora do seu mundo de qualquer maneira

Tudo que eu preciso é que nosso relacionamento seja lembrado lindamente

Quando sua mente está tranquila, você vai me descobrir

Poderia ter sido inteligente amar um tolo?

Eu não posso dizer nada

Meus lábios silenciosos já escreveram várias cartas para você

Para você, eu provavelmente sou uma luz triste

Mas eu ainda quero que você se machuque

(Garota, me use enquanto pode, eu sou todo seu)

Eu não quero mais nada de você

Se eu puder ver você me preenchendo

Eu posso dar tudo a você, você vai ter tudo de mim

Se o amor é uma piada então me use impiedosamente

Agora você sabe, tudo o que você precisa sou eu

Eu sou seu brinquedo

Nós não podemos ser iguais

Porque você é única e para você eu sou um de muitos

Agora eu sou tão dedicado a você, como posso ficar sem você?

Nossa história acabou quando sequer teve um começo

Era como uma vela acessa antes do vento

Como minhas lágrimas caíram te querendo

Se eu parar de correr, certamente irei cair

Você poderia caminhar comigo pelo menos uma vez?

Eu não quero mais nada de você

Se eu puder ver você me preenchendo

Eu posso dar tudo a você, você vai ter tudo de mim

Se o amor é uma piada então me use impiedosamente

Agora você sabe, tudo o que você precisa sou eu

Eu sou seu brinquedo

Eu sou seu brinquedo

Eu sou seu brinquedo

Se o amor é uma piada então me use impiedosamente

Cheguei a casa de Robert, era uma casa bonita, de cores claras e telhado em formato de "A", com varias flores coloridas em frente. Subi os poucos degraus até a pequena varanda e exitei quando ia apertar a campainha.

Não é só porque estava destruído por dentro que precisava estar assim por fora.

Não é?

Tentei ter uma expressão feliz no rosto e só ai apertei a campainha. Logo a porta foi aberta para que atras desta fosse revelado Robert, que tinha um avental rosa de babados amarrado a cintura.

—Ora, ora.- tentei disfarçar uma risada, mas falhei. — O especialista em moda usando um avental assim?

— Ha ha. — riu, irônico. — Vai, entra logo. Já, já o jantar estará pronto.

—Sem problemas. — disse enquanto entrava.

Entrei e ouvi cascos baterem contra o piso de madeira.

— Não corram, Daisuke não vai fugir.

— Eu não estou correndo. — disse Natanael que se encontrava em cima de seu irmão, Jonas.

—Hey! — Jonas protestou. — Você disse que era para eu correr.

Robert riu.

Saímos do pequeno Hall de entrada em direção a sala, que tinha um sofá branco e grande, que parecia ser muito confortável, um grande tapete no chão que parecia ser caro e uma pequena mesa de centro.

No momento que me sentei as crianças se sentaram no tapete e me lançaram varias perguntas.

Sobre o trabalho.

Sobre como conheci Robert.

Sobre minhas tatuagens.

Sobre meu olho esquerdo.

— Por que seus olhos são diferentes? — perguntou Natanael que tinha os grandes olhos azuis voltados para meu olho esquerdo, o analisando.

—É um olho de gato? — perguntou Jonas.

Eu ri.

—Não, não é um olho de gato.

— O que é então? — Perguntaram em uníssono.

—É só o meu olho.

— Não! — Disseram de forma arrastada.

— Você está mentindo, Daisuke. — Disse Jonas que apontava o dedo pra mim e fazia uma cara emburrada.

—Conte a verdade! — Foi a vez de Natanael falar.

—Ok, ok.

Me sentei no chão junto deles e coloquei a mão direita em forma de concha perto da boca.

— É um olho de dragão. — cochichei.

—Não! — disse Jonas, também cochichando e então os dois se entreolharam espantados.

—Mas... — Natanael parecia desconfiado. — Dragões não existem mais. Não é?

—A janta está pronta! — Eric anunciou ao entrar na sala.

—Ahh. — Os dois reclamaram.

—Estamos tendo uma conversa muito seria agora, Pai. — Disse Natanel com um olhar pidão.

Eric riu da encenação do filho.

—Agora temos que jantar, venham.

Me levantei do chão junto dos garotos e fomos até a sala de jantar que tinha uma mesa longa porém baixa para que todos pudessem se sentar, inclusive Jonas. O assento era basicamente uma almofada vermelha.

Nos sentamos e a mesa já estava posta, havia arroz, feijão e lasanha.

—Lasanha! — Exclamou Jonas animado enquanto lambia os lábios de forma teatral.

No jantar Eric fazia algumas perguntas sobre o trabalho e eu e Robert respondíamos de forma rasa, por conta dos meninos. Depois os meninos começaram a contar sobre a semana deles de forma animada, especialmente para Robert, que se mostrava inteiramente interessado.

Depois do jantar ajudei Eric com a louça enquanto Robert colocava as crianças na cama.

Eu secava os pratos e fingia estar muito interessado naquilo, porém na verdade eu pensava na forma em que Eric havia me tratado a noite toda. Ele parecia exitar ao falar comigo.

E eu sabia o porquê.

Nesse tempo em que eu secava a louça ele sempre me olhava de canto de olho e parecia tentar falar algo, porém o silêncio persistia. Quando sequei o ultimo prato ele finalmente falou algo.

— Obrigado, Daisuke.

—Não foi nada.

Me apoiei na pia e mais alguns segundos de silêncio se arrastaram.

—Eu... eu sinto muito, Daisuke.

Eu sorri de canto de forma involuntária. Ele finalmente havia falado sobre Kalena.

—Eu também.

—Você não está irritado comigo está?

—Por que eu estaria?

—Bem, eu nem sou próximo a você...

—Tudo bem, você é marido de Robert. É claro que você saberia. — Rude , hein Daisuke?! — Digo você conhecia Kalena então ele falaria disso com você.

—Sim.

Mas alguns momentos de silêncio constrangedor.

—Daisuke?

—Sim?

—Se me permite dizer...

—Diga.

Ele respirou fundo e passou a mão pelos cabelos loiros.

—Alguma coisa não esta certo nessa história.

Eu ri fraco.

—Não tem nada de certo nessa história, Eric.

—Não é isso. — Ele me encarou, do outro lado da cozinha. — Não acredito que Kalena te usava, Daisuke. Ela realmente...

—Realmente o que?- passei a mão direita pelo cabelo tentando manter a calpa. — Realmente parecia me amar? Então ela era uma ótima atriz afinal.

Não queria falar disso, queria empurrar isso para o fundo de minha mente e fingir que estava tudo bem. Como se minhas preces tivessem sido atendidas Robert chegou a cozinha.

—Pronto. Já dormiram.

Robert passou o olhar por mim e por Eric e com uma conversa que apenas o olhar dos dois tinham ele percebeu que havia algo de errado.

— Vamos indo então, Daisuke

—Claro.

Eric nos levou até a porta e se despediu de Robert com um simples selar de lábios.

Quando já estávamos caminhando Eric me chamou.

—Me... me desculpe, Daisuke. Eu só queria ajudar.

—Tudo bem, Eric. De verdade.

Ele pareceu tirar um peso dos ombros, porém não compartilhei do mesmo sentimento. Eu não estava com raiva de Eric, estava com raiva de tudo, simples assim.

.

.

Já no meu quarto, deitado em minha cama não pude deixar de lembra do que Eric havia me dito.

"- Não acredito que Kalena te usava, Daisuke."

Droga, droga, droga!

Isso fez com que tudo o que eu tentava empurrar para o fundo de minha mente viesse tomando conta devagar.

E mais uma vez as memórias de ontem voltavam.

" — Você disse que me amava! — Gritei com lagrimas nos olhos.

—Eu menti."

"-Eu menti. "

"-Eu menti."

Era tudo uma mentira. Como Eric podia dizer aquilo?

Eu só queria esquecer tudo isso.

Só queria esquecer.

Notas finais
Até mais! Link: https://www.youtube.com/watch?v=JtjxZoa_LHM