Cobaia 0013

19 Capítulo 19 - Neve


Notas iniciais
Eu voltei! Mil desculpas gente. O final e o começo do ano foram difíceis. Enem, prouni, início da facul ... Problemas pessoais... Pensei em desistir da fic porque não tem muitas visualizações. É verdade, pensei msm. Mas gosto dela e dos meus OCs E agradeço as pessoas que não desistiram dela. Espero que gostem do capitulo, acabei de escrever então podem haver alguns erros. ♡

07-08-5026 — Domingo

—Hey

—Hey, Daisuke acorde!

—Hummm ?

—Se esqueceu que vamos ver o sol nascer?

Fazia tanto frio. E estava tão bom debaixo das cobertas.

—Tem certeza? -Resmunguei

—Tenho. Vamos logo.

Me levantei e esfreguei os olhos. Kalena pegou duas cobertas e eu peguei outras duas.

Já fazia um mês desde a briga com os goblins, fazia um mês que eu namorava Kalena e tudo estava indo bem.

Havíamos combinado de ver o nascer do sol, tomar café da manhã, e depois uma sessão de diversão de inverno.

Agora subíamos as escadas, com aquelas várias cobertas, os dois descabelados indo até o terraço da Companhia.

Pelo jeito havia nevado muito a noite. Pois o local que íamos nos sentar estava com uma grossa camada de neve. Ainda nevava, mas bem pouco.

—Droga! — Entreguei as cobertas a Kalena e comecei a tirar a neve com as mãos. — Droga, Droga, Droga! Gelado!

Kalena ria enquanto tremia.

Forramos o lugar com uma das cobertas e depois nos cobrimos com as outras. Kalena se sentou a minha frente e apoiou as costas em meu peito, então nos envolvi com as cobertas.

—Você tá bem? — Kalena perguntou

— Sim, por que?

— Você me parece meio distante esses dias.

—Só... Fico meio nostálgico em dias com neve. — Disse enquanto lembrava de quando conheci Otousan.

—Certo.- ela se aconchegou mais e deu um grande bocejo, o que me fez bocejar também.

O céu começava a se iluminar, porém víamos bem pouco do Sol por conta das nuvens pesadas.

Mas até que era legal.

.

Depois disso descemos e nos arrumamos para irmos tomar café da manhã.

Coloquei calça jeans, um casaco de lã preto, meu casaco de moletom e meu casaco habitual por cima. Ainda coloquei várias meias grossas antes de colocar minhas botas e peguei meu cachecol vermelho e um gorro preto que ficaram aposentados por um tempo.

Fui a caminho do quarto de Kalena, mas ela já vinha em minha direção. Ela usava uma calça preta justa e coturno escuro, usava um casaco creme que fechado como estava lembrava muito um vestido rodado.

Sorri.

—Não tem luvas e gorro?

— Não. Acho que nos esquecemos de comprar. — Já íamos em direção a porta da Companhia.

—Certo. — Tirei meu gorro.

—Não, Daisuke. — Fingi que não havia ouvido e coloquei o gorro em sua cabeça e depois coloquei o cachecol em volta do seu pescoço.

Ela bufou, mas agradeceu. Demos as mãos e saímos de encontro a Barkesfield congelada.

—Depois que tomarmos café podemos ir comprar luvas e o gorro , porque eu também não tenho luvas.

—Certo.

Andamos um pouco e um estabelecimento havia acabado de ser aberto, estavam tirando a neve da calçada. O lugar era pequeno e aconchegante e eu preferia lugares assim. Sentamos numa mesa perto de uma janela e olhávamos o menu pintado na parede atrás do balcão.

—O que vai querer? — Perguntei

—Hum... pão com manteiga e chá matte.

—Só um pão?

Ela riu.

—É! Por que?

—Você come tão pouco. — Disse enquanto me levantava e ela ria.

Dei um beijo no topo da cabeça de Kalena e fui até o balcão fazer nossos pedidos. Optei por alguns mistos-quente e chá também.

.

Depois de comermos fomos comprar as luvas e o gorro. A loja estava bem parada e três fadas eram as atendentes.

Elas sorriram, cordiais, assim que entramos. Eu olhava ao redor procurando algumas das coisas que procurávamos, mas Kalena rapidamente as achou e me puxou na direção correta.

Tinham vários tipos de luvas. Escolhi rapidamente um par preto pra mim e Kalena parecia indecisa. Não quis pressiona-la e enquanto ela escolhia fui andando pela loja e olhando os outros produtos.

Me voltei para a janela grande na frente da loja e vi que havia uma joalheria bem a frente. Um humano não conseguiria ver o que havia na vitrine, mas eu conseguia ver claramente.

Brincos... anéis. .. colares...

Mas um colar chamou minha atenção. Era um simples e delicado com uma pedra lilás lapidada em formato de lágrima.

Instantaneamente pensei em Kalena e em como ela ficaria linda com aquele colar.

Fui em direção a Kalena que tinha dois pares de luvas em mãos e tinha o cenho franzido.

—Kalena.

—Sim? — continuava concentrada.

—Vou sair rapidinho.

—Para onde vai.- Só agora virou em minha direção.

—Ahh.. — Não tinha pensado no que dizer. Não queria que Kalena soubesse do colar. — Esqueci de deixar a gorjeta.

—Hum... — Ela me encarou. Parecia desconfiada e eu tentava mostrar indiferença.- Ok. Vou ficar aqui e tentar me decidir.

—Certo.- Entreguei as luvas que eu havia escolhido a ela, levantei seu queixo e dei um leve selar em seus lábios e depois em sua testa. — Vai ser rapidinho.

Ela concordou com a cabeça e sorriu.

Sai da loja e voltei, rápido como tinha dito pra ela não desconfiar. Pedi para entregarem o colar na Companhia.

Espero que ela goste.

.

Fomos até a praça Lady Whelan que estava coberta de neve assim como toda Barkesfield. O lago estava congelado e alguns aventureiros se arriscavam a patinar na manhã fria.

Nos encontrávamos numa parte mais elevada da praça então tínhamos uma boa visão dela.

—Wow! Que lindo.

Me voltei pra Kalena que tinha um brilho nos olhos enquanto olhava a paisagem. Estava com as maçãs do rosto e os lábios avermelhados por conta do frio.

—Realmente. — Eu concordei, porém eu não falava da praça.

Senti algo gelado bater contra minha cabeça. Me virei e vi algumas cabecinhas se esconderem atrás das árvores adormecidas.

—O qu? ?

—Shh. .-sussurei para Kalena enquanto tapava sua boca com o dedo indicador.

Me agachei e fiz duas bolas de neve.

Quando me voltei na direção dos meus inimigos fui surpreendido por uma bola de neve em meu rosto.

—Ahh! — Exclamei. — Voltem aqui seus pirralhos!

Eram três. Uma humana, um humano e um centauro. Eles riam enquanto eu corria atrás deles.

—Venha Kalena! -chamei enquanto tentava acertar o humano.

— O que? Eu?

—É! Preciso de ajuda! — E mais uma bola de neve no meu braço. -Hey!

Ela riu.

—Certo, mas eu nunca fiz isso. -ela vinha até minha direção.

Corri até ela e fazia algumas bolas enquanto ela observava.

As crianças voltavam e já equipados com várias "munições " e riam.

—Rápido Kalena! — Disse enquanto tentava acertar eles. Acertei o centauro. -Há! — me vangloriei.

O centauro fez uma bela dramatização enquanto levantava as patas dianteiras e tinha mão em seu peito. Eu ri junto de Kalena, mas pelo jeito aquilo era só uma distração para que os outros nos atacassem pelas costas.

—Aah ! Isso é covardia!

Eu e Kalena tentávamos nos defender, ainda agachados .

—Não tenho mais bolas de neve!- Kalena exclamou desesperada.

—Não se preocupe. Eu te protejo, minha dama. — Disse enquanto a abraçava e formava uma barreira entre ela e as crianças.

—Hey, Tio! Isso é injusto! — Disse a menina enquanto pulava em minhas pernas.

— Não faça isso! Assim nós. ..

Não deu nem tempo de terminar.

Perdi o equilíbrio e saímos rolando. Não sei como, mas os outros dois também rolaram junto de nós.

Quando paramos todos riam da situação.

—Ok, ok. Já atazanaram Daisuke e Kalena demais.

Nem precisei os olhos pra saber quem era.

—Hey! Robert! — disse enquanto me levantava e ajudava Kalena.

Me arrumei e me voltei pra ele, estava com Eric.

—E aí, Eric?

—Como vão, Daisuke? Kalena?

—Oi!- Kalena respondeu simplesmente.

—Desculpem nos por isso.- Eric se pronunciou.

—Não tem com que se preocupar! Eu me diverti.

—São os filhos de vocês? -perguntou Kalena, antes que eu pudesse fazer tal questionamento.

— Só os dois. -Respondeu Robert. -A menina é nossa sobrinha.

—Eles são uma graça! — exclamou Kalena.

E só ai reparei nas crianças. O humano era uma copia de Robert, cabelos escuros, olhos azuis e pele clara, nem parecia que era adotado. O centauro tinha a pele bronzeada, cabelos loiros bem claros e os olhos verdes num tom turquesa. Já a garotinha tinha os cabelos loiros como o de Eric e olhos castanhos.

—Eles estão bem animados com essa neve toda! -Disse.

—Estão mesmo... — Eric concordou e depois se voltou para as crianças. — Hey! Hey Jonas! Ponha já esse casaco! -dizia enquanto andava a passos rápidos em direção destas.
O centauro gritou de longe.
—Estou com calor!

Nos rimos enquanto víamos aquela cena.

— O pequeno é a sua cara Robert.

Ele riu.

—É... Não tínhamos um "tipo certo" para escolhermos antes de irmos ao orfanato, mas Eric simplesmente se encantou por ele e eu também. Foi só o acaso Natanael ser parecido fisicamente comigo.

Ainda olhávamos Eric com as crianças, agora ele tirava bastante neve do casaco de Natanael.

—Vamos patinar agora. Venham conosco. — convidou Eric.

—Legal! Vamos Kalena?

—Eu ... ah...

—Não se preocupe, Kalena. Daisuke sabe patinar bem.

— Certo.

.

Estávamos eu e Kalena sentados em bancos próximos ao lago amarrando os patins enquanto os outros já patinavam. Eric patinava devagar com Sol, a garotinha, nos braços já que esta era muito pequena e estava com medo de patinar.

—Pronta, Kalena.

—Não!

Eu ri alto.

— Calma, vai dar tudo certo.

Fomos de braços dados, devagar até o lago. Kalena soltava gemidos de protesto e eu ria baixo.

Pisei primeiro no lado e me voltei para Kelena estendendo os braços.

— Me dê suas mãos.

Ela segurou em minhas mãos e pisava cautelosamente no lago enquanto apoiava praticamente seu peso todo em mim.

Depois comecei a tentar patinar devagar e ela mantinha as pernas retas sem ao menos se mover.

— Vamos.

— Eu não sei!

—Deslize seus pés.

Ela tentava com passos curtos e duros.

Ri baixo.

—Não ria! — Ela disse fingindo estar brava, porém ria também, talvez de nervoso.

— Ok!

Depois de algumas tentativas Kalena acabou se soltando e já patinavam com mais confiança.

Ela tinha um sorriso grande no rosto e eu também sorria.

— Isso é tão divertido!

—É mesmo!

A girei, segurei forte em sua cintura e dei um selar mais demorado em seu lábios.

—Eca! — Ouvimos as crianças em coro. Nos separamos enquanto ríamos.

.

Voltamos a Companhia a tarde e ríamos enquanto andávamos lembrando de alguns tombos. A nova recepcionista me chamou de forma contida, como se tivesse dúvida de quem eu era.

—Daisuke... Yamamoto?

—Sim?

—Tem uma encomenda pra você.

—Ah! Sim! — Droga, o colar!

—Encomenda? — Kalena perguntou.

Droga

—Um presente pra Otousan. Um cachecol!

—Ah! Legal! Vou indo. — Disse, é me deu um selinho. -Quero tomar um banho.

—Ok. — Disse aliviado. Assim ela não veria minha encomenda.

Peguei a pequena sacola de papel e esperei um tempo para ter certeza de que Kalena já estava em seu quarto. Agradeci a recepcionista, corri até meu quarto e escondi o colar no fundo do meu armário.

.

Eu e Kalena estávamos sentados na cama, eu estava com as costas apoiadas na cabeceira da cama e Kalena estava sentada entre minhas pernas, com as costas apoiadas em meu peito. Estávamos enrolados em vários cobertores e jogávamos um Soul Calibur, um jogo de luta. Kalena era muito boa.

—Há! Ganhei! -disse se vangloriando. — Agora você se levanta e pega mais chocolate quente.

—Ahhh. — disse reclamando.

—Nada disso. Nós apostamos.

—Certo, certo. — Me levantei e fui em direção a cozinha.

Peguei o chocolate quente e voltei rapidamente para o conforto da minha cama.

Pausamos o jogo e passamos a apreciar a bebida quente em silêncio.

Não era um silêncio constrangedor, era um silêncio confortável e acolhedor.

—Ainda quer jogar? -perguntei.

—Por quê? Tá com medinho de perder mais? — Ela perguntou mesmo provocando e me entregando a caneca vazia.

—Não. — Terminei de tomar o chocolate e coloquei as canecas no chão. — Só tenho outros planos para passar a tarde com você.

—Ah É?

—É... — Disse enquanto começava a fazer cócegas em Kalena..

—Naaaao... -Ela tentou protestar, mas era tarde demais. Ela se debatia e ria e usou sua força sobre humana para me jogar de costas na cama.

—Hey! Isso é injusto.

—Não é. .. -disse arfando- Cócegas são injustas.

Puxei ela para debaixo das cobertas e ficamos abraçados trocando beijos doces e carícias até adormecermos.

.

.

Acordei em um sobressalto. Ouvi uma explosão e a Companhia toda tremeu, depois as sirenes começaram a tocar.
Kalena pulou da cama e eu apenas peguei meu casaco, armas e o punhal de minha bota para levar Kalena até o seu quarto para que ela pegasse suas armas.

O que foi aquilo? Vários agentes confusos saiam de seus quartos e corriam em direção ao barulho.

Kalena saiu do quarto e corremos de mãos dadas. Eu estava aflito. Não sabia o que estava acontecendo.

Mais uma explosão e a Companhia tremeu novamente, perdemos o equilíbrio e me apoiei numa parede segurando Kalena.

Eu fiquei mais aterrorizado.

Comecei a ouvir gritos e passos rápidos sobre o chão.

Chegamos ao saguão e várias pessoas iam em direção ao subsolo. Logo após as portas e janelas do saguão foram invadidas por pessoas vestidas de preto e com máscaras . Olhei melhor e pude reparar que nas roupas haviam o símbolo que tinha no bilhete que deixaram para mim. Os círculos que formavam um alvo.

Me virei para Kalena, ela provavelmente era uma cobaia e tentariam levá-la. Sua aparencia peculiar só a denunciaria.

Tiros começaram, mas ao invés de ir de encontro a luta fui em direção aos dormitórios. Eu precisava esconder Kalena.

—Daisuke! O que está fazendo? — Kalena gritou.

—Protegendo você.
Passávamos perto de uma janela que naquele momento foi invadida e vários caras nos interceptaram.

Peguei as Colts e comecei a atirar. Kalena também começou a lutar, mas vários deles iam em sua direção.

Comecei a atirar na direção destes e nem ligava para os que vinham em minha direção.

—Não se preocupe comigo. — Kalena disse, mas era difícil.

Urrei de raiva e mudei a mira das armas para os que vinham em minha direção.

Eles não atiravam de volta e isso me deixava mais confuso.

Será que eles só estavam tentando nos distrair?

De repente vários Goblins vieram do subsolo da Companhia e os corredores desta estavam repletos de pessoas lutando.

Levei socos no rosto enquanto me distraia olhando para Kalena. Ela foi jogada no chão e aquilo me deixou furioso e senti que meu sangue fervia em minhas veias, sentia o sangue pulsando mais rapidamente e sentia que eu era imune a qualquer coisa. Corri e pulei nas costas daquele que a derrubara, peguei a Colt e atirei em seu peito.

Aquilo era cruel.

Não era?

Eu não sei. Não conseguia pensar direito. Só queria proteger Kalena.

Deixei as armas em minha cintura, agora apenas chutava e socava as pessoas e Goblins ao meu redor. Até que Kalena me puxou e pegou em meu rosto.

—Se acalme. Por favor. — Ela tinha os olhos marejados. — ou eles iram perceber.

Perceber?

Perceber que eu era diferente. Droga eu sou tão burro.

Voltei a pegar as Colts. A Companhia era uma confusão e cada canto estava abarrotado de pessoas lutando.

E eu só queria que aquilo acabasse.

De repente tudo escureceu. Nada além das luzes vermelhas de emergência. Uma pessoa normal não conseguiria ver nada, porém os invasores conseguia lutar normalmente, talvez por causa de algo nas máscaras.

Continuamos lutando por mais um tempo até de de repente senti algo como uma picada de inseto em minha nuca. Passei a mão por ela e de lá tirei um dardo.

Então eles não podiam matar? Ou só não podiam me matar?

Ainda estava bem, mas minhas armas já não tinham mais munição. Peguei o punhal do meu bolso e passei a lutar corpo a corpo.

Dois invasores vinham em minha direção e enfiei o punhal entre suas costelas.

Senti a mesma picada, mas não uma vez , várias. E perdi um pouco o equilíbrio. Visualizei Kalena. Ela havia levado um soco no rosto. Tentava chegar até ela, mas eram muitos invasores e poucos agentes naquele corredor. Lutei com alguns mais e perdi Kalena de vista.

Ouvi um grito.

Kalena.

—Ah! Me soltem!

Tentei me virar rápido, mas parecia uma eternidade!

Visualizei Kalena.

Ela era segurada por vários invasores. Tinha os olhos marejados.

Senti mais dardos em meu corpo.

Eu tentava correr, mas meu corpo não obedecia. Eu cambaleava e tropessei em um dos vários corpos que estavam no chão

—Kalena! -Consegui gritar.

Ela me viu. Arregalou os olhos.

E então movimentou os labios de forma que só eu podia lê-los enquanto tinha os olhos banhados em lágrimas e ainda era carregada para longe de mim.

.

.

"Eu te amo"

Notas finais
Por favor. Não me matem Nem pela demora e nem pelo desfecho do capitulo. Vou tentar postar o próximo o mais rápido possível . Perdoa minha demora e nãos desiste de mim ♡ Até mais!