C'mon
5 O Depósito Do Repair Boy
Notas iniciais
E então ele me beijou.
Antes do selar dos lábios se tornar algo mais, Nico se afastou e murmurou.
– Desculpe, eu não pensei em...
– Não se desculpe.
Tentei abracá-lo mas ele se afastou frio. De certa forma, aquilo doeu em mim.
– Vamos — pedi — você vai ficar mofando aqui.
– Eu não tenho uma cabine.
– Não importa.- respindi, e Nico ficou rubro da cabeça aos pés.
– Nã-ão.. não é isso que você está...- balancei a cabeça como se afastasse aqueles pensamentos. Mais envergonhado que ele, completei, descofortável- tem...um beliche.
– Hãm, ok. — e Nico se misturou as sombras.
Suspirei e fiquei no mastro, sabia que o filho de Hades precisava ficar um tempo sozinho. Eu sentia o vento batendo em meu rosto, em meio a noite gélida. Ouvia a fundo da minha audicão Leo convidar os outros para se recolherem as luzes foram apagadas uma a uma. Exeto um pequeno brilho no convés. Esgueirei-me nas tábuas ( N/J: como ele não caía dali?) e vi Leo entrando de pijama em um alçapão discreto. A luz que vinha de lá se apagou e ele entrou. Desci do mastro e ouvi cochichos vindos do alçapão. Annabeth saiu do quarto no fim do corredor, me comprimentou com a cabeça e disse:
– Onde está Nico?- estreitei os olhos, deconfiado.
– Por que quer saber?
– Por nada — e entrou novamente na cabine do namorado- mas, se o encontrar- ela parou e virou o rosto, sorrindo com escárnio- diga a ele que estamos tendo uma ótima noite. Aliás, eu comprei uma fantasia.- seu tom virou ironia- espero que ele não me troque por um...
– Um o quê? — vociferei.
– Nada- repetiu e entrou de vez na cabine.
Juro, tive vontade de socá-la ali mesmo, mas Percy se voltaria contra mim, e isso não seria nada bom. Voltei a ouvir os cochichos e percebi que vinham de baixo de mim. Os ruídos não eram vozes, e sim uma melodia, uma música. Abri o alçapão discretamente e entrei. Caí num monte de palha, a minha volta haviam fios, tábuas e engenhocas espalhados por todos os lados. Claro, o depósito de Leo! Mas e a música? Ouvi resmungos e sons de guitarra. Tocava, parava. Tocava, parava. Parecia um teste. Pensei em anunciar minha presença mas ouvi a voz da pessoa que nunca imaginei que poderia estar no "santuário Valdez".
– Seu cabeça dura, pare de mecher assim os dedos... não, não! Sério, ah, deixa que eu toco.
– Aham, então o fantasma vai me dar aula de guitarra agora? Você estava acabado quando eu cheguei aqui e...
– Leo, esqueçe, ok? Eu vim aqui para esfriar a cabeça, não pra levar sermão.
Ouvi um suspiro e cheguei mais perto.
Um quadrado no chão estava limpo de trambolhos. Um microfone, um baixo e uma bateria... o quê? Poque havia instrumentos musicais no navio e... Os vi. Nico estava sentado em um banquinho, a cabeça abaixada e os olhos cabisbaixos desviados para a mão de Leo, que estava encostado numa poltrona remendada e suja com um sorriso desconfortável no rosto.
– Nico, por que não me contou?
– Não é algo que a gente fala por aí, Leo.
– Mas é algo se fala para o Jason? — o filho de Hefesto parecia irritado. Nico percebeu isso e soltou um riso baixo.
– Eu não escolhi contar. Além disso, nós nem somos amigos.
– É- Leo pareceu triste, mas logo voltou a sorrir debochadamente- afinal, só Jason ocupa seu coração de pedra.
Nico deu um tabefe na cabeça do outro. Senti um pouco de ciúme, confesso, mas desde quando os dois tinham essa proximidade? Mesmo que não fossem "amigos".
– Qual?- perguntou Leo, sentando-se no banco da bateria.
– Você já deve saber- respondeu Nico, pegando a guitarra, e aproximando-se do microfone.
Perdi a fé em suas palavras
Independente do que for falar
Nem sei por onde eu andava
Uma estrada sem asfalto ou cor
E uma explosão...
...Revelou o lado bom de uma tragédia
Não mostrar sofrer e esquecer as rédias
Quem me dera ser assim
Eu não sirvo para festas
Gosto de promessas
Sei que eu não sou normal
Mas eu prefiro assim
Assim, assim...
Estou ficando sem tempo
E quero só um segundo
Pra mostrar o que eu tenho aqui
Sem mais delongas
Corro em meu caminho
Quase sempre sozinho
Esquecendo o quanto é bom sorrir
Sem me preocupar
Eu lamento se já me deu a sua hora
Se quiser me ver, estarei lá fora
Lá fora.
Eu não deixo a porta aberta
Olho pela fresta
Esperando um dia alguém olhar de volta pra mim
Eu não sirvo para festas
Gosto de promessas
Sei que eu não sou normal
Mas eu prefiro assim
Assim, assim.
Eu prefiro assim
Embora esteja só no fim
Agora que eu te vi
E vi você olhando pra mim.
(Eu Prefiro Assim- Supercombo)
Terminada a música, eu já estava perplexo, com tudo.
Começei a bater palmas, denunciando a minha presença.
– Jason? — perguntou Leo.
– Eu mesmo- sorri de canto — não sabia que vocês... que haviam dois astros aqui, heheh.
Nico revirou os olhos:- Só não comente com os outros, ok?- assenti com a cabeça, admirando em volta deles a guitarra, o baixo, a bateria, o... violão?
– Então é para cá que você vem quando some?
– Nem sempre, eu fico lá no mastro.
– Mas nós íamos lá!
– Sombras.
– Ah.
– Vamos... dormir? — perguntei. Leo deu um risinho e nico cora violentamente. ( N/J: já disse como ele era fofo assim?).
– Ah... não é isso que você...- encabulado, acenei com o braço. — desisto. Tchau Leo.
– Tchau super-homen. Tchau fantasminha. — Nico dá um tapa na cabeça do filho de Hefesto, que abafa o riso. Não entendi aquilo. Hum...
aquele era o apelido que Percy dá a Nico!
Fechei a cara, era só mais um motivo pra eu desferir um belo de um soco naquele bosta.
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