Clown Town

9 There's No Safe Haven In Birchville.


Notas iniciais
Provavelmente o capítulo mais assustador/tenso que já escrevi! :) E, com toda certeza, a melhor parte dessa história!!! :D Espero que gostem, boa leitura!

Quando o tiro de espingarda calibre 12. foi escutado, Suzane pulou contra a cintura de Maise, que, desequilibrou-se, bateu as costas contra a parede. O susto impactou todos, mas Maise, tomada pelo susto mais a pancada, deixou, acidentalmente, o cartão, que destrancava as portas de aço, cair.

— Não... — Josh se esticou como um elástico para pegar o cartão, mas inutilmente. Falhou.

Este bateu no chão e quicou para fora da porta de barras trancada, para fora do alcance deles.

— Josh. — Maise olhou para ele com desespero quando os tiros voltaram.

— Abaixa! — Ele empurrou Maise e Suzane para o chão.

— Josh, desculpa, escapou da minha mão...

— Para o fundo, vão para o fundo agora! — Joshua disse, sua voz elevada, grossa, imperativa. — Abaixadas! Não levantem!

— Vem...

— Vão. Agora! — Apontou uma última vez.

Maise e Suzane foram, engatinhando, para o fundo do corredor.

Josh, porém, grudou-se contra as barras e enfiou o braço pelo vão para alcançar o cartão.

Os tiros continuavam na frente da delegacia. Podia ouvir o som dos projeteis contra as paredes, sentia suas orelhas arderem com os pipocos cada vez mais próximos.

E então percebeu que, com a mão, não alcançaria o cartão. Merda. Merda. Merda. Tirando o tênis com pressa, tratou de colocar a perna pelo vão até aonde ia, seu joelho não quis passar pelo vão devido a protuberância dos ossos na parte da rótula. Com movimentos girando a perna conseguiu, mas temeu que, posteriormente, não fosse conseguir puxar a perna dali.

E então um guarda surgiu na porta do corredor das celas, surgiu, apenas para cair, com um buraco vermelho no peito. Desarmado? O homem não tinha sequer um revolver nas mãos. O pé de Josh alcançou o cartão e ele puxou para próximo de si. Então puxou a perna. Os tiros passaram pela porta e bateram na parede ao lado aonde ficava a porta na qual ele se encontrava preso e pedaços de cimento voaram contra Josh.

Suzane e Maise gritaram lá atrás e Josh puxou a perna com tanta força, no susto, que está escapou das barras, mas com um estralo alto e forte seguido por um grito de dor estridente enquanto ele rolou no chão, socando a parede ao seu lado em fúria. Pegou o cartão e tentou ignorar a dor. A adrenalina vai me salvar... pensou, tolamente, e quando se pôs em pé despencou, incapaz de andar com aquela dor excruciante. Não pode ter quebrado, que não tenha quebrado. Ele precisava andar, independente da dor.

Então rolou pelo chão, se puxando com os braços como um aleijado.

— Fique aí. — Maise disse para Suzane, e veio ao auxílio de Josh, que se colocava em pé.

— Consigo andar. — Ele disse com uma careta de dor e penúria. Na delegacia o tiroteio continuava, eram escopetas e revolveres sendo disparados — Eu consigo.

— Se apoia. — Maise ofereceu o ombro para Josh, que se pendurou nela. E os dois foram para a porta dos fundos. — Da... aqui, isso...

Maise usou o cartão na porta, que destravou. E os dois estavam no fundo da delegacia.

— Suzane. — Josh usou a mão livre para pegar Suzane pelo braço. — Vem, com a gente.

Cruzaram a porta e o tiroteio parou. O lado de fora já estava escuro e frio. Deveria ser algo além das sete horas da noite. O espaço aonde estavam era como uma zona para descarga de alvos, caixas de papelão, cones e lixo em geral que uma delegacia produz, dava para um muro com uma portinhola que saia em um beco, e esse beco seguida para a esquerda até a rua, e à direita para terreno baldio que levava ao bosque, que levava, diretamente, para Fall Harbor pelas árvores.

Josh olhou para trás, para dentro do corredor de onde saíram.

— Esperem aí. — Disse para as duas. — Não siam daqui.

— Josh, não...

— A gente precisa de uma arma. — Josh se soltou dela e mostrou que conseguia ficar em pé. — Viu, já passou. — Disse para ela. Então, sem pensar duas vezes, voltou aos ombros de Maise, passou a mão por trás de seu pescoço e seus lábios se encostaram nos dela enquanto seus olhos estavam fechados, assim como os dela.

O gosto era salgado, gosto de lágrimas. Mas era um beijo não de felicidade. Era um sentimento frio que percorria os dois. Maise retribuiu, abraçou-o em seguida. E por um curto momento nenhum dos dois falou nada, apenas ficaram abraçados ouvindo as respirações um do outro e esperando, esperando que não fossem precisar se separar.

— Eu já volto. — Josh disse então, se virou e deixou-as ali.

Cruzou o corredor depressa, pulando em um pé só e suspirando a cada pulo, como se lhe faltasse ar. Destrancou as grades e passou para o corredor aonde o cadáver do guarda estava caído.

E quando chegou aonde estava com Charlie viu desolação. O oficial Henry estava morto com o ombro desfeito em uma sangrenta bagunça, havia mais dois oficiais mortos e Diana também. Josh ficou parado por quase um minuto olhando a cena, tentando processar tudo o que via, incluindo o palhaço, também morto, que tinha uma careta séria e inflexível mesmo estando morto. A maquiagem de palhaço não lhe trazia nenhuma expressão de alegria, parecia ser um homem amargo e ruim. Tinha furos pelo corpo aonde sangue escorria na roupa colorida.

Josh desviou então o olhar, se abaixou e pegou o revolver das mãos do Oficial Henry Cobson pedindo desculpa ao corpo. Sentiu nojo, virou-se de lado depressa e vomitou involuntariamente. A barriga remoendo-se em nós. Recuou alguns passos lentamente sentindo o joelho latejando de dor a cada passo.

Atravessou o corredor com o corpo e então o corredor das selas privativas. A porta entreaberta dos fundos indicava aonde estava a segurança. A delegacia estava vazia, mas que bem faria ficar naquele lugar? No entanto, para onde iriam? Ele se perguntava.

Mas não precisou se preocupar com as respostas. Pois assim que empurrou a porta viu, caídas, na portinhola dos fundos da delegacia, Maise e Suzane.

Correu até elas como pode, mancando e gemendo de dor, e caiu de joelhos ante Maise, que ainda mantinha vida o bastante para segurar Suzane, degolada, em seus braços. Uma sirene de polícia surgia, distante. Eles vão te salvar! Vai ficar tudo bem, você vai ver!

— Maise... Maise, vai ficar tudo bem... — A barriga e o peito de Maise tinham furos de faca e sangue pulsava para fora, Josh pensou em pressionar, mas temeu ferir mais, então apenas olhou impotente. Maise encarou Josh uma última vez, suspirando. Então Josh compreendeu, foi um olhar e tudo fez sentido. Apertou a mão em volta da arma e o dedo no gatilho sabendo o que teria que fazer. Tem outro palhaço!

— ... uma armadilha. — Ela disse fechando os olhos enquanto uma risada surgia bem mais próxima que a sirene, tão próxima que fez Josh se arrepiar como apenas um fantasma poderia fazer. Mas não era um fantasma. E já era tarde demais!

Notas finais
No próximo, e último capítulo, eu prometo que tudo será esclarecido. Ps. Eu avisei que esse capítulo 9 ia ser estilo ep 09 de GOT, não avisei?