Clown Town
5 Precluding The Inevitable
Notas iniciais
O Xerife Nicholas Anderson ocupava este o cargo já fazia quase dez anos. E em dez anos de cargo nunca havia tido problemas em Birchville. Semanalmente havia jovens em brigas em bares, de mês em mês surgia um bandidinho pequeno lá ou cá.
Anderson sempre tomou isso como indicativo que Birchville era um lugar calmo, e lugares calmos nunca formam homens duros. Sendo assim, quando os boatos surgiram, quase um mês atrás, foi difícil dar mérito. Talvez, se tivéssemos nos importado na época, agora os palhaços estariam presos e meu filho vivo.
Como ninguém se dignou a crer, Nancy fora raptada, seu filho e Elliott executados, Victoria e Trevor esfaqueados, e agora uma mulher adulta com uma filha tinha se enforcado. Por que? Não fazia sentido.
Criminosos precisam de objetivos, qual o dos palhaços? O xerife pagaria para saber. Haviam limpado a área de Fall Harbor depois da festa no sábado, no domingo nada encontraram. Além da ponte, no estacionamento de trailers, não havia nada além de espaço vazio. Nos arredores; nada. Na escola; nada além de corpos. Na prefeitura nenhum vestígio além das cartas.
Então ele estava parado em seu carro, sozinho, na avenida principal. Nas mãos tinha a foto de Jerome, seu filho que morrera na véspera. Malditos palhaços. Ele queria parar, queria apenas parar e descansar e poder preparar o enterro de seu filho, mas então a cidade tinha se tornado um inferno e era seu dever tomar conta dela. O mundo sempre exige mais de nós quando estamos fracos. É uma forma de provação para separar os fracos dos fortes. O xerife pensava.
Então bateram na janela de seu carro. O xerife pegou o revolver primeiro, assustado, mas eram apenas duas crianças. Um menino e uma menina.
Que falaram, falaram incansavelmente sobre tudo por quase dez minutos sem fazerem sentido algum enquanto o rapaz colocava palavras, a menina as tirava, discutiam entre si mais que com o xerife, e ninguém se fazia entender. Mesmo assim o xerife compreendeu como funcionava o esquema dos comentários e respostas e o risco que Maise e Josh corriam.
Foi quando o rádio na viatura apitou.
— Xerife. A menina acordou. — Disse a voz de um oficial.
— Esperem um momento. — O xerife disse para Maise e Josh. Então se colocou para dentro do carro, pegou o rádio e chamou de volta.
— Suzane é o nome dela. — Josh e Maise ouviam o rádio mesmo com a interferência. — A menina disse que um palhaço fez ela refém, ligou para Rebeca e disse para que ela pulasse do mirante, se pulasse a menina ficaria ilesa. E então Rebeca deve ter obedecido. O palhaço manteve a parte da barganha. Suzane e a baba estão ilesas, sem rastros do palhaço.
— Isso não é consolo. A menina é órfã agora. — O xerife disse para o rádio, seu tom de voz era fúnebre. — Mantenham a criança na delegacia até o fim do dia, depois decido o que fazer com ela. Chamem a assistente social também...
Então, do lado de fora do carro, Maise puxou Josh pelo ombro.
— Eu preciso ir atrás da minha mãe. — Disse para o amigo. — Se eles usaram a menina como refém e eles querem me matar...
— Não vão te matar. — Josh disse para Maise.
— Então matam a minha mãe! — Maise bradou em resposta, furiosa. — Não vou deixar.
— Vocês dois. — O xerife disse, com as pernas para fora do carro. — Entrem aí atrás.
— Senhor, minha mãe...
— Eu já pensei nisso também. — O xerife disse prevendo o que ocorreria. — Vamos buscar a sua mãe, mas vocês dois não podem ficar sozinhos. Se for verdade...
— É verdade! — Josh disse enquanto entravam no banco de trás do carro do xerife. — Os comentários indicam quem vai morrer, Maise e Receba eram as próximas. Rebeca está morta...
— E Maise está viva. — O xerife olhou para trás. — Vocês dois precisam continuar a salvo, vou levá-los à delegacia...
— Não. — Josh disse então. — Nós fugimos dele. Conseguimos escapar, eu e Maise. Corremos até o senhor aqui. Se tivemos tempo para alcançar o senhor... isso significa que o palhaço já teve tempo para alcançar a Senhora Eichl.
Josh então olhou para Maise, o sobrenome de Maise era Eichl, assim como sua mãe e pai. Ele não queria ter dito aquilo, viu lágrimas cortando as bochechas de Maise que permaneceu em silêncio. Se o palhaço já estava na casa ao lado, chegar no mercado aonde a Senhora Eichl trabalhava era rápido, bem mais rápido que o caminho que Maise e Josh percorreram até encontrarem o xerife. Portanto se a mãe de Maise fosse ser feita refém, isso já teria ocorrido.
O xerife então pegou o rádio.
— Quero uma viatura no mercado do bairro e outra... aonde seu pai trabalha?
— No prédio dos correios. — Maise respondeu.
— E outra viatura nos correios. Protejam a todo custo o Senhor e a Senhora Eichl. — O xerife colocou o rádio de lado. — Vou levar os dois para a delegacia. Em uma cela estarão seguros! E você, Joshua, sua família...
— Meu pai está morto e minha mãe trabalha na cidade ao lado. — Josh respondeu. — Volta de fretado da empresa só de noite.
— Quando chegarmos eu falo com o xerife de lá para manterem sua mãe sob proteção também. Não vamos chamar ela de volta porque só estaríamos atraindo mais vítimas para Birchville, tudo bem? — Josh concordou. O xerife sentia-se bem nessas horas, sentia-se capaz de controlar crises, mesmo que o controle fosse momentâneo. Sequer sabia que o pior ainda estava para ocorrer.
— Meu celular. — Josh então enfiou a mão no bolso e tirou o aparelho. Desbloqueou a tela apressado para ver que atualização o Facebook estava o alertando. E lá estava o vídeo de Jerome e Elliott.
— Responderam um menino, não conheço. — Josh disse abrindo o perfil e então perdeu o ar enquanto sentia um nó se fazer no estômago.
Não era um adolescente, não era um adulto ou um velho.
Era só uma criança!
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