Closer Than You Ever Imagined
3 Bad Blood
Notas iniciais
Chegando ao quarto, Nick vê uma grande inscrição feita com sangue na parede. Quando vai até Olivia e olha para o banheiro mal acredita no que vê. Era uma cena de horror. Era difícil acreditar como alguém faria algo assim.
Uma cabeça pendurada no espelho. A banheira, com o corpo degolado, transbordando sangue misturado com água. Os braços também foram cortados. O desgraçado preocupara-se em pregar um de cada lado da porta com uma faca cravada em cada uma das mãos, apontadas para o primeiro que abrisse a porta. Ele arrancara-lhe os olhos e os pendurara na lâmpada, para que pudessem ver.
Nick fica piedoso de ver Olivia abismada com a cena que veem. Afinal, quem não ficaria desequilibrado vendo tamanha crueldade?
–Liv, it’s... it’s okay! – diz ele, olhando para e expressão horrorizada fixa de sua parceira. – Give me the gun. – ele então lentamente abaixa a arma que a detetive tem em mãos até pegá-la. – Let’s get you out here. – ele guia Olivia até o sofá da sala e pega um copo d’água para ela. Ele não tira os olhos dela um segundo sequer. Sua expressão assustada preocupa o jovem rapaz.
Ele caminha até ela, entrega-lhe a água e senta-se ao seu lado. Ambos estão sem palavras.
–Nick, como... como alguém tem coragem de fazer algo assim? – diz ela, ofegante e atônita com aquilo tudo. Ele não sabe ao certo o que responder. Ver aquela cena era algo inesperado e muito preocupante, até por que Rollins poderia estar passando por algo parecido, ou até pior.
–I’m... sorry, Liv! I’m sorry for let you see that... – diz ele. Eles ficam em silêncio por alguns instantes.
–Não foi, culpa sua. – diz ela, levantando-se. – Temos que chamar a perícia. Vamos interditar logo essa bodega e ligar pro Cragen. ― Nick também levanta-se e os dois saem do local e chamam a outra equipe.
Olivia entra no carro e fica lá dentro esperando Nick, que está falando com o Capitão pelo celular. Ela ficara realmente abalada com o que viram. Estava com a cabeça encostada na janela e seu olhar fixo em nenhum ponto especial. A cena ficava passando por sua cabeça repetidas vezes. Nick entra no carro depois de terminar, dá uma longa respiração e recosta sua cabeça no encosto do banco. Ele olha para sua parceira ali, mas distante. Havia notado que a mulher havia se mexida com a situação, mas não sabia ao certo o que lhe dizer naquele momento. Ele tenta balbuciar algumas palavras:
–Liv? – diz ele.
–Yes?! – diz ela, exatamente na mesma posição, como se o rapaz nem estivesse ali.
–You alright? – pergunta ele. Ela respira fundo, olha para ele e responde:
–I’m fine... – então dá um leve e triste sorriso e volta a vagar por seus pensamentos. Alguns instantes depois Cragen e Melinda chegam à cena do crime. Olivia pede para que Nick os acompanhe e ela pega uma carona de volta para a delegacia com Munch, que se oferece para levá-la ao ver a situação na qual se encontra.
Entrando no apartamento Melinda se surpreende com a situação deplorada na qual o lugar se encontra. É desesperador simplesmente pensar no que a moça deve ter passado ali. Fin se recusara a ir ao local, afinal, não queria nem imaginar o que de mal o bastardo poderia estar fazendo à Rollins.
Chegando à delegacia, Fin desliga o telefone e dirige-se até Olivia que chega e vai direto para sua mesa. Ela abaixa a cabeça e fica ali parada como se estivesse chorando. Está mal pelo que viu. Sua expressão apagada no rosto é notável. Ele nota que ela está abalada. Fin pergunta:
― Liv, você tá bem? O que houve? ― pergunta ele preocupado. Ele abaixa, pondo-lhe a mão sobre o ombro e olhando para Munch, que se aproxima com um copo de água em mãos.
― Ela viu algumas, uh... coisas um pouco desagradáveis no apartamento da irmã da Rollins. ― diz Munch entregando o copo na mão de Fin para entregar à Olivia. Ela levanta a cabeça e passa as mãos no rosto e no cabelo.
― Eu não quero água... ― diz ela e vira-se para o outro lado.
― Liv, greve de água não vai fazer você se sentir melhor. ― diz Munch. ― Beba logo, vai te acalmar. ― diz ele e sai. Fin põe o copo em cima da mesa.
Munch vai para sua mesa e começa a fazer os telefonemas necessários para a Central, já que Cragen está na cena do crime. Fin continua conversando com Olivia.
― O que tinha lá? ― pergunta ele, olhando sério para o chão, preparando-se para o que vai ouvir.
― Trust me, you don’t wanna know... ― diz ela e bebe parte da água.
― Foi tão horrível assim? ― pergunta ele, olhando para ela.
― Fin, de verdade, não quero tocar nesse assunto. Por favor… ― A cena a deixara realmente chocada. Repetia-se como um filme em sua cabeça a todo minuto. Tudo que queria naquele momento era esquecer tudo o que tinha visto. Ela abre a gaveta e pega um tubinho laranja com pequenos comprimidos. Fin observa. Ela põe uns quatro na mão e prepara-se para jogá-los garganta abaixo, mas Fin a impede.
― Ei, ei, vai com calma! ― diz ele segurando sua mão. ― Não pode sair tomando remédio assim! Tá querendo se matar?
― Fin... eu sei ― diz ela. ― Não sou mais criança, tá.
― Tá, mas não deixa isso subir a sua cabeça. Não quero que encontrem mais um morto por aí afora. ― diz ele num momento impensado. Olivia olha para ele e olha para baixo, meio que desapontada com o comentário que fizera.
― Yeah, I hope you don’t... ― diz ela, meio desapontada com o comentário dele. Ele para e percebe o que dissera.
― Liv, I’m sorry! That’s not what I meant ― diz ele pra ela.
― Tudo bem, deixa pra lá... ― diz ela, e joga as cápsulas dentro do lixo ao lado de sua mesa. Munch os chama:
― Hey, vejam isso. ― diz ele. Fin e Olivia aproximam-se da mesa de Munch. ― Olha essas imagens que enviaram pro e-mail da Rollins. ― diz Munch.
― É a irmã dela ― diz ele. ― Sendo morta! Esse cara mandou as fotos pra Rollins antes de sequestrá-la. Ela chegou a abrir o e-mail?
― Oh, I don’t wanna see this… ― diz Olivia e sai.
― Não, talvez por isso não tenha desconfiado do paradeiro de Kim. ― diz Munch respondendo a pergunta de Fin.
― Quando foi enviado pra ela?
― Na noite antes de vocês voltarem do Texas.
― Damn it... ― diz Fin. ― Tenta localizar o dono da conta que enviou o e-mail pra ela e de onde enviou. Vou ligar para o Capitão.
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Um quarto escuro e úmido. A moça sentada e atada a uma cadeira, desacordada, porém ilesa. A única luz que há entra no quarto por uma fresta no canto esquerdo, por algo que parece ser um buraco para ar-condicionado. Um homem caminha em volta, com um charuto em mãos, dando leves tragadas de vez em quando. Tudo que se ouve são os passos da sola rígida de seus sapatos. Ele caminha com a outra mão no bolso até que para e olha para a mulher e tira algo do bolso. Então fica olhando para sua mão, analisando o “brinquedinho”. Um bisturi.
A moça começa a despertar. Ela franze as sobrancelhas e levanta a cabeça, olhando para o alto e piscando os olhos. Depois, abaixa a cabeça de novo tentando se situar. O homem, em pé atrás dela fica em absoluto silêncio, somente observando-a com seu olhar psicótico. Ela sente uma dor de cabeça terrível e ainda está um pouco tonta. O homem dá alguns passos para perto da cadeira.
― Quem está aí? ― pergunta ela, apavorada olhando para os lados. O homem se aproxima mais ainda e diz:
― Olá, minha pequena! ― diz ele. A moça reconhece aquela voz de imediato. Aquela voz áspera, rouca, contudo suave e acalentadora que lhe contava histórias nas noites de outono frias da Geórgia. Não podia ser. Ela não consegue pronunciar uma palavra sequer. ― O que foi, sweetie? Não está feliz de rever seu titio querido? ― diz ele.
― You ― sussurra ela, desacreditada. Ele dá uma risada doente e caminha um pouco mais, e agora vai para frente dela. Ele gira aquele bisturi em sua mão esquerda e dá mais uma tragada no charuto. Então, de repente, sua expressão fica séria e diz:
― O que foi, minha pequena? ― pergunta ele. ― Não está feliz em me ver.
― What... What are you doing? ― pergunta ela, atordoada com a situação.
― Ah, por favor... Você costumava ser mais esperta quando pequena. ― diz ele acariciando o rosto dela. ― O que aconteceu com a minha Little Mandie? ― a moça afasta o rosto e busca em sua mente o que está acontecendo. Não consegue lembrar-se de como chegou naquele lugar estranho.
― Isso não faz sentido. ― diz ela, baixinho, balançando a cabeça negativamente. ― Não faz sentido.
― Ah, Amanda, a propósito, se está tentando se lembrar do que aconteceu, não perca seu tempo. ― diz ele e caminha para algo parecido com uma escrivaninha no canto direito do cômodo. Ele abre uma gaveta, tira uma seringa e vira-se novamente para a moça. ― O GHB provavelmente não vai deixar você se lembrar de nada por um tempinho. E é bom que se comporte. Não seja desobediente como sua irmã, para que eu não tenha que te machucar.
Ao ouvir isso ela gela. “Não seja desobediente como sua irmã”. Amanda não fazia ideia do que ele poderia ter feito.
― Kim ― sussurra ela. ― O que fez com ela, seu doente? ― grita ela, debatendo-se na cadeira. Ele olha-a e, com aquele sorriso doente no rosto diz:
― Não recebeu meu e-mail, certo? ― diz ele e ri. Ele caminha em volta da cadeira e abaixa bem pertinho dela. No seu ouvido ele diz então: ― Eu a matei. ― então dá a última tragada em seu fumo e apaga o charuto na palma da própria mão.
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Munch levanta de sua mesa e vai até a impressora pegar uma folha de papel. Ele anda apressado até a sala do esquadrão e diz:
Capitão, encontrei! ― diz ele. ― Consegui rastrear a conta que enviou. Veio de um computador no Queens. ― diz e entrega a folha na mão de Cragen.
― 73rd Street, 309-305 ― lê Cragen no papel. ― Let’s go!
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Os carros da NYPD quase voam em direção ao endereço que conseguiram. Nick recebe o chamado pelo rádio e vai para o local em seu carro. Chegando lá, ele corre até Cragen, que já está com as patrulhas prontas para entrar.
Salieri, ouvindo as sirenes dos carros de polícia não dá nem tempo para Rollins processar a notícia que acabara de receber. Ele pega a seringa e direciona a agulha para o pescoço dela e num movimento rápido injeta todo o conteúdo da seringa, fazendo Rollins gritar de dor. Ele larga a seringa no chão e sai correndo do local.
Nick arromba a porta e entra no quarto onde ela está. A moça está quase desacordada e começa a se debater na cadeira e a gritar. Nick entra e segura ela. Olivia vem logo atrás e vê a seringa no chão. De repente, Amanda começa a perder a consciência e falar frases desconexas.
― Contrate outro urso, não dá mais pra dançar... ― diz ela antes de desmaiar completamente. Olivia pega a seringa do chão e lê. Nick segura desamarra Amanda e a pega no colo.
― We need an ambulance here! ― grita ele segurando a cabeça dela.
― Oh, my God! ― diz Olivia ao ler o rótulo da seringa. ― It’s Adderall ― diz ela mostrando para Nick. ― Ela precisa ir pro hospital agora! ― Nick olha para Olivia, com um olhar desesperado. Rollins começa a convulsionar e Nick não pode levantá-la assim.
― Damn it! ― diz Nick. Adderall é um medicamento receitado para pacientes depressivos em hospitais psiquiátricos. Em grandes doses cauda uma instantânea overdose que pode causar efeitos como delírio, desidratação, delírio, convulsões, paradas cardíacas e morte. Os paramédicos vão até o quarto, de difícil acesso, põem a moça na maca e correm com ela para o Mercy Hospital. Olivia vai com ela na ambulância e Nick segue de carro com Fin para lá.
Algumas horas depois Cragen chega ao hospital com Munch e vão direto encontrar os outros, que esperam preocupados, por qualquer informação sobre Rollins. Ele entra na sala e diz:
― Hey, como ela está? ― pergunta.
― Não sabemos ainda ― diz Olivia andando de um lado para o outro, mais preocupada do que os outros, a julgar pela sua expressão incomodada. ― Acharam o desgraçado?
― Pegamos ele saindo pelos fundos, mas não conseguimos interrogá-lo.
― Por que não? ― pergunta Nick, mostrando um tanto de indignação. ― Depois de tudo que ele fez com a Rollins?
― Nós estamos trabalhando nisso Nick ― diz Cragen, sério, reagindo ao comentário de Amaro. ― O cara é difícil, ele deve ter aprendido a driblar entrevistas pelo tempo que passou no hospício.
Um dos médicos volta da ala emergencial, pra onde Amanda havia sido levada. Ele esboça uma expressão séria em seu rosto e dirige-se aos detetives. Ao se aproximar ele pede que quem a está acompanhando o siga. Cragen e Fin, que é seu parceiro, vão. Olivia chega perto de Nick, percebendo sua preocupação e diz:
― Hey ― diz acariciando seu ombro. ― Ela vai ficar bem. ― diz sorrindo, também preocupada, mas tentando levantar o ânimo de Nick. Ele retribui e diz:
― I know... I hope so! Depois de saber da irmã dela imagino como ela deve ter reagido.
Fin e Cragen passam um bom tempo na sala do doutor, e, como Cassidy a está esperando em casa, Olivia decide ir embora. Mas Nick fica. Munch leva Olivia para casa. Duas horas depois Cragen e Fin voltam e Nick e Munch vão até eles.
― Hey, how is she doing? ― pergunta Munch.
― Felizmente, conseguiram reverter a overdose de Adderall. ― diz Fin. ― Mas ela vai ter que ficar em observação alguns dias.
― Bem, pelo menos está fora de risco. ― diz Cragen. ― Agora, vocês vão pra casa. Amanhã, quando ela acordar podem voltar para vê-la, caso queiram.
Todos se despedem e vão para suas casas. Nick põe Zara na cama e dispensa a babá. Depois vai deitar-se e percebe um envelope em cima do criado-mudo. Ele pega, abre e não acredita no que lê.
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