Closer
25 Jam Session II
Notas iniciais

O armário de vassouras onde estavam era pequeno, mas comportava confortavelmente as duas garotas entrelaçadas. As mãos atrevidas de Ino já estavam dentro da camiseta de Konan e a dona das madeixas azuis aproveitava para apalpar a bunda dela. Os longos cabelos loiros não estavam mais em seu típico rabo de cavalo e desciam soltos e bagunçados pelos ombros e costas. Os rostos corados e bocas inchadas denunciavam o que elas estavam fazendo ali pelos últimos minutos.
E pensar que Sakura as estava defendendo.
Com muito autocontrole, Sakura suspirou, fechou os olhos e franziu o cenho.
Ino e os rapazes já haviam visto aquela cara.
Sakura estava prestes a explodir.
Sasuke prendeu o riso na garganta enquanto Gaara se virava para que ninguém o flagrasse lutando contra os músculos faciais se contraindo em um sorriso.
— Konan, pelo amor de Deus… Estúdio. Agora — apontou e ela engoliu em seco, saindo apressada e sussurrando mil e uma desculpas.
Yahiko foi atrás, murmurando coisas como “está maluca?” ou “o que diabos pensa que estava fazendo?” e “e como eu fico nessa história?”. Era friamente ignorado em todas as investidas.
— Andem logo. Todos pro estúdio. Por que ainda estão aqui? — estava claramente nervosa.
Kakuzu, Gaara, Hidan e Sasuke assentiram, indo sorrateiros para o lugar de onde nunca nem deveriam ter saído.
— Sakura, eu… — Ino queria mostrar arrependimento, mas nem mesmo havia conseguido tirar o sorriso malicioso do rosto.
— Você e eu vamos conversar depois — anunciou e sumiu pelo corredor, voltando para o programa.
Ino mordeu os lábios, apreensiva. Estava numa bela encrenca. Mas e daí? O número de telefone de Konan estava fresquinho em seus contatos e o beijo ainda podia ser sentido em seus lábios.
Sairia no lucro.
No estúdio, o “ao vivo” em vermelho já brilhava novamente. Karui suspirava aliviada e Konan se desculpava baixinho com Sakura que, após o pequeno susto, já estava mais relaxada.
A apresentação não demorou a ser retomada e, assim que ligaram as linhas novamente, outra ligação foi feita. E, pelo jeito, o público havia gostado da ideia dos duetos, visto que o pedido foi para que Sasuke e Hidan os presenteassem com uma música em parceria.
O pedido foi Wonderwall, da banda Oasis. Eles simplesmente arrasaram e a onda da parceria continuou.
Konan e Sakura duetaram mais duas músicas e os rapazes, mais uma. Mais uma ouvinte ligou, pedindo que Sasuke apresentasse Casual Affair, de Panic! At The Disco e Hidan cantou logo em seguida, puxando a companheira de banda para mais um dueto.
As vozes de Konan e Hidan combinavam muito. Descobriram logo que os vocais de Sakura e Hidan eram incompatíveis e riram da situação. Sakura se acabava no piano e violino por ali. E, sempre que Sasuke ficava de fora das interpretações, fosse como vocal ou em algum instrumento, era impossível não admirar de longe como ela parecia tranquila e feliz ali, rodeada de música e pessoas que gostavam disso da mesma forma.
Sakura parecia à vontade.
Sempre fora uma garota de riso frouxo, mas era de se admirar que ela não estivesse com as bochechas doloridas.
Após a série de duetos, Sakura capturou a imagem de um ukulele esquecido no cantinho da sala e aproveitou o momento para tocar e cantar Elephant Gun. Um clássico do ukulele. Fizeram algumas piadas descontraídas sobre a música ser tão comum que só perdia para Somewhere Over The Rainbow e, achando graça, Gaara acabou entrando no jogo e a interpretando.
Konan ainda cantou mais duas músicas e pediram para que Sakura finalizasse com a última música livre da noite antes da ligação que encerraria o programa. Ela brilhou cantando Valerie na versão de Amy Winehouse. Sua voz e a música combinavam de maneira absurda.
E, mesmo que muitas das músicas pouco tivessem a ver com o estilo preservado pelo programa, o modo como tocavam acabava sempre remetendo um antigo blues ou jazz. Era impressionante como todos os rapazes conseguiam se acostumar ao ritmo. Todos tocaram sem muitos problemas. Naruto se saiu maravilhosamente bem na bateria. Gaara e Neji, quase mestres das cordas, pulavam da guitarra para o baixo e para a guitarra outra vez. O violão também foi muito usado, principalmente por Yahiko. Kakuzu passou a noite toda sentado sobre o cajón, mas variava bastante os instrumentos, quase como um tapa buracos, chegando a batucar um pandeiro nas músicas mais agitadas.
Assim que Sakura terminou sua última música solo, Konan puxou palmas e todos a seguiram. O riso radiante de Sakura era lindo.
— Uau, não terá uma vez que não irei me arrepiar ouvindo essa música. E essa performance foi impecável. Muito obrigada, Sakura! — Chouji elogiou e Karui concordou.
— Ah, obrigada — fez uma reverência.
— Agora, para finalizar, vamos atender nosso último ouvinte da noite e realizar seu desejo. Seja qual for a música ou os intérpretes escolhidos. As linhas estão livres — mal liberou o telefone, já o ouviram tocar. — Já temos alguém. Boa noite, você está ouvindo a Jazz After Midnight, com quem eu falo?
— Boa noite! Aqui quem fala é Ayumi. Sou uma grande fã do programa e fiquei completamente encantada com o de hoje! Notei que todos os cantores duetaram entre si, menos dois. Então, gostaria de pedir um dueto entre Sasuke e Sakura.
— Uh, certo. E tem algum pedido especial de música? — Karui perguntou.
— Gostei quando Sasuke interpretou uma das músicas do Panic! At The Disco. Pode ser qualquer uma da banda. Tenho certeza de que será maravilhoso!
— Ok, Ayumi. Continue sintonizada, logo seu pedido será atendido. Tchau — Karui encerrou a chamada. — E então? Conhecem alguma?
Sakura estava de olhos arregalados desde que ouvira seu nome logo após o de Sasuke saindo da boca da garota que havia acabado de ligar.
Claro, amava ouvi-lo cantar e tocar e era simplesmente apaixonada pelo som que os rapazes faziam. Mas nunca havia cantado com Sasuke antes.
Ao seu lado, com um violão no colo, Sasuke suspirou. E não fora um suspiro triste ou um suspiro cansado.
Fora de preocupação.
Sakura e Hidan haviam sido uma péssima combinação no vocal. E se ele e Sakura também dessem errado?
Quis acreditar que a angústia que sentiu ao pensar na hipótese era apenas o receio de decepcionar a audiência logo na última música. Mas a verdade é que seria realmente um tapa na cara se sua voz não combinasse com a voz que ele tanto admirava.
Em segredo, claro.
— Sakura direto fica cantarolando músicas deles pela casa — Sasuke riu e entregou o violão para Gaara. — Acho que sei qual pode ser. Como é aquela sobre o sol e a lua? — o rosto de Sakura se iluminou com o sorrisinho presunçoso de Sasuke.
— When The Day Met The Night? Tem certeza, Sasuke? — ela queria parecer preocupada, mas os enormes olhos brilhantes estavam confiantes demais.
Konan se sobressaltou e puxou Yahiko, se esquecendo completamente do gelo que estava lhe dando.
— Eu amo essa música! Vem, Yahiko! Do jeito que a gente tocou aquela vez — ela o arrastou até uma banqueta próxima ao cello, onde se posicionou e ficou esperando com ansiedade.
— Tsc, Konan… — tentou resmungar, mas já estava sorrindo.
— Vocês dão conta? — Sasuke dirigiu-se ao terceto de sopro e eles assentiram. — As batidas você conhece, Naruto — ele concordou, girando a baqueta na mão direita. — E você? Consegue estapear essa coisa no ritmo? — falou para Kakuzu e ele riu, ignorante da antipatia de Sasuke para com ele.
Pensou até que o tom grosso que Sasuke havia usado para lhe chamar fosse brincadeira.
— Acho que vamos precisar de mais uns dois violões — Gaara e Neji assentiram. — Vocês sabem se dividir — estendeu a mão para Sakura. — Seria a Lua, senhorita?
Sakura sorriu. Não o vira empenhado daquela forma em nenhuma música anterior. Aceitou a mão estendida de bom grado e foi prontamente puxada para seu microfone.
Discretamente, Sasuke indicou para que ela removesse o microfone do pedestal e ela assim o fez. Pelo jeito iriam cantar e interpretar a música.
— Todos prontos? — Chouji perguntou e Sakura afirmou. — Então que o show comece!
Yahiko foi quem começou o dedilhado e, serelepe, Konan o acompanhou. Não demorou para que todos ali pegassem o ritmo.
Sasuke logo estava cantando.
Quando a lua se apaixonou pelo sol
Tudo era dourado no céu
Tudo era dourado quando o dia encontrou a noite
Sem avisar, Sasuke virou-se para Sakura com o esboço de um sorriso. Aproveitou os embalos das batidas de Naruto entrando na canção e passou a acompanhá-los. Certo, aquele danado estava planejando alguma coisa.
Quando o sol achou a lua
Ela estava bebendo chá em um jardim
De baixo das verdes árvores-guarda-chuva
No meio do verão
E então foi a vez de Sakura. Sorriu divertida vendo os movimentos de Sasuke que condiziam com a letra. Fez uma reverência teatral. Se ele queria brincar de Sol e Lua, por ela estava tudo ótimo. Zanzou pelo pequeno espaço até ficar atrás de Konan, que se dedicava ao cello com gosto.
Quando a lua achou o sol
Ele parecia que mal conseguia aguentar
Mas os olhos dela salvaram sua vida
No meio do verão
Cantaram juntos no refrão e estavam tão distraídos na troca de olhares e gestos que mal perceberam algo muito importante.
Suas vozes pareciam feitas uma para a outra.
No meio do verão
Tudo era dourado no céu
Tudo era dourado quando o Dia encontrou a Noite
Verão, tudo era dourado no céu
Tudo era dourado quando o dia encontrou a noite
Verão
Tudo era dourado quando o dia conheceu a noite
Então ele disse: "estaria tudo bem
Se nós sentássemos e conversássemos um pouco
E em troca do seu tempo
Eu te desse esse sorriso?"
Então ela disse: "está tudo bem
Desde que você prometa
Não quebrar meu pequeno coração ou me deixar sozinha
No verão"
Com graciosidade, eles cantavam e se divertiam. Sasuke já havia tomado a mão de Sakura e a rodado uma vez e ela, fazendo caras e bocas, dramatizava o que a Lua dizia na música.
Quem estivesse vendo a transmissão de vídeo, com certeza estava presenciando um show.
O melhor era que, com a animação deles, todos acabaram se empolgando mais que deveriam. O estúdio estava cheio de vida.
Ele só estava andando à toa
Então se apaixonou
E não sabia como
Mas ele não conseguia sair
Só andando à toa
Então ele se apaixonou
Ao ver toda aquela agitação no estúdio, Karui cutucou Chouji e indicou o notebook que descansava ao seu lado e mostrava a mesma imagem que estavam vendo ao vivo.
E, de repente, os olhos dele foram direto para o contador de transmissões. Nunca haviam tido uma audiência online tão grande em uma noite. E aquele Grand Finale parecia ser o que mais estava agradando.
Quando a lua se apaixonou pelo sol
Tudo era dourado no céu
Tudo era dourado no céu quando o dia encontrou a noite
Verão...
No meio do verão
Verão...
Terminaram ofegantes e esbaforidos. Sakura tinha um sorriso do tamanho do mundo e Sasuke, meio tímido, seguia com os lábios levemente repuxados. No momento em que a música acabou de vez, o peso da troca de olhares se fez presente. Encaravam-se intensamente. Um mais perdido que o outro. Quase como se só os dois estivessem ali.
Mas não estavam.
— Minha nossa! — Chouji não se aguentava. — Olhe só esses comentários — dizia mais para Karui que para o resto do grupo.
— Vocês foram perfeitos! Eu não poderia imaginar um final melhor — outros comentários começaram a subir na página e Karui os leu por cima. — Ah, eu lamento, pessoal. Mas, realmente, já deu nossa hora. Essa foi a última da noite. Para encerrar. Jazz After Midnight vai ficando por aqui! Esperamos vocês no próximo sábado! Beijos e até lá!
Chouji então finalizou todas as transmissões e operou alguns botões. Em segundos, estavam fora do ar.
— Obrigada, pessoal! Vocês foram incríveis — Karui dizia enquanto ia até a porta para liberá-la.
— Deus, se soubéssemos que vocês dois podiam duetar assim, teríamos iniciado com essa! — Konan ajeitava o cello em seu devido lugar.
— Pois é… — Sakura ajustou o cabelo atrás da orelha, ainda desconcertada com a harmonia que tivera com Sasuke.
— Foi realmente incrível. Seria um prazer recebê-los aqui novamente em outra ocasião — Karui concordou, aproximando-se. — Entro em contato com vocês.
— Com toda certeza — Gaara também acabou entrando na conversa. — Já tem meu número, querida Karui. E não se acanhe. Pode usá-lo para o que quiser — piscou sugestivo.
— Ora, Gaara — ela riu e passou seu braço pelo de Chouji. — Já é tarde, mas a recepcionista da noite ainda deve estar no primeiro andar. Logo ela sai. Se correr, pode pegá-la. Quem sabe ela não terminou o namoro?
— Ah, como é bom ser entendido — acenou para todos. — Estou indo, pessoal. Vocês sabem o caminho de casa.
— Então ele é o que não para em casa? — Kakuzu falou baixinho para Sakura e ela riu, assentindo.
Hm, já estavam de conversinha de novo? Sasuke fechou a cara.
— Estou cansado, vamos logo — a cara emburrada chamou atenção de Naruto.
— Pensei que pudéssemos sair e beber alguma coisa — Naruto sugeriu pulou no pescoço do amigo, envolvendo-o com um braço. — Nós e a Akatsuki.
— Já está tarde — decretou.
— Qual é, Sasuke. Você é minha carona pra casa — pediu mais uma vez.
— Deixa disso, cara. O Sasuke tá cansado. Eu te largo em casa — Neji bateu nas costas do amigo e ele assentiu.
— Então vamos, Sakura — já ia enfiando as mãos nos bolsos, procurando a chave do carro.
— Ah, acho que vou sair com o pessoal, Sasuke — olhou Neji. — Será que consigo uma carona também?
— Mas é claro. Vamos, então?
— Tem certeza de que não vai? — Naruto perguntou novamente e Sasuke apenas se permitiu olhar para ele com indiferença e dar de ombros antes de se virar e sumir pelo corredor.
Estava espumando de ódio.
— Ele está bravo? — Konan perguntou.
— Não, ele só é um cuzão. E então, onde vamos? — Naruto estava animado.
— Vocês vão. Eu só quero ir pra casa e passar o resto da noite na hidromassagem — Ino esticou os braços. — Hm, seria maravilhoso uma companhia. O que acha, Konan? Noite das garotas?
Ino não tinha um pingo de vergonha na cara.
O bom era que Konan não saia perdendo.
— Seria maravilhoso, Ino. Acho que vou com ela, pessoal. Amanhã nos encontramos, ok? — acenou para seus companheiros de banda e Hidan e Kakuzu assentiram de volta.
Yahiko só faltava queimá-la com os olhos.
Ino passou o braço pelo pescoço de Konan e começou a guiá-la pra fora de lá. Pouco antes de virarem no corredor, ainda ouviram Konan resmungar algo como “eu não tenho roupa de banho” e Ino revidar com “você não vai precisar de roupas pra entrar na hidromassagem, meu anjo” e rir.
— Então somos só nós — Tenten agarrou a mão de Sakura e Hinata. — Vamos todas com Neji?
— Temos um lugar sobrando. Se quiserem, podemos… — Kakuzu começou, mas nem precisou terminar.
— Ótimo, Sakura vai com vocês. Cinco fica muito apertado pro meu gosto. Vejo vocês no bar. Vamos logo — saiu puxando Neji e Naruto e Hinata correram atrás.
— Acho que vou com vocês — Sakura riu sem graça.
— Você é uma gracinha, princesa. Faço questão de ir atrás com você — Hidan esticou o braço para alcançar a mão de Sakura, mas Kakuzu o impediu, espalmando a mão em seu peito.
— Sua mãe não te deu educação, não? Sakura vai na frente. Comigo — soou tão ríspido que Sakura se chocou quando ele virou com o sorriso mais doce do mundo para si. — Ainda não terminou de me contar aquela história de se esconder dos seus companheiros de casa, não é?
Era contagiante. Ela não conseguiu não sorrir com ele.
No fim das contas, a noite poderia ser muito divertida.
— ὡѼὠ —
O relógio digital na sala marcava 2h34min da madrugada. Sasuke, que tanto havia reclamado sobre estar cansado demais para sair, estava lá. Acordado. Jogado sobre o sofá maior. A TV estava ligada. Um seriado policial passava.
Não estava com o mínimo de sono.
Estava acostumado com Gaara e suas saídas e, agora, Naruto tinha a casa da quase-namorada para dormir quando quisesse. Devia estar traçando Hinata de todos os jeitos imagináveis e fazendo o mínimo de ruído possível para que Neji não aparecesse de supetão no quarto e o escalpelasse.
Mas Sakura? Sakura não era disso.
E se estivesse com problemas? Do jeito que era biruta, poderia sair para tomar umas e terminar na cadeia.
Afastou aqueles pensamentos. Era uma menina bastante crescida e ajuizada, não? Saberia se cuidar muito bem.
Lembrou-se da reação nada amigável que ela havia tido contra a cara do babaca que tinha mexido com ela há um tempo no bar.
Kakuzu estava ferrado se fosse pra cima dela com gracinhas.
Riu sozinho ao imaginar aquele cara parrudo com um roxo perfeito ao redor do olho esquerdo.
O celular apitou. Uma notificação de Gaara.
“Arrumei um show espetacular. Daqui duas semanas. Precisaremos da Sakura. Peça assim que ela chegar.”
Sasuke bufou e digitou a resposta:
“Quem disse que ela já não chegou?”
Gaara não demorou e Sasuke quase pôde ver o sorrisinho nojento dele do outro lado da tela.
“Sasuke, ela foi transar. Lide com isso.”
Pensou em mil e uma respostas para fazê-lo engolir aquelas palavras ousadas. Quem o bastardo ruivo pensava que era? Socaria aquela cara até ele dizer chega.
Ouviu o barulho da chave e mirou a porta. Demorou uns cinco segundos até que conseguissem destrancá-la.
Sakura passou por ela. Estava sorridente demais, leve demais.
Encostou-se à porta fechada e fitou Sasuke jogado no sofá. A camisa já estava fora do corpo masculino há horas e os pés, descalços. Apenas a calça jeans meio folgada o vestia. O desgraçado era lindo demais. Sakura mordeu o lábio inferior para tentar tirar o riso do rosto, mas foi em vão.
— Oi, Sasuke! Achei que estivesse dormindo. Disse que tão cansado… — comentou com a voz quase cantarolando.
— Está tarde, achei que não voltaria hoje — disfarçou a pergunta que realmente queria fazer.
— Você devia ter ido. Estava tão legal — sentou-se aos pés de Sasuke e este acabou erguendo o tronco, ficando ao lado dela. — Tenten ficou tão louca que Neji teve que ir embora com ela. Naruto e Hinata saíram desesperados atrás e eu fiquei lá, feito boba.
— E quem te trouxe? — já imaginava a resposta.
— O Kakuzu. Eu nunca pensei que um rapaz mal encarado como ele pudesse ser tão gentil. Um cavalheiro — viu o nó se formar entre as sobrancelhas de Sasuke e pensou que ele estivesse com alguma dúvida. — Estou falando do Kakuzu. Sabe? Aquele que estava sentado no-
— Eu sei quem é, Sakura — rolou os olhinhos pretinhos. — Tsc, vocês não podem ver um cara grandão com cicatrizes que já ficam assanhadas.
— O quê? — Sakura riu alto. — Ô, Sasuke! ‘Cê tá doido?
— Eu? Vocês dois estavam quase se comendo lá no estúdio — ficou bravo e bicudo de repente.
— Sasuke Uchiha, você está com ciúmes? — era claro como o sol que Sakura estava experimentando de uma leve embriaguez. Não forte como da vez em que havia se embebedado com Sasuke, mas, ainda sim, alterada o suficiente para soltar a língua sem culpa alguma. — Eu jamais deixaria vocês na mão para me atrelar a outra banda. Inclusive, a Nameless já anda me dando trabalho demais…
Oh, então ela achava que o ciuminho de Sasuke era sobre ela com outra banda?
— Você é quem está doida — ele agarrou o controle, tentando ignorar a garota ao seu lado. — Falando nisso, Gaara conseguiu um show daqui duas semanas e vamos precisar de você.
— Ah! — afundou-se no sofá. — Tá vendo só? Vocês estão se aproveitando da minha boa vontade e do meu talento excepcional — brincou.
— A senhorita anda muito convencida.
— Eu? Nunca. Mas o Kakuzu me disse que ele nunca havia ouvido nada i… — o som do riso nasalado de Sasuke a fez parar.
— Kakuzu isso, Kakuzu aquilo — negou com a cabeça. — Qual vai ser o nome do primeiro filho de vocês?
— Nossa senhora, hein? Você tá insuportável! Afe — a voz saiu mais alta que o necessário e em meio a risos. Não estava conseguindo mesmo controlar a língua. — Eu vou dormir. Você vai ficar muito tempo aí na televisão?
Ele continuou sério, passando os canais como se realmente se interessasse.
Sakura riu de novo. Estava levando um gelo. Jesus, como Sasuke era marrento!
— Vai me dar um gelo, é? E se eu te fizer cócegas? — ameaçou cutucá-lo no pescoço.
— Não sinto cócegas — foi direto.
— Há! Você acabou de falar comigo. Quem está rindo agora?
— Você está rindo porque está alcoolizada.
— Você está emburrado porque está enciumado — completou risonha.
— Sakura, vai cagar — perdeu a paciência completamente, afastando-se dela e indo para a outra ponta do sofá.
— Certo, certo. Fique aí vendo… — tentou decifrar o que passava. — O que quer que isso seja. Boa noite.
Sakura levantou-se e parou alguns segundos para que a tontura dissipasse e ela não sofresse nenhuma queda nas escadas.
Sasuke acompanhou cada movimento com os olhos. Ela estava ligeiramente bêbada, poderia cair. Mas, como Sakura mesma havia lhe dito, ela não era derrubada tão facilmente.
Pôde ouvir o suspiro aliviado de Sakura assim que ela pôs os pés por completo no segundo piso.
— Não precisa ficar assim, Sasuke — ela gritou do alto da escadaria, e ele, a contra gosto, abaixou mais ainda o volume da TV para ouvir o que aquela desmiolada falava. — Você beija bem melhor que ele — declarou e riu.
Por alguns segundos, Sasuke sentiu-se o garotão mais importante do mundo. Ora, sabia que tinha o dom do beijo e da conquista, mas ter os talentos reconhecidos era sempre muito bom.
Porém, tão rápido como surgiu, o sentimento de orgulho também se foi.
— Você o beijou? — gritou de volta e ouviu a porta do quarto dela ser fechada com brusquidão. — Sakura? Sakura! Quando você o beijou? Sakura!
Inferno de garota!
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