Close Your Eyes
12 Meeting
Notas iniciais
Vazio. Não havia nada ao seu redor desde que abrira seus olhos escarlates. Sem preocupações, sem aflições. Apenas... Vazio. Levantou daquele chão cinzento, sem entender algo, ou talvez sem querer compreender aquilo. Talvez fosse um sonho como sempre, mas caso fosse, seria o sonho mais tranquilo que já tivera. Levou suas orbes naquele lugar desconhecido, com expectativa de encontrar algo além do vazio.
Uma luz. Parecia igual ao outro sonho que teve, porém não se sentia aflito. Andava com calma, sem pressa. Aquela luz envolvia seu corpo, sentindo seu calor. Era engraçado sentir calor, pois os invernos de Pallet eram extremamente frios. Saiu daquele lugar escuro.
Sua visão embaçada tornava difícil para ver, por isso teve que piscar poucas vezes para observar com nitidez. Sentiu algo cair em seu rosto, uma folha. No inverno seria impossível ainda ter árvores com folhas, e por sinal verdes. No fim, tudo era um sonho. Sentiu uma pontada de decepção.
Seus olhos não deixavam de fitar todos os cantos daquele lugar. Aquela floresta não parecia ser de Pallet, porém também não era um lugar estranho. O reconhecia de algum lugar... Não tinha certeza, mas havia expectativas que aquele lugar era a floresta de Johto. Por que estava ali? Não tinha respostas, mas continuou andando pelo caminho de terra que havia entre as arvores, analisando tudo que podia naquela mata.
Não sabia aonde ia, apenas seguia em frente. Pika não estava ao seu lado, nem mesmo seus outros pokémons. Estava sozinho, entretanto não se sentia solitário. Que sonho curioso... Não fazia muito tempo que andava, na verdade nem sentia o tempo passar. Sentia-se como que acabara de acordar de um deleitoso sonho e mesmo acordado, continua ainda em pensamentos dormentes.
Seus passos pararam por um momento, assim como seus olhos que miravam somente em uma direção. Avistava alguém parado, não muitos metros de distância de onde se encontrava. Seu coração disparou. Esse “alguém” era uma pessoa conhecida, uma pessoa que sempre presenteava em praticamente todos os sonhos que já teve.
— Green...
O rapaz parou de encarar o céu, mirando suas orbes verdes aos rubis do moreno. Os lábios do rapaz abriram num sorriso singelo, assim como seus cabelos castanhos balançando na direção da leve brisa. Não parecia estar surpreso com a presença do treinador, porém não deixava de demonstrar feliz pelo encontro inesperado.
— Yo! Red...
Ao ouvir seu nome dito pelo rapaz, sentiu seu rosto queimar. Alegria e felicidade era um pequeno resumo do que sentia, na verdade, não haviam palavras para demonstrar o que sentia. Mesmo se fosse um sonho, ainda sim se sentia completo. Era uma sensação diferente...
— Como veem indo nos últimos três anos? – Green tomou iniciativa em uma pequena conversa.
— Um pouco cansativo, na verdade... – não percebeu, mas sua voz saíra um pouco mais baixo que o normal. Não conseguia encarar o rival direito por suas mechas cobrirem parte do vermelho em seu rosto. Nunca passou por uma situação daquela, principalmente relacionado à Green.
— Sei... – seus olhos voltaram a mirar nas nuvens que flutuavam no céu azulado. Com certeza, naquele sonho não devia ser inverno.
Silêncio. Red nunca pensou em algo parecido, mas o silêncio conseguia ser algo realmente perturbador. Contrariando também que silêncio era uma característica do moreno. Não sabia o que mais estava pensando.
— Red. Tenho algo a lhe falar.
— ...? – pela seriedade da voz do rival, parecia algo de extrema importância. Green parou de fitar o céu, aproximando perto do treinador que continuava a encará-lo com surpresa. Seus olhos escarlates mostravam uma mistura de nervosismo e curiosidade perante o rival. O que era aquela sensação?
— Red. – parou de andar, ficando a menos de 2 metros do moreno. Red não havia reparado, mas Green parecia maior que ele. – Durante esses três anos, eu tenho refletido muito. Eu não sabia no que eu estava pensando mais... Apenas compreendo que meus pensamentos voltam-se somente a você.
Green dizia um pouco inseguro com as palavras. O moreno corou a cada palavra que o rival falava. Ele era diferente dos outros Greens que já encontrara em seus sonhos. Parecia... algo real. Entretanto, não conseguia confirmar isso com facilidade. Queria dizer algo, porém algo o impedia. Talvez fosse a ansiedade de ouvir o que aquele Green queria dizer.
— Eu... Eu te amo.
...
— Hn? – afastou-se um pouco do rival. Ele realmente havia falado aquilo?!
Sua visão começara a ficar turva novamente. Tudo parecia escurecer naquele lugar. Ao perceber, já havia fechado os olhos e se colidido com o chão.
XxXx
— Red. Acorde, vamos... – a mais velha saiu do cômodo assim que seu filho se levantou da cama.
Sua cabeça girava, talvez por ficar deitado por tanto tempo. Esfregou seus olhos algumas vezes para se adaptar com a luz do aposento. Eram 8:30 da manhã e Pika já havia acordado. Saiu da cama, um pouco desajeitado, caminhando até o banheiro para fazer suas higienes básicas.
Lavou seu rosto algumas vezes numa tentativa de despertar melhor. O sonho que tivera não fugia de sua mente. “Eu te amo...”, o que ele queria dizer com isso? Ao se observar no espelho, estava pouco vermelho. Seu coração batia intensamente também, talvez até mais forte. A segurança dele ao dizer aquelas palavras tão facilmente era num tanto assustador.
Saiu do banheiro, aproveitando o caminho para descer as escadas onde se encontrava sua mãe descascando uma maçã na mesa de refeições.
— Bom dia, Red. Pode se sentar. – apontou a cadeira à sua frente. O menor fez como dito. Analisando com cuidado, seu filho parecia diferente. – Red, seu rosto está vermelho... – o moreno assustou-se com o comentário.
— Sério?! T-Talvez seja apenas impressão... – foi pego desprevenido. Sua mãe lhe olhava confusa, mas percebeu que o jovem não queria tocar no assunto. Devia apenas ignorar.
— Sobre você ter acordado, realmente me impressionou... – colocou os pedaços de maçã num prato, empurrando para mais perto do menor. – Eu digo você ser acordado por mim... Realmente fazia tempo desde que eu não fazia isso para você.
— ...
Não sabia o que responder. Era melhor nada dizer. Pegou um pedaço da maçã fatiada, levando aos seus lábios. Sua mãe observava atentamente, mas nada dizia. Ela parecia preocupada com algo, era estranho.
— Que horas você vai voltar da festa? – parou de mastigar o alimento, o engolindo do jeito que estava.
— Na verdade, eu não sei... Mas acho que voltarei hoje mesmo. – pegou mais uma fatia. O olhar de sua mãe era preocupante. Devia perguntar algo. – Está tudo bem, oka-san?
— ...?! Ah sim... Estou bem, sim. Apenas um pouco distraída... – respondeu com um sorriso forçado. Ela agia muito estranha.
— ...
O treinador se levantou da mesa, se dirigindo até sua mochila largada no chão, perto da saída. Confirmou se o presente de Silver estava dentro. Estava. Pika e seus outros Pokémons estavam dentro das Pokébolas. Provavelmente já alimentados pela sua mãe. Ajeitou-os dentro da sua mochila. Estava tudo certo.
— Ora... Não vai comer o resto da maçã? – observava seu filho se arrumando, ainda sentada no lugar.
— Não, gomen oka-san... Mas tenho que ir logo. Yellow pode estar me esperando para irmos. – o moreno amarrava seus tênis enquanto dizia. Sua mãe se levantou ao terminar de amarrar os dois pares.
— Espere Red! Antes de ir, eu gostaria de te perguntar algo.
— ...?
XxXx
Red e Yellow já se aproximavam de Johto junto com seus Pokémons que os levavam. Aerodactyl e Butterfree carregavam seus respectivos donos, sem muitos esforços. Johto já era possível de se ver ao longe. Provavelmente, mais alguns minutos chegariam lá, ou até menos que esperavam. O moreno parecia distraído, avistando Johto sem muitas expressões. Yellow ficou preocupada com a falta de atenção do treinador, porém nada disse.
— “O que ela quis dizer com aquela pergunta?”.
XxXx
— Espere Red! Antes de ir, gostaria de te perguntar algo.
— ...? – perguntar algo? O moreno virou-se para sua mãe, fitando-a curioso com a pergunta da mais velha. – Tudo bem, oka-san. Mas rápido, por favor.
— Sim sim... Eu sei disso... – sua mãe parecia estar envergonhada em lhe dizer. Procurava palavras corretas para falar ao seu filho, porém deveria ser rápida. Red ficava cada vez mais curioso em ouvir a pergunta. – Ehr... Na verdade, teve um dia que você estava com a Yellow, quando eu estava em casa. Nesse dia, Daisy veio me visitar.
— “A irmã mais velha de Green estava em Pallet?”. – sua ansiedade aumentava.
— Nos conversamos bastante até ela me perguntar de você. Foi então que ela me fez uma pergunta que eu não tinha certeza do que responder...
— ... – engoliu em seco. Uma gota de suor escorria de sua nuca ao pescoço. Seu coração batia forte, mas ainda controlado.
— Red... Por acaso há alguém que você ame?
...
— Alguém que eu ame...?
Não sabia. Nunca pensou em uma pergunta como aquela, nem teve tempo de raciocinar uma questão daquelas. Amar é uma palavra forte, que carrega fortes laços que levamos em nossas vidas. Claro que ele amava seus amigos, porém era algo diferente. Um sentimento diferente na verdade.
Sempre que sonhava com Green, quando se aproximava, seu coração disparava e seu rosto ficava num tom rubro. Algumas vezes era difícil respirar perto dele. Por acaso, isso é amor?
“ – Eu... Eu te amo.”
Se o rosto do menor não estava vermelho após a pergunta, estaria naquele momento. Droga... Por que foi pensar naquele sonho?!
“ — Apenas compreendo que meus pensamentos voltam-se somente a você.”
Seu peito doía de tão acelerado seu coração estava. Algumas vezes perdia a força em suas pernas para sustentar lhe. Por que justo Green devia fazê-lo sentir aquilo? Por que ele? Seu rosto estava quente, muito quente. Sua mãe poderia se confundir com febre de tão rubro poderia estar sua face.
— Red...? – fitou sua mãe, assustado pelo chamado. – Está tudo bem?
— Ah... Sim. – Droga... Preocupou sua mãe novamente. Devia se acalmar, pelo menos quando a mais velha estivesse por perto.
— ... Então depois você me responde caso tenha alguém em mente que goste. – sorriu para o filho, acalmando parte de seus problemas. Red sorriu de volta, um pouco tímido talvez.
XxXx
— Red—san. Já chegamos. – avisou a jovem, recolhendo sua Butterfrie para a pokébola. O treinador fez o mesmo.
Olhou em volta daquele lugar. Parecia o mesmo igual há 3 anos atrás. Suspirou aliviado e, talvez um pouco nervoso. Iria se encontrar com Green após muito tempo, não era novidade por estar tão ansioso com isso. Yellow e Red caminhavam pelo caminho ao laboratório, quietos. A jovem de cabelos louros observava de canto para o maior, incomodada com o silêncio entre os dois.
Não trocaram muitas palavras durante a viagem. Devia ser por isso por estar tão inquieta. O moreno percebeu os olhares de inquietude da jovem, mas sorria graciosamente como se dissesse “Vai ficar tudo bem”. Yellow corou pelo sorriso repentino, observando o caminho empedrado diante de si com o rosto escondido pelo grande chapéu de palha.
Não é como se sentisse calmo naquele momento, na verdade não estava. Eles já conseguiam avistar o laboratório há não muitos metros e seu coração parecia saltar de seu peito. Já devia ser 13 horas e o sol insistia em iluminar aquele céu cinzento. Não havia ninguém nas ruas por ser véspera de Natal e o único ruído que conseguiam ouvir era o som do vento batendo contra seus rostos.
Os passos se cessaram e o entusiasmo aumentava. Os ambares e escarlates encaravam a grande porta de ferro do laboratório. Os olhos do treinador pareciam vazios, mas ao mesmo tempo inquietação.
— Eu vou abrir a porta. – Red afirmou com a cabeça para a menor. Yellow estendeu seus braços, abrindo a porta de metal sem dificuldades.
Admiração. Era o que presenciava nos ambares e nos escarlates ao encarar aquele local enfeitado com enfeites de Natal misturado com balões de aniversário pendurados no canto de uma placa escrita “Happy Birthday, Silver!!”. Não sabiam se comemorariam apenas o Natal ou o aniversário do ruivo, pois a decoração se encaixava muito bem entre os casos.
Entraram melhor no laboratório, não deixando escapar nenhum detalhe na decoração feita. Com certeza, todos haviam trabalhado duro, muito duro. Yellow vislumbrava todos os balões pendurados tanto na árvore de natal como os outros amarrados nas cadeiras ou nas mesas. Red não disfarçou seu riso. Yellow parecia aquela menina de 12 anos que conhecia.
— Ora... Vocês estavam aqui. – os dois paravam observar o local, direcionando seus olhares a jovem de cabelos azuis não tão intensos quanto seus olhos. Ela segurava uma outra caixa de papelão e provavelmente, acabara de sair do porão daquele lugar.
— Ah...! Gomen por entrar desse jeito, Crystal—chan. – a loira se curvou para a mais nova, deixando-a sem jeito.
— Não se preocupe, Yellow. – balançou uma mãos em negativo pela educação da maior. – Vocês querem que eu chame o Pr. Oak aqui em cima. Agora estávamos limpando o porão...
— Não se preocupe. – interrompeu o treinador. – Não queremos atrapalhar.
— Haha... Que nada. Vocês não atrapalham em nada. Quem atrapalha é o... – pensou no garoto de orbes castanhos mel, que já perdera quantas vezes teve que acordá-lo para fazer um trabalho direito. Seu rosto estava vermelho de raiva pelo treinador um pouco mais novo.
— Crystal—chan? – Yellow perguntou, preocupada com a desatenção da menor. Esta acordou em pensamentos, sorrindo sem jeito para a loira. Tentaria esquecer sobre Gold.
— Oh... Gomen, Yellow. Estava um pouco... Distraída. – coçou sua nuca, ainda envergonhada. — Irei chamar o Pr. Oak neste momento, só aguardem um pouco.
— Não será preciso.
Pr. Oak, grande pesquisador Pokémon já existido, revelou-se na sala onde seria a comemoração, assustando todas as pessoas do local, inclusive Red. Crystal sorriu para o professor, se afastando mais da porta para dar passagem ao mais velho. Pr. Oak trazia um grande sorriso de satisfação por ver os dois, principalmente Red. O moreno sorriu em resposta.
— Pr. Oak! – a loira abraçou o maior num pulo. Pr. Oak teve que se segurar para não cair, respondendo aquele abraço apertado.
— É muito bom te ver, Yellow. – sorriu para a menor que esboçava um grande sorriso.
Pr. Oak levou suas orbes castanhas ao treinador, num olhar terno e feliz. Red sorriu em resposta. Separou o abraço da jovem, bagunçando os fios loiros desta. Yellow não se importou com o ato, e abriu espaço para que o mais velho também pudesse receber Red naquela festa. Pr. Oak caminhou até o treinador, abraçando-o da mesma forma que a loira havia lhe abraçado.
— É bom ver você também, Red. – o moreno retribuiu o abraço apertado, feliz por encontrar seu professor, dono daquela carta.
— ... Tadaima. – lágrimas caíram no rosto do maior. Red não se importou com o ombro molhado.
— O-okaeri... – dizia entre soluços. Yellow e Crystal esboçavam um sorriso no rosto pelo encontro dos dois.
— “Esta cena... Foi idêntico ao encontro com a minha mãe.” – ao analisar bem, aquele abraço não era tão diferente quanto à de sua mãe. Por breves momentos, sentiu-se como o filho do maior.
CRASH!
— Ah... Droga. Não se pode deixar o Pr. Elm arrumando sozinho... – Crystal comentou breve, caminhando com pressa até o porão.
— Crystal—chan! Eu vou te ajudar! – Yellow seguiu a mais nova, a fim de ajuda-la em algo.
— ... – Pr. Oak separou o abraço, já sem lágrimas no rosto. Ainda esboçava um grande sorriso de satisfação e Red sorria timidamente.
— Como vai indo nos últimos 3 anos?
— Sem aventuras. Como você pode ver, não mudou nada desde que você partiu. – sentiu-se aliviado ao ouvir isso. Nada mudou desde que partira. Isso era bom. – Tirando é claro que Green ficou muito forte com todas as batalhas que já teve em seu ginásio.
— ...! – os olhos de Red mostraram certo brilho que ninguém poderia reconhecer ao tocar o nome do rival. Talvez um brilho de satisfação pelo treinamento de Green. Pr. Oak percebeu isso.
— Uhn? Vejo que queira ver Green após tanto tempo.
— ...?! – suas orbes se arregalaram depois de dito o maior, se deparando com um sorriso gentil deste. Ele havia percebido?
— Vejo que acertei. – disfarçou um sorriso ao ver o moreno corar. – Seus olhos mostravam certo vazio desde que você chegou. Mas agora que falei sobre Green, seus olhos passaram a mostrar “vida” que estava presa.
— ... – sorriu ainda com o boné que escondia seus olhos. Lembrou-se de Blue naquele momento. — “Poder dos olhos, não é mesmo?”. – checou se ainda o amuleto de Blue ainda estava com ele. Felizmente, estava.
— No momento, Green não está aqui. – desapontou-se. Queria, ou melhor, devia encontrar-se com ele naquele momento.
— Por acaso o senhor sabe onde ele está professor? – perguntou com pressa.
— Claro. Ou melhor, não sei com detalhes. Mas ele está andando por aí em Johto, tomando um ar talvez.
— Entendo. Eu vou procurar por ele então. – ajeitou a bolsa em suas costas e dirigiu-se à saída com pressa.
— Não quer que eu ligue para ele? – tentou interromper a busca pelo seu neto, o que foi em vão.
— Não precisa professor! Prefiro procurar ele por mim mesmo. – saiu da sala apressado em se encontrar o mais rápido possível com Green.
— Ha... – suspirou cansativo. – Tenho a impressão que já vi essa cena de algum lugar... – lembrou-se do dia anterior em que Gold também saíra com a mesma pressa que Red. Sorriu pela última vez e voltou ao trabalho em terminar aquela arrumação de uma vez por todas.
XxXx
— Arf... Arf...
Parou sua corrida para respirar por poucos segundos. Caminhou pela cidade inteira e nada do rival. Até entrara no Poké-Centrer ou no Poké-Market em busca dele. Olhou ao redor do caminho que havia na praça central em que se encontrava. Nada. Não havia ninguém andando pelas ruas, provavelmente comemorando a véspera de Natal em suas próprias casas.
Pensou duas vezes em voltar para o laboratório que provavelmente ele devia ter retornado, porém tinha a impressão que ele não estava lá. Não ainda. Talvez devesse checar mais uma vez todas as ruas que já havia passado, porém sua atenção estava na floresta de Johto. Fora o único lugar que não passara. Engoliu em seco. Bom... Não havia nada a perder, afinal o aniversário iria ser comemorado por aproximadamente 1 ou 2 horas.
Dirigiu-se à floresta.
Caminhando pela floresta, notou como aquelas árvores, mesmo sem folhas, pareciam exatamente como seu sonho. Nem pressa mais tinha, apenas apreciava aquelas árvores vazia, estranhamente sem Pokémons por perto. Andava na mesma trilha que havia perseguido no seu sonho, cada vez mais se aproximando naquele lugar em que se encontrou com ele. Finalmente pisou no único caminho em que árvores já não mais atrapalhavam mais sua caminhada.
O vento gélido batia em seu rosto, retirando certos arrepios do moreno. Seus olhos não observavam mais naquelas árvores que se pareciam de seu sonho. Seu foco estava nos cabelos castanhos que se mexiam na direção do vento. Aqueles fios rebeldes, dono de um rapaz que possuía um par de orbes esverdeadas, capaz de invejar muitas pessoas.
Seu rosto já vermelho pela corrida deveria estar mais rubro do que antes. Palpitações surgiam, assim como a aceleração descontrolada de seu coração. Aquela sensação que já tivera no seu sonho era totalmente diferente na vida real, muito diferente. Sua voz que chamaria pelo nome daquele parado diante de si não conseguia sair. Provavelmente se falasse algo, sua voz sairia inaudível.
Tentou se aproximar, porém seu corpo não conseguia se mover. O choque fora tão intenso que nem mesmo conseguia controlar seu corpo normalmente. Os rubis encaravam intensamente o rapaz de costas, usando a típica camisa preta acompanhada com a calça lilás, idênticas a que usava quando tinha 16 anos.
Não se sentiu feliz, nem triste. A mistura de emoções e adrenalina após ver o rapaz fazia-o não conseguir nem mesmo raciocinar direito. Era completamente diferente ao que se sentira no sonho. Continuou parado exatamente como saíra, apenas encarando o rapaz parado no meio do caminho de terra, encarando o nada.
— Vejo que você veio. – arrepiou ao ouvir a voz do rival. Aquela voz suave, tranquila e ao mesmo tempo, desafiador. A voz que somente Green possuía.
O rapaz finalmente se virou para o treinador, analisando-o com mais detalhes por ter estado de costas. As orbes verdes se misturavam com o vermelho, num olhar muito significativo que ambos ansiavam. Um sorriso travesso brotou no rosto do rapaz, ao finalmente conseguir se encontrar pessoalmente com Red sem que ele estivesse dormindo. O moreno continuava sem ações perante o rival.
— É bom vê-lo de novamente, Red... — a voz calma alcançou seus ouvidos, deixando-o sem reações para responder. O olhar que o rapaz lhe retribuía mostrava alegria, porém ao mesmo tempo, seriedade. Um olhar sedutor de certa forma. Seu rosto esquentou.
— G-Green... – as primeiras palavras brotaram de seus lábios. Apesar de baixo, o rival conseguira escutar perfeitamente seu nome dito pelo moreno. Isso o tocou bastante, assim como o leve tom rosado em seu rosto pálido.
Silêncio. Não havia nada para ser dito. O nervosismo de ambos era o mais presente no momento. Red algumas vezes arriscava em fitar o rosto do rival, porém tinha certeza que o esverdeado o encarava profundamente, na verdade era como se estivesse o analisando. Estavam a poucos metros, porém aquilo era o suficiente para deixa-los sem ações.
— Ei... – Red assustou-se com o chamado repentino do dono de esmeraldas profundas, fazendo-o deixar escapar um pequeno sorriso. Red não deixou de perceber isso. – Observando você assim, você parece mais diferente enquanto dormia. Mais... Maduro.
Fora pego de surpresa. Havia se esquecido da visita de Green enquanto dormia após treinamento. Seu coração batia mais forte a qualquer outra situação que já havia passado. Seu boné escondia parte de sua face, porém não deixava de mostrar o típico sorriso que o treinador mantinha em seu rosto.
— ... Baka.
Os esverdeados possuíam um brilho de satisfação ao perceber que o verdadeiro Red não havia desparecido naquele corpo vazio. Mais um sorriso transpareceu do rival. Aquele era o mesmo Red que conhecia há 3 anos. Aliviou-se ao saber disso. Remexeu em seu bolso, tateando por algo redondo.
— Ei Red. – revelou uma pokébola na sua mão que remexia em seu bolso, num movimento joga e pega com o objeto. – Que tal termos uma batalha 1x1 para testarmos quem é o mais forte agora?
Surpreendeu-se com a proposta repentina. Ao observar o Pokémon que Green carregava, percebeu que era seu Pokémon de planta, Venusaur. Mais surpresas transpareciam em seus olhos, porém aquilo o deixou entusiasmado, como se suas forças que tinha há 3 anos voltavam para seu corpo. Abriu sua mochila, procurando o Pokémon para a batalha.
— Tudo bem. Eu aceito seu desafio. – jogou a pokébola que procurava, liberando o Pokémon de fogo Charizard. Green fez o mesmo.
Segundos mais tarde, começou-se a batalha.
XxXx
Ansiedade. Adrenalina para vencer. Respirações alteradas. Um sorriso satisfeito. De fato, aquela batalha era o que precisavam para reconhecer um ao outro. Necessitavam. A batalha finalizou-se quando ambos os Pokémons caíram ao mesmo tempo, assim como os seus donos que já pareciam bem cansados.
Apesar dos Pokémons trocados, eles lutaram com toda sua força contra seus próprios donos. Foram elogiados por isso. Red caminhou até seu Venusaur, assim como Green ao Charizard. Os Pokémons mesmo com as forças esgotadas, sorriam para seus mestres, aceitando os abraços e carinhos que já não sentiam há 3 anos.
Green espiava de canto o moreno que sorria para o Pokémon, enquanto o abraçava com força. Apenas olhar aquele sorriso fazia seu coração disparar, sem falar da mudança de cor em sua face. Desviara suas orbes quando Red parecia perceber seu olhar, fitando-o confuso. Nada diziam em resposta. Apenas o silêncio.
O moreno levantou-se do chão, guardando Charizard em sua própria Pokébola. Green fez o mesmo. Fitavam um ao outro, porém desviaram o olhar após segundos de olhares trocados. Parecia que durante a batalha e na vida real eram situações totalmente diferentes. Green respirou fundo, pronto para dizer algo.
— Foi uma boa batalha... Como sempre, você é um oponente bem forte. Não é atoa que é o meu rival. – disse timidamente, ainda sem saber o que dizer. Red ficou mais quieto do que o costumava ser. Porém ainda sim, continuava o mesmo Red.
— ... Sim. – sorriu em resposta. Entreolharam-se um ao outro, sem ainda o que falar.
— Aqui. Seu Pokémon. – Green estendeu sua mão com a Pokébola, carregada pelo Pokémon de planta.
— ... – pegou o objeto, entregando-lhe também o Pokémon de fogo.
Num movimento rápido, Green pegou o braço do moreno e o puxou para mais perto, empurrando contra uma arvore próxima a ele. Red acompanhou os movimentos ligeiros do rapaz, esquecendo até mesmo de respirar. Green o prendeu em uma árvore, com as duas mãos uma em cada lado de sua cabeça. Era bem claro que sua reação era num estado de espanto e ao mesmo tempo, curiosidade.
— Red...
A voz sedutora emanava em seus ouvidos, retirando-lhe certos arrepios. Podia sentir o calor das palavras de Green em seu rosto. Suas mãos tremiam, não pelo frio, por outra causa. Tomou coragem em encarar o rapaz, mas no mesmo instante, arrependeu-se ao se deparar com as orbes esverdeadas que o encaram profundamente a cada reação que fazia. O pior de tudo era que não conseguia desviar seu olhar daquele verde sem fim. Apenas ficou... Paralisado.
“ — Apenas compreendo que meus pensamentos voltam-se somente a você.”
Hn? Não sabia ao certo, porém lembranças daquele sonho voltavam em mente em instantes do ocorrido. O que estava pensando?! Ou melhor... O que estava acontecendo?!
“- Eu te amo.”
Seu rosto antes de espanto tornara para uma expressão de timidez e vergonha. O que era aquilo que sentia?! Nem precisava tocar seu peito, já conseguia sentir os batimentos cardíacos acelerados. Aquele sentimento... Conseguia ser bem mais forte do que o sonho de antes. Os esverdeados ainda encaravam os rubis, num olhar tentador, porém controlado.
— Eu... Não consigo entender esse sentimento que carrego há muito tempo. Toda vez que eu penso em você, meu coração não bate da mesma forma e algumas vezes, meu rosto toma uma cor rubra. Porém, esse sentimento que carrego parece cada vez mais distante, assim como você, fazendo uma jornada dessas... – sua voz soava depressiva, mas não deixava de fraquejar perante o treinador.
Red tremeu ao sentir o calor da mão do rapaz em seu rosto, num toque com leves carícias na região de sua bochecha. Como aquele toque podia fazê-lo sentir tão bem? Queria tocar naquela mão que acariciava sua face, porém ainda não tinha controle de seu corpo em fazer um movimento daqueles.
— Red. – apenas ouvir seu nome fora o suficiente para deixar seus ouvidos atentos ao que o rival iria dizer. – Você voltando dessa jornada fora o suficiente para despertar esse sentimento novamente. Entretanto, eu ainda não o compreendo até agora... Ainda mais por sermos do mesmo sexo...
O moreno engoliu em seco. O que ele queria dizer com tudo aquilo? Seu corpo tentava resistir às carícias do rapaz, mas era praticamente impossível naquela posição. Sua mão apertava com força o casaco vermelho/branco que vestia. O rosto de Green estava próximo demais!
— Eu acho... Não. Tenho certeza que esse sentimento eu já conhecia. Apenas não queria o reconhecer. Eu... Esse sentimento... Em relação a você... Eu te-
— Green—san! Red—san! Onde vocês estão?! – a voz da garota ecoava por perto daquela floresta. Provavelmente, devia ser Crystal.
— ... – Red suspirou aliviado. Ou talvez decepcionado? Green já havia parado de prender o treinador daquela árvore, deixando-o mais “livre” nos movimentos. Era num tanto, inesperado uma reação dessas por ele. – Crystal! Estamos a-!
Rapidamente, Green puxou um dos braços livres do garoto para ele, escondendo-se nas sombras das árvores. Crystal passara naquele caminho, despercebida pela presença dos treinadores. Red encarava o rival confuso, num tanto irritado ter sido puxado tão brutalmente.
— Green... O que você es-?!
Sem demoras, os lábios do moreno foram selados pelos de Green. Um beijo caloroso e também tentador. Com a descarga de adrenalina pela ação inesperada por parte do rapaz, deixara Red com os lábios entreabertos, aproveitando o rival à situação para invadir o interior daquele espaço inexplorado.
O moreno tentou separar-se do rival, porém ele segurava com força seu pulso, assim como sua outra mão. Aos poucos, desistiu em se separar do rapaz, retribuindo aqueles toques no interior de sua boca. Enlaçou seus braços no pescoço do rival, em busca de mais contato. Green levou uma das mãos à nuca de Red e a outra em sua cintura. A batalha entre as línguas não era tão diferente quanto uma batalha Pokémon. Tinham apenas uma coisa em comum. A determinação para vencer.
Breves minutos depois, separaram o beijo pela maldita falta de ar. Red com certeza não teria coragem em encarar Green depois de feito aquilo, entretanto, o rapaz encarava-o, numa espécie de análise. Um sorriso satisfeito, não deixando de ser sexy, surgiu no rosto pálido do rival. Apenas aquela reação era o suficiente como resposta para o que sentia.
— Crystal! Aqui! – o rapaz saiu atrás da árvore, acenando para a jovem já distante numa tentativa de chamar sua atenção. Como esperado, ela percebeu a presença do jovem.
— Green—san! Por que não disse logo que você estava ai?! – resmungou enquanto corria para perto do “esconderijo” dos treinadores.
— Gomen. — sorriu para a jovem, enquanto coçava sua nuca para aliviar sua timidez.
— Hn? Por acaso aconteceu algo de bom? – a jovem, observadora como sempre, tirou uma breve surpresa perante o maior.
— Não. Não mesmo. – a jovem analisou melhor o rosto do mais velho. Era óbvio que era uma mentira, porém sabia que negar não iria levar em nada. Suspirou cansativamente.
— Por acaso, você viu o Red—san? A festa começará daqui alguns minutos...
— ... Não. Não o vi. – mentiu novamente. Crystal suspirou novamente, virando-se para o caminho de Johto.
— Entendo. Então vamos. Acho que o Pr. Oak. já havia o avisado sobre o horário da festa. Creio que ele não irá atrasar. – começou a caminhar pelo caminho, deixando o rapaz para trás.
— ... Sim. – Green, antes de seguir a jovem, deu uma breve espiada no “esconderijo” em que estavam, deixando escapar um pequeno sorriso, logo seguindo a mais nova.
Red continuava naquele lugar. Sem reações. Sem saber o que pensar. Apenas tocava os lábios, lembrando-se do toque que não saía de sua mente. Fechou os olhos, numa tentativa de esvaziar a cabeça. Já estava acostumado com aquilo. Em seu treinamento, não pensar em mais nada era uma rotina comum que fazia todos os dias. Entretanto, aquele dia fora a única exceção de não conseguir se esquecer daquele beijo. Apenas aquele dia.
Era o que pensava.
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