Close Your Eyes
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Notas iniciais
(Flash Back – Off)
— “Mesmo eu tendo entregado meu Charizard a você Red, eu não entendo o porquê você me entregou ele”. – o rapaz encarava a Pokébola com o Pokémon de grama dentro desta. – “Por que você o me entregou Red? O seu Venusaur?”.
(Flash Back – On)
— Arh... – os sons emanados na porta faziam Green ter mais raiva por ter despertado de seu sono noturno. – Quem seria a essa hora? — O rapaz levantou-se da cama para atender a porta. Com passos largos e apressados, este finalmente chegou ao seu destino. — “Quem ousa tocar a campainha nesse horário?!” O que deseja? – este abriu a porta, revelando a pessoa que menos esperava naquele momento, Red.
— Erh... Desculpe-me aparecer tão de repente... – o treinador não encarava o outro, com um olhar distante e vago. Seu rosto estava escondido pelo cachecol que usava, mas Green podia reparar como sua face estava vermelha naquele momento. Provavelmente por causa do frio. – Eu recebi seu Charizard ontem pela minha mãe e eu o agradeço, Green. Mas infelizmente irei recusar de leva-lo. – sua voz estava mais baixa que o normal, e estas palavras soavam como uma melancolia eterna. Green negou como resposta.
— Não. Eu insisto que o leve. Você não tem um Pokémon tipo fogo consigo. Charizard será necessário quando estiver frio lá. – Green encarava os olhos vermelhos de Red, que tentavam não encarar os de Green. O rapaz pôde perceber que seus olhos estavam um pouco inchados e com olheiras. – R-Red. Está tudo bem? Seus olhos estão inchados e com olheiras. Você não está com febre, está? – este aproximou do menor, que instantaneamente tentou se afastar.
— O-o que você está fazendo...?! – Red cerrou os olhos com força, nervoso por talvez Green fizesse algo que este não esperava. Green logo encostou ambas as testas para medir a temperatura corporal do menor.
— Você está um pouco quente... Mas não acho que chegue a ser febre. – Green afastou ambas as faces, observando o rosto de Red totalmente vermelho e envergonhado. – “Kawai...” – o treinador logo se acalmou, não conseguindo disfarçar um suspiro cansativo.
— Se você insiste que o leve, então fique com meu Pokémon enquanto estou na minha jornada. – o treinador entregou a pokébola para o rapaz que encarava o objeto.
— Tudo bem. Eu o cuidarei muito bem. – disse, sorrindo para o menor. Este começou a rir. – P-por que está rindo?
— É que isso me recordou de momentos passados. Lembra-se do caso de Deoxys? Você me emprestou seu Charizard que estava em ótimo estado enquanto cuidava do meu. – Green deixou escapar um sorriso, ao se lembrar de todas as aventuras que ambos passaram.
— Sim... Mas não só o caso Deoxys, como também depois da crise da Elite dos 4, quando você tinha que ir até um lago para recuperar suas mãos e pés, eu lhe emprestei o Charizard, lembra?
— Claro, como eu poderia esquecer. FireRed e LeafGreen, uma combinação que não há falhas. – Red comentou, tirando uma risada de Green.
— Sim... Você tem razão. – o rapaz observou o Pokémon em suas mãos que dormia profundamente. O sol aparecia aos poucos nas montanhas de Pallet, obrigando a Red a se despedir o mais rápido possível.
— Eu tenho que ir. A viagem é longa... – Red sorriu timidamente, mas seu rosto mostrava dor e medo, mesmo com os olhos fechados. Green pôde perceber isso.
— Red... “Por que você sorri tão dolorosamente?”
— E-eu tenho que ir. Tchau. – o treinador virou-se tentando se afastar rapidamente do maior. Seu coração batia rápido, seu rosto estava muito vermelho, mas este sabia que era errado amar seu rival quando este já estava comprometido. Mesmo assim, seu coração doía só de pensar nos seus dois melhores amigos juntos.
— Red! Espere um pouco...! – num impulso desesperado, o dono de olhos esverdeados segurou o braço do menor. Não sabia o porquê o segurou, apenas queria ficar mais um pouco com o treinador. Uma lágrima solitária caiu na face do menor. – Por que você está chorando...?
— Hn? – Red levou uma de suas mãos à sua face, sentindo o líquido escorrer em seu rosto. – Eu... – Por que chorava? O rapaz pensava, mas sem perceber, mais lágrimas escorriam de seus olhos escarlates.
— Red...! – Por não conversava normalmente com o rapaz? Por que o evitava depois de tanto tempo? Green o abraçou com estes pensamentos em sua mente. Queria tocá-lo, queria senti-lo. Red não conseguia se mover por estar tão perto do rapaz. A surpresa fora tão grande que pensara que estava em um belo sonho que não tivera há muitos dias atrás. – E-eu...
— ...! – Red percebera a aproximação perigosa do rival. Seus rostos estavam próximos demais, até o momento que ambos podiam sentir suas respirações descompassadas.
— “Eu quero beijá-lo. Sentir seus lábios sobre os meus... Mas por que você estava chorando? Por que você parece estar tão distante...?!”. – Green parou o ato. Red abrira os olhos lentamente, se perguntando o que havia acontecido. Green abraçou novamente, porém com mais força contra o corpo do treinador.
— G-Green...?! – era mal. Com certeza Green iria perceber como seu coração batia forte naquele momento.
— Você demorará muito nesta jornada? – o rapaz não sabia o que dizer. A vergonha e o medo de não ver seu companheiro o dominavam. Red pôde perceber que seus braços tremiam ao redor de seu corpo. Num ato de afeto, retribuiu o abraço.
— Provavelmente. – disse incerto.
— Entendo. Pode me prometer algo?
— ... Tudo bem. – o jovem disse, receoso com a pergunta.
— Conte-me qualquer coisa que te deixe preocupado. Qualquer coisa que pense, qualquer preocupação, raiva ou medo. Quero que me conte tudo. Eu irei fazer algo quanto a isso, então, por favor, não chore novamente. – Red surpreendeu-se. Uma promessa daquelas era impossível para ele cumprir. Este sabia disso, mas mesmo assim...
— Está bem. – o jovem sabia que não conseguiria cumprir uma promessa como essa, mas ao perceber que o coração de Green batia tão forte quanto o seu, abandonou suas preocupações e, num ato desesperado, o abraçou com todas suas forças o rival, como se ele fosse à única pessoa capaz de livrar daquele labirinto sem fim.
— ... Arigato. – este deu um sorriso, agradecido por aquelas palavras.
XxXx
(Flash Back – Off)
No final do corredor, Green pôde ouvir os rangidos da porta se abrindo e passos se aproximando se sua sala.
— O banho estava ótimo. Nada como um bom banho quente após uma pequena jornada até o Mt. Silver. – Gold comentou após entrar na sala e se sentar no mesmo sofá que estava antes.
— Tem razão... – Green sorriu aos cantos. – Talvez eu precise de um banho também. – o rapaz se levantou do móvel, porém, foi impedido pelos sons de seu telefone. Este caminhou até a estante. – Sim?
— # Green é você? Sou eu, Pr. Oak. #
— Eu sei avô. Precisa de algo? – o rapaz estranhou a ligação, não era comum receber telefonemas de seu avô, por sempre estar ocupado em seu trabalho.
— # Na verdade, gostaria que Gold fosse ao Mt. Silver para entregar uma carta para Red... Pode passar para ele? #— o rapaz chamou o mais novo que assistia TV para atender o telefone.
— Gomen! Eu não posso ir. – o jovem respondeu com o objeto nas mãos. – Não tem jeito... Green!
— Certo certo... – o rapaz pegou a telefone novamente, um pouco irritado. Queria que terminasse aquela ligação logo para que tomasse um bom banho. – O que foi?
— # Eu preciso que você faça uma coisa muito importante no lugar de Gold, Green. É sobre Red.#— Green quase caiu após ouvir o nome de seu velho amigo. Seu coração começara a bater rápido e tentava ao máximo, acalmá-lo.
— E-e o que é? – perguntou com receio. Se seu avô estivesse presente junto com ele naquele momento, poderia perceber o quão estava vermelho o mais novo.
— # Preciso que mande uma carta que escrevi especialmente para Red. Não tive como manter contato com ele nesses últimos três anos. Tenho estado preocupado ultimamente... Acho que você soube pelo Gold, sobre os estranhos sonhos de Red...#
— Sim... Tem alguma ideia do que seja a causa? – perguntou esperançoso de que haveria uma resposta.
— # Talvez seja por causa de um Pokémon... Não tenho ideia alguma. Por isso, quero que você vá e descubra qual a causa disso. Você poderá ir?#
— Sim. Como será amanhã que os ginásios estarão fechados temporariamente por conta do Natal que está se aproximando, irei visita-lo e entregar sua carta. – respondeu decidido.
— # Isso é ótimo! Eu irei lhe mandar pelo correio a carta. Mas eu lhe peço que quando entregar a carta, venha aqui o mais rápido possível. Iremos arrumar os preparativos do Natal que nos espera! Com certeza, Red-kun estará conosco. #— o rapaz não pôde segurar um sorriso pelo mais velho. Com certeza, seu avô tinha certeza que Red iria estar com eles naquele natal e que seria o melhor evento que já tiveram juntos.
— Eu chegarei o mais rápido possível. Agora tenho que desligar. Partirei assim que o sol nascer amanhã. – o rapaz se despediu e desligou o telefone. – “Finalmente irei vê-lo, Red.”— caminhou até o banheiro, se arrumando para o dia seguinte.
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