Close Your Eyes
9 Distance
Notas iniciais
O moreno já não sabia mais o que estava fazendo. Acontecimentos novos já eram demais naquele dia. Seu coração batia tão rápido quanto a velocidade que corria em seu skate. Devia haver pessoas no caminho, porém este apenas devia rezar para que todas elas desviassem. Já não estava mais em condições para raciocinar. Todas deviam ter observado como o treinador estava agindo estranho, principalmente pela cor rubra em seu rosto. Porém o menor não se importava, não agora.
Fechou suas orbes, tentando refletir no que havia feito. Havia praticamente se confessado para Silver e quase o beijara! Como isso podia acontecer?! Estava tão envergonhado, porém tão feliz que até poderia morrer naquele momento. Sentia-se culpado por pensar assim, porém seu rosto mostrava um sorriso satisfeito como se todos seus desejos estivessem realizados.
Após alguns minutos, finalmente chegara ao interminável caminho para o laboratório. Estranhamente, o local estava muito mais barulhento que o normal. Parece que pensamentos sobre Silver deveriam ficar para depois. Após caminhar com passos lentos até a entrada do laboratório, tomando coragem, abriu a porta da barulhenta residência, surpreendido por Pidgeys e Ledybas voarem para fora do lugar assim como outros tipos de Pokémons roedores e insetos. Realmente, o que havia acontecido?
— Gold! Graças aos céus você veio... – Pr. Oak, agradecido pela volta do treinador, sentou numa cadeira próxima de onde se encontrava, respirando pesadamente pelo árduo trabalho de capturar tantos Pokémons.
— Professor... Por favor, me diga o que aconteceu aqui? – esperado pela pergunta do moreno, o mais velho esperou mais um pouco, descansando sua mente e pensando nas palavras que falaria ao treinador.
— Na verdade Gold...
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— Obrigada, Pr. Elm. Agora pode levar essa caixa para aquele lado. – Crystal agradeceu pelos enfeites tragos pelo seu professor, enquanto terminava de arrumar os últimos detalhes da grande e vasta arvore de Natal. Por não ter uma altura digna para se decorar o pinheiro, esta se encontrava em cima de uma pequena cadeira feita de madeira.
— Não há de que, minha jovem. – distraído ao andar, acidentalmente o rapaz de óculos escorregou em um enfeite natalino que iria ser usado não muito tarde.
— Pr. Elm! – antes que Pr. Oak pudesse amortecer a queda do rapaz, para se equilibrar, Pr. Elm agarrou-se em um móvel mais próximo de si. Porém ao se segurar no móvel, este apertou em um botão da maquina que havia ao seu lado, liberando quantidades gigantescas de Pokémons utilizados para pesquisas.
— Eu ouvi um grito. O que está havendo aqui?! – o dono de orbes esverdeadas adentrou na residência, surpreendido por vários Pokémons de Kanto e Johto escapando de dentro do lugar. – Realmente, desta vez o que aconteceu?! – falava, tentando esquivar de tantos Pokémons libertos, conseguindo finalmente entrar no local.
— Explicações para depois, Green. Por enquanto, preciso que você capture todos os Pokémons que escaparam, enquanto arrumamos as coisas por aqui. – seu avô respondeu as pressas, enquanto pegava as Pokébolas com concentração e capturava os Pokémons com destreza e agilidade.
— Tsc... Entendi. – nada satisfeito com as prévias respostas, correu para fora do laboratório, aos poucos desaparecendo de vista do avô.
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— Creio que foi exatamente como aconteceu há uns momentos atrás... – terminou o mais velho.
Pr. Oak levou suas orbes estreitas ao menor que pensava em uma solução para a situação. O moreno encarava com olhos pensativos para o chão do lugar, enquanto sua mão fechada se encontrava em seus lábios. Talvez o menor devia estar com pressa para pensar em uma saída rápida do problema.
— Sei que devia estar ocupado com algo importante... – tentou dizer algo, nunca vira Gold tão diferente com problema. Se fosse o mesmo este sem perder tempo já iria capturar grandes quantidades de Pokémons em instantes. – Porém preciso de sua ajuda. É algo formidável tanto para Red quanto para Silver. – apesar do mais velho ter reverenciado o menor, pôde jurar que havia percebido que ao citar o nome do ruivo, Gold ficara vermelho.
— E-Entendo... – respondeu um tanto sem graça, virando seus olhos para qualquer canto da sala em que estavam.
Sem demoras, ao ver um Rattata tentar escapar da saída da residência, Gold pegou uma Pokébola em cima de uma mesa por perto e capturou o animal com seu taco de bilhar. Devia terminar logo o trabalho para se encontrar com ele.
— Irei terminar logo o serviço, Pr. Oak. Pode deixar comigo. – disse confiante enquanto já se preparava com mais Pokebolas para atacar.
O mais velho não pôde dizer nada. Apenas um sorriso fora o suficiente como resposta. Ao mesmo tempo, este também já se preparava para capturar mais Pokémons. O descanso deveria ficar para depois.
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Após muitas horas gastas, Gold já havia capturado todos os Pokémons dentro do laboratório, assim como Crystal, Pr. Elm e Oak. Mesmo tendo capturado todos eles, este teve o trabalho de ajudar a arrumar o lugar. Sentia-se bravo, porém sabia que não havia escolhas para fazer.
— Que tédio... – este murmurou sem que ninguém escutasse. Já não sabia quanto tempo estava com aquela vassoura, varrendo os cacos de vidro deixados no chão. Visualizava o chão com cansaço e ao mesmo tempo um pouco deprimente. Talvez estar tão apegado ao rival não o fazia muito bem. – “Eu imagino o que Silver deve estar fazendo agora... Do jeito que ele é, provavelmente deve estar ainda naquela Biblioteca ou treinando por aí".
— Oh... Vejo que está feliz apesar do trabalho duro. – o menor assustou ao ouvir a voz reconhecida do professor se aproximando. Ele estava sorrindo? Tudo por causa de pensar em Silver? Sentiu seu rosto esquentar, segurando firmemente o cabo do objeto.
— Algum problema, Pr. Oak? – perguntou sem conseguir encarar a face deste pela vergonha que passava.
— Na verdade não. O trabalho já está terminado. Se quiser deixar comigo para limpar o chão fique a vontade. – com os ouvidos atentos, Gold pôde sentir tamanha felicidade dentro de si. Finalmente poderia se encontrar com Silver novamente. – Porém, preciso que se encontre com Green e avise-o para que possa descansar um pouco. Certamente, ele já deve ter capturado todos os Pokémons que fugiram daqui.
— Entendi professor. Eu irei neste momento. – animado, entregou a vassoura em instantes para o mais velho e já pegara seu skate, andando numa velocidade que os olhos não poderiam ver com nitidez.
— Arf... Que menino apressado. Ainda não lhe disse o lugar de onde Green está... – sorriu com a cena e sem escolhas, deixou de lado o treinador correr para fora do laboratório. Provavelmente Gold iria encontrar com seu neto mais rápido que pudesse. Bom, chega de descansos e hora de arrumar.
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Gold saíra tão apressado do laboratório que se esquecera de perguntar ao professor onde Green poderia estar, mas nem pensava em algo parecido a isso. Encontrar com Green o mais rápido possível era sua meta mais importante. Só assim poderia se encontrar com Silver. Talvez estivesse sorrindo novamente, isso já começara a se tornar um hábito. Sem perceber por onde andava o moreno finalmente percebeu que entrara na floresta mais próxima da sua cidade natal.
— Devo parar de me distrair tão frequentemente... – parou seu skate, aproveitando a sombra das árvores. O céu tomava numa cor alaranjada. Nossa, era tão tarde assim?
Com um de seus pés, levantou seu skate e o segurou, caminhando aquele denso bosque que fazia uma longa trilha de terra pela frente. O treinador pensava em Silver. Seus cabelos alinhados naquela pequena mão que pousava em seu rosto sonolento, seus lábios delicados como os de uma menina... Com pensamentos sobre rival, o moreno sentiu seu nariz escorrer algo. Limpou com as costas da mão. Era sangue.
— Acho que estou me tornando um pervertido... – riu por alguns momentos. Ao levantar seus ambares à estrada, visualizou alguém há poucos metros de distância de si. Era Green. – Green vet-! – ao levantar sua mão para acenar ao mais velho, reparou que este fitava o entardecer do sol, não se importando se estava atrapalhando alguém que passava pelo caminho.
Seus olhos mostravam um verde deprimente, escondia suas mãos dentro de seu casaco verde que sempre usava e parecia refletir algo. Seus cabelos castanhos sobrevoavam ao vento e seu rosto parecia um pouco pálido. Se aproximasse bem ao rapaz, poderia perceber algumas olheiras ao redor de seus olhos. Era estranho ver Green veterano daquele jeito, pelo menos era o que Gold pensava. O moreno aproximou mais do rapaz que continuava distraído com o horizonte.
— Você está bem, Green veterano? – perguntou receoso. Não sabia se estava o atrapalhando com algo, porém não podia deixa-lo daquela maneira.
— Gold... – o rapaz virou suas orbes esmeraldas para o treinador que o fitava confuso. Quanto tempo será que o moreno já chegara? Encarou novamente as nuvens com angústia, como se o treinador não estivesse presente no momento. Gold o achava diferente. Não parecia o mesmo Green que conhecera. Estava sem ações. – Eu tive um sonho.
— ...? Um sonho...?
— Sim... Na verdade eu já tive o mesmo sonho algumas vezes desde que cheguei aqui em Johto. – fechou suas orbes esverdeadas, sentindo o ar puro vindo de a floresta caminhar por entre as folhas. – Era sobre Red. – Gold sentiu um tom deprimente ao citar o treinador de Pallet.
— O que era o sonho? – sabia que não devia se intrometer na vida do maior, porém queria saber o motivo de tanta angústia na voz do rapaz. Green abriu lentamente os olhos, deixando-os semi-abertos.
— Na verdade...
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Eu abria lentamente os olhos, com um pouco de dificuldade por causa da claridade. Encontrava-me num pequeno morro em que podia ver o horizonte de Pallet ao longe. Não havia Pokémons comigo, por isso não havia maneiras para eu voar para a cidade. Se eu andasse um pouco, conseguiria entrar numa floresta que nunca havia visto antes e que ela impedia meu caminho até Pallet.
Eu a atravessei e por muito estranho, não havia Pokémons por perto, apenas árvores Sakura que preenchiam o caminho igual a este que me encontro agora. Eu não sabia por onde andava, apenas seguia o vento que me mostrava o caminho. Até que me encontrei com ele.
Ele fitava o horizonte, com seus olhos vermelhos como rubis para Pallet. Apesar de finalmente ter-me encontrado com ele, parecia triste, como se estivesse preso a correntes e não pudesse solta-las. Aproximei-me dlele, porém este não me percebeu.
— Red? – tentei chama-lo, porém ele parecia não me escutar. Tentei toca-lo, mas nada.
— Pallet... Amigos... – sua franja cobria muito bem seu rosto, entretanto pude perceber que lágrimas escorriam de seus olhos. Ele segurava com muito força a região de sua camisa em que ficava no peito.
— Red?! — pude sentir a angústia que ele sentia. A sensação de solidão sombria e dolorosa. Então era isso que você estava passando durante esses 3 anos, Red? Não consegui segurar minhas lágrimas. Aquela sensação era dolorosa demais. Como pude deixa-lo só durante todo esse tempo?! Tentei abraça-lo, mas pude apenas atravessar o corpo dele, como se eu fosse um fantasma.
— Green... – sua voz saia melancólica e cada vez mais que encarava Pallet, mais doloroso fica a sensação que eu podia sentir. Não queria que ele dissesse meu nome daquela maneira. Não se sentindo assim. – Gomen... Gomenasai...
Por que ele se desculpava? Qual era o motivo para ele estar tão triste? Red se virou para o caminho inverso à Pallet. Ele não iria entrar? Tentei segui-lo, porém ele parecia longe demais. Tentei correr, mas meus pés pareciam não alcançá-lo.
— Red! – estiquei meu braço para tentar pegá-lo mesmo com uma enorme distância entre nossos corpos.
Cansado pela corrida, tentei pegar um pouco de ar para meus pulmões. Fiz uma parada enquanto fechava os olhos para raciocinar em uma questão lógica. Aquilo era um sonho? Mas parece tão real... Abri meus olhos, encarando a escuridão ao meu redor. Então o cenário mudou? Andei alguns passos até encontrar novamente Red em pé, desta vez, virado para minha direção.
Não me importei se era um sonho ou não, apenas corri o mais rápido possível para perto dele. Apesar de estranho, não me incomodei de como ele estava brilhando apesar de estar tão escuro o lugar. Observei seu rosto. Ele continuava triste e parecia mais pálido que o normal. Seu boné tampava seu rosto, mas eu conseguia ver muitos traços de seus olhos por perto. Pelo menos um deles.
— Red... – tentei toca-lo novamente, mas meu braço parecia estar preso a algo. Me esforcei ao máximo para mexe-lo, porém nada.
— Gomen Green... – novamente, lágrimas escorriam de sua face. Droga, por que estava se desculpando tanto?! Tentei mexer meu corpo, entretanto não conseguia. – Desculpe-me por eu te ama...- hm? Desde quando havia um buraco no chão?! Senti meu corpo cair por entre a escuridão, enquanto somente conseguia ver Red me fitando à superfície.
— ...! – tentei gritar por seu nome, mas minha voz não conseguia sair, apenas minhas lágrimas que eu deixava para trás.
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— Green? – Gold tentava sacudir os ombros do mais velho numa forma deste despertar de seus pensamentos.
— ...! Gold...? – ao finalmente encarar a realidade em volta de si, levou uma de suas mãos ao seu rosto, como se estivesse com dor de cabeça.
— Green veterano! O que aconteceu?! – o moreno tentou acudi-lo, porém não sabia o que fazer.
— Gomen... Não é nada demais. – Green respondeu, tirando sua mão de seu rosto para não assustar o menor. – O que é que queria? Estava me procurando não é mesmo? – surpreso com a pergunta, Gold pensava em uma resposta adequada para dizer ao maior.
— Na verdade Pr. Oak. me mandou até aqui para você descansar por hoje, afinal você ficou a tarde inteira caçando Pokémons... Ele estava preocupado e que tinha uma impressão que você já teria capturado todos os Pokémons fugitivos... – respondeu um pouco rápido, porém Green pôde entender perfeitamente suas palavras.
— Entendo... De fato, já terminei de capturar todos os Pokémons que escaparam do laboratório... Então você veio pegá-los para levar ao meu ohaji? – Green tentou disfarçar um sorriso por como seu avô ser tão preciso e saber tanto sobre sua capacidade.
— S-Sim. – respondeu um tanto envergonhado. Talvez porque Green parecia diferente como o conhecia. O maior caminhou até uma pedra lisa em que pousada nela, estava uma enorme sacola cheia de Pokébolas. Como iria levar tudo aquilo? Sentiu suas pernas fraquejarem.
— Aqui está. Mas deve ser duro você levar tudo sozinho... Quer que eu o ajude? – preocupado com peso da sacola, ofereceu ajuda para o menor, apesar de também estar muito cansado para ajuda-lo.
— Não é necessário, Green veterano. Sei que você deve estar muito mais cansado que eu, por isso deixe-me leva-las por mim mesmo. – pensando duas vezes, quase aceitou a ajuda do rapaz, porém vendo seu rosto tão cansado recusou a proposta pelo seu bem.
— ... Certo. Obrigado Gold pela ajuda. – entregou a enorme sacola para o treinador que fazia um enorme esforço para segurá-la. Como Green conseguia segurar aquela sacola com uma mão?! Pensando em uma ideia, deixou seu skate no chão e apoiou a sacola no objeto. Pelo menos ficaria mais fácil carrega-la do que a mãos livres.
— Eu vou indo então, Green veterano. – Gold comentou enquanto empurrava a enorme sacola em cima de seu skate. – Você não vem?
— Acho que ficarei mais um pouco aqui. Obrigado pela ajuda, Gold. – agradeceu-o com um sorriso em seus lábios. Gold voltou seu olhar ao caminho pela frente.
— Está bem, então. – continuou andando junto com a sacola e seu skate, se afastando cada vez mais do rapaz.
Mais uma vez, Green fitou o céu e sentiu o vento de inverno bater em seu rosto. Podia ouvir exatamente as palavras de Red em sua mente, seu rosto deprimente, suas lágrimas...Gomen Green... Droga. Por que aquele sonho parecia tão real?!
— Red... – fechou seus olhos, tentando se relembrar de 3 anos atrás. Quando tinham apenas 16 anos. Não conseguia. A figura de Red chorando não saia de sua cabeça. – “Por que você parece tão distante apesar de eu estar ao seu lado?”.
Abriu suas orbes, encarando o céu alaranjado tomando uma cor mais profunda. O sol já devia estar desaparecendo das colinas de Johto e o rapaz conseguia observar as primeiras estrelas no céu. Melhor ir voltando ao laboratório novamente.
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