Meu nome é Felipe, estudo no primeiro ano do ensino médio e gosto de uma garota da minha sala, a Camila. Somos muito amigos, na verdade, ela sempre foi minha melhor amiga, a conheço desde pequeno. Estamos sempre juntos em todas as ocasiões. Estamos sempre perto. Mas não sei o que ela pensa de mim, tenho certeza de que não me vê como algo além de um bom amigo.

Meu nome é Camila, estudo no primeiro ano do ensino médio e sou apaixonada pelo meu amigo de infância. Contamos um com outro para tudo, mas não sei como ele me vê, e como gostaria de saber! Estamos sempre perto. Mas por mim estaríamos mais perto, muito mais...

Tudo começou na sexta série, quando eu a conheci. Só de olhar já a achei linda, e fiquei observando, muito. Percebi a gentileza e a graciosidade que ela trasbordava. Na fila do lanche fui conversar, perguntei de que salgado ela mais gostava, “o de carne”, ela respondeu. Apesar de preferir o de frango, comprei o de carne como desculpa para lanchar com ela. Nos sentamos próximo à quadra de futebol para ver o pessoal do ensino médio jogar enquanto conversávamos.

Me lembro como se fosse ontem. Ele veio falar comigo enquanto eu comprava salgado na cantina, foi na sexta série. Como ele é lindo, perfeito... Me perguntou de que salgado eu gostava, sempre gostei do de carne, e então ele comprou um de carne também, “já que gostamos do mesmo salgado, podemos ser amigos!”, ele me falou, foi muito fofo, mas eu sabia que ele gostava do de frango, sempre comprava o de frango. Depois fomos assistir o jogo do ensino médio enquanto conversávamos.

Continuamos a ser amigos. Dia após dia eu comecei a perceber que gostava dela, cada segundo que passava, o sentimento aumentava. No sétimo ano já éramos melhores amigos e já existiam dois mundo distintos para mim. O mundo perto dela, em que a única coisa que existe é ela própria, em que todo o resto some e só o que tem importância é que ela está lá. E o mundo longe dela, onde sua imagem reina em meus pensamentos. Durmo pensando nela e acordo pensando nela.

E quando estávamos no sétimo ano. Ele já era o amigo mais próximo que já tive, e eu, completamente, apaixonada. Não me importa falar com mais ninguém, não me importa ver mais ninguém, não me importa ouvir mais ninguém, não me importa que mais alguém me ouça. É como se tudo o que eu precisasse na minha vida fosse vê-lo, ouvi-lo, abraçá-lo. Estou viciada, viciada em sua presença, em sua voz, viciada nele.

No nono ano continuamos inseparáveis. Decidi para mim mesmo que me declararia no fim da formatura. Quando tive a oportunidade, a chamei para conversarmos sozinhos em uma mesa separada. “O que foi?” ela perguntou. Fiquei mudo. Não conseguia dizer de forma alguma, tinha medo, meu coração estava batendo rápido e forte, eu era a personificação da palavra nervosismo. “Você não queria me falar algo?” ela tornou a perguntar. Não pude continuar e então inventei uma desculpa qualquer, nem mesmo me lembro qual foi, mas acho que foi melhor assim. Ela iria me achar estranho e nossa amizade acabaria, não podia arriscar nossa amizade, era tudo o que eu tinha com ela. Ela não gostava de mim, sei que não...

Na formatura do nono ano ele me chamou para conversarmos sozinhos em uma mesa separada. Disse que tinha algo importante para me dizer e meu coração quase pulou pela minha garganta. E se o que ele queria me dizer fosse que gostava de mim? Ah, Como eu ficaria feliz! Fiquei muito nervosa, o suficiente para esquecer tudo a minha volta. Ele me parecia um pouco estranho, então perguntei o que ele queria me dizer. Aquele suspense estava me matando. Sem obter qualquer resposta perguntei novamente. “É que eu gostaria de saber se... Por acaso... Você poderia pedir para sua mãe me dar uma carona. Preferiria não ir de ônibus hoje, estava meio sem jeito de perguntar perto dela”, ele respondeu... Consegui a carona para ele mas... mas então caí na real. Não tinha como ele gostar de mim, eu quis me declarar, mas acho que foi melhor assim.

Como eu a amo!

Como eu o amo!

Mas ela não gosta de mim...

Mas ele não gosta de mim...

Estamos no primeiro ano, como disse inicialmente. Ainda gosto dela, mas muito mais que antes. Não posso continuar assim, preciso me declarar. Quer saber? Farei isto agora!

É, no primeiro ano, amo ele mais que antes. Não consigo mais suportar, eu preciso contar tudo, tudo o que sinto. Já sei, vou falar com ele!

– Camila?

– Oi Felipe.

– Preciso te falar uma coisa!

– Preciso te falar uma coisa!

– Ah, você primeiro, Camila.

– Não, não, pode falar primeiro, não é tão importante assim.

– Claro. “Droga, como eu vou falar isso?!” É...

– Fale.

– É...

– E então?

– Fale você primeiro, acho que esqueci o que queria falar. “Não posso dizer, vou perdê-la”

– Bem, eu... Ah, deixa quieto o sino já vai bater, vamos para a sala.

Não consegui novamente. Droga! Estamos tão perto.

Estamos tão perto, mas..

Mas estamos tão longe

Tão... Longe.

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