Clockwork Souls
9 Capítulo 9
Fazia frio, apesar do céu sem nuvens e do vento seco. Erik e Tim caminharam aproximadamente quinze minutos, o primeiro sem noção alguma de onde Tim estava o levando. Entendeu quando o companheiro parou abruptamente.
Pararam na frente de um pequeno estabelecimento, no qual uma placa identificava como Padaria Scott.
É aqui. Chegamos.
Timothy entrou, passando pelas portas de madeira que precisavam de uma pintura. Dentro da padaria, um homem baixo e calvo pelo tempo, limpava o balcão. O cheiro de pães e massas tomara conta do lugar.
Olá, Sr. Scott. Amélia está? Tim perguntou.
Arriba, Tim! Há quanto tempo não o vejo. Encarou Erik, mas não falou nada. Amélia está no andar de cima, cuidando dos pães de aveia. Sairão em uma hora, Tim. Gostaria mesmo que você ficasse para prov...
Estou aqui, papai. Obrigada.
Da pequena porta atrás do balcão, Amélia saiu. Erik a reconheceu como a garota que o falara sobre Sr. Loth logo após sua morte. E hoje percebeu como era bela.
Seus cabelos longos eram presos por pequenas tranças que caíam sobre os ombros. Usava um colar com um pingente em forma de trigo, contrastando sobre sua pele avelã. Seus lábios eram fartos assim como seus olhos. Naquela tarde, ela vestia um vestido de seda marrom preso pela cintura com um cinto de bronze e amarrado nas costas com finos cordões.
Oh, minha filha, você está aqui. Espere, Amélia. Meus pães... Já estão prontos?
Não, papai. Se quiser que não se transformem em brasa, é melhor ir correndo. Uh, que cheiro é esse? Parece-me torresmo...
Antes de a moça acabar de falar, o velho já tinha saído pela porta. Era possível escutar seus passos nervosos na escada. Amélia soltou um sorrido dócil.
Papai e suas manias. Oi, Tim. E fez uma continência, segurando as laterais do vestido é uma honra ver você de novo, Capitão. Como posso ajuda-los?
Amélia, iremos partir para o Salgueiro. Precisamos de sua ajuda. largou Timothy, sem maiores delongas.
Amélia mudara. Mudara ali, de forma significativa. Sua expressão antes dócil agora registrava certa bravura escondida sob os seus olhos castanhos, como se uma película protetora de vidro tivesse se despedaçado sobre seu rosto . E essa Amélia era ainda mais bela, pensou Erik.
***
Os três saíram da padaria e foram conversar sob uma grande nogueira, que agora, devido ao ângulo ocidental do sol, fazia uma grande sombra.
E, em algum tempo, tudo fora esclarecido.
Amélia contou sem interrupções (embora Erik tenha pensado ver seus olhos úmidos) suas origens. Sua mãe, Amanita, fazia parte do povo de Salgueiro. Ela lutara na guerra contra o lado industrial. Anos após isso, ela conheceu seu marido, Trevor Scott, um dos principais revolucionários da indústria. Viveram meses um amor proibido, até que Amélia selou a união entre os dois: Amanita estava grávida. Pensando na filha, largou todo seu passado e foi viver ao lado de Trevor. Abriram uma padaria, Amanita mudou seu nome. Tereza e Trevor viveram anos em paz, escondendo seu passado e prosperando um novo futuro com sua filha. Tudo estava bem até então.
Numa noite nada estrelada, um grupo de três homens invadiu a padaria. Trevor havia ido buscar matéria prima para seus produtos, portando Tereza era a única no balcão. Ela os reconheceu assim que entraram no estabelecimento, graças à runa do salgueiro que permanecia tatuada no braço direito de cada um dos homens. Essa runa era representada por um árvore em chamas, que Tereza conhecia muito bem, já que ainda o possuía em seu braço. Os homens fizeram questão de mostrar essa marca que assombrou sua família por tanto tempo, acrescentando as palavras traidora e vadia. Mataram Tereza com diversas apunhaladas. Amélia, que observada tudo em um canto, agora com 7 anos, jurara um dia buscar vingança contra o povo da árvore flamejante.
E está é minha chance. Eu vou. Minha mãe sempre me contou histórias dos costumes e lugares de Salgueiro, posso ser útil. No sótão da padaria, há uma caixa com diversos mapas. Amélia cuspia cada palavra.
Erik assentiu, mas objetou:
Amélia, veja bem. Não sabemos com o que estamos lidando. Todos estarão em alto risco. Não quero por mais ninguém em perigo. Essa missão era inicialmente minh...
Basta, Capitão. Passei os últimos quinze anos da minha vida tendo pesadelos com árvores e punhaladas. Vi o rosto de minha mãe rasgado em diferentes lugares toda noite. Imploro que me levem.
Erik olhou para Tim. O menino assentiu.
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