Clichê. Mas Nunca Igual.
8 Cookie de chocolate
Mal começamos a segunda semana de aula e já teríamos um teste no fim da semana. Hoje ainda era segunda feira. Eu tinha tempo, mas tempo não era meu maior problema. O problema era eu.
Eu tinha algum distúrbio mental que me impedia de prestar atenção em alguma matéria e outro que me impedia de decorar algumas coisas. Não não, preguiça é distúrbio físico, e eu também tenho.
Já que tinha esses problemas, eu reescrevia a matéria pelo menos 20 vezes antes da prova. Dava um trabalhão, mas fora isso eu me daria mal nas matérias e nesse ano eu prestaria vestibular para entrar em um colégio descente para fazer o ensino médio.
Além disso, tinha o ocorrido com o Matt no depósito e também a briga entre meus pais que poderia causar um divorcio.
Acordei do meu transe com o sinal tocando. Sempre tem alguns retardados que saem na troca de professor para ficar chamando a atenção no corredor. Vi uma galera entrando e comecei a dizer o nome mentalmente: E esqueci o nome, garoto esquisito que senta à minha frente, garota do coque no alto da cabeça, Otariano 1, Otariano 2, Matt, Claire.
Claire. Ela estava praticamente pendurada no braço dele e os dois conversavam animadamente sobre algo que eu não podia ouvir pois a musica nos meus fones estava alta.
Assisti à duas aulas torturantes de matemática e fiz um teste pré-prova sobre todos os assuntos que aprendemos no ano passado.
Tá de brincadeira né? Ano passado. E eu nem me lembro do que jantei ontem.
Fiz o teste e entreguei para o professor. Aguardei o horário da saída debruçada em cima da mesa. Devo ter cochilado por cerca de 5 minutos e acordei assustada com o sinal.
Estava no meu armário guardando meus livros e pude ouvir uma conversa a dois armários de distancia:
— Você vai treinar hoje?- era a voz de Claire.
— Sim, desculpa por não te acompanhar até em casa. — agora era Matt que falava. Pera i, acompanhar até em casa? Dei um passo para trás e olhei para os dois. Agora eles estavam abraçados.
Fechei meu armário com um soco e os dois se soltaram em um susto com o estrondo.
Olhei para eles, dei um sorriso falso e disse:
— Patrimônio antigo. Precisa de um empurrãozinho para funcionar.
Todos no corredor olhavam pra mim e eu saí andando em direção ao pátio como se nada tivesse acontecido.
Chutei uma lata de lixo e papeis voaram pra todos os lados. Em seguida ouvi uma apito:
— Senhora Strauss, o que significa isso? — era a voz da professora de educação física.
Me virei na direção dela e dei um sorrisinho amarelo, e ela me advertiu:
— Me acompanhe até a direção.
Legal. Mais uma vez Melanie Strauss se ferra por culpa de Matt Evans. Sim, ele era o culpado. Não era para ele estar agarrado com aquela loira oxigenada. Não eu não estava com ciumes.
Entrei na sala do diretor e ele já havia visto a cena pelas câmeras de segurança. Ele assinou uma detenção e eu fiquei pensando se eu tivesse chutado a cara de Matt ao invés da lata de lixo, a punição seria menor.
Fui até a sala do zelador e ele me deu a tarefa de detenção: organização do depósito. Ótimo, já estava craque em fazer isso.
Fui até o ginásio e o time de basquete estava treinando. Pude ver o olhar de Matt em mim e ele segurou uma risada. Minha vontade era de parar aquele jogo e transformar aquele sorrisinho em lágrimas.
Entrei no depósito, coloquei meu fones, respirei fundo e comecei a organização.
Já estava ali há cerca de meia hora, me empolguei com a musica e comecei a cantar:
— Lights will guide you home, and ignite your bones, and I will try to fix you...
Ouvi aplausos, me virei, era Matt, de novo. Tirei os fones e disse educadamente:
— O que você quer, aborto mal sucedido?
— Calma Melzinha. Estava apenas apreciando o show. Sua voz é linda!
Virei para a estante e continuei a arrumação e disse:
— Cala boca.
— Qual é Mel, eu estou te elogiando. — senti ele segurar o meu braço.
Olhei para trás e disse:
— Eu vou contar até três pra você me soltar!
Ele parecia assustado mas obedeceu minha ordem e depois disse:
— Tudo bem. Não toco em você. Mas me diz. Porque tu me trata assim?
— Assim como? — disse arrumando os troféus em uma estante.
— Você me agride toda vez que me vê. Seja verbalmente ou fisicamente.
— Eu trato todos assim.
— Nunca vi você conversar com alguém que não seja eu ou a Megan.
— Pois é, a Meg é a unica que me atura, e tu tem o prazer de me irritar.
Ele me puxou pra perto e me abraçou. Comecei a lembrar da tarde passada, que passamos no depósito e comecei a tremer de raiva, logo em seguida ele disse:
— Tudo bem Mel. Eu não vou te forçar à nada. Quando estiver pronta, me diz.
Lembrei da Claire agarrada no braço de Matt e a cena dos dois abraçados no corredor. E agora eu estava ali. Eu me sentia um pouco... segura nos braços dele. Por um certo momento esqueci tudo que me atormentava.
Senti ele me soltando do abraço e andando em direção à porta. Segurei ele pela blusa e o abracei por trás dizendo:
— Eu estou pronta.
Ele se virou, me segurou pela cintura e eu passei meus braços no seu pescoço. Ergui meus pés ao máximo para alcançar seus lábios, mas ele me ajudou um pouco abaixando a cabeça. Meu primeiro beijo. ignorei o da tarde passada. Esse sim era o meu primeiro beijo. E depois de alguns segundos pude concluir: meu primeiro beijo tinha gosto de cookie de chocolate.
Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem 3:
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