Clarity

1 Capítulo Único.


Mary não sabia o que estava fazendo e muito menos o que estava pensando, quando deixou seu quarto e atravessou os corredores do castelo em passos rápidos. Estava prestes a cometer uma loucura. E não uma loucura perdoável, como quando Francis lhe dizia coisas absurdas e ela procurava Bash para ouvi-la. Não era uma loucura comum, era algo que a levaria a insanidade total e completa de sua mente.

Sabia que quando chegasse á seu destino poderia encontrar algo que não a agradaria, sabia que poderia perder seu coragem e se ver dar a volta e correr para sua cama. Mas ainda assim, algo dela se remexia inquieto desde a primeira vez que o vira, como se algum tipo de magnetismo ainda não descoberto a puxasse para ele, os ligando.

Respirou fundo e subiu as escadas. Apesar de todos aqueles anos visitando a França, ainda não sabia que locomover bem pelo lugar. Conhecia os cantos que quase ninguém sabia da existência, mas ainda assim, quando se tratava de andar pelos caminhos conhecidos por todos, se sentia perdida.

Ao parar de caminhar encarou a porta á sua frente. Suas mãos gelaram, e ela sentiu uma garotinha, prestes a fazer alguma coisa que a levaria a consequências nada agradáveis. E era como Mary se sentia, no fundo. Estava se tornando uma mulher, uma rainha poderosa e que tinha tudo sob controle. Menos a si mesma.

Fechou uma das mãos em punho e a ergueu em direção a porta. Apertou suas pálpebras e respirou fundo, aquela era a única chance de sair dali e preservar o pouco de juízo que ainda lhe restava.

Não estava ali porque estava totalmente infeliz com Francis, não estava ali porque ele constantemente partia seu coração. Estava ali, porque de algum modo, lhe parecia a coisa certa a fazer.

Não via Bash fazia duas semanas, e quando soube que ele havia voltado, sentia que precisava vê-lo, ainda mais depois de ouvir que na noite anterior, a caçada quase foi mal sucedida e que muitos haviam se machucado na pequena emboscada de ladrões da floresta.

Controlou sua ansiedade durante um dia inteiro, não perguntou nada á Kenna e nem a nenhuma das outras garotas, apenas manteve sua boca fechada até a hora que estivesse pronta para indagá-lo pessoalmente.

Bateu seu punho contra a porta uma única vez, e esperou por uma resposta que viesse lá de dentro. Ouviu os passos de Bash se aproximarem da porta devagar, o ruído minimo de seus sapatos contra o assoalho, a fizeram congelar brevemente.

Abriu seus olhos, virando seu rosto para o corredor, a procura de alguém que pudesse delata-la para Francis.

A voz do futuro marido ecoou em sua cabeça, a fazendo perder o rumo de suas ações por um breve momento.

Pode ficar com qualquer um. Menos com o meu irmão.

– Mary? — Dessa vez foi o tom melodioso de Bash que tomou conta de seus ouvidos. Ela finalmente ouvira a voz dele mais uma vez, depois de tanto tempo. Levantou seus olhos. — O que faz aqui?

O que ela fazia ali? Não poderia ter ido vê-lo em algum outro momento que não fosse no meio da madrugada?

– Kenna comentou sobre a caçada. — Murmurou se recompondo, e passando pelo espaço que Sebastian liberou entre a porta e seu corpo. — Ficamos preocupadas.

Ela havia preocupada, mas não lhe parecia certo falar daquela forma. Afinal, iria se casar com Francis e até onde sabia, Kenna ainda frequentava o quarto de Sebastian na calada da noite.

– Não fomos pegos tão de surpresa assim. — Bash comentou, dando de ombros, enquanto fechava a porta e caminhava até ela. No caminho, pegou uma de suas camisas de linho e passou pelo pescoço. — Era de se esperar.

Mary encarou seu peito brevemente, balançando sua cabeça em negação pelo ato. Subiu seus olhos, e encarou as curiosas esferas verdes que a olhavam com curiosidade.

– Seu pai me pareceu surpreso. — Balbuciou se sentando na cadeira próxima a janela. — Todos pareceram surpresos, na verdade. — Ela sorriu, instigada. — Menos você.

– Pense comigo Mary Stuart. — Bash sorriu, apoiando-se na mesa de madeira de frente para ela. — Quais são as chances de se passar por estradas desconhecidas, e não sofrer um atentado?

– Baixas. — Mary riu, sentindo novamente a leveza que era trocar palavras com o bastardo. — Na verdade, seria impossível não serem assaltados.

Bash concordou ainda sorrindo: — Esse é o ponto.

Mary manteve o sorriso singelo em seus lábios, mas se impediu de olhar vezes demais para o rosto do outro. Se sentia uma traidora só de estar ali.

– O que faz aqui de verdade, Mary? — Ela se conteve ao desejo de olhá-lo. Mas Sebastian manteve seus olhos fixos no rosto da garota. — Kenna poderia lhe contar em detalhes o que aconteceu, então porque veio aqui?

Bash estava certo, Kenna adoraria lhe contar cada pedaço da história, então porque ela estava ali? Por que não desistiu dessa ideia insana de procurá-lo, e não voltou correndo para o único lugar seguro em que podia pensar naquele momento?

– Sinto muito incomodá-lo. — Murmurou, se levantando e sentindo uma pontada de arrependimento e vergonha se mesclar em seu corpo. — Nos vemos amanhã, Bash.

Mas ele não podia deixá-la ir sem saber a verdade. Precisava ouvir de sua boca porque estava ali, por mais que soubesse o motivo, não gostaria de ter mais dúvidas. Gestos não funcionavam mais, ele precisava que ela dissesse.

Quando Mary se preparava para ir, passando por ele, Sebastian enlaçou sua mão no pulso esquerdo da garota, a fazendo estremecer e fechar seus olhos.

Talvez fosse tarde demais para fugir.

– Bash... — Murmurou, sabia o que viria a seguir, sabia que aconteceria o que já aconteceu várias vezes. Não havia como negar a chama que acendia em seu peito quando o via. — Por favor.

– Meu pedido ainda está de pé, Mary. — Disse, seus dedos desceram de encontro á mão da garota, se enrolando nos dela.- Se você me escolher, você será minha família. Sempre vou colocá-la na frente. — Suspirou. — Eu a amo.

Mary sentiu seus olhos arderem. Aquela era a segunda vez que ele lhe dizia aquelas mesmas palavras, e mais uma vez, elas exalavam sentimentos retidos, escondidos.

– Eu sei. — Ela sussurrou, apertando sua mão contra a dele. Iria negá-lo mais uma vez, dizendo que o amava, mas ainda assim voltando para Francis? — Eu também.

– Mas o ama mais, não é? — Sebastian soltou suas mãos, sua voz se tornou levemente enfurecida, ele seria rejeitado pela mulher que ama mais uma vez? — Depois de tudo o que aconteceu, ainda o ama?

Aquela era uma boa pergunta. Depois de todas as coisas, todos os erros, porque ela ainda amava Francis? Além do óbvio e do real, que a lembrava que aquele era seu dever; se casar com Francis e reinar sob a França e Escócia.

Mas porque aquele amor de infância, agia tão forte dentro dela?

Se lembrou da sua época de criança, quando se aventurava no castelo de Henry, e brincava com Francis, tentou ter uma lembrança exata de Bash, mas tudo o que surgia em sua mente era um pequeno flash de uma brincadeira no lago, e de seu primeiro coração partido. Era uma criança quando chorou a primeira vez por Francis, mas se lembrava de como Bash a fizera sentir depois de escutar bobagens que garotos falam quando são jovens demais. Ele a fizera sentir adorável.

– Bash... — Suspirou. — Eu sinto muito.

– Não Mary. — Ele grunhiu, a virando de frente para si. Suas mãos agarram os ombros dela, tentando ser o mais delicado que seu auto controle lhe permitisse ser. — Se você olhar no fundo dos meus olhos e disser que tudo isso é por causa da aliança, eu vou entender. — Ele pausou, deixando que uma de suas mãos tomasse o rosto dela, abandonando seu ombro. — Mas se me disser que o ama, e que não sente o mesmo por mim, eu irei desistir de você.

Ela queria aquilo? Queria que Bash a abandonasse, que não se importasse mais com ela, que simplesmente desistisse? Ela poderia viver com a culpa de não ter lhe confessado o quão grande era seu amor, antes de perdê-lo de vez?

– Não quero que desista de mim. — Mary sussurrou fechando seus olhos, apreciando o toque. — Não quero que me deixe, porque não posso viver mais sem isso. — Colocou sua mão sob a dele, que permanecia em seu rosto, e abriu seus olhos. — Eu o amo Sebastian, não estou pronta para abrir mão de você.

Era exatamente aquilo que ele precisava ouvir para tomá-la em seus braços e a beijá-la arduamente. Prensou seus lábios com força contra os de Mary, e apertou sua cintura fazendo seus corpos se chocarem.

Ele sentia falta de seus beijos, não importava quantas vezes tivesse Kenna em seus braços, nada chegaria aos pés de ter Mary, mesmo que fosse pela metade.

Mary suspirou contra os lábios de Bash, suas mãos indecisas tomaram os fios de seus cabelos entre seus dedos, os acariciando devagar. Ele sorriu contra os lábios dela, a fazendo devolver o sorriso, aquela era a primeira vez que Mary se entregava daquela forma, como se não houvessem mais dúvidas dentro dela.

Bash sentiu os dedos de Mary contra o tecido fino de sua camisa, sua mão espalmada contra seu peito, ele podia sentir a pele quente dela o fazendo desejar que entrasse logo em contato com a sua.

Isso não demorou para acontecer, visto que os dedos inquietos de Mary alcançaram a barra de sua camisa, ultrapassando o fino decido e alcançando, finalmente, sua pele.

Aquela era sua Mary, a garota, a mulher, que sempre tomava suas decisões de acordo com o que sentia. Mary era uma mistura de razão e emoção, andando juntas, uma do lado da outra.

Bash, com o máximo de tranquilidade que pôde, passou suas mãos para as costas de Mary, sentindo o laço de seu vestido entre seus dedos. Ele queria lhe perguntar se ela estava certa do que estava fazendo, se não haviam dúvidas dentro dela, sobre o que sentia por ele. Mas ainda assim, não o fez. O medo de ver Mary se afastando e indo embora, era maior do que qualquer uma de suas dúvidas, ou ao menos era o que ele pensava.

Ao sentir Mary puxar sua camisa para cima, ele afastou seus lábios e a olhou. Ela parecia segura do que estava fazendo, totalmente consciente de seus atos, então porque ele não estava?

Talvez porque não era justo com Francis e Kenna, talvez porque não fosse justo com ele. Poderia ter Mary por uma noite, mas ela nunca seria sua completamente.

– Mary. — Segurou suas mãos com delicadeza, acariciando sua pele com os dedos. — Não podemos.

O que ele estava fazendo? Porque sua razão tinha que falar tão alto, gritando por cima do turbilhão de sentimentos que murmuravam em sua mente. Ele iria afastá-la, mesmo depois de ter dito a si mesmo que doeria vê-la partir?

– Eu o amo Bash. — Mary respondeu voltando suas mãos para a blusa de Sebastian, a erguendo e a passando por seus braços. — Não existem dúvidas para mim nesse momento.

Então era aquilo. Mary finalmente seria sua, e apesar de não parecer haver barreiras, o medo que ele sentia ainda era eminente. Não a queria apenas por uma noite, queria que ela aceitasse ser sua para sempre, queria que ela esquecesse essa maldita aliança e ficasse com ele. Mas isso não lhe parecia possível.

Desfez o nó do vestido de Mary, e o escorregou sob a pele da garota. Era a primeira vez que via o corpo de Mary tão de perto. Ela estava ali, entregue, com a pele arrepiada e totalmente dele.

A puxou delicadamente para a cama, enquanto desfazia o nó de seu espartilho e a assistia retirar agilmente sua calça. Mary era uma garota ainda, uma garota cheia de medos, mas que ainda assim sabia exatamente o que fazer e quando fazer. Seja o que fosse, ela sempre parecia pronta.

Mary sentiu seu corpo ser colocado na cama, observando Sebastian se posicionar lentamente sobre ela. Já havia se deitado com Francis, e apesar da beleza do momento, ela não havia sentido seu coração pulsar contra sua pele, como se sentia naquele momento. Bash era lindo, exatamente como ela imaginara; cada centímetro daquela pele clara parecia ter sido perfeitamente esculpida pelos anjos.

Percebeu que ele se livrara da ultima peça de roupa de ambos, quando sentiu sua pele quente entrar totalmente em contato com a dela. Cada pedaço de pele estava grudado no do outro, não havia espaço para mais nada.

Suspirou ao sentir Bash segurar uma de suas mãos, e com um beijo demorado, a fazer sua.

Uma explosão de cores se expandiu dentro da cabeça de Mary, a fazendo revirar seus olhos e delirar. Aquele momento lhe parecia tão perfeito, que nada mais passava em sua mente. Mesmo seus momentos com Francis não a faziam se sentir daquela forma, tão completa e tão entregue.

Bash podia sentir os braços de Mary se arrastarem na pele de suas costas, o prensando contra ele. Pensou em todas as mulheres que já se deitaram em sua cama, pensou em como elas o faziam sentir, e concluiu que tudo que sentia por Kenna e as outras era um mero desejo, que qualquer outra poderia lhe proporcionar.

Mas então pensou em Mary. A garota que o puxava mais para si a cada instante, pensou em como ela o estava fazendo sentir naquele momento. Ali não existia apenas desejo, mas sim um amor que explodia dentro de cada um deles, e se encontrava em cada mero toque que suas peles davam.

Abriu seus olhos encarando o rosto da mulher que amava tão próximo do dele. Mary ofegava, suas mãos estavam frenéticas, sem saber aonde deviam se agarram.

Bash segurou sua cintura e escondeu seu rosto na curva do pescoço da garota, suspirando e respirando aquele cheiro adocicado que emanava da pele de sua amada.

Mary apertou seus ombros e ouviu grunhir, e depois de um espasmo, relaxar dentro dela. Podia sentir sua pele pulsar esquentando-se a cada momento mais. Aquela era uma sensação única e tão esperada por ambos, que ela não sabia como reagir em seguida.

Observou Bash levantar seu rosto sorrindo, antes de juntar seus lábios em um breve selinho. O rosto de Bash estava suado, assim como imaginou que o seu também estaria. Seus olhos ardiam e se tornavam cada vez mais pesados, ela estava cansada, mas a última coisa que queria era se levantar daquela cama e passar o resto da noite sozinha.

– Posso ficar aqui essa noite?

Bash sorriu balançando a cabeça enquanto jogava seu corpo para o lado, e a aconchegava em seu peito. Mary passou suas mãos sob os músculos suados do rapaz, sentindo o coração dele palpitar contra sua mão.

– Pode ficar aqui para sempre.

Mary sorriu, erguendo sua cabeça e tocando seus lábios nos dele mais uma vez. Talvez, se as coisas fossem mais fáceis, pudesse ficar para sempre. E pela primeira vez em muito tempo, desejou que as coisas fossem diferentes e que pudesse se entregar por completo á Sebastian.

Olhou para o rosto do rapaz mais uma vez, o assistindo fechar seus olhos levemente e com um sorriso nos lábios Mary se aconchegou em seu peito, escondendo seu rosto na curva do pescoço dele, adormecendo por completo.

Notas finais
Gente, eu tô desde ás 13:00 escrevendo esse capítulo çlaalslaska :O tipo assim, escrevi, apaguei, escrevi e apaguei de novo G-GAnyway, eu amo esse casal, por isso considerem essa one um delirio meu e só alsaçslaçd mas eu espero que vocês gostem, de coração! Porque assim, eu amei escrever ♥ ♥Me contem o que acharam!Love ya ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!