Arregalei os olhos para Melanie que tinha o telefone sem fio estendido para mim.

O que eu ia fazer? Eu estava fudida!

Melanie me chamou de mamãe e provavelmente Thea ouviu, provavelmente Thea não deixou passar isso despercebido.

O que eu ia fazer?

— Não vai atender mamãe? — Melanie insiste sacudindo o telefone e batendo a perninha

— Claro, querida — tento esconder meu nervosismo e pego — A-Alô? — gaguejo mordendo o lábio.

— Felicity? — escuto a voz de Thea emocionado do outro lado da linha e meus olhos enchem de lágrimas. — Oh meu Deus! Eu nem acredito! Que saudade!

— Oi Thea! — suspiro — Quanto tempo — sorrio.

— Muito!

— Não quero ser indelicada, mas como conseguiu esse número? — encaro minha filha que não está mais prestando atenção em mim e sim no filme

— Lissy, sei que quando se mudou cortou laços com todos aqui. Até com seus pais... — suspirou — Me desculpa, mas eu roubei a conta telefônica da sua mãe da caixa de correio e vi as chamadas realizadas para esse número.

— Minha mãe vai surtar quando souber — sorri imaginando

— Vai sim — deu uma risadinha — Mas eu te liguei para dizer que meu irmão não vai assinar o divórcio, sua mãe saiu da casa dele ainda pouco. Ele disse que não tem quem o faça assinar.

— Thea, já faz quase 7 anos que fui embora, porque ele quer continuar preso a mim? — falei baixinho encarando Melanie que continuava sem prestar atenção em mim.

— Não sei — suspirou — Sei que ele te ama. Sempre te amou, Lissy

— Não ama não, nunca amou. Faz quase 7 anos que vim embora e ele nunca veio atrás de mim.

— Foi sim Lissy, ele foi — falou com pesar — Ele rodou Ivy Town inteira atrás de você e não te encontrou.

— Eu não acredito. — claro que isso era mentira. Quem não me encontraria na Palmer Tech, ele sabia onde eu trabalharia e onde eu estudaria. Ele era orgulhoso demais para dar o braço a torcer e sair da “zona de conforto” — Se ligou para falar dele, podemos parar por aqui. — falei dura me levantando e indo para o meu quarto.

— Não! Espera! Desculpa! — falou com cautela — Posso te fazer uma pergunta?

— Pode.

— Essa menina, que te chamou de mamãe, é minha sobrinha?

Fudeu! Fudeu mesmo! Fudeu tudo! Se Thea descobrisse ela iria contar ao irmão, o irmão dela viria atrás de mim com certeza. Pegariam a guarda da minha filha... Mas se bem que com a condição financeira que ele tinha, eu iria ganhar a causa. Mas ainda assim ele teria algum direito paterno, e eu não quero isso. Então tomei a atitude mais infantil e idiota do mundo.

— Não! — e desliguei o telefone na cara dela.

Antes de me mudar pata Ivy Town eu tive uma briga feia com o meu pai. Ele disse que se eu fosse era pra esquecer que sou filha de Noah Kuttler Smoak. Não esqueci que sou filha dele, claro que não, mas não falo com ele desde então. No início eu até ligava, e ele se recusava a falar comigo. Então eu parei. Cortei relações com todos os meus amigos de lá, a única pessoa que mantive por perto foi minha mãe. Essa sempre me apoiou e sempre me ajudou em tudo. Se sou forte hoje, é por causa dela. É essa mesma força eu quero passar para a minha filha.

Sentei na cama olhando o nada, ele não ia me dar o divórcio. Isso era um fato. Então só me restava uma alternativa, eu ir pedir pessoalmente.

(...)

Olhei minha filha dormir tranquila em seu quarto, me debrucei sobre ela e dei-lhe um beijo na testa. Como é possível toda a sua vida, todo o seu mundo se resumir a um único ser humano? Eu morreria lutando por ela, mesmo que isso leve todas as minhas forças.

Assustei-me com o barulho da campainha tocando e corri para atender já sabendo quem era.

Ray estava impecável com uma camisa preta de botões e uma calça jeans. Seu sorriso alargou ao ver que eu estava apenas com roupa de dormir.

— Oi amor! — ele falou se inclinando e me dando um beijo cheio de desejo.

— Oi, Ray — sorri. Eu não conseguia chamá-lo de “amor”, não saia. Eu amava Ray, mas quando eu o chamava de amor outra pessoa vinha na minha mente. Então eu parei de chamá-lo assim. — Porque me ligou dizendo que vinha? Quer dizer... Não que eu não tenha gostado. Eu gostei sim, muito. Mas eu não esperava e já está bem tarde. Melanie demorou pra dormir... Ficou cantando Moana o tempo todo e eu não tava, mas com paciência e... E eu vou para de falar agora. — ele apenas sorriu

— Eu vim comemorar nosso noivado. – estendeu um vinho

— Um Petrus 62? Isso é muito caro.

— Nem fez cócegas na minha conta bancária — sorriu e fiz careta — Não vai me deixar entrar? — arqueou a sobrancelha e só então eu percebi que ainda estávamos na porta.

— Desculpa, Ray. Eu to um pouco aérea hoje. — falei dando espaço pra ele entrar e fechando a porta logo em seguida

— Não tem problema, amor. Direcionar uma empresa e cuidar da casa não é fácil. — sentou no sofá e colocou a garrafa na mesa de centro — Já falei pra contratar uma empregada — me puxou para o seu colo

— Não vou pagar alguém pra fazer algo que eu mesma posso fazer.

— Tudo bem — começou a beijar meu pescoço me fazendo arrepiar — Desisto.

— Ray... — fechei os olhos sentindo seu toque

— Hmmm

— Preciso te contar algo e pedir também.

Eu precisava ir a Starling City, e também precisava arrumar alguém que ficasse com a Melanie por dois dias. Sei que ela odiava o Ray, mas que alternativa eu tinha? Sara e Laurel estavam viajando, e eu não tinha mais ninguém em Ivy Town. Ray era o mais próximo de família que eu tinha, e logo estaríamos casados.

— O que você quiser — falou descendo a boca para o meu busto e apertando um seio por cima da blusa

— Ray, foca aqui só um pouquinho? — pedi erguendo o rosto dele para me encarar

— Desculpa — suspirou — Fala.

— Meu pai ficou doente — menti — Preciso viajar para vê-lo

— Amor, o que aconteceu? — falou com preocupação.

— Princípio de infarto — falei a primeira coisa que veio na mente — Uma amiga minha de anos me ligou para contar

— E você quer folga para vê-lo? — sorriu — Tudo bem! — e voltou a dar atenção para o meu pescoço.

— Não Ray, não é isso que ia te pedir — ergui seu rosto de novo e ele me olhou esperando — Preciso que fique com Melanie por dois dias, ela não pode ir comigo

— Você tá maluca? — ele me soltou no sofá e levantou

— Oi?

— Quer dizer... Amor, ela não gosta de mim. — coçou a nuca — Isso vai fazer bem a ela?

— Ray, nós vamos nos casar — levantei — Ela tem que se acostumar com você. E ela sua sobrinha, Rachel, elas podem brincar e vai ser bem rápido. Só preciso ver meu pai e voltar.

— Por mim tudo bem, amor — sorriu — Posso levá-la todos os dias pra casa do Sydney, mas ela gosta dela – franziu o cenho

— Não – sorri – Mas gosta muito menos de você – envolvi meus braços em seu pescoço — Obrigada, Ray – o beijei — Você não sabe o quanto fico aliviada por ela estar com quem se importa com ela

— Você não quer levá-la por causa do pai dela não é? — se sentou novamente e acomodei ao seu lado. Esqueci que o QI do Ray é alto.

— Não, não quero que as pessoas a vejam e conte pra ele.

— E você vai encontrá-lo? — perguntou e engoli em seco

— Não, — menti — vou desembarcar em Starling City, ir ao hospital, passar a noite com meu pai e na manhã seguinte estarei pegando o primeiro voo de volta para você, amor — forcei um sorriso. Eu odiava mentir para Ray.

— Então tudo bem. — me beijou — Só falta saber se a bela adormecida vai topar.

— Ela não tem querer Ray. — ele assentiu e subiu em mim já se livrando da minha blusa e abocanhando meu peito, soltei um gemido alto e ele tapou a minha boca para que não acordasse Melanie.

Nos amamos ali mesmo no sofá, e eu só conseguia pensar em uma pessoa. Loiro, de olhos azuis, musculoso e marrento.

Ele era o meu inferno, com certeza!

(...)

Acordei com o choro de Melanie ecoando pelo apartamento, olhei para o lado e Ray dormia tranquilamente, me levantei da cama e corri para ver o que estava acontecendo.

— Filha... — deitei ao seu lado na sua caminha e a coloquei deitada no meu peito.

— Eu tive um sonho ruim — falou baixinho entre o choro

— Fala pra mamãe o que foi.

— Eu... Eu... — soluçou — Sonhei que você ia embora pla semple e me deixava aqui com o Ray. Plomete mamãe que não vai me deixar nunca? — respirei fundo. Melanie nunca que iria aceitar passar um final de semana com o Ray.

— Ooo minha Cebolinha, a mamãe vai viajar — me sentei com ela e a coloquei de frente para mim — E eu preciso que você fique aqui com o Ray sábado e domingo.

— Não — chorou

— Amor, Ray vai te levar para ver Rachel, você não gosta dela?

— Sim, mas só gosto quando você vai junto. E eu também não gosto de Sydney, só da Rachel. Eu não quero mamãe.

Minha filha odiava toda a linhagem de homens Palmer. Eu não podia deixar ela aqui. Ela iria sofrer e eu nunca me perdoaria.

— Amor...

— Não mamãe, por favor, eu nunca te pedi nada — juntou as mãos como se tivesse rezando

— Nunca me pediu nada? — sorri — Tem certeza?

— Mamãe, não me deixa aqui sozinha.

Aquele pedido e aquele olhar acabaram comigo. Eu nunca ia deixar a minha filha. O jeito era deixar ela bem escondida dentro de um quarto de hotel, fazer o traste assinar o divórcio e depois voltar correndo para Ray.

Meu coração dizia que isso era uma péssima ideia, que tudo ia dar errado. Mas eu precisava me livrar de vez do meu passado para poder construir meu futuro ao lado do homem que eu amo.

Notas finais
Disse que ia ser só na segunda né? Mas ai esta!! Não consigo ser má com vocês, Babys ♥ Me digam... O que acharam? Respondam o que vocês acham: 1- Oliver foi mesmo atras dela ou ele só inventou para a família que foi? 2- Se ele foi, porque será que não encontrou? 3- Qual será a reação do pai da Felicity ao descobrir que a filha mentiu sobre a Melanie pra ele? 4- Vocês acham que a Laurel tem que aparecer namorando o Tommy, ou eles devem se conhecer quando ela e Sara foram atrás da Felicity em Starling? (sim, elas vão dar apoio a amiga lá) Comentem por favor. Preciso da opinião de vocês para continuar. Próximo cap tem Felicity desembarcando em Starling City, tem Donna, tem Noah. E depois, no Cap 5, teremos o MEU Oliver ♥ Comenteeeeeem!