Circus
1 Prólogo
Notas iniciais
Esse é o prólogo da minha história, é mais pra introduzir os leitores aos acontecimentos antes da trama principal que vai se desenrolar pelos próximos capítulos.
Leiam e fiquem a vontade para fazer quaisquer tipos de comentários!
Obrigada e até mais ;)
Estávamos na tenda secundária para finalizarmos os ensaios e os aquecimentos quando Ivan entrou as pressas.
“Está lotado!” ele disse emocionado “A maior plateia que já presenciei em toda minha vida!” seu forte sotaque russo fazia-se presente mesmo após décadas entre os norte-americanos.
Não convencida de suas palavras, Susan, uma de nossas bailarinas – a mais talentosa de todas, diga-se de passagem – dirigiu-se ao canto da tenda que permitia acesso ao palco circular no centro da plateia para dar uma espiada. A cortina azul envergou-se com o pequeno puxão que ela deu, fazendo com que Ivan semicerrasse os seus pequenos olhos amarelados.
“Puxa ele não está brincando” disse ela admirada “Bem que me disseram que o povinho dessa cidade estava precisando de animação”.
Revirei os olhos diante daquele comentário.
“Jane!” gritou Ivan fazendo com que eu desse um pulo. Ainda não estava acostumada com seus berros repentinos. Acho que é alguma mania de russa... “Quero que vá até lá fora entreter o público com alguns malabarismos enquanto as meninas terminam o aquecimento”.
“Sim, senhor” andei em direção ao espelho mais próximo para checar minha maquiagem e roupas pela milionésima vez essa noite. Estava tudo perfeito. Peguei meus bastões recentemente pintados de dourado para combinar melhor com meu traje tom de vinho. “Meagan” virei-me para a principal de nossas contorcionistas “Por que não vem comigo? Seu número é um dos últimos”.
Meagan olhou hesitante na direção de mestre Ivan, que assistia a cena atentamente e concordou com um leve aceno de cabeça.
Meg tinha pouco mais de quinze anos e estava no circo desde criança, junto com sua mãe e seu irmão. Porém, era a primeira vez que se apresentaria, pois seu treinamento havia acabado de terminar.
Seus cabelos loiros de um tom que muito se assemelhava ao meu estavam brilhantes e presos para o lado em volumosos cachos.
Os meus por sua vez estavam presos em um coque no alto da cabeça. Como meu principal número envolvia atirar bastões em chamas de um lado para o outro, não era exatamente recomendável que eles ficassem soltos por questões básicas de segurança.
“Está pronta?” perguntei confiante.
“Não tenho certeza” ela respondeu com os olhos irradiando medo e ansiedade “Acho que vou vomitar” e então levou as mãos à boca em um gesto dramático.
“Ei” eu disse em um tom tranquilizador enquanto apertava seu ombro gentilmente “Não se preocupe. Eu vi do que você é capaz nos ensaios. Você é a melhor contorcionista desse circo! Não tem com o que se preocupar” Ela parecia mais confiante depois de meu típico discurso tranquilizador para iniciantes “Então. Vamos nessa?”.
Ela respirou fundo antes de responder:
“Vamos botar pra quebrar”.
- — -
O número fora um grande espetáculo de abertura! Conseguimos entreter o público por mais de meia hora até que Ivan nos avisasse de que as bailarinas estavam prontas para entrar em cena.
“Vocês estavam magníficas!” disse Adam ao nos encontrar ao lado de fora atrás da tenda principal enquanto tomávamos um ar.
“Obrigada” disse enquanto ia ao seu encontro para que pudesse me abraçar e girar comigo pelos ares como era de costume.
Adam era o irmão de Meg e também, meu melhor amigo.
Ele não se apresentava como eu e Meagan.
Ao todo, nosso circo era constituído de vinte pessoas, entre elas estavam Ivan (nosso apresentador e maestro); Susan, Jenine e Addie (três de nossas bailarinas); Meg e Jasper (dois de nossos contorcionistas); eu e Ramírez (os únicos malabaristas); Ned (um de nossos palhaços); Carlos (nosso mágico) e Carla (sua ajudante) e, por último mas não menos importante, Adam, que cuidava da iluminação e dos efeitos especiais (como fogos de artifício e fumaça) juntamente com outros três rapazes.
Pode soar egoísta e imprudente o fato de que eu não me lembrar de vários de nossos integrantes, mas já faz tanto tempo que seria inútil mesmo que ainda pudesse citá-los.
Os minutos voaram e quando nos demos conta já estava na hora do encerramento.
O encerramento era, de longe, o número mais difícil, porém divertido de ensaiarmos. Tudo isso porque era o único número no qual estávamos todos reunidos, cada qual com sua especialidade.
Além disso, era simplesmente mágico ouvir as gargalhadas das crianças e os aplausos de toda a plateia, que às vezes até levantava para nos elogiar.
Estávamos todos lá, cada um dando o melhor de ci quanto de repente Janine caiu em cima de Ramírez ao dar uma última pirueta mal sucedida, o que não teria sido problema algum se eu não tivesse acabado de arremessar um bastão em chamas para ele.
A última coisa da qual me lembro são os gritos.
Eles vinham de todos os lados e direcionavam-se á todos os lados.
A última cena que me marcou foram os olhos de Adam que irradiavam pavor e então tudo foi engolido pelas labaredas de uma chama cintilante e alaranjada.
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