Manobrar para desviar de caixões, as vezes odeio a minha profissão, pensou a capitã da espaçonave.

"Há muito tempo o homem sonhou em ficar junto as estrelas, se misturando com os astros para sempre. Agora isso finalmente é possível. Envie seu caixão para o espaço e dê um belíssimo descanso final para seu ente querido, imortalizado-o em meio as estrelas."

Esta parecia uma ótima ideia algumas décadas atrás e até solucionou o problema dos cemitérios sem espaço para os corpos. Claro que existia a cremação, mas algumas pessoas não viam com bons olhos virar cinzas, preferiam manter o corpo físico mesmo que não precisassem mais dele. Logo, despachar o caixão para o espaço se tornou algo bem atrativo, afinal, quem não gostaria de passar a eternidade flutuando?

O único problema era que ninguém pensou no que poderia acontecer quando esses caixões se acumulassem em uma área, ninguém pensou que o cinturão de asteróides poderia ser replicado como um cinturão de caixões.

— Ae galera preciso de ajuda aqui depois. Estamos chegando perto dos caixões — a capitã gritou pelo microfone, — chequem a carga, se não estiver bem presa vai sobrar pra vocês limparem e vai sobrar pra mim também, vou levar comida de rabo.

A nave era composta por um tripulação pequena e transportava frascos que continham fragrâncias capturadas por toda galáxia.Vários cheiros exóticos, bons e ruins em uma única ala, se um deles quebrasse, a bagunça e o prejuízo seriam enormes.

Após alguns minutos, a tripulação apareceu na cabine de pilotagem e um a um anunciaram que estavam prontos depois de tomaram seus lugares. Alguns estavam nas armas, outros monitorando a nave e outros o espaço.

Normalmente a capitã pilotava sozinha, mas em casos especiais como esse, toda ajuda era bem vinda.

— Certo... Preparar as armas... Potência total... Não se esqueçam que é para desintegrar apenas em último caso. Vamos manter o respeito pelas pessoas que aqui descansam — a capitã anunciava enquanto mexia nos controles.

— Olhar para todos esses caixões vagando pelo universo... Isso te faz pensar no sentido da vida — Allan comentou.

— Deixa para filosofar depois que sairmos daqui. Estamos entrando no cinturão.

E com isso, a nave começou a chacoalhar. Bateram em um caixão, xingamentos foram ouvidos, a nave continuava inteira e adentrando o espaço perigoso. Tudo balançava conforme a nave era jogada para os lados.

Precisaram usar algumas vezes o raio desintegrador, e ao passarem da metade do percurso, um corpo flutuava, provavelmente proveniente de um dos primeiros caixões que não eram tão bem selados.

— Parece que não tiveram tanto respeito por ele — Agatha comentou rindo.

A capitã apenas rolou os olhos.

Enfim conseguiram sair da zona do cinturão, voltaram para o espaço profundo e seguiram seu curso, rumo ao Mercado Segunda Dimensão.

Notas finais
Perdão pelos erros de português.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!