Cinquenta Tons de Tristeza
9 Vazia...
Notas iniciais
Ér...Pode sim. Ele diz, bom quando eu pensei em me desculpar, eu não pensei que teria que me desculpar tão cedo assim.
Sento-me ao lado dele e começo a comer. Eu não quero pedir desculpas por que ao fazer isso é a mesma coisa que admitir que eu estava errada, ou estou, sei lá. E esse silêncio que se instalou aqui está começando a ficar estranho, mas para minha felicidade ou não ele começa a falar.
Cadê a Kelly, vocês sempre estão juntas?
Eu estava com ela até agora pouco, mas ela precisava buscar alguma coisa na casa dela, e eu precisava tomar café da manhã, então ela me deixou aqui e depois eu vou pegar um táxi para ir pra escola, e ela vai para a casa dela e de lá vai pra escola.
Você quer uma carona?
Pode ser. Eu to começando a me sentir culpada, então decido que esse é o momento em que eu devo pedir desculpas. Eu... Eu fui muito grosseira no sábado e queria pedir desculpas. Eu digo encolhendo os ombros.
Eu aceito as desculpas se você sair comigo no sábado. Diz ele meio que perguntando, meio que afirmando, sei lá. Será que ele não entende que eu não quero relacionamento, bom talvez eu possa virar amiga dele.
E para onde você me levaria?
Não iria se chamar surpresa se eu te contasse.
Ah então é uma surpresa?
Eu espero que sim.
Bom como você me ofereceu uma carona, e eu não tenho vergonha de abusar da bondade dos mais jovens, vamos para a escola?
Vamos. Diz ele se levantando.
Eu o sigo para fora da cafeteria, e nós andamos até a parte lateral da cafeteria onde fica o estacionamento. Ele abre a porta do banco de passageiro de uma Hillux prata, e eu entro, ele da a volta no carro e se senta no banco de motorista.
Você não vai abusar da gente mais nova. Eu obviamente sou mais velho que você.
Não é não, você nem sabe quantos anos eu tenho. Mas quantos anos você tem?
Dezoito. E você?
Você fez dezoito esse ano? Pergunto ignorando sua pergunta.
É, em fevereiro. Ele me joga um olhar confuso, e me irrita que ele esteja tirando os olhos da estrada enquanto dirige.
Presta atenção na estrada. Ele me olha um pouco, mas volta a olhar para a estrada, e eu vou terminar minha explicação. Falta menos de um mês para eu fazer dezenove. Sendo assim eu sou mais velha.
Só alguns meses, nem vai ser abuso. Ele diz com um sorriso safado demais para o meu gosto.
Tanto faz é só uma carona mesmo.
É o que veremos Lia Hertness.
Volto a minha atenção para o caminho, fico feliz por ver que já estamos entrando no estacionamento da escola. Sento-me ereta e começo a colocar a bolsa no ombro.
Não sai do carro. Ele manda, ele está mandando em min? Como assim?
Eu vou abrir a porta pra você. Ele diz e sai do carro, da a volta e abre a porta, e começamos a caminhar em direção aos portões da escola.
Isso é uma nova forma do cavalheirismo?
O que posso dizer, sou Inglês, o cavalheirismo esta no sangue.
Você é Inglês? Eu pergunto totalmente desacreditando do que ele disse.
Sou.
Mas você nem tem sotaque.
Meu pai e meu tio, o pai do Robert, eles precisaram se mudar para os Estados Unidos por causa dos negócios, eu tinha apenas dois anos. O meu sotaque é totalmente americano, mas minha educação e totalmente Inglesa.
Entendi você é primo do namorado da Phoebe?
Sou, e isso que você fez não foi legal.
O que eu fiz?
Na verdade não é só você, as garotas, todas elas ficam intitulando os caras como se fossem objetos pessoais, ele tem nome Lia, é feio ficar intitulado como se fosse algo de alguém.
E os garotos nem ficam nos comparando a comida e animais como se fosse algo bom. Digo fazendo uma cara sinica.
Eu nunca fiz isso.
Vai dizer que você nunca disse ou ouviu alguém chamar uma garota de vaca, ou galinha, ou filé?
Já ouvi garotos xingarem algumas garotas. Mas isso nunca deve ter acontecido com você. Mais da metade do time fica falando de você no vestuário, mas eles parecem ter um pouco de medo de você.
É obvio que já me xingaram. Eu já fui até cabritinha. E rio do apelido idiota.
Cabritinha? Sério? E cai na gargalhada.
Entro na sala, é uma sala comum, paredes brancas, balcões de granito e na frente de cada um tem dois bancos com pernas altas. Direciono-me para uma mesa no fundo da sala.
Na mesa da frente em que eu vou me sentar estão Teddy e Kelly, e eles estão com um olhar tão quero foder, se bem que eles não fodem, fazem amor, a reprodução entre um homen, uma mulher, e uma camisinha. Eles são tão estranhamente românticos que da até vontade de vomitar.
Oi casal! Grito assustando os dois.
Bom dia. Responde Teddy, ele é estranhamente formal às vezes.
Dia de merda pra você Teddy. Digo sorrindo pra ele e revirando os olhos. Dou um beijinho na bochecha de Kelly e sento-me atrás deles.
Alex se senta ao meu lado, se a escola é chata imagina com esse garoto que não para de falar sentado aqui.
Lia me empresta seu caderno? Pergunta Kelly, eu nem trago caderno pra escola. Olho para o Teddy e ele está conversando com Alex.
Eu não trago caderno para a escola Kelly.
Como assim não traz caderno pra escola?
Eu trouxe no primeiro dia, mas ai eu não escrevo mesmo. Só algumas anotações no Tablet, você sabe para as provas.
Nesse momento o professor entra na sala de aula e eu faço sinal para a Kelly olhar pra frente já que ele é um saco.
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Compro para o almoço um pedaço de lasanha quatro queijos e 600 ml. De Coca-Cola. Vou para a mesa e sento ao lado de Heath.
Gata, fiquei sabendo que você pegou uma carona com o gostoso do Alex.
Pois é, e ele me chamou pra sair sábado.
Você aceitou?
Eu desassuntei.
Fala sério Lia, você ta na seca há um tempão, ele é todo gostoso, deve ser bem dotado. É pênis para a noite toda.
Fala sério Heath, ninguém tem pique para um pênis a noite, ainda mais se ele for bem dotado. digo e começamos a rir.
Do que vocês estão rindo? Pergunta Alex que acabou de chegar à mesa.
Nada não. digo e lanço um olhar cúmplice para Heath, que abre um sorriso demoníaco.
Oi maninha. Olho para trás e vejo Lian em pé atrás de min, ele está totalmente de preto a não ser pelo bico de seus sapatos sociais que são prata. Os cabelos estão arrumados pra cima. E para variar tem duas garota abraçadas a ele.
Oi Lian.
Eu só vim avisar para você que eu vou dar uma saidinha e já volto. ele diz e as meninas dão umas risadinhas bobas.
Vai, mas vê se volta inteiro. Digo me referindo ao fato dele estar indo para algum lugar com duas garotas.
Ele me lança um sorriso, e uma piscadinha e sai andando.
Esse é o primeiro dia de aula do seu irmão? Pergunta Heath.
É. E ele já está com aquelas garotas.
Ele é muito tarado.
Meu telefone começa a tocar.
Srta. Hertness.
Lia, sou eu baby.
Oi mãe. Eu digo desanimada.
Não marca nada pra fazer amanha de manhã, eu marquei alguns exames pra você.
Tá, é exame pra que mesmo?
Só de rotina Lia, nada demais. Achei muito estranha essa história de exame de rotina se eu fiz isso a menos de dois meses, mas eu não vou falar nada.
Ta mãe, eu vou terminar de almoçar.
Tá até mais tarde borboletinha.
Thau mamãe. E é sempre assim, eu não consigo ficar com raiva dela por muito tempo, eu nunca consigo.
Termino de comer em silêncio, e quando o sino toca, eu vou andando para a área das piscinas da escola, mas quando eu vou entrar no vestuário atrás de Kelly o instrutor me para.
Srta. Hertness você está liberada das minhas aulas por hoje, pois o vice-diretor gostaria de conversar com você. Ele te espera na sala dele.
Está bem. Com licença.
Vou andando lentamente até a área dos funcionários da escola. Paro em frente a sala do vice-direto respiro fundo, o que será que eu fiz agora?
Dou duas batidinhas na porta.
Entre.
Abro a porta, entro e fecho ela atrás de min, e fico parada sem saber o que fazer.
Sente-se Srta. Hertness.
Claro. Digo e sento-me de frente para ele.
Você sabe por que está aqui? Eu balanço a cabeça negando.
Bom, não precisa ficar com medo, as broncas são com a diretora, e você não fez nada de errado, ou pelo menos ainda não foi descoberta.
É, então por que eu estou aqui mesmo?
Reparei que nas suas atividades extracurriculares você só colocou natação, mas você nem sequer entra na água.
É por que eu não sei nadar.
Então, por que você não fica algum tempo na aula de natação, para aprender a nadar, e depois vai para a turma de piano?
Pode ser. Eu posso sair da turma de natação e ficar na de balé e piano?
Claro, mas o importante é que você vá para as aulas e faça as tarefas, ok?
Ok. É só isso?
Claro por hoje você pode ir para casa, mas amaná você depois do almoço vai para a sala de balé e depois de piano.
Claro. Levanto-me da cadeira, saio da sala, ligo para um dos seguranças que estão cuidado da casa e peço para ele vir me buscar.
Sento em um banco próximo a entrada da escola esperando ele chegar.
Meu celular toca, número desconhecido, hum vou atender.
Srta. Hertness.
Sua putinha arrogante, está pensando que nós esquecemos de você?
Você sua puta intrometida enfiou seu nariz onde não devia e nos entregou para a polícia, mas agora eu tenho uma coisa grande para enfiar em você, e você vai sofrer. E a sua amiguinha loira gostosa também. Começo a chorar e jogo o celular na parede. Meu Deus nunca vão me deixar em paz? Eu não coloquei meu nariz onde não devia de propósito. Eu só queria fugir, eu só queria me salvar.
Começo a chorar descontroladamente. De repente eu sinto alguém tocar meu ombro e dou um pulo de susto. Olho para trás e vejo que é um dos seguranças, ele me levanta e me coloca no colo como uma criança pequena, ele me coloca no banco de trás do carro.
Ouço-o falando com alguém no celular dele, mas estou assustada demais para me mexer, quando eu pensei que o inferno tinha acabado, ele está tão presente como sempre na minha vida. Está apenas escondido, brincando comigo com a minha mente, com meu juízo.
Sinto o carro parar, me sinto ser carregada pra fora, e eu estou aqui, enrolada, agarrada a uma bolsa.
Sou apenas uma garota vazia que sofre constantemente. Um nada. Um quarto vazio e escuro. Apenas infelicidade, pura infelicidade.
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