Cinderella

2 Fadas não andam armadas


— Vamos sortear de novo.- Aomine olhava para o vento quando falou/ ordenou.

— Não, eu gostei do meu personagem. Quero ficar com ele.- Seijuro sorriu minimamente enquanto segurava o papel que havia pego. Agora que havia decidido que ficaria com aquele, não havia nada que o faria voltar atrás. Sacudindo a cabeça positivamente do seu lado estava Murasakibara e Kise.

— O meu é a irmã dela. Qual é o de vocês? Por que parando pra pensar o único papel realmente bom foi o do príncipe.- Midorima lamentava o fato de ganho um dos piores.

— Eu fiquei como umas das irmãs da Cinderella.- Kise disse o papel que faria com os olhos brilhando de orgulho. Não que esse fosse o melhor.

— O rato.- Não ligando muito para a grande ironia, Atsushi pegou um pirulito da mochila e colocou na boca.

— Fada Madrinha.- O adolescente de olhos heterocromáticos apenas contou, seu papel era um dos melhores, não havia por que sentir vergonha ou algo assim.

— Um demônio como uma fada, que ironia né?- Sussurrou Daiki para o loiro, que em resposta apenas deu uma risadinha marota.

O citado ruivo, que infelizmente havia escutado, se virou na direção do piadista:

— E o seu, Daiki, qual é?-

O moreno, que não queria morrer cedo, o entregou o papel e abaixou a cabeça.

Seijuro olhou o papel e um sorriso irônico apareceu no rosto. — Você dará uma ‘ótima’ madrasta.- O zombou.

— Vamos trocar.- Ainda não desistindo, Aomine pediu.- O Tetsu quer trocar não quer, Tetsu?- Olhou para o amigo, que até agora estava calado. — Tetsu?-

Tetsuya olhava para a rua, focado em nada específico. O pequeno papel com o nome do personagem que interpretaria balançava ao vento, para logo ser amassado pelas mãos do azulado.

Um resmungo foi ouvido vindo de Satsuki. — Por que eu tenho que ser o príncipe? Tantos papéis melhores para uma garota.- reclamou em um sussurro que foi ouvido somente ouvido por Kise.

— Espera, — o loiro começou – se eu e o Midorimachi ficamos como irmãs da Cinderella, Akashicchi como a fada madrinha, Murasakibaracchi como o ratinho, Aominecchi como a madrasta e a Momoi-san como o príncipe, isso quer dizer que …..- lançou o raciocínio no ar para que os outros o entendesse.

— Kuro-chin ….-

— Vai ser ….-

— A Cinderella?!- No mesmo momento, todos gritaram atraindo a atenção de algumas pessoas que passavam na rua, voltando do trabalho ou colégio.

Kuroko, sem dizer meia palavra, se afastou dos amigos com o intuito de ir para casa. — Kurokocchi! Volta!- Kise gritou para o amigo com o melhor tom manhoso que conseguia fazer – Não quer ser a Cinderella? Podemos trocar! Só por favor, atua com a gente!-

Assim como, se o azulado entrasse em algo os outros entrariam também, caso ele saísse, os demais já davam adeus.

Tetsuya parou no meio do caminho, virou-se para os amigos e abaixou a cabeça, olhando para os pés.

— Onde – começou num sussurro – vamos achar um sapato de cristal número 37?- perguntou aumentando o tom de voz aflito.

Kise, que quase estava em prantos pela partida do amigo, parou no lugar e o encarou: — Que?-

— Tetsuya, VOCÊ ficou como Cinderella?! Serio?- Akashi pronunciou logo depois do loiro. Como assim seu namorado ia vestir um vestido? Ou melhor, pior, trapos? Nunca ia confessar em voz alta, mas já o imaginou de vestido, por pura curiosidade. Ele realmente ficava bonito em sua imaginação.

Kuroko levantou a cabeça e entregou o papel que ganhou no sorteio ao namorado, que pegou e leu para todos: — Cinderella.-

Sim, o fantasma não estava brincando.

Aomine se aproximou do ruivo e também olhou o papel; ainda desacreditado com o quão cruel o destino podia ser com o menor.

— Kise.- o moreno chamou o loiro.- Cinderella? Com dois L’s? Sério? Pra que isso?-

Ryota abriu um largo sorriso – Pra ficar mais chique sabe? Tipo aqueles filmes britânicos cheios de letras bonitas e sem utilidade.- coçou a cabeça com a mão direita.

— Isso ficou gay, nada contra Tetsu.-

— Não ficou, não.-

E assim começou a pequena discussão do ‘Ficou’ e ‘Não ficou’ sobre o nome.

Satsuki, que havia entrado em uma pequena reflexão sobre sua existência, se recompôs e chamou Seijuro.

— Vamos trocar.- declarou lhe entregando o pequeno pedaço.

Para o garoto de olhos heterocromáticos era tentadora a ideia de atuar um final feliz com Kuroko. Seria uma boa maneira de mostrar para seu pai o namorado, já que nesse mês mesmo iam completar 3 anos de namoro oficial; não o de mãozinha dada. Porém a garota realmente queria fazer o príncipe. Ele teria outras chances de incluir o azulado na família, nem que pra isso tenha que fugir do país e se casarem no estrangeiro.

— Fica com ele.- a rosada levantou a cabeça rapidamente – O personagem.- Momoi soltou um pequeno sorriso, tanto pelo constrangimento tanto pela ação do colega.- Com uma condição: Você não vai beijar ele. Meu namorado ainda é, e sempre será meu.- terminou ciumento.

Em resposta, Momoi sacudiu a cabeça positivamente.

Agora era oficial, divariam de vestidos cor-de-rosa.

~.~.~

O dia começou cedo para todos, principalmente por causa da aula as 08:30, maldita aula de manhã. Tudo o que queriam fazer era voltar para casa, fazer as atividades deixadas e cair mortos na cama depois do jantar. Mas tinham essa opção? Sim, mas não hoje, graças a um certo modelo.

— Por que estamos aqui mesmo?- perguntou Shintarou.

Localizados em meio a multidão do centro, a geração dos milagres faziam as compras de o que usariam na peça. Principalmente as roupas. Momoi, que tinha ido para ajudar com uma opinião mais feminina, tirava fotos a todo momento, chegava até parecer uma paparazzi.

— Roupas.- cantarolou Kise enquanto olhava pras vitrines. — Viemos fazer compras de roupas, já esqueceram?-

— Com que dinheiro?- questionou Atsushi. — Esqueceu da minha condição financeira? Está igual as notas do Minechin, zero.-

O moreno concordou com a cabeça. — Pera, que?-

— Pra comprar doce, você é a riqueza em pessoa.- sussurrou Midorima. — Mas falando sério, com que dinheiro?-

— Gente, como assim minhas notas?-

— Eu pago!- disse o loiro revirando os olhos.

— Tá nadando em dinheiro.- Disse Aomine.- Vou abusar hoje.-

A garota deu um tapa no maior. — Nem pense.-

Seijuro saiu andando na frente de todos, dizendo que queria terminar ainda hoje o compromisso. Os outros, que conversavam entre si o seguiram, entrando em uma loja de fantasias.

~.~.~

— Sinto muito senhor, mas não temos seu tamanho.- a atendente se desculpou olhando para cima.

Murasakibara resmungou baixinho.

— Nada?- para garantir, perguntou mais uma vez.

— Temos uma tiara com as orelhas do Mickey. — a mulher ofereceu-lhe.

O gigante arroxeado suspirou desanimado. — Não vai ajudar.-

~.~.~

— Certeza que não tem?- Shintarou ajeitou os óculos no rosto.

— Os vestidos das lojas são para mulheres.- O olhou de cima a baixo com desdém.- Não para homens.-

Não era seu dia de sorte. Se bem que com amigos como o dele, nenhum dia ele realmente tinha sorte.

~.~.~

Akashi pegou um vestido da arara e colocou na frente do corpo. — Também quero usar um.- Era um dos poucos momentos que ele mostrava seu lado gay.

— Você vai usar uma roupa de bruxa.- Falou Kise enquanto entregava um vestido azul-claro, o típico da Cinderella, a Kuroko que estava dentro de um dos provadores da loja.

— Mas posso ou não usar um vestido?-

— Você vai usar uma túnica longa preta com capa e um chapéu com purpurina. Mais mágico e fadística que isso impossível!-

~.~.~

O final do dia chegou e com ele o fim das cansativas compras. Apesar de terem passado em todas as lojas possíveis, dos sete adolescentes, três acharam suas roupas.

— Amanhã nem que Kami apareça na minha frente e me peça, eu não saio.- Resmungou Aomine.- Tetsu, depois me passa as matérias, vou faltar. Quem achou o que precisa?-

Kuroko, Akashi e Momoi levantaram a mão.

— Kuro-chin, o seu não era a Cinderella?-

— Hai, achei o vestido de baile, o de empregada eu pegou uma camisola de alguma mulher da minha família.- disse calmamente.

Os vestidos das lojas são para mulheres, disse a atendente. Bem, se é assim, por que ele achou um, hein?” Midorima amaldiçoou mentalmente a vendedora que o faria sair novamente outro dia.

— Akashicchi, você não alugou um vestido, alugou?- Ryota o perguntou.

O ruivo negou com a cabeça e mexeu na sacola que carregava, tirando dela uma waikisashi* de 30 cm com bainha.

— Porque você comprou isso?! Ou melhor, como deixaram isso na sua vista?!?- Em resposta, Akashi apenas balançou os ombros, como se não soubesse ou não se importasse com o porquê.

— A questão é, só três de nós acharam as fantasias.- Midorima começou.

— Não, a questão é como puderam vender algo assim pro Akashi! Não possuem noção do perigo!- Berrou Daiki, entrando em pânico.

— As roupas são todas femininas, nenhuma vai entrar na gente, se entrar vai ser difícil de tirar.- Shintarou continuou pensando, ignorando as falsas investidas de um ruivo armado em seus escandalosos amigos, que corriam de um lado para o outro, como se isso fosse salvá-los. — Alguém sabe costurar?-

— Eu sei!- Momoi gritou, levantando as mãos em alegria.

— Alguém, além dela, sabe costurar?- o esverdeado se corrigiu, deixando claro sua aversão a amiga. Se na cozinha ela, se bobeasse, queimava água, imagina costurando. Não devemos julgar um livro pela capa, dizia os antigos filósofos, mas no caso de Satsuki Momoi, a assassina doméstica, devemos julgar sim.

A rosada fechou a cara – Por que não confiam em mim? Eu costurava com a minha avó.-

Costurava.- Atsushi destacou a palavra.

Kise, que cansou de ser perseguido por Akashi, abandonou o moreno e juntou-se a conversa. — Tudo bem, você costura meu vestido, do Aominecchi e do Midorimacchi. Resolvido? Okay, vamos para casa antes que aconteça um homicídio aqui.- Finalizou já indo embora. Kise, por ter se juntado mais tarde ao grupo, não sabia das péssimas habilidades da garota na prática, e sim na teoria, então vai que seus amigos estejam exagerando? Daria um voto de confiança a garota. Só um.