Cinderella

12 Consequências


E Cinderela e a Fada Madrinha viveram felizes para sempre.

— Não!– Satsuki gritou do nada, no horário do intervalo. Por mais que os outros buscassem a ignorar, apenas continuando a lanchar, quando a negação vinda da rosada aumentara, ficou impossível.

— Momochin, o que é?– o gigante foi o primeiro a comentar enquanto abria mais um salgadinho.

— Tudo culpa do Shintarou!– ela apontou pro esverdeado, um certo deja-vú passando por sua cabeça em questão de segundos. – A irmã dele foi entregar o vídeo da peça na minha casa hoje de manhã, e quem recebeu? Minha mãe! Eu tava no banho ela assistiu tudo, descobriu que eu fugi.– agarrou o cabelo solto. – Agora tô com um castigo maior que o antigo. – começou a reclamar, por se importando se a ouviam.

Daiki se aproximou de Ryota, sussurrando – Eu que não faço o OGRSAUC de novo. – e ele riu, continuou a falar mesmo assim. – Trabalhar – fez aspas com os dedos. – com o Akashi é uma merda, ele não ajudou em nada.

— Gravou.– o gigante completou, colocando mais salgadinhos na boca.
Rindo, Kise decidiu comentar, alto para todos escutarem. – Kurokocchi decidiu ter uma crise de pânico antes da peça. – contou entre risos que escapavam. – Ele ficou branco igual cera de vela.

— Onde estão os dois agora?– Midorima perguntou, o objeto de sorte do dia (um lindo laço colorido) na cabeça.

O moreno escorou em Momoi. — Juntos, ainda tem dúvida?– ele ergueu a sobrancelha, sorrindo maldoso. – Desde quando aquele ruivo endemoniado falta alguma aula? Tem dedo do Tetsu nisso, óbvio, né?

A rosada afastou o maior de si, suspirando exasperadamente. – Que merda, eu não coloquei câmera! Quase morri nas mãos da minha mãe, piorei meu castigo, e agora perdi a limonada.– contou nos dedos todas as desgraças que aconteceram desde o início daquela maluquice.

Ryota levantou a mão, pedindo a atenção de todos, principalmente da azarada.– Eu não deixei nenhuma fantasia por perto, acha que isso ajuda em algo?– perguntou, a inocência estampada na face, mas a menina sabendo bem o que ele sugeriu. Isso que era ser rápida ao captar as ideias.

E começaram a conversar, entre ‘Isso não ajuda nada!’ e ‘Eles não tem freio’ os outros perdidos, mas pouco se importando com o rumo que aquilo tomaria.

Ficaram em silêncio, só a fofoca rolando até o telefone de Murasakibara tocar. O gigante pegou o aparelho, atendendo a ligação ainda de boca cheia.

— Aka–chin…?

~.~.~

O azulado espirrou, tirando a atenção do namorado do celular e o fazendo rir da maneira que ele acordou. – Tudo bem?

Ele gemeu enquanto se movia na espaçosa cama. – To cansado e acho que gripei.– murmurou enterrando o rosto no travesseiro, Seijuro o cobriu com uma coberta e acariciou os cabelos rebeldes.

— Atsushi, Tetsuya gripou.– ele voltou a falar no celular, escutando os outros reclamar ao fundo. – Apresentarei a justificativa da nossa falta, pode me passar o que perdemos depois?– esperou a resposta do arroxeado, tendo a mão tirada a força do carinho pelo menor.

Kuroko se ajeitou na cama, sussurrando – Tudo culpa sua e dessa janela aberta.

— Sim, até mais.– o ruivo desligou, sorrindo e puxando-o para perto, – Ainda tá com fome?– sim, ele tinha um monte de outras coisas para falar, mas preferiu a que também se relacionava a ele. – Vamos para a sala de jantar.

Ele encarou os olhos azuis, sérios, e riu. – Vou te bater.

— Não faça isso, a menos que queira repetir.– ergueu a sobrancelha. – Quer?

E não pode deixar de rir da cara extremamente fofa, mas irritada, do menor.

~.~.~

Quando desligou o celular, Murasakibara encarou a rosada e o loiro que esperavam ansiosamente pela resposta, ou ao menos alguma notícia que batesse com suas ideias. – Sim.– ele suspirou, escutando a comemoração de ambos e levantando para ir embora.

— Ei! Isso me lembra de uma coisa!– Ryota berrou do nada, também se levantando e começando a dar pulos de alegria. – Vai ter um baile de formatura pro terceiranistas de um outro colégio, quem quer vir?– sugeriu apoiando-se em Midorima.

Flashback. Foi isso que se passou na mente de todos.

A dificuldade de arranjar as roupas – que no final foram muito bem-feitas por Momoi – e o mico em usá-las em frente a escola toda, e mais alguns convidados.

A complicação com o cenário, e todo o dinheiro gasto que não seria retornado jamais.

O problema da falta de tempo para decorar as frases, que nem foram usadas. Tudo na base da improvisação.

O castigo, e o maravilhoso sequestro que poderia ter resultado na vizinhança chamar a polícia.

E a pressão, não esquecendo dela.

— E então, Kise, vamos conversar.– Shintarou foi o primeiro a se pronunciar, batendo de leve no lugar vazio ao lado. – Repensemos isso tudo.– engoliu seco, determinado a mudar a ideia do outro.

O grupo se calou, esperando que um milagre os tirasse daquele lugar, daquela situação. E o milagre veio, o sinal do final do intervalo tocou, praticamente os mandando voltar para sala.

— Loira, chega aqui.– antes de todos irem embora Daiki o chamou, segurando seu ombro. – Parece ser uma boa ideia – começou, respirando fundo. – mas não viaja, tudo tem seus limites, e o nosso nessas coisas já deu.

Deus salve o moreno por dizer o que queriam.

— Na próxima Kise-chin. Na próxima.

— Na próxima quer dizer nunca. Nunca é jamais novamente.

Momoi sorriu sem graça. – Assim, é um baile, não uma peça.– comentou. – Talvez daqui dois anos? Quando nos formarmos?

Andavam para a aula cabisbaixos, tendo somente o copista sorrindo e girando em volta do grupo. – Decidido, quando nos formarmos a gente faz O baile. Acham que o Akashicchi deixaria ser na mansão dele? Se pedirmos ao Kurokocchi ele consegue convencer ele, certeza.

Akashi e Kuroko não concordariam, e claramente a alegria do loiro duraria pouco, ao menos até o dia seguinte.

— Momochin, o que diabos que você fez?

Ela suspirou, jogando a franja para trás. – Planejei nossa dor de cabeça pra dois anos, de nada. Eu acho.

— Gente,– antes de entrarem na sala ele chamou, sorrindo abertamente. – depois da aula vamos no Maji’s Burguer?

Notas finais
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