Cigana
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Cigana
Capitulo 14
Um silêncio pesado recaiu por todo o salão. Sendo quebrado somente pela gargalhada dela que ecoou tão profundamente e alta, que foi capaz de abalar até mesmo aos espíritos adormecidos do castelo. Nadja se divertia com tudo o que acontecia a sua volta. E não poderia ser diferente, tendo dois reinos aos seus pés, ela sentia-se poderosa.
_Amigo ou cunhado, não irei tolerar que me toque novamente, Felix! – a advertência soara baixa e gutural, quase como a um rosnado através dos lábios do rei Edward. Os guardas pessoais do rei se posicionaram em defesa de seu soberano a espera, quando a voz idosa e grossa do grande rei Volturi se fez pronunciar acima das risadas escandalosas da cigana.
_Como rei soberano, exijo respeito e ordem na minha corte. Rei Cullen, vieste até minha corte para tirar-me a paz e o sossego? – sem esperar pela resposta, o grande rei Volturi, já em pé e apoiado por um guarda pessoal voltou-se para o filho.
_Príncipe Felix! Isto não são modos de receber visita tão ilustre. Não se esqueça que diante de nós encontra-se nosso aliado e futuro marido de minha doce filha, sua irmã. Contenha seus ânimos, pois que hoje ainda é um dia para rir e brincar. Quero que todos se sentem a minha mesa!
Felix, sentindo um misto de vergonha e raiva, pois fora repreendido na frente de toda a corte, com um movimento brusco afastou-se do rei Edward e tomou para si a mão pequena da cigana a conduzindo com ele de volta para o seu assento. Nadja olhava com atenção desmedida para o imponente rei Edward que permanecia em pé com seus guardas e, somente minutos depois, ele se dirigiu até um lugar vago na mesa, próximo ao grande rei e se acomodou, reto e orgulhoso. Mas seus olhos, que faiscavam chamas verdes, dela não desgrudaram, nem no momento em que ela foi colocada sentada nas pernas do príncipe herdeiro.
_Assim é melhor! – a voz do grande rei saíra tremida. Seu rosto enrugado, semelhante a um maracujá velho e murcho, voltou-se para a cigana que sorria feliz. Um desenho estranho se formou na face daquele velho rei, pois ele sorria também:_Minha filha, dê-me a felicidade de vê-la dançar novamente.
Nadja, com a facilidade de uma gata, saltou das pernas rígidas do príncipe e reverenciou ao velho rei o máximo que sua elasticidade permitia e falando quase cantando:_Grande rei, dançarei com imensa alegria!
Os dedos ágeis dela se enfiaram por entre as dobras de suas saias e de lá retiraram a duas castanholas. O som cresceu lentamente acompanhado do gingar das ancas redondas de Nadja que ganhou a todo o espaço livre do salão de festas com seus movimentos livre. Ela rodopiava e balançava as pernas bem feitas. Em um momento de sua coreografia, ela ergueu as barras de suas saias e mostrou de forma libertina as coxas redondas e bem feitas. O sorriso do velho rei ampliou-se no rosto cinzento e dentes podres e amarelados foram vistos. Ele se deleitava ao ver a bela mulher que gingava pelo chão de seu salão com as castanholas nas mãos. Os cabelos dela, macios esvoaçavam tanto quanto os panos de suas saias, ela atraia a atenção de todos com sua dança, se impondo acima do bem e do mal. Acima das desavenças, distribuindo sensualidade com seu corpo e mel com a sua língua. Sim, era a mulher perfeita.
A mente do idoso o levou para tempos antigos e prazerosos, enquanto seus olhos não perdiam a um gesto, mínimo que fosse da dança cigana. Quando as castanholas silenciaram-se ele aplaudiu, forte e vigorosamente.
_Perfeita! Merece receber teu peso em ouro, minha pequena, mas somente uma rainha poderia ter mimo assim, tão grandioso...
Nadja sentia seu peito subindo e descendo rapidamente e se aproximou lascivamente do trono do velho rei com os seus dentes brancos e perfeitos a mostra, mas quando ela falou, sua voz estava firme e rouca:_Então, faça de mim tua rainha e me dê o que eu mereço!
A mão enrugada do rei tocou de leve o queixo erguido com atrevimento da cigana.
_És ambiciosa, tanto quanto és bela, criança.!Mas que o pulso firme do homem que eu fui de outrora ha muito já me deixou. Tens um futuro grandioso, se souber equilibrar seu senso de liberdade...
O grande rei riu de forma cavernosa e sinalizou para que Nadja se sentasse próximo dele. Depois ergueu sua taça de vinho:_Brindemos hoje ao riso e a felicidade, deixemos para amanhã as preocupações, saúde!
_Saúde! – em uma única voz todos saudaram, até mesmo o carrancudo rei Edward, que reconheceu a sabedoria do velho rei com aquele ato tão simples que fora capaz de apaziguar a tormenta que ele trouxe para dentro do salão. A comida servida foi reforçada e a musica tocou. Nadja ainda encantou a todos um pouco mais com sua beleza e seu gingado. Por volta já da meia noite, o velho rei chamou em seus aposentos, o rei Edward. Este quando adentrou nos aposentos reais não se surpreendeu por lá encontrar o príncipe herdeiro, mas surpreendeu-se por vê-la entre eles tão intima.
_Meu amigo, nossos laços vão muito além do hoje, a união do meu reino, assim como a amizade que formei com tua família começou com teu avô. Sempre sonhei com o dia em que poderíamos unir nossos laços com um matrimonio entre nossas casas.
Edward, em respeito ao velho rei, apenas ouvia.
_Este dia chegará logo e, espero estar vivo até lá...
_Meu pai..
_Não Felix! Estou velho, sinto que minhas carnes se desprendem de meus ossos e somente a pele, velha e enrugada, não permite que eu despenque no chão. A cada novo dia, me pergunto se é uma maldição ou uma benção ainda esta vivo...
_Toda a vida é uma benção, soberano! – Nadja pronunciou-se, atraindo a atenção do contemplativo grande rei.
_E, assim mesmo, criança, tiras-te uma e com riqueza de crueldade pelo o que ouvi de tua boca. – não era uma recriminação e soou com um tom de divertimento na voz fanhosa do rei Volturi.
_Esteban foi um tropeço da natureza. Eu apenas corrigi isto! No mais, suas carnes podres adubaram a terra a fortificando. Ao final, eu fiz mesmo um grande beneficio a natureza....
_Sim, mas sugiro que contenha este seu dom benevolente no futuro. Ele está causando transtornos ao rei Cullen, filha.
_Não era meu desejo trazer preocupações ao meu rei, ainda mais as vésperas de seu casamento. Apenas que me defendi...
Edward que até aquele momento segurara sua ira, acabou por explodir ao ouvir a suavidade nas palavras de Nadja.:_Se de fato estás a assumir aquele crime, por certo sabes que terei que puni-la! E com todos os demônios, precisava mesmo arrancar os bagos do homem e socá-los goela abaixo?
Nadja, que se encontrava aos pés do grande rei, olhou de forma cândida para Edward.: _Esteban estava se pavoneando muito por ser tão dotado que sentiu desejos de experimentar a si mesmo....
_Brincas?! – Edward não se continha de espanto.
_Por certo que sim, pois o imbecil morreu do jeito que pediu, lenta e dolorosamente e, é bom que todos os reinos saibam que fui EU a conceder-lhe esta graça! Que todos os homens saibam que não se deve brutalizar nenhuma mulher ou tomar a força aquilo que não lhes pertence!
A ira no corpo de Nadja cresceu e ela ergueu-se com os punhos cerrados. Os olhos de Edward viam a figura pequena da mulher valente resplandecer a sua frente.
_Ele a brutalizou?
_Muito mais no meu orgulho, do que no meu corpo.
_Que ele queime nas chamas do inferno, então.
Eles olhavam-se com intensidade.
_Eu sinto muito que tenha passado por esta afronta, Isabella.
_Estou viva e Esteban morto, isto já me basta...
_Não para mim. A sua gente pede sangue em frente aos meus portões, eu darei o que eles tanto desejam. Se existe alguém que tenha algum apreço para ti, fale agora e talvez eu seja misericordioso com esta pessoa.
Depois Edward voltou-se para o velho rei que acompanhava a tudo em profundo silencio.
_Meu aliado, a luz da verdade abriu-me os olhos. Devo pedir vossa licença e partir imediatamente.
_Posso enviar-lhe alguns bons soldados....
_Obrigado pela oferta, mas meu contingente irá garantir a vitoria desta batalha.
_Eu irei com você, meu rei!
Nadja falou e no mesmo instante sentiu os dedos de Felix em seu braço.:_O sabes que não precisa ir, Isabella!
Com um gesto rápido ela se livrou dos dedos do príncipe e sem dar-lhe a benevolência de um olhar caminhou até o rei Cullen.
_Vou quando quero, não preciso da autorização de ninguém. Não ouse me controlar príncipe.
_Iria também, mas que meu pai solicita minha presença no reino. – havia tristeza na voz do príncipe e cerca de quase trinta minutos depois, Nadja estava sentada agarrada bem firmemente nas costas firmes do rei Cullen que impusera máxima velocidade em sua montaria. Ela sorria abertamente, o brilho de seus dentes rivalizavam com o brilho da lua e seus cabelos esvoaçam livres ao vento suave da noite.
_Podias ter me mandado a uma missiva....todo este mau entendido se teria desfeito de imediato.
_Não sou mulher para cartas escritas. – ela embrenhou seus dedos ágeis por debaixo da túnica de Edward e com um suspiro tremido sentiu o calor do peito firme dele.:_No mais estava sendo educada com o rei que me acolheu com tanta gentileza...
_Claro, eu que fosse as favas por certo!
Não resistindo, ela gravou suas unhas na pele dele e mordeu as costas tensas, para depois sorrir vitoriosa com o urro que brotou do peito de Edward e escapou pela boca entreaberta.
_Por certo, eu deveria jogá-la em uma cela escura a trancafiando longe de tudo e de todos....és muito perigosa...!
_Assim o achas de fato?
_Com todas as minhas fibras......és pequena e ardilosa, ainda vai me levar a loucura...
Ela gargalhou feliz.
_De tantas coisas que eu gostaria de fazer-lhe, a loucura seria a ultima.
_Não, seria a conseqüência somente!
Em meio as gargalhadas, ela manifestou seu descontentamento, pois ainda não havia ganhado dele o mimo desejado.
_Lhe darei boas palmadas neste teu traseiro, é o que merece.
_Só, se o beijar depois. Se assim o for, tenha a certeza de que eu o empinarei bem abaixo de tuas fuças.
Edward não mais resistindo, puxou a rédea de seu cavalo diminuindo a velocidade e com extrema agilidade ele passou Nadja para a frente de seu corpo. Ela sentou de frente para o peito dele e deixou que seus cabelos fossem agarrados com firmeza. Ansiosa e com os lábios entreabertos, ela esperou pelo beijo que veio feroz e molhado. Depois, Nadja passou suas pernas a circularem a cintura de Edward e aconchegou-se no peito dele feliz....pois ela sabia que ele a desejava intensamente.
Pouco tempo depois, um alarde vindo dos muros do palácio chamou a atenção da pequena companhia do rei Edward que voltava, apressando ainda mais o cavalgar dos cavalos. Eles adentraram os muros da cidade e rapidamente passaram pelos portões do palácio. Havia tochas acessas e passos rápidos, alguns a correr e outros a chorar. O rei Edward deu ordem de comando.
_O que se passa neste palácio, onde está meu capitão da guarda?
Um soldado trêmulo se apresentou.
_Meu rei, nosso capitão está no encalço do cigano que invadiu o palácio real.
_Com todos os demônios, desgraçados! Rápido, quais foram os danos?
_Nada ele roubou, a não ser a vida de sua noiva, a princesa Irina.
continua....
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