Cidade do Pôr do Sol
1 Prólogo
Era manhã quando, como de costume, cheguei para amarrar minha armadilha na taboca. Eu não lembro de muitas coisas sobre esse dia, mas lembro da felicidade estampada no rosto daquela menina quando a vi chegando ofegante:
— Olha o tamanho do peixe que eu peguei na minha! — disse sorrindo e empunhando uma tilápia enorme.
A Ana era minha vizinha desde... sempre? Crescemos juntos, desde bebês. Nossas mães eram grandes amigas, e inclusive seu nome era uma homenagem a minha avó, já que por motivos óbvios não poderia ser dado a mim, e a doença impediu a minha mãe de ter mais filhos.
— Nossa, que gigante! Você tem sempre muita sorte nas suas armadilhas... As minhas nunca pegam nada...
— E tem como? Você poe no meio da moita! Como que os bicho chega aí? Põe mais pr'aqui, ó! -Disse ela, apontando para o lugar onde sempre colocava.
— Não vai montar hoje não? -Indaguei.
— Não... hoje eu vou deixar pra você. Vamos preparar o peixe? Meu pai vai ficar doido da vida quando ver!
E correu feliz, rumo a sua casa.
A Ana sempre foi surpreendente. E eu sempre queria tê-la por perto.
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