Cidade das Sombras
24 Reencontro.
Notas iniciais
Londres — 1878.
— Como eles estão Magnus?!
Magnus tinha os dedos brilhantes pressionados contra a testa de Jace, havia examinado Jem e percebeu que este estava em um estado deplorável, tinha um corte profundo em sua cabeça, sua perna estava quebrada e dobrada num angulo esquisito, havia iratzes desenhadas em seu pescoço e isso ajudara a estancar o sangue do corte, mas o garoto precisava urgentemente de yin fen, ou não viveria por muito tempo.
Jace por outro lado também estava horrível, tinha três costelas quebradas, seu ombro estava deslocado, uma estaca de madeira havia perfurado sua perna, havia perdido muito sangue e também tinha um galo horrível na testa.
Magnus soltou um suspiro cansado, tudo isso era sua culpa, por ter mandado-os para lá, precisava achar logo Alec e os demais e leva-los de volta para o futuro.
— Precisamos leva-los para o instituto e rápido!
— Mas como vamos leva-los? — Perguntou Tessa ansiosa.
Magnus olhou para os lados procurando por algo em que pudesse carregar os dois garotos desacordados. Seus olhos pararam na carruagem destruída, um sorriso se formou em seus lábios e com um bater de palmas a carruagem começou a se consertar.
Tessa observava tudo pasma.
— Magnus admito, você está se superando cada vez mais.
— Não sou o Alto Bruxo do Blooklyn atoa!
Tessa revirou os olhos.
— Tudo bem mas quem vai puxar a carruagem? — Perguntou com uma sobrancelha arqueada.
— Estava pensando em você!
— Magnus!
— Estou brincando Tessa! — Disse o bruxo rindo.
Tessa bufou e olhou ao redor, mais abaixo perto de uma pedra grande havia cercas de madeira.
— Magnus olhe, cercas, sabe o que isso quer dizer? — Perguntou animada.
— Que você escapou de puxar a carruagem?
— Idiota! Que deve ter cavalos por lá!
— Bem pensado!
Tessa ficou com os garotos e Magnus começou a descer em direção ao cercado, quando lá chegou ficou impressionado, Tessa havia acertado, havia cavalos por lá, belos cavalos por sinal. Escolheu um belo puro sangue negro e se dirigiu até onde Tessa se encontrava.
Colocaram os garotos desacordados dentro da carruagem e Tessa foi com eles, Magnus fez as vezes de cocheiro e começou a leva-los para o instituto.
Quando finalmente chegaram, Magnus teve um belo susto. O instituto estava em chamas!
* * *
— Alec não seja teimoso, você não está bem! Deixa que nós o ajudemos! — Dizia Clary preocupada.
Estavam voltando para o instituto, Will estava sendo amparado por Magnus, ou melhor carregado, já que o garoto parecia não ter mais forças para nada. Gideon ia na frente com a mão na bainha de sua espada, pronto para saca-la ao menor sinal de perigo.
Tessa ajudava Magnus com Will, a preocupação da garota era visível, estava na cara que Will não estava bem, embora ele dissesse o contrário.
Alec e Clary estavam logo atras de Magnus, Will e Tessa. Clary estava preocupada, Alec não parecia estar muito bem, parecia tonto e embora tentasse esconder podia ver que o caçador tremia. Suas bochechas estavam vermelhas e seus olhos brilhantes. Tocou a testa do rapaz e levou um susto.
— Alec! Você está ardendo em febre!
Gabriel que vinha logo atras e cobria as costas do grupo, olhou curioso para Alec.
— Eu estou bem Clary. Nada com o que deva-se preocupar.
— Como não?! Você não está bem!
Magnus que estava com Will amparado em si, fez um gesto para que Gideon se aproximasse, entregando o Herondale semi-acordado para ele, se aproximou de Alec. Colocou a mão na testa do rapaz e constatou o porque da preocupação da ruiva, o garoto realmente estava febril.
— Alec me deixe ver seu machucado. — Disse o bruxo.
Alec, exitou, não porque não confiava no bruxo, pelo contrário, confiava até demais, mas porque sabia que se ele visse seu ferimento iria constatar que a iratze quase não surtira efeito. Não queria dar mais um motivo de preocupação, já não bastasse Will naquele estado, Jace e Jem desaparecidos, ainda terem que lidar com ele não iria ser fácil.
— Não precisa eu estou bem, isso é a iratze que aumenta o calor corporal.
Magnus o olhou desconfiado, mas não retrucou, se aproximou de Gideon e tomou Will de volta em seu ombro. Continuaram seguindo até virem por cima de algumas casas uma densa fumaça.
— Aconteceu alguma coisa, aquela é a direção do instituto! — Disse Gideon alarmado. A preocupação tomou conta do jovem caçador, afinal sua preciosa Sophie estava lá!
Apertaram o passo e rapidamente chegaram lá e o que viram não era nada bonito. O instituto estava em chamas.
Will que parecia ter despertado finalmente olhava meio tonto para o prédio em chamas, pelo jeito não sobrara nada, todos os andares estavam queimando. Prendeu a respiração, Charlotte e os outros estavam lá! Viu um vulto passar correndo por si e quando se deu conta percebeu que era Alec.
— Alec! Onde você vai? Não pode entrar ai! Está tudo em chamas! — Gritou Clary.
— Minha irmã está lá! Izzy está lá, tenho que acha-la! — Gritou o garoto fora de si.
— Alec! Gabriel, Gideon! Por favor segurem-no!
Gabriel e Gideon correram em direção do rapaz, cada um segurava um de seus braços enquanto ele se debatia.
— Me soltem! Tenho que achar minha irmã! — Gritou o rapaz.
— Alec! Me escuta! Você acha que Izzy ficaria ali esperando ser queimada viva? Pelo Anjo Alec! Sua irmã é uma excelente caçadora, deve ter conseguido sair! E Simon também estava com ela! Eles não ficariam ali esperando o fim!
Ao ouvir o que Clary disse Alec pareceu se acalmar, Clary tinha razão, Isabelle era muito independente e até mesmo Simon não seria tolo o suficiente para ficar esperando queimar vivo.
Tessa sentia as lagrimas escorrerem por seu rosto, mas não tinha animo algum para limpa-las, o instituto estava destruído, aquela que era sua segunda casa não passava de um monte de chamas agora.
Will se sentia sufocar, seu lar fora destruído, Jem estava desaparecido, sua vida não tinha mais sentido, em questão de minutos havia perdido tudo de uma única vez! Sua vida estava naquele lugar, era seu lar, mesmo que fizesse da vida das pessoas que ali moravam um inferno, aquele era seu lar, Henry, Jessamine e Charlotte eram sua família, assim como Jem e agora Tessa. Caiu de joelhos se sentindo derrotado, onde estariam Charlotte e os outros? Estariam bem?
— Charlotte! — Gritou o garoto desesperado olhando para os lados.
— Will! É você? — Perguntou uma voz embargada, que ele conhecia tão bem.
Olhou para atras e de uma carruagem ao qual ele nem havia notado em seu desespero, saiu uma bela mulher morena, com lindos cabelos castanho brilhantes, olhos escuros e cheios de saudades. Prendeu o ar com força quando a reconheceu. Não podia ser!
— Tessa?! — Perguntou incrédulo.
— Will! Não acredito que estou te vendo outra vez! — Balbuciou a garota.
Tessa se sentia divida, seu coração sangrava por ver Will de novo, a dor da perda nuca fora completamente superada, agora estava ali, vendo-o outra vez, estava dividida entre a alegria de vê-lo e a tristeza de saber que o perderia outra vez.
— Tessa?! Como isso é possível? — Perguntou Will olhando incrédulo de uma Tessa para outra.
A Tessa do passado olhava para sua versão do futuro sem reação, o tempo lhe faria bem, havia ficado linda, coisa que ela não julgava se capaz nunca, mas também havia uma tristeza em sua olhar e uma saudade quando olhava para Will que lhe partiam o coração.
Tessa do futuro não respondeu, correu em direção ao jovem caçador e o abraçou apertado, um abraço que transmitia toda a saudade que sentia, todo o amor que sentia por ele, toda a angustia de não te-lo mais ao seu lado.
— Tessa! Controle-se!
Todos viraram-se em direção a segunda voz que saia da carruagem, não acreditaram quando viram quem era.
— Desculpe-me Magnus! Eu não consegui me conter. — Disse Tessa se afastando de um Will paralisado.
— Sei bem o que quer dizer. — Disse o bruxo num suspiro.
— Magnus? — Perguntou Alec num fio de voz.
Magnus olhou rapidamente em direção ao instituto em chamas e viu Alec perto da entrada, o garoto o olhava incrédulo.
— Alexander!
Sem dizer mais nenhuma palavra Alec correu e se jogou nos braços do bruxo. Enterrou a cabeça em seu ombro e não conseguiu se segurar, as lagrimas desciam livres por seu rosto enquanto apertava mais ainda o abraço, lagrimas de exaustão, de saudade, de frustração, de amor. Alec havia chagado ao seu limite, viu seu parabatai quase morrer, sua irmã estava desaparecida, assim como Jace, não conseguia mais se conter, Magnus era seu porto seguro, seu lar, se sentia em casa quando estava em seus braços.
Magnus deixou uma lagrima solitária escorrer por seu rosto, como sentira falta de Alec! Os dias que ficaram separados pareceram anos para ele, sentia a angustia se dissipar e no lugar dela uma onda de felicidade e alívio o preenchia. Alec estava bem, estava de volta ao lugar onde pertencia, seus braços! Se afastou um pouco do caçador e segurou seu rosto entre as mãos, olhou em seus olhos e viu a mesma saudade e o mesmo amor que sentia, aproximou seus lábios e o beijou sofregamente, um beijo apaixonado, um beijo necessitado, como se quisessem provar a si mesmos que aquilo era real, que realmente estavam juntos de novo.
Gideon e Gabriel olhavam a cena embasbacados, duas Tessas? Dois Magnus? E um caçador beijando um bruxo? O que estaria acontecendo ali?
O Magnus do passado olhava estático o beijo entre o jovem caçador e seu eu do futuro, sabia pela primeira vez que havia visto Alec, que ele era alguém especial, mas nunca imaginara que seria tanto! A forma como seu eu do futuro o olhou, o amor que refletia em seus olhos, o beijo que trocavam, essas coisas fizeram que ele se desse conta do tamanho do amor que eles sentiam um pelo outro e isso o deixou apavorado.
Quando o ar finalmente faltou, ambos se separaram mas mantiveram suas testas coladas enquanto tentavam controlar a respiração. Quando já respiravam com mais facilidade Magnus passou a observar o rosto que tanto amava. Porém algo lhe chamou a atenção.
— Alexander! Você está febril! — Disse alarmado.
Alec não soube dizer se foi pelo machucado ou pelo choque de ver Magnus ali, mas sua vista começou a embaçar e a ultima coisa que viu foi um Magnus alarmado olhando para ele e chamando seu nome.
* * *
— Está pronto! Finalmente terminei seu brinquedinho! — Disse Mortmain exultante.
— Onde está? Quero vê-lo! Não acredito que finalmente vou vê-lo de novo! — Disse Lilith satisfeita.
Nesse momento a porta do escritório de Mortmain se abriu e duas criaturas mecânicas acompanhadas por um dos demônios de Lilith entraram na sala.
— O que querem?
— Minha Senhora, trago notícias, as criaturas de Mortmain falharam em trazer James Carstairs e Clarissa Morgersten até nós. — Disse o demônio.
— Suas criaturas são mesmo inúteis Axel!
Mortamin soltou um suspiro cansado, era difícil mas tinha que concordar, suas criaturas não haviam conseguido ganhar nenhuma das lutas até agora contra os caçadores.
— Mas a invasão ai instituto foi um sucesso, colocamos fogo em tudo! E trouxemos reféns. — Continuou o demônio.
— Reféns? Quem são? — Perguntou Mortmain.
— Simon Lewis, Isabelle Lightwood e Charlotte Branwell.
— Mas isso é maravilhoso! — Exclamou Lilith.
— Não vejo nada de maravilhoso nisso. — Disse Mortmain irritado.
— Não seja idiota! Com eles aqui atrairemos tanto Clarissa como Theresa!
— Verdade! Logo minha bela Tessa estará aqui!
— Agora diga-me, onde está aquilo que te pedi?
— Siga-me.
Mortmain seguiu em direção a uma porta no fim do corredor, chegando lá abriu e começou a descer a escada, Lilith o seguia em expectativa.
Quando chegaram ao laboratório de Mortmain, Lilith pode vê-lo, não acreditava no que seus olhos viam, era ele mesmo, seus cabelos loiros, quase brancos de tão claros, seus olhos negros como a moite sem estrelas, vidrados e sem vida. Era ele! Não conseguia acreditar que Mortmain realmente havia conseguido lhe da-lo.
— Sabe que ele não está vivo não é? Não tem alma, é apenas um boneco.
— Por pouco tempo! — Disse a mãe dos demônios, enquanto se aproximava e passava a mão ossuda levemente pelo rosto sem vida.
— Meu filho, meu menino! — Sussurrou.
* * *
— Alec! Alexander! — Exclamava Magnus preocupado.
Alec havia simplesmente desmaiado em seus braços e estava queimando em febre.
— Clary o que houve com ele? — Perguntou desesperado para a garota.
— E-eu não sei Magnus! Eles já estava com febre quando nos reencontramos, não faço ideia do que tenha acontecido!
— Ele foi ferido nas costas por uma das criaturas de Mortmain. — Disse Gideon.
Magnus rapidamente levantou a camisa que Alec usava e o virou de bruços, quando viu o corte longo e irregular em suas costas quase enfartou, o ferimento era feio, mas nada que ele não pudesse curar. Suspirou aliviado enquanto fazia sua magica e via o corte se fechar.
— Vou ficar mais poderoso, isso é fato, não poderia fazer isso agora. — Disse o Magnus do passado chamando a tenção de todos.
— Isso porque você vai aprender que quem na verdade te da forças é Alexander! — Retrucou seu eu do futuro.
Quando terminou percebeu que a febre de Alec já baixava.
— Magnus! Como você está? — Perguntou Tessa do futuro ansiosa.
— Estou bem Tessa, por que pergunta? Não tivemos nenhuma batalha. — Estranhou o bruxo do futuro.
— Sua energia, como está? — Esclareceu a garota.
— Ah! Estou bem.
— Pode ajuda-lo? Ele não está nada bem! — Disse Tessa segurando o braço de Will.
— Ah! Will você sempre me dando trabalho, sua criaturinha infernal! — Exclamou o bruxo alegremente, enquanto tirava o sobretudo vermelho e colocava dobrado no chão colocando a cabeça de Alec suavemente apoiada nele.
Will tentou sorrir, mas uma forte vertigem quase o fez ir ao chão. Magnus se aproximou e segurou seu rosto entre as mãos.
— Não vai me beijar também não né? — Perguntou Will.
— Não diga asneiras, só estou vendo o que você tem!
Depois de examina-lo Magnus chegou a conclusão de que Will tinha apenas uma leve contusão, por isso a tontura.
— Magnus! — Gritou Tessa do futuro de repente assustando a todos.
— O que foi?!
— O yin fen! Ele deveria estar lá! Como faremos agora Magnus? Jem precisa dele! Deve ter queimado tudo!
— Jem?! Sabe onde ele está? — Perguntou Will agarrando os braços dela e saindo de súbito de seu estado de topor.
— Ele está na carruagem, Jace também, nós os encontramos desacordados na estrada, vinhemos para cá pois Jem precisa de yin fen, mas quando chegamos aqui tudo estava me chamas, ouvimos passos e nos escondemos na carruagem para ver quem eram. — Explicou Magnus.
— Jace! — Exclamou Clary e saiu correndo em disparada a carruagem como Tessa do passado em seu encalço.
— Aqui! — Disse Will retirando um pequeno saquinho e dentro do bolso da calça e entregando a Magnus.
— O que é isso?
— É yin fen.
— Você carrega a droga com você?
— Nunca se sabe quando Jem vai precisar. — Disse Will simplesmente enquanto partia preocupado rumo a carruagem.
Precisava ver o parabatai, precisava ter a certeza de que ele estava bem.
— Você sabe o que fazer. — Disse Magnus do futuro entregando o pacotinho de yin fen para seu eu do passado, que já se dirigia para onde Jem se encontrava, enquanto ele se dirigia para onde estava Alec.
Chegando lá sentou-se no chão e colocou a cabeça do namorado no colo, soltou um suspiro preocupado, enquanto afagava os cabelos de Alec distraído, não fazia ideia do que fazer para voltarem ao futuro e muito menos o que fazer para que o passado voltasse ao normal!
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