Cidade das Sombras
36 Caos!
Notas iniciais
Londres — 1878.
Clary cortou uma das criaturas de Mortmain ao meio com sua espada e olhou ao redor preocupada, tinha muitas, Alicante estava um caos, havia demônios também, corpos de caçadores sem vida largados nas ruas, casas em chamas. O mais estranho era que a unica luz que tinha vinha das casa em chamas, tudo estava envolto pela escuridão, mas Clary podia jurar que era dia quando saíram de Cadair Idris e foram para Alicante.
Olhou ao redor tentando encontrar algum de seus amigos, mas nem sinal, eles haviam se separado em duplas, para tentarem dar um fim ao caos, Clary havia ficado com Gideon, mas eles foram atacados por um renegado e acabaram se separando, agora a garota estava aflita por notícias dele.
Ouviu um choro e olhou ao redor, ao seu lado direito em um beco uma criança de pelo menos oito anos chorava desesperada chamando pela mãe, era um menino, olhar para ele fez algo no peito de Clary se apertar, o menino era loiro, tinha olhos castanhos claros, a pele clarinha e era meio rechonchudo, o menino lhe lembrava Jace.
Chegou perto do garoto e se abaixou.
— Vai ficar tudo bem, qual o seu nome?
— A-aron. — Disse o menino entre soluços.
— Onde estão seus pais Aaron?
— E-eu não sei! — Disse o menino desesperado.
Clary o abraçou e tentou acalma-lo, precisava tira-lo de lá, ali não era seguro. Um movimento ao seu lado chamou sua atenção, um demônio estava pronto para ataca-los, com um tempo de reação inumano Clary arrastou o garoto para o lado e sacou sua estela. Ao olhar para a estela da garota o demônio riu.
— Não deveria ter sacado uma espada ou uma lamina garotinha? Isso ai não pode me matar.
— Eu não me chamo garotinha e vejamos se não pode mata-lo.
Dizendo isso Clary começou a desenhar uma runa no chão, este tremeu e começou a se abrir onde o demônio se encontrava, quando ele caiu a abertura se fechou engolindo-o de vez.
O garotinho a olhava fascinado, como se ela fosse sua mais nova heroína. Clary ouviu alguém chama-la e quando se virou percebeu que era Gideon.
— Clary você está bem? Por onde andou? Você sumiu!
— Eu me perdi de você, não consegui acha-lo mais.
— Temos que achar os outros e nos reorganizarmos, assim não teremos chance, eles são muitos.
Gideon olhou para baixo e só então notou o garoto.
— Quem é ele?
— Ele é . . .
— Aaron!
Olharam para onde vinha o chamado e viram uma mulher loira desesperada procurando por algo, ou alguém. O menino não pensou duas vezes e saiu correndo em direção a mulher e se jogando em seus braços.
— Aaron fiquei desesperada!
— Mamãe eu to com medo. Mas estou bem, ela me salvou. — Choramingou o menino.
A mulher levantou a cabeça e encarou Clary.
— Obrigada, obrigada por salvar meu filho.
— Não fiz nada demais.
— Vocês precisam sair daqui, não é seguro. — Disse Gideon.
Ele era muito centrado, quase nunca se desviava de seu foco, Clary o achou muito parecido com Alec nesse aspecto.
— Tem um local perto daqui onde estão colocando as mulheres e as crianças. — Disse a loira.
— E onde seria isso? — Perguntou Clary curiosa.
— Posso mostrar a vocês. A propósito eu me chamo Lorye Graymark.
Clary se espantou, ela era alguma antepassada de Luke.
— Clary Fairchild.
— Gideon Lightwood, agora seria uma boa hora para irmos, aqui não é seguro.
— Tudo bem, me sigam.
Dizendo isso a mulher se virou e pegando a mão do filho começou a refazer o caminho pelo qual viera.
* * *
— Sei o que está pensando Willian e peço por favor não vá fazer nenhuma besteira. — Pediu Jem.
Will o olhou de relance e depois desviou os olhos. Estavam andando pelas ruas escuras de alicante a meia hora, como haviam se separado dos demais, ficaram com aquela área, mas está parecia deserta e tudo o que se ouvia era o chiado das casas queimando.
— Não sei do que está falando James.
— Não minta pra mim Will, sei que você está doido para colocar as mão em Sebastian, vi o modo como você olhava para o corpo sem vida de Jace. Você se apegou a ele, posso ver isso nos seus olhos.
Will engoliu em seco, não estava preparado para falar com Jem, ele tinha muita coisa na cabeça, sua maldição era falsa, seu descendente estava morto, Idris queimava, os caçadores estavam sendo dizimados, além da culpa que o assolava, era muita coisa para a cabeça dele de uma só vez.
— Eu não sei o que dizer James, admito que me apeguei aquele garoto, ele é como eu, Jem ele foi tão quebrado no passado quanto eu, ele conhecia o sofrimento, ele era parecido comigo.
— Will eu nunca te perguntei nada, mas eu sempre soube que você tinha algo quebrado dentro de si e você falando só confirmou isso, mas o que não entendo Willian é o por que de não me deixar te ajudar. Sou seu parabatai, faria qualquer coisa por você.
— James eu espero que um dia você possa me perdoar. — Disse Will num sussurro angustiado.
Jem o olhou sem entender, Will parecia angustiado, como se algo o corroesse por dentro, parecia estar sufocando.
— Will o que você tem? — Perguntou parando de andar de repente e pondo a mão nos ombros do parabatai.
— Jem e-eu, você é o meu grande pecado James, espero que um dia possa me perdoar pelo o que eu fiz, James ninguém consegue viver sozinho, você foi o que me permiti, por favor entenda, nunca quis que algo de ruim acontecesse a você. -Will dizia as coisas tão rápido e desesperado que Jem não conseguia entender nada.
— Will se acalme e me diga exatamente o que você fez que ache que não vou lhe perdoar. — Disse Jem calmamente.
Will então respirou fundo e contou sua história a Jem, não omitiu nada, exceto seu amor por Tessa. Quando terminou Jem parecia doente e o olhava com tanta dor que Will desviou o olhar.
— Se você não conseguir me perdoar eu vou entender James, eu fui inconsequente com você, eu poderia ter te matado se realmente houvesse uma maldição. — Disse Will com os olhos rasos d'água.
Jem se aproximou e segurou o rosto de Will entre as mãos fazendo o rapaz o olhar nos olhos.
— Willian me escute, não tenho o que perdoar, fico feliz que dentre tantas pessoas você escolheu a mim para ser seu parabatai. Você não tem com o que se preocupar Will, não havia maldição.
Will conseguiu se soltar e olhou para Jem com raiva.
— Mas eu acreditava que existia, não vê James? Eu poderia ter te matado, eu poderia ter levado meu próprio parabatai a morte!
— Mas não levou Will. — Disse Jem tranquilo.
— Jem, você . . .
— Will me escute, sei que você se sente culpado por isso e me doi saber o quanto você sofreu, mas estou feliz por você finalmente ter se livrado desse fardo, agora Will tenho esperanças que você ficará bem, não sou tolo Will, quando aceitei seu pedido para ser seu parabatai, eu sabia que você acabaria sendo o provável motivo de minha morte, mas estava tudo bem Will, porque você acabou me salvando, eu não queria viver , queria ter morrido junto com minha família, mas graças a você eu havia ganhado um irmão, problemático, mas mesmo assim um irmão, alguém que eu pudesse me importar e que se importava comigo, eu não estava mais sozinho Will, eu tinha você e você era tudo o que eu precisava naquele momento para seguir em frente. Como pode ver Will, nós acabamos salvando um ao outro, então não pense nem por um momento que eu posso estar magoado ou com raiva, eu te amo Will, você é meu parabatai, minha outra metade, meu irmão de sangue e de alma.
Will não respondeu, simplesmente deu um abraço apertado no parabatai, transmitindo que tudo o que Jem havia dito era reciproco. Jem era sua melhor metade e nada poderia mudar isso.
— Que cena comovente.
Ambos se separaram e viraram assustado para o dono da voz. Ele era alto, usava a roupa tipica dos caçadores para combate, Will reparou nos cabelos loiros, no rosto anguloso e bem desenhado e nos olhos negros e frios, olhos que continham uma crueldade sem tamanho. Não precisou de muito para saber quem estava a frente deles.
— Sebastian eu suponho. — Disse friamente encarando o recém chegado.
* * *
— Lottie! — Gritou Henry desesperado enquanto fatiava um demônio menor e tentava abrir caminho até Charlotte que havia sido jogada contra um muro.
Sem ter muito opção pois estavam sozinhos, Henry teve que recorrer a um de seus dispositivos, rezava para que desse certo dessa vez. Pegou um objeto pequeno de dentro de seu bolso ascendeu em uma das chamas de uma casa e jogou em direção aos demônios, correndo logo em seguida para se jogar contra o corpo de esposa a protegendo a explosão que se seguiu.
Charlotte abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi os destroços de casas e restos de demônios por todo lado, sentiu um peso sobre si, olhou com cautela e percebeu que era Henry, este estava desacordado. Empurrou gentilmente e conseguiu se sentar, olhou ao redor e percebeu que tudo fora destruído, olhou para Henry e percebeu que este estava pálido e perdia muito sangue.
— Henry? Henry por favor acorde Henry, você não pode me deixar! — Disse a mulher com lagrimas nos olhos.
Pegando sua estela e deitando a cabeça de Henry em seu colo, Charlotte começou a fazer iratzes nos braços e no pescoço de Henry.
Ouviu um barulho de algo raspando no chão e quando olhou para atras viu que se tratava de mais um demônio, este era verde e tinha tentáculos saindo de seu corpo, ele se arrastava pelo chão, mas estava chegando rápido onde se encontrava Charlotte e Henry.
Charlotte se desesperou, precisava proteger Henry, precisava proteger o homem que amava. Porém estava desarmada e não tinha forças para mais nada.
Ouviu um zumbido passar por ela e depois ouviu o grito de dor do demônio enquanto ele se contorcia de dor com uma adaga fincada entre os olhos, para logo em seguida ele se desfazer num monte de cinzas. Olhou assustada para onde veio a adaga e percebeu com espanto Jessamine que ainda tinha o braço levantado na posição de arremesso, ao seu lado Sophie tinha uma espada em mãos.
— Jessamine? O que você e Sophie estão fazendo aqui? Como chegaram aqui? — Perguntou incrédula.
— Eu dei um jeito de chegarmos, não podia deixar vocês virem sozinhos, parece que realmente tenho um pouco de sangue de caçador nas veia no fim das contas. — Disse Jessamine.
Ouviram um gemido de dor e logo repararam que era Henry que despertava.
— Henry! Você vai ficar bem meu amor, vou cuidar de você.
— Lottie? Você está bem?
— Sim Henry, você me salvou.
Henry deu um sorriso para a esposa e logo depois fez uma cara assustada.
— Lottie, não consigo sentir minhas pernas!
Charlotte o olhou horrorizada, mas se forçou a manter-se calma.
— Vai ficar tudo bem Henry, você vai ver, você vai ficar bem, precisa ficar ainda mais agora que vai ser pai. — Disse com lagrimas nos olhos.
* * *
Magnus tinha um brilho azul nas mãos e estava mais alerta do que nunca, a parte de Alicante que coube a ele e Alec esta muito silenciosa, não havia mais demônios e nem as criaturas de Mortmain, o silêncio era assustador, o único som que ouvia era um ou outro estalar do fogo que queimava as casas.
O bruxo olhava para todos os lados com atenção redobrada, estava extremamente nervoso, temia por Alec, não desgrudava os olhos do namorado, Alec ainda estava em um estado depressivo e em choque com a morte de Jace, isso o deixava distraído e Magnus sabia que em uma luta isso poderia significar a morte.
— Alec você está bem mesmo para continuar?
Alec se virou para o namorado.
— Estou Magnus já disse, além disso não vou deixar você aqui sozinho! Eu morreria se algo te acontecesse, não suportaria, eu já perdi demais, não aguentaria perder você também.
Magnus olhou para o namorado com medo, Alec estava muito abatido, tinha medo de que algo acontecesse com ele, um caçador distraído era o mesmo que um caçador morto.
— Certo, mas me prometa que vai se cuidadoso Alexander.
— Prometo, mas me prometa o mesmo, nada de bancar o herói Magnus.
O bruxo sorriu e assentiu com a cabeça.
— Ora ora, o que temos aqui?
Magnus e Alec olharam para a frente e viram que Lilith os observava.
— Isso acaba de se complicar. — Sussurrou p bruxo.
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