Cidade Sitiada

7 Capítulo 06: Por você sou capaz de tudo


Notas iniciais
O grupo de combatentes começa realmente a se unir.

O grito de Isabella acordara a casa inteira. A porta quase fora derrubada e pelo menos dois do grupo de seis quase haviam caído de joelhos sobre o chão. A cena que acontecia deixou todos espantados...


— Alguien puede ayudarme a despiertar la señora Cullen? – perguntou um confuso Edward, que naquele momento estava transformado em Augusto Vandor.


— Meu Deus! Mas o que…? – a voz de Porcel mal era capaz de se sustentar tamanho o susto ao reconhecer aquele olhar duro e vítreo.


— Estoy haciéndote una pregunta, su estúpido! – disse o possuído Edward Cullen segurando Isabella Swan inconsciente em seus braços.


— Ordeno que sueltas a Isabella ahora! No vas a hacer maldad alguna con ella, Augusto Vandor! – exclamou Leopoldo colocando seus caninos em modo de ataque.


— No quiero hacer nada con ella, quiero solo dejar este mundo, pero antes, despiertar a esta joven señora. Ella no necesita tener miedo a mí, no soy malo. Pero… — Vandor, no corpo de Cullen, colocou Isabella sobre a cama e depois disse: — No van a impedirme de lograr lo que quiero.


— Si usted continúa con eso, vas a quitar a la vida de Edward Cullen! No percebes lo que estás haciendo, hombre?! – exclamou Molina por entender as devastadoras consequências daquela possessão forçada.


— Lisandro, ayúdame. Coge tu rubí escarlata que yo voy a coger la mía. Maruja, busca al rubí de Edward y ayúdanos! – Leopoldo transmitiu um pensamento aos policiais.


No mesmo minuto, Maruja habilmente empurrara Edward para um lado, com este quase batendo a cabeça sobre o madeiramento dos pés da cama e conseguira pegar o rubi que ficara sobre o criado mudo e logo os três apontavam os rubis para o corpo possuído, que soltou um grito de horrenda dor, libertando o jovem corpo de Cullen, que caiu inconsciente ao chão.


— Por favor, libertenme! Yo quiero dejar este mundo por todo lo siempre! No puedo soportar, no puedo tornarme una “Expresión”! – gritava o espírito, agora preso em um espelho.


— Tu casí matastes a un joven, su estúpido! No sabes el tamaño de tu fuerza, Lobo?! – Porcel berrou com fúria ao ver novamente o rosto do homem que temera em distantes tempos de garoto.


— El peor es que Edward está mismo malo — Maruja ficara sem saber o que fazer ao ver que o jovem estava com seus sinais vitais quase nulos, mas logo avisara da gravíssima situação.


— Ah meu Deus! Leopoldo, você tem aguardente aqui?! Vamos precisar de várias doses para esfregá-las nos pulsos e peito de Cullen se quisermos fazê-lo voltar ao normal! Corre, por favor! – o nervoso delegado nem se importava se estava dando ordens a um vampiro e se sua voz saía trêmula e rápida, mas, surpreendentemente, Belmondo acabou por ir buscar o que Antonino pedira.


Apenas um minuto depois, Leopoldo voltara com a bebida e sorrira ao ver que Bella finalmente acordara, porém, logo ficou apreensivo ao ver que ela gritava procurando por Edward e ao vê-lo quase morto, se pusera a gritar ainda mais: — Não, não! Por favor, não morra meu amor!


— Isabella! – berrou Lisandro ao que ela se calou e ele disse segurando os ombros dela com tal força que por pouco não a enterraria no chão: — O Edward está vivo e assim vai ficar. É apenas tirarmos o pijama dele e o reanimarmos usando aguardente. Depois, é só ele se alimentar bem e ficar em repouso.


— Desculpe! – exclamou ela quase às lágrimas ao que disse em seguida: — Foi horrível! Nunca vi Edward em estado tão lamentável! E muito menos imaginei que um espírito fosse possuir seu corpo! Meu Deus, eu estou tão apavorada!


Ela logo ficara em pé e ao ir para um lado, viu o espelho e nele o espírito de Augusto Vandor preso, ao que Bella novamente gritou e correu para o lado mais distante que encontrara naquele quarto, sendo imediatamente acolhida em um abraço por Porcel: — Calmate, niña. Todo se quedará bien.


Ao mesmo tempo, Lisandro e Leopoldo já estavam conseguindo reanimar Edward após esfregarem grande quantidade de aguardente nos pulsos e peito do mesmo, que a muito custo conseguia abrir os olhos, mas em compensação não conseguia sequer articular uma palavra. Pela primeira vez em seis séculos, Leopoldo Belmondo ficava apavorado: — Mas o que Vandor fez com esse pobre rapaz? Faltou apenas um pouco para que ele morresse!


— Não entendo como um espírito conseguiu essa façanha. Mas que... merda – Lisandro, pela primeira vez, testemunhava semelhante situação.


— Um espírito pode ser tão forte a ponto de fazer isso ao possuir uma pessoa? – perguntou Porcel tão ou mais apavorado que Isabella.


— Augusto Vandor forçou a possessão. Somente Cullen poderia invocá-lo para fazer um contato com alguém que ele gostasse caso “El Lobo” quisesse – disse Molina observando a cena e depois dizendo: — Meu pai, tio, aliás, me disse que alguns espíritos em desespero ficam mais fortes à medida que o desespero deles aumenta por não conseguirem descansar em paz. E agora que ele encontrou alguém que pode ajudá-lo, está disposto a qualquer coisa para abandonar esse mundo de uma vez por todas.


— Faltou apenas um pouco para ele matar Edward. Se bem que ele deixaria o rapaz vivo até conseguir abrir um portal que o levasse até o outro plano – disse Lisandro ao passo que Vandor se manifestou: — Nunca jamás mataria a este joven! Sólo quería ayuda! Como pueden pensar algo así de mi persona?!


— Eu… ajudarei… você, Rucci e os outros. Acalme-se, senhor Vandor. Você não merece uma prisão tão horrível – disse Edward a sorrir e recuperando as forças de falar.


— Meu amor! – Bella correu até o marido e o beijou ao passo que o espírito comoveu-se ao receber indiretamente o perdão de Cullen, tanto que conseguira devolver uma pequena parte da energia do jovem, porém, não fora suficiente para que ele começasse a melhorar ao que a americana disse: — Senhor Vandor, por favor, nunca mais volte a fazer isso com ninguém. Por mim, você agora está perdoado já que meu Edward o perdoou.


— Agradeço, querida. Ele de nada tem culpa. Ele, como vários outros, só quer a paz eterna. Ninguém, seja vivo ou morto, merece ficar sem paz – disse Edward sentando a muito custo na cama.

— Acho melhor eu trazer algo para Cullen comer. Sei que não é a hora mais adequada, mas ele precisa se alimentar direito e de preferência, ficar em repouso absoluto por pelo menos quatro dias ou mais caso a situação esteja mais séria do que deveria. E você, Augusto Vandor, está proibido de tentar qualquer coisa deste tipo novamente. O faça e sofrerá as consequências – Leopoldo ainda estava em modo “fúria”.

— Concordo – disse Maruja para depois perguntar: — Então você é sobrinho de Francesco Morresi e primo da Leona, Molina? Do jeito que vocês se tratam, pareciam mesmo serem irmãos.

— Fomos criados como irmãos desde bem pequenos. Leona tinha dois anos quando cheguei a casa dela ao passo que eu tinha apenas cinco. Meus pais foram assassinados quando eu tinha essa idade e fui criado por meus tios desde então – respondeu o policial, deixando todos consternados, especialmente a Porcel, que fora o chefe investigador do assassinato do casal Molina em 1986.

Depois daquela conversa sobre tristezas e perdas, as horas passaram em ponto-morto e mais uma manhã chegara a Buenos Aires sem que a situação ocorrida na cidade estivesse perto de acabar. Comércios fechados, aulas suspensas, empresas paradas, pessoas em pânico, com algumas delas achando que seria o fim do mundo e apenas alguns com coragem suficiente de andar pela cidade, que às quase nove e trinta da manhã de quinta parecia uma “cidade fantasma”, tamanho o vazio que tomava conta das enormes avenidas e ruas. Nem sequer os populares cafés estavam funcionando. Somente delegacias, hospitais e emissoras de TV estavam abertas, mas nem eles tinham algum movimento considerável.

— Isso tá ficando ridículo. Até parece que vai cair uma bomba atômica! – disse um detetive encostado na parede da delegacia.

— Do jeito que as coisas andam nessa cidade, não duvido de nada. Só estamos aqui porque tudo pode acontecer e o Porcel sempre diz que devemos estar prontos para qualquer coisa – disse Molina lendo alguns boletins de ocorrência que haviam sido feitos no plantão da madrugada.

— Até quando nós vamos ter que aguentar esse estado de emergência? – bufou o detetive.

— Até isso ser resolvido. Mas eu sei que você vai perguntar quando isso vai acontecer, então eu te digo que não sei, mas espero que seja logo – disse Molina se vendo obrigado a esconder a parte que dizia respeito ao que realmente acontecia.

— Sou obrigado a te falar que isso tá parecendo aqueles filmes de terror que passam na TV, onde um bando de fantasmas e outros tipos de monstros aterrorizam uma cidadezinha e seus moradores tem que se virar para dar cabo da monstrada – riu o policial ao que Molina pensou: — Ah Miguel, se você soubesse que é exatamente essa a situação, certamente estaria tremendo.

— Pierry, vem aqui! – Porcel chamou ao que Miguel não pôde conter um riso.

— Fala, chefe – disse o jovem ao chegar ao escritório do delegado para depois receber a seguinte ordem: — Eu quero que você proteja Edward Cullen. Não sei se alguém vai chegar a ameaçá-lo, mas nesse caso, prefiro evitar problemas. Entendido?

— O senhor manda, delegado. E eu faço com gosto porque aquele rapaz merece por ter um coração tão bondoso e se dar a uma tarefa tão árdua. Não é qualquer um que faz o que ele se propôs a fazer – sorriu Molina ao que Porcel lhe disse sério: — E você se esqueceu de me contar que Edward Cullen é um dos sete pelo mundo que possui o poder de ser um portal entre o mundo dos espíritos e o mundo dos vivos.

— Como...?! – José Armando mal pôde falar ao passo que Antonino o olhou sério após tirar os olhos do computador: — Fiz meu dever de casa, Molina. Este rapaz estará em perigo mortal se aquele inimigo do Leopoldo descobrir sobre ele, então, não permita de forma alguma que qualquer criatura maligna descubra sobre Edward Cullen. Se isso acontecer, essa será uma batalha perdida e o mundo cairá em trevas.

— Meu pai sempre diz que o Mal não tem prazo de validade, mas se pudermos cortar as piores raízes dele, combater o resto se torna mais fácil. Eu dediquei metade da minha existência a treinar arduamente para isso e não vai ser agora que irei fraquejar. Se precisar, morrerei para proteger Cullen e Isabella – disse o policial de forma determinada.

O delegado e o detetive, silenciosamente, fizeram um pacto, determinados a exterminar o horrendo mal que pairava sobre Buenos Aires naquele tempo onde as trevas queriam fazer sua morada.

Pelo menos cinco dias haviam se passado desde a conversa acontecida na delegacia e Edward já estava quase completamente recuperado, hospedado na casa de Belmondo enquanto isso e nela sendo extremamente cuidado por Bella, que só saía de perto dele em caso realmente necessário, pois detestava a ideia de imaginar alguma das criadas vampiras de Leopoldo perto de seu amado, provavelmente querendo mordê-lo. E muito menos ela desejava ficar sozinha com Leopoldo em algum momento, pois ainda tinha muito medo do vampiro espanhol, que ficava um tanto triste por Isabella considerá-lo objeto de temor.

Naquele dia, porém, Leopoldo estava determinado a colocar tudo em pratos limpos com Isabella Swan antes que esta voltasse à casa de Maruja e naquela tarde, enquanto Edward tomava banho, sozinho, mas ainda vagarosamente em razão de que ainda se recuperava da complicada possessão forçada, o vampiro catalão fora ao quarto de Bella, que arrumava duas malas...

— Eu preciso falar com você antes que volte à casa de Maruja.

— Agradeço por deixar que eu ficasse junto com meu marido para cuidar dele, mas realmente, eu só estava esperando que Edward ficasse bem para poder voltar para a casa da Maruja – disse Bella parecendo não querer falar com Leopoldo.

— Bella, entendo o que você sente com relação a mim, especialmente depois daquela noite, mas, por favor, pare de ter medo de mim. Sinto-me um verdadeiro monstro quando sei que alguém que me teme. Não gosto de ser temido, mas sim respeitado. E novamente, peço-lhe perdão por qualquer coisa que eu tenha feito de errado com sua pessoa. Principalmente pela mordida e pelo beijo – disse ele com muita educação.

— Leopoldo, eu te peço desculpas, mas como quer que eu me sinta depois dessas duas coisas? Você acha que é fácil? – perguntou Isabella suspirando.

— Isabella, sou um vampiro, então não espere que eu seja aquilo que você espera. Tenho instintos que nem sempre posso controlar. Alguns deles ainda me assustam, mesmo passados seis séculos – respondeu o espanhol com receio.

— Você já...? – Isabella não tinha coragem suficiente para seguir a pergunta, porém, Belmondo compreendera: — Sim, já matei para me alimentar. É inevitável pensar nisso. O cheiro do sangue, a pulsação cardíaca, a vontade de sentir a vida se esvair do corpo de alguém, essas são coisas que todo o vampiro pensa.

Leopoldo parecia pensar nisso, considerando que seus olhos já começavam a se tornar rubros e seus caninos vinham se mostrando. Foi quando ele disse: — Pense no que conversamos – e depois saiu sem dizer mais nada.

Após sair, Bella calmamente continuara arrumando as malas embora sua mente divagasse sobre o assunto recém-dito enquanto Edward enfim saía do banho:

- Tudo bem, Isabella? Pensei ter ouvido Leopoldo.

— Sim, ele veio falar comigo. Queria saber como você estava hoje – disse Isabella disfarçando a verdade.

— Já estou bem melhor. Podemos ir de volta à casa da Maruja ainda hoje – disse Cullen, que logo emendou outra frase ao ver Bella arrumando as malas: — Você foi mais rápida do que eu esperava.

— Edward, se você já está bem, por que deveríamos permanecer aqui? – Isabella questionou.

O jovem nada disse, porém, ficou com a “pulga atrás da orelha” em razão da reação um tanto exacerbada da esposa. Edward tinha que admitir que Leopoldo Belmondo não era exatamente um ser que transmitia tranquilidade ou segurança, mas isso não queria dizer que ele fosse mau ou algo assim, porém, tinha a certeza de sua mulher tinha profundo medo dele embora não entendesse os motivos de Bella para tal temor.

Minutos depois, Edward Cullen estava pronto e Bella tinha terminado de fechar a última das duas malas quando uma das criadas do vampiro dono da casa chegou: — O senhor Belmondo está chamando para um lanche. Sigam pelo corredor norte e entrem na sala cuja porta tem uma placa com letras azuis.

Os Cullens assentiram, apesar de tudo, e logo estavam indo para a sala indicada pela criada. Lá chegando, o casal tomou um susto verdadeiramente grande: a sala mais parecia um cômodo de lembranças, considerando a quantidade de fotos e outros objetos que diziam aos dois que Belmondo era muito adepto de interações com mortais.

Entre eles, estava um cartaz com a foto de uma bela mulher cujo nome estava escrito em enormes letras azuis, “Gilda”, que os dois souberam ter sido um verdadeiro fenômeno da cumbia argentina, considerando que não raramente carros passavam tocando em volume alto músicas da cantora. Um nobre espanhol gostando de cumbia, dançante ou romântica, era no mínimo estranho aos olhos do casal americano, considerando que alguém do porte dele certamente gostava de óperas, operetas, concertos em todas as notas, apresentações de balé clássico, etc.

— No me arrepiento de este amor/ aunque me cueste el corazón/ amar es un milagro y yo te ame/ como nunca jamás lo imagine – de repente o casal escutou uma voz masculina cantando alegremente.

Por alguns segundos, Edward e Isabella imaginaram que o sangue que Leopoldo bebera devia estar batizado com álcool considerando a alegria incomum na voz dele.

— Sua cantora preferida? – perguntou Edward quando Leopoldo surgira ainda cantando a música e dançando sozinho.

- De cumbia sim. Não só minha favorita, mas de todo um séquito de fãs que inclusive a consideram uma santa do povo – Leopoldo suspirou um pouco tristemente ao que Bella perguntou: — Ela... morreu?

— Infelizmente sim, Bella. Tinha apenas 35 anos e uma brilhante carreira pela frente. Um acidente – ele respondeu triste, mas logo sorriu ao olhar para o cartaz, ao que os dois notaram um grande autógrafo feito com caneta brilhante azul e Edward questionou: — Ela te deu essa assinatura quando?

— Quando lançou o disco “Pasito a pasito con Gilda”, que tem a música “No me arrepiento de este amor” e, escondido do Alfonso e María Luna, me vesti de “plebeu” e fui a um dos shows. Eu até subi no palco e cantei com ela “Baila esta cumbia” – ele mordeu o lábio inferior para não gargalhar. De repente, Leopoldo parecia bem mais acessível e afável do que antes e até mesmo pegara uma foto de cima da cômoda que mostrava ele e Gilda sorrindo.

— Você não teve nenhuma vontade de... mordê-la? É, a pergunta não parece muito educada – Bella sentiu vergonha após perguntar.

— Confesso que sim e até pensava nisso para fazer futuramente, mas não tive tempo – a cara de pau dele ao responder deixou o casal muito espantado. O amor de fã era simplesmente inexplicável, mais ainda no caso dele. Os dois imaginavam o que ele pensava sobre os outros cantores favoritos dele.

— Se me ha perdido un corazón/ Si alguien lo tiene por favor/ Que lo devuelva. / Yo lo tenía junto a mi/ Pero la puerta de su amor/ Estaba abierta – novamente ele cantou.

O casal não pôde evitar rir e levou um pequeno susto quando Maruja surgiu na porta da sala sem aviso, surpreendendo até mesmo Leopoldo, que perdeu a linha musical: — Hola, Maruja. Você não avisou que viria.

— Edward ainda está se recuperando. Aproveitei que estou indo para casa depois de ter feito turno de madrugada e vim de carona com o Lisandro para levar os dois para minha casa. Nossa, Leopoldo, você tem uma sala bem servida de lembranças lindas – riu a policial, que logo ficou com os olhos brilhando ao ver o cartaz de Gilda: — Meu Deus, eu era maluca por essa mulher quando eu era criança! Chorei demais quando ela morreu!

— Mesmo? – Belmondo sorria como um menino ao ver Maruja tão espontaneamente alegre.

O casal Cullen por um momento esquecera os problemas ao perceber que a alegria da policial era verdadeira e que o vampiro estava feliz por vê-la sorrir tão lindamente. Mais ainda, aquela sala deixara os dois encantados, pois havia muitas fotos por todos os lados com os mais variados famosos argentinos de que eles poderiam ter sabido: Ringo Bonavena, “El mono” Gatica, Victor Galindez, Felix Orte, José Luis Cuciuffo, Carlos Gardel, Julio Sosa, Susy Leiva, Elsa O’Connor, María Santos, Norma Gimenez, Mirtha Legrand, Marta Lynch, Monica Jouvet, Alejandro Sokol, Luca Prodan, Jorge Porcel, Alberto Olmedo, Gianni Lunadei, Maruja Montes, etc. Até mesmo havia uma foto de Leopoldo com Lisandro de la Torre e Enzo Bordabehere.

— Esse é o Lisandro? – Maruja perguntou ao olhar a foto com atenção.

— Sim, na época do assassinato do companheiro de bancada dele, Enzo Bordabehere. Uns dias antes – respondeu Leopoldo desconfortável para depois dizer: — Nunca pude me vingar do assassino dele, mas bem que eu queria. Entretanto, Lisandro me disse que eu não deveria sujar minhas mãos na merda. E sabe? Não iria valer a pena. Pelo menos a história o considera um assassino de merda e isso ele é mesmo.

— Eu concordo. Uma vez li sobre isso e francamente me pergunto como o Lisandro não quis matar esse desgraçado. Se fosse eu, ele não viveria sequer um ano – disse Edward profundamente indignado ao que Bella o segurou como se dissesse que ele deveria parar de ser tão explosivo.

— Lisandro não era do tipo que seria capaz de matar. Não era, mas, eu estraguei o lado bom dele, sendo que minha intenção era apenas salvá-lo – disse Leopoldo com profunda culpa.

— Então você o mordeu? Mas como ele ficou tão jovem daquele jeito? Até onde eu sei, vampiros não mudam de aparência quando se transformam, pelo menos é que eu acho, considerando a quantidade de livros desse assunto que a filha do Porcel me empresta depois que eu jogo RPG com ela e o delegado no fim de semana – disse Maruja.

— Você tá falando sério? – Belmondo achou aquilo no mínimo estranho e os Cullens se sentiam como se tivessem perdido parte da conversa.

— O Lisandro às vezes costuma entrar com a gente na encrenca porque a Chinita adora ele. Agora tá explicada a atuação incrivelmente realista que ele faz – Maruja respondeu ao passo que o casal Cullen riu levemente.

— Não quero ser idiota, Maruja, mas grande parte das coisas que dizem nos livros não é exatamente verdade – disse Leopoldo para depois contar como Lisandro de la Torre regressara do mundo dos mortos.

Em 1890, quando Lisandro recém era um jovem de 22 anos e recentemente formado em Direito, ele fora passar duas semanas em sua terra natal e lá, durante um passeio a cavalo, um programa muito comum daquela época, o então jovem e pouco célebre Nicolás Lisandro caíra um grave tombo após o cavalo empinar por receber uma pedrada. De la Torre quase morrera em razão do acidente, mas Leopoldo o encontrara semi-inconsciente e usara seu sangue para salvá-lo, mesmo sabendo que se ele levasse algum ferimento grave, seria automaticamente transformado em vampiro, porém, Belmondo achara que tudo ficaria bem, sem saber o quanto estava enganado.

— Mas aquele ferimento do duelo que deixou o rosto dele cicatrizado não foi grave? – perguntou Bella.

— Ferimentos graves geralmente são em órgãos vitais, especialmente coração, estômago e medula óssea. Apesar de cérebro, fígado, bexiga, traqueia, pulmões e córneas também serem considerados nesse caso – respondeu o vampiro.

— Nossa, eu nunca tinha ouvido falar nisso antes. Então quer dizer que, quando ele... se matou, o seu sangue se espalhou por todo o sistema dele, fazendo ele voltar à idade jovem e o imortalizá-lo? – Maruja fizera uma dedução baseada na explicação dada.

— Sim, quando ele se “autoimpôs” o ferimento, meu sangue, até então adormecido no sistema dele, trabalhou como um “reconstrutor sistemático”. E quando vi, ele estava na minha casa exigindo explicações ao que não sabia como ele soubera sobre mim, descobrindo depois que alguém, no caso a bruxa Felicia Morresi, havia lhe explicado tudo. Então tive que assumir a responsabilidade sobre ele, mas, controlar o jeito ilimitado do Lisandro se mostrou mais difícil do que inicialmente eu imaginava. Ele, por anos a fio, perdeu completamente a noção do limite. Definitivamente, Lisandro de la Torre foi o discípulo mais trabalhoso que tive até hoje, mas quando ele se deu conta dos erros que cometia, tomou juízo, mas ainda hoje ele é muito esquentado – disse Leopoldo ao que uma resposta veio aos ouvidos de todos: — É, tudo isso é verdade, mas, eu acho que você também deve ter se sentido o tal quando se transformou, não?

— Porra, Lisandro! Não faz isso, cara! – Maruja tomou grande susto enquanto o casal Cullen saltou para um lado.

— Confesso que realmente me senti assim, mas isso durou apenas alguns dias. Mas você passou anos cometendo inúmeros erros e atrocidades que não cheguei nem perto de fazer apesar de ter tido a chance. Eu achava que você ainda seria o mesmo Lisandro bom e íntegro que usava o diálogo para combater o mal... – ele dizia quando foi interrompido: — Você, melhor do que ninguém, deveria saber o que eu sofri por conta do que combatia!

— Nós sabemos – disse Bella inesperadamente e continuando: — Mas se vingar e matar não são sempre as soluções corretas, porém, você ficou seriamente afetado pelo imenso poder que ganhou. Isso se chama stress pós-traumático e pode durar de alguns dias até anos, dependendo do caso e óbvio, tem consequências devastadoras na mente de quem sofre isso. Você, naturalmente, achou que, sendo imortal, podia sair por aí fazendo o que bem entendesse, no caso tudo aquilo que você não podia quando era mortal, sem pensar nas consequências, só que tudo o que nós fazemos tem implicações, que muitas vezes podem deixar marcas profundas que nunca vão embora. Eu sei como é, nós temos um dia ruim e tudo muda, não é isso?

Lisandro não queria, porém, acabou dando razão à Bella mesmo não sabendo como uma garota tão jovem podia conhecer tanto, coisa que o deixara espantado, mas logo estava compreendendo que Isabella Swan Cullen tinha muitas razões para saber exatamente o que estava dizendo.

Apenas alguns segundos depois do silêncio que se fez, Leopoldo convidou todos para um lanche e logo eles haviam esquecido a alternância de assuntos que quase resultou em uma discussão das feias. Assim, a tarde passou e depois dela, pelo menos quatro dias de incertezas e mais investigações pelo caminho, onde nem L e nem Edward haviam conseguido descobrir alguma coisa sobre o ajudante de Mariano Amenábar ou dos amuletos malignos. O misterioso detetive mascarado e o jovem paranormal estavam ficando cansados de ficar sem pistas, porém, não imaginavam que teriam ajuda do mais inesperado dos lados.

Durante a tarde que chegara após as 96 horas passadas, Porcel analisava muitos papéis enquanto uma menina montava fichas, sentada em uma sala próxima.

— Filha, quer comer alguma coisa? Você não tomou café antes de sair comigo – disse o delegado.

— Sim, eu quero uma torrada e um mokaccino, papai – sorriu a menina terminando de escrever um parágrafo.

— Chinita, você tem certeza de que não teria sido melhor você ir com sua mãe para Santa Fé? – Porcel ficava preocupado ao saber que a filha adotiva estava literalmente e sem saber no meio de um fogo cruzado muito perigoso.

— Não ia conseguir ficar longe do senhor, papai. A mamãe entende, você sabe – disse a menina.

— Vou buscar o que você pediu. Fique aí até eu voltar. É perigoso você sair – disse Antonino para em seguida ir buscar o lanche da filha.

A menina continuara escrevendo ao mesmo tempo em que Lisandro entrara na sala onde ela estava: — Oi, Chinita.

— Oi tio Lisandro, tudo bem? – sorriu ela, mas ficando mais séria em seguida: — Vocês já sabem o que realmente está acontecendo? Eu não queria acreditar que fosse algo fora do normal, mas tudo indica que é.

— Chinita, você não deveria se envolver nisso. Por favor, não deixe o seu pai ainda mais preocupado. Já basta você não ter ido para um local seguro com a sua mãe quando teve chance – disse o vampiro.

— Lisandro, tanto quanto sei sobre você ser um vampiro, você sabe o que eu sou, uma sussurrada. Nós conseguimos sentir quando as coisas não são como deveriam ser. Se eu não ficasse, papai estaria em perigo mortal, sei disso. Tem muita gente querendo a vida dele, especialmente aquela promotora maligna – disse Chinita triste.

— Chinita, a Edgeworth não é tão ruim assim. Tudo bem que ela e seu pai se detestam, mas não a esse ponto – disse Lisandro, que se espantou ao ver Maruja chegando com Edward e Isabella.

— La Torre, você sabe muito bem que isso não é verdade. Aquela mulher é má. Ela não pensaria duas vezes em se vingar do papai depois que ele quebrou o trabalho perfeito dela – disse Chinita temerosa ao que Maruja e o casal Cullen entraram sem pedir, com a policial dizendo: — Você tá falando daquela vadia? Ela quer mesmo se vingar do Porcel, aquela puta?!

— Por favor, Maruja, olha o palavreado! Tem uma menina na sala! – exclamou Lisandro.

— Desculpa, cara, mas não suporto sequer ouvir o nome dessa infeliz! O que essa daí já aprontou vocês não tem ideia. Ela é capaz de tudo, e quando eu digo isso, é tudo mesmo, para ela conseguir um veredicto que preferencialmente seja oposto ao que nós queremos. Menos mal que o Porcel consegue culpar quem merece e inocentar quem nada fez! – exclamou Maruja, deixando Isabella e Edward perdidos no assunto.

O casal parecia realmente perdido no assunto quando Edward observou a menina, sentindo que ela diferente das outras pessoas, no que ele perguntou: — Você tem algum dom especial?

— Eu?! – Chinita assustou-se com a pergunta, mas logo ficou tranquila: — Ah, você é um paranormal. Então você sabe o que eu sou.

— Você é uma sussurrada. As que podem saber qualquer coisa somente vendo um pequeno fato – disse Cullen assustado para depois perguntar: — Como pode ser? Eu sempre achei que isso não passasse de uma lenda.

— Isso não é lenda assim como qualquer coisa que você viu até agora – Porcel surpreendeu a todos voltando com o lanche da filha: — Desculpe se não contei antes, mas eu já sabia sobre Lisandro e Molina. Aquela coisa toda na frente do “La Chacarita” e depois lá dentro não passou de pura encenação, mas eu não podia deixar tão evidente a verdade sobre Chinita. Ah, o juramento foi verdadeiro, garanto.

— Então quer dizer que...? – Lisandro olhou incrédulo para Porcel, que respondeu: — A Chinita me disse sobre vocês dois, mas sempre me alertou de que não deveria temê-los. Claro que fiquei receoso no começo, mas, me acostumei. Claro que... não foi tão fácil assim.

— Eu consigo imaginar – Lisandro bufou ao que Porcel disse: — Como se fosse extremamente simples conviver com alguém que vive de sangue. Só porque você quer.

— Por favor, vocês dois! – exclamou Maruja para depois dizer: — A cidade sendo aterrorizada e todo mundo discutindo?! Façam-me o favor! Temos mais o que fazer nesse momento caso ninguém tenha se dado conta.

Todos concordaram e logo foram para outra sala, pois Maruja estava com um mapa da cidade e o usaria na tentativa de encontrar prováveis pontos onde Mariano teria escondido os amuletos manipuladores malignos, que segundo a pesquisa feita por Edward dias atrás, se chamava “Horcrux”, em razão de ser capaz de prender almas desesperadas ao mundo e que era criado usando sangue de pessoas puras, preferencialmente crianças e pó de acônito somado a uma magia rimada que tinha que ser proferida três vezes: “Prenda este espírito a este mundo a que um dia pertenceu, a este que se tornou imundo”.

Já na sala, Maruja Córdoba abriu o mapa sobre a mesa e disse: — Eu sei que isso pode não ser a melhor solução, mas no momento é tudo o que nós temos. Vocês tem alguma ideia de onde Mariano Amenábar poderia ter escondido esses amuletos diabólicos?

- Olha, eu não sei se é a melhor sugestão, mas, será que de repente, isso se considerarmos que os espíritos que vimos até agora são bem famosos, será que os amuletos não foram escondidos nos cemitérios da Recoleta e da Chacarita? – questionou Bella.

— Não quero desmerecer sua ajuda, mas seria muito óbvio. Esse vampiro parece ser um cara bem esperto. Ele não seria louco o suficiente de deixar tão na cara isso – disse Lisandro, que se viu obrigado a atender ao telefone: — Oi? Ah, tudo bem, Belmondo, vou avisar a eles.

— Leopoldo ligou nos convidando para jantar na casa dele, pois ele já tem um plano para pegar o Amenábar – disse Lisandro e quando os outros responderiam, Chinita entrou na sala sem aviso: — Tracem um pentagrama no mapa da cidade e vocês vão saber as localizações dos amuletos!

— Mas por que um pentagrama? – perguntou Porcel que logo depois disse: — As vozes na sua mente falaram?

— Esses amuletos são satânicos, então eles estão escondidos de modo a formar um pentagrama, o símbolo máximo da bruxaria. Mas eu não sei o motivo disso, porém, acho que esse Mariano está planejando algo grandiosamente maligno – disse a menina ao que Porcel a abraçou: — Por que logo você tinha que estar aqui?! Temo por sua vida! O seu dom pode acabar ameaçando sua existência ou até coisa pior.

Apesar da emocionante cena, Maruja logo tratou de pegar um prato do armário para traçar um círculo sobre o mapa e após isso, usando uma régua encontrada na gaveta da mesa, traçou cuidadosamente uma estrela dentro do círculo e contando, dentro dela, descobriu dez pontos, perguntando em seguida: — Por acaso os outros dois amuletos estariam no centro da estrela?

— Sim, provavelmente eles são os principais dos doze colocados. Os pontos vão convergindo até chegar ao centro, se contarmos as pontas, a parte que forma um pentágono ao contrário e o meio da estrela – disse Chinita se perguntando o que o vampiro malvado reservava para sua linda capital.

— Nós temos que reportar isso ao Leopoldo rapidamente e olhar com cuidado os pontos onde o pentagrama se desenha para termos a localização correta de cada amuleto. Pelo menos vamos saber aonde ir para acabarmos com isso de vez. Não vai ser fácil, mas temos que seguir – disse Edward sorrindo para a jovem Chinita.

Porcel olhou atentamente e logo anotou em sua caderneta os bairros da cidade portenha onde os amuletos malignos estavam localizados: Belgrano, Vila Devoto, Mataderos, Nueva Pompeya, Retiro (no limite com San Nicolas) Almagro, Vila Crespo (no limite com Almagro), La Patemal, Vila Santa Rita, Parque Chabuco e no centro, o bairro Caballito, somando onze locais onde eles deveriam procurar.

Após terminar as anotações, Porcel fechou a caderneta e tratou de procurar mapas de cada um dos bairros anotados para assim marcar de forma exata cada ponto onde os amuletos estavam ou pelo menos alguma coisa próxima para que eles não tivessem que fazer trajetos desnecessários ou longos demais, pois naquele momento, tempo era o que menos eles tinham.

Entretanto, sobravam inimigos e eles não estavam dispostos a dar trégua, o que fazia Porcel e Edward terem algo em comum naqueles difíceis dias: eram capazes de tudo por aqueles que amavam.

Até mesmo matariam por isso.

Notas finais
No me arrepiento de este amor: http://letras.mus.br/gilda/195671
Se me ha perdido un corazón: http://letras.mus.br/gilda/280496/
Apresentando:
Chinita Porcel: http://imageshack.us/photo/my-images/543/66547665.jpg/
Promotora Edgeworth: http://imageshack.us/photo/my-images/27/23012b.jpg/ (Futura personagem, vilã)
Maruja Córdoba: http://img138.imageshack.us/img138/2808/maruja.jpg
Antonino Porcel: http://img62.imageshack.us/img62/2746/45029178.jpg
Molina: http://img840.imageshack.us/img840/6782/72285575.jpg
Lisandro: http://img18.imageshack.us/img18/6707/lisandrodelatorre01.jpg
Leopoldo Belmondo: http://img857.imageshack.us/img857/3171/52241020.jpg
Mapa de Buenos Aires marcado com o pentagrama: http://imageshack.us/photo/my-images/405/mapabuenosairesturistic.jpg/
Curiosidade da fic: O sobrenome do Leopoldo, "Belmondo", foi tirado da franquia japonesa de jogos Castlevania, cujos protagonistas quase sempre são da família de caçadores de vampiros "Belmont", que no original japonês é "Berumondo".
http://pt.wikipedia.org/wiki/Castlevania