Cidade Sitiada

2 Capítulo 01: Está tudo bem agora (?)


Notas iniciais
O começo da jornada de Beward por Buenos Aires.

Após a horrível situação do posto de gasolina, Bella e Edward acabaram por fim dormindo na casa de Maruja, mas, antes disso, não puderam esconder o espanto ao ver que a casa dela não parecia ser uma que fosse possível comprar com o salário que ela ganhava ao que a policial dissera que sua madrinha, uma rica mulher chamada María Sosa, que lhe acolhera e dera emprego a sua mãe após a morte do pai, dera de presente de formatura.

No dia seguinte, os dois acordaram, e se vestiram, após uma tensa noite de sono que fora povoada por pesadelos relacionados à horrenda e sanguinária noite anterior...

— Vou ficar desse jeito pelas próximas semanas. Esse pesadelo horrível, as lembranças ainda vivas e muito pior, a raiva cheia de lágrimas daquela coisa. Eu... – Edward dizia quando Bella o abraçou, interrompendo-o: — Por favor, não fale sobre isso. Você nada pode fazer pelos espíritos sem paz, só pode vê-los.

— Bella, se você pudesse ter ouvido os silvos de tristeza dele, choraria como eu. A mágoa dele é de cortar o coração! A única coisa que o homem de bigode quer é passar para o outro lado e obter seu descanso eterno. Não posso ver sem me entristecer espíritos sofrendo por estarem presos ao mundo material e sem direito a ter paz! – Edward sofria profundamente por não conseguir usar seu dom para ajudar os mortos que não descansavam em paz.

— Mas como um espírito pode fazer aquela carnificina de ontem? Até onde sei, espíritos são seres incorpóreos que não podemos sequer tocar – dizia Bella, que ainda tinha muito medo do dom paranormal do marido.

— Nesse caso eu não sei explicar, Isabella, mas o taxista nos disse que não iríamos querer saber quem era aquela coisa, como surgia e do que é capaz, mas uma pista eu já tenho ou pelo menos eu acho que é: eles são movidos a sentimentos ruins – Edward conjecturava quando Isabella o interrompeu: — Não vamos transformar nossa lua de mel em um desastre, pelo amor de Deus. Quanto menos nos metermos nisso, melhor. Agora é com a polícia, você sabe disso.

— Mas você já sabe que a polícia não vai chegar a lugar algum, sim? Vinte homicídios não terão solução e as famílias sofrerão ao extremo mesmo sabendo que seus filhos, ou parentes, eram inimigos da lei. E Bells, você sabe o quanto sofro imaginando isso, considerando... – o jovem dizia tristemente quando Bella o abraçou: — Por favor, não pense mais nisso. Os seus pais, apesar de terem morrido dezesseis anos antes de o assassino ser pego, já tiveram a devida justiça e quem fez isso está pagando na prisão.

— Permiso? Desayuno? – Maruja surgiu na porta já pronta para sair.

— Sí, señorita Córdoba – respondeu Isabella com um espanhol perfeito.

Os três agora tomavam café juntos e quase não disseram nada durante a refeição, preferindo não comentar nada sobre a noite anterior enquanto Edward refutava seu juramento de nunca revelar nada a nenhuma outra pessoa sobre seu dom paranormal e Maruja atendia seu telefone: — Hola? Madrina?... Sí, te oigo. ... Cierto, ya que insistes, voy a la fiesta que vas a dar. Te importas que yo lleve unos amigos míos? … Gracias, mi ángel amado.

— Não podemos, senhorita Córdoba! Não conhecemos praticamente ninguém na cidade – Edward se sentia profundamente constrangido.

— Eu insisto. Sei que só nos conhecemos ontem, mas, gostei de vocês dois – sorriu ela para depois continuar: — Não costumo gostar de pessoas assim de cara, porém, senti uma energia tão boa em vocês que não pude evitar querer fazer amizade.

O casal riu, admitindo que, apesar de terem conhecido a policial a tão poucas horas, também haviam gostado muito dela e também adorariam que ela fosse amiga deles.

Afinal, eles acabaram aceitando o convite da policial.

....

— Quiero su cabeza en bandeja de plata! – exclamou alguém dando um enfurecido soco em uma mesa, acabando por quebrá-la, dada a imensa força usada no golpe.


— Por favor, señor, no te quedes así! Tengas calma, mi maestro! – o espanto de outro alguém se fazia.


— Como posso ter calma depois do que aconteceu?! Aquele maldito matou minha tropa de reconhecimento e pagará por isso com seu sangue podre! – gritava o alguém com uma raiva tão grande que ninguém ousava se aproximar dele.


— Senhor, nós iremos encontrá-lo e dar-lhe o que merece, eu garanto isso. E se não puder cumprir a garantia, permito que arranque minha cabeça – disse outro se curvando respeitosamente.


— Eu sei que tu és capaz, Alfonso, pois jamais falhou em cumprir nenhuma de minhas ordens, mas digo-te, ele não é como nenhum dos outros que já conheci. Recomendo-lhe muito cuidado, meu estimado guerreiro, pois não quero perdê-lo. Precisarei de ti e dos outros mais do que nunca agora que as Expressões estão aumentando em número e este mau caráter pretende tirar-me de meu posto. Se a Argentina cair nas mãos dele, não só o país que adotei como meu estará em perigo, mas também o resto do continente e do mundo, pois se minha suspeita estiver certa, ele está apelando para os métodos mais baixos, que não são dignos sequer do próprio Demônio em pessoa – disse ele mexendo no anel de rubi que usava, cuja grande pedra cuidadosamente talhada em forma de um triângulo indicava que ele ocupava uma posição extremamente importante em uma misteriosa e bem organizada hierarquia que se escondia nas sombras.


....


A noite já caía em Buenos Aires quando Maruja terminara seu turno e a mesma aceitava a carona de seu amigo detetive Lisandro: — Te agradeço.


— Você sabe que sempre pode contar comigo, garota. Então você fez amizade com os turistas estadunidenses e vai levá-los à festa da sua madrinha – riu o detetive.


— Seja lá o que for que tenha feito aquele horror de ontem, eu sinto que é melhor deixá-los em segurança até isso terminar. Algo me diz que tem coisa estranha acontecendo – disse a policial investigadora.


— Sinceramente, nenhum ser humano normal poderia fazer algo daquela magnitude horrenda. E quer saber? Eu acho que aquela coisa era um robô controlado por alguma coisa e que fez todo aquele horror a mando de quem o construiu. Mas o porquê ainda permanece um mistério – disse ele.


— E só para te dizer mais sobre as testemunhas, elas precisam relaxar. Depois de ontem, eu duvido que eles vão conseguir dormir por um bom tempo, então, preciso tentar garantir que eles tenham uma boa lua de mel enquanto estiverem aqui e que possam ter noites tranquilas de sono – disse Maruja, que ficou surpresa com sua frase, considerando que ela mal conhecia os dois, porém, a policial sentia que era melhor manter o casal em sua casa. O problema real seria convencê-los, já que Bella parecia disposta a procurar um lugar onde eles pudessem se hospedar.

Entretanto, ao chegar em casa após ser levada por Lisandro, ficou feliz ao ver que o casal já se acomodara, mas mantinha a educação, pois as coisas estavam rigorosamente arrumadas e inclusive algumas roupas estavam lavadas e secando no varal, algo que Maruja já havia esquecido há quase duas semanas...

— Até isso a Isabella fez! Meu Deus, eu ando muito descuidada ultimamente, mas também, esse trabalho quase me tira o sangue todos os dias!

— No fim, decidimos realmente ficar. Eu e Edward conversamos sobre o que aconteceu e achamos melhor ficar a disposição da polícia caso precisem novamente da nossa ajuda e também porque acho que seria muita ingratidão e desfeita negar a hospitalidade que você ofereceu sem nem ao menos perguntar quem éramos – disse Bella sorrindo ao ver a nova amiga chegar.

— E resolvemos retribuir dando uma arrumada na casa – riu timidamente Edward.

— Como eu disse, gostei muito de vocês e temo por sua segurança, considerando tudo o que aconteceu ontem. Então, é melhor mesmo que fiquem aqui comigo enquanto as investigações correm – sorriu a policial, mas no fundo, ela tinha outro motivo para mantê-los ali: sentia-se profundamente solitária na maioria dos dias, tendo como única companhia sua gata siamesa Usagi, que já era idosa. Maruja quase não tinha amigos e era considerada por muitos uma pessoa arisca, calada e com uma estranha tendência para a solidão. A profissão explicava parte desse detalhe de sua vida, porém, a trágica morte do pai em um incêndio ocorrido em um cinema era o verdadeiro catalisador.

Minutos depois, após fazerem um lanche, os três se arrumaram para a festa de María Sosa e Bella e Maruja encontravam-se incrivelmente lindas, no que Edward soltou um longo assovio: — A dona da festa vai ficar com inveja de vocês duas!

— A minha madrinha é maluca. Ela usa a desculpa das festas para me arrumar pretendentes na tentativa de “não me deixar ficar para tia” – riu Maruja, mas seu sorriso escondia a mais profunda dor.

— Você é linda, deveria mesmo pensar em ter alguém – disse Bella dando um apaixonado beijo em Edward.

— Eu realmente sinto inveja de vocês dois. Felizes e apaixonados. Eu quero alguém, mas ninguém parece servir para uma policial que é faixa preta em artes marciais e que atira como um soldado de elite – Maruja riu novamente.

Os três acabaram rindo e logo saíram para a casa de María Sosa, que já começava a receber convidados de sua maneira alegre e pimpona de senhora rica e excêntrica: — As portas estão sempre abertas para a alegria e a juventude! Bienvenidos a mi casa, amigos míos!

A festa ia a passos, comidas e bebidas soltas quando Bella, Edward e Maruja chegaram após pegarem uma “buseta” (kombi lotação)...

— Cara, isso sim é uma casa de ricos! – exclamou Edward ao ver o tamanho da propriedade.

— Minha madrinha adora flores, por isso esse jardim enorme. A casa é somente uma pequena parte – sorriu a policial.

Somente alguns minutos depois, María recebia a afilhada e o casal amigo dela: — Então são eles?! Que belos turistas americanos! Vocês vão amar Buenos Aires! Até duvido que queiram ir embora depois!

— Guy Williams que o diga, doña María – disse uma voz que arrepiou a espinha de Edward.

— Leopoldo! Não assuste os recém-chegados desta forma! Fica parecendo que você gosta de pregar sustos, mi Ruso cabeza de viento! – riu a senhora Sosa virando-se sem ao menos ter notado que Maruja suava frio e tremia ao vê-lo enquanto Edward e Bella tentavam entender aquela reação.

Uma única coisa a policial pensava repetidamente quando o estranho misterioso aproximou-se mais um pouco: — Cual és tu nombre, señorita?

— Maruja, Maruja Córdoba, señor Leopoldo – respondeu ela cedendo educadamente a mão para que ele a beijasse e sentindo um estranho frio correr por ela.

— What’s your name, my fair lady? – perguntou Leopoldo para a jovem americana.

— My name is Isabella Swan and I from Seattle, Washington, USA – sorriu ela, que também teve sua mão beijada por ele e sentiu a mesma sensação de frio cortante.

— And you? – perguntou ele a Edward.

— I am Edward Cullen, husband of Isabella. Nice to meet you, Mr. Leopoldo – respondeu educadamente o jovem.

— Nice to meet you, too, Mr. Cullen – disse ele oferecendo-se para apertar a mão de Edward, ao que o aperto dado deixou Cullen com a sensação de que estava apertando a mão de um cadáver, tamanha a frieza do aperto e os dedos dormentes, dada a força do mesmo, como se apertasse uma barra de aço.

O ortopedista se perguntava como um homem tão magro podia ter tanta força, considerando que Leopoldo não tinha mais que 1,75 m e sua magreza parecia torná-lo ainda mais esguio do que ele já era. Outra coisa que o espantara era o corte perfeito do terno negro da cabeça aos pés que parecia contrastar com a pele branca e quase pálida que ele possuía. Os olhos, de um verde acinzentado, perturbavam-no. As mãos eram lisas e levemente ossudas e suas unhas eram longas e cortadas em ponta ao estilo navalha e um rolex de ouro enfeitava-lhe um pulso enquanto um anel com um imenso rubi esculpido em triângulo destacava-se no médio da outra mão. O brilho da pedra era tal que chegava a ofuscar os olhos de Edward.

O rosto de Leopoldo era o que realmente chamava a atenção do americano: não era bonito e nem muito atraente, embora ele não pudesse dizer que era feio demais e a ondulação do cabelo castanho escuro parecia dar ainda mais destaque aquela face branca e semipálida. Inclusive, quem o olhasse, diria que Leopoldo não passava de um homem qualquer em algum lugar. Mas a verdade era bem outra. Entretanto, no fundo, o jovem sabia que havia algo muito errado com ele, só não sabia dizer o que.

Após tantas formalidades, uma centelha de amizade pareceu surgir no salão e tudo parecia voltar ao normal.

Apenas parecia...

Notas finais
Onde será que essa história vai? rsrsrs.