Cidade Dos Corvos
11 Cidade dos Corvos: Capítulo Onze: O Pacto dos Cinco. ÚLTIMO CAPÍTULO DA TEMPORADA
CAPÍTULO ONZE: ÚLTIMO.
Garagem da residência dos Collins.
Meu celular apita e é uma mensagem de Júlia.
“Me liga hoje por favor. Preciso ouvir a sua voz. Te amo.”
Respondo.
“Hoje à noite eu te ligo. Preciso muito falar com você.”
Residência dos Mathersons.
Eduarda está quieta vendo um anuário antigo da escola, até que vê a foto de uma menina loira de olhos azuis. Abigail Wheeler. Ela passa uma folha e lá tem “In Memoriam 1992” ela vê a foto de Abby e de mais quatro jovens.
Escola.
Laboratório de Química.
Eduarda entra e vê uma placa onde dizia. “Em honra as vítimas do incêndio no laboratório.” Ela continua andando e olhando as coisas ao seu redor, mas decide sair do lugar e ao fechar a porta ela escuta os gritos das pessoas que morreram, ela volta em direção à porta e ao olhar ela vê tudo pegando fogo e uma pessoa toda queimada aparece na janela e ela se assusta e vê que tudo não passava de um devaneio.
À noite na residência dos Mathersons.
Heleno está cortando tomates quando ouve um barulho.
– Olá? – Ele chama. – Mãe? – Mas ninguém responde e Eduarda aparece. – Está me evitando? O que está acontecendo? Precisamos saber o que falar aos policiais. – Heleno ia falando e Eduarda não falava nada e andava como se não tivesse nem prestando atenção no que ele falava. – Mamãe me disse que mentiu quando perguntaram da Abby, mas se entenderem que era só para proteger o papai...
– Papai não estava louco. – Eduarda falou.
– Eu sei, mas um promotor pode distorcer os fatos.
– Mamãe disse que o papai pensou que Abby queria fazer contato com ele. E acho que ela estava.
– Como você saberia?
– Porque acho que ela estava tentando fazer contato comigo também.
– Abby Wheeler está morta, Duda.
– Eu a vi no funeral ontem. Ela estava no túmulo do papai.
– Talvez fosse alguém parecido.
– Não. Era ela, entendeu? Fui ao laboratório onde ela morreu, eu vi... – Eduarda desiste de falar.
– Tudo bem.
– Eu...
– Está tudo bem.
– Eu acho que ela é parte do modelo da Mykaella, assim como nós.
– Eduarda, eu não posso... Você não pode acreditar nisso.
– Papai acreditou. Sei que parece insano, mas você precisa me ajudar. Não posso fazer isso sozinha.
Residência dos Beaumonts.
Mykaella está sozinha na cozinha enquanto seus pais assistem TV na sala, ela resolve mexer nas coisas da mãe para ver se descobre mais alguma coisa.
– A unidade inteira dela foi vaporizada. Como ela sobreviveu? – Mykaella perguntou a si mesma. Seu celular apita e é uma mensagem de Dyêgo.
“Encontre-me no pátio da casa dos Collins. Precisamos conversar.”
Residência dos Collins, quinze minutos depois.
– Trabalha para o Collins agora? – Mykaella perguntou a mim.
– Não é um plano de carreira, é só enquanto consigo respostas. – Respondi.
– Obrigada... Por acreditar em mim.
– Tem algo que deveria saber... Sobre Ellen.
Nesse momento a gente vê duas pessoas vindo, mas não conseguimos ver quem era.
– Quem é? – Perguntei.
– Estou pronta para falar. – Falou Eduarda.
Era Eduarda e Heleno.
Nós entramos no lugar onde eu “moro”.
– Vocês não me conhecem do Adam. Mas sou bem racional. Então isso... Não é algo fácil de dizer... Ellen ainda está aqui. Eu a vi. Falei com ela. – Falei.
– Quer dizer... O fantasma dela? – Mykaella perguntou.
– Sim. – Respondi. – E só estou dizendo isso a vocês, pois ela está com problemas. Ela está aqui, e há outros espíritos... E não sei como ajuda-la.
– Você só pode está zoando com a minha cara. – Falou Heleno.
– Acredito em você. – Falou Mykaella.
– Eu também. – Eduarda falou.
– Isso é sério? Mesmo? – Perguntou Heleno a Mykaella e Eduarda em um tom irônico.
– Te falei, isso é Cidade dos Corvos. Descobri que minha mãe deveria ser um fantasma, mas não é. – Falou Mykaella.
– Você disse que havia outros espíritos. Há alguém chamada Abby? – Perguntou Eduarda.
– Eu não sei, acho que ela não pegou nomes. – Falei.
– Acho que ela quer mesmo falar comigo. – Falou Eduarda.
– Pessoal. Sou o único vivendo no mundo real? – Perguntou Heleno.
– Não viu o fantasma? – Perguntou Mykaella.
– Não. Eu só estou aqui pela Duda. – Heleno pega um panfleto.
– Me dê isso. – Falou Eduarda olhando para uma placa branca de metal com um monte de letrinhas com imãs grudadas nela. Heleno pega e a entrega. Ela coloca a placa no centro da mesa. – Acho que meu pai encontrou o mesmo padrão de você. Talvez depois que Abby morreu.
– Espere. O que te faz pensar que ela quer te contatar? – Perguntei e Eduarda.
– Eu a vi. Duas vezes. Não sei como sei se está nos olhos dela, ou na minha mente. Mas ela está tentando se comunicar, nos alertar. – Eduarda escreve nos cantos direito e esquerdo superiores da placa “sim e não” com as letrinhas.
– Nos alertar do quê? Sobrevivemos ao acidente. – Falou Heleno.
– Mas não acabou Heleno. Todos sentimos isso. Alguém ainda está esperando para vir até nós. – Falei.
– Precisamos de respostas. – Falou Eduarda afastando as letras dos nomes sim e não.
– Uma sessão espírita? – Heleno falou.
– Não, isso se chama Ouija. – Falou Eduarda.
– Não se parece com um Ouija. – Falou Mykaella.
– Fiz o mais fiel possível. – Falou Eduarda.
– Está falando sério? – Perguntou Heleno.
– Sim. – Falou Eduarda.
Eu e Mykaella apagamos todas as luzes da casa e deixamos só a luz do abajur acesa.
– Não deixe eles fazerem isso. Esses espíritos. Acho que não querem ajudar ninguém. – Ellen falou surgindo de repente.
– Um deles quer se comunicar. – Falei pra Ellen. – Eduarda parece certa disso.
– Só tenho um mau pressentimento. – Ellen falou.
A gente se senta em volta da mesa.
– Ellen quer que sejamos cuidadosos. – Falei.
– Anotado. – Falou Eduarda. – Todos mantenham olhos e ouvidos abertos. Se algo ficar esquisito, digam algo e nós paramos.
Nós colocamos as mãos num círculo no meio da placa.
– Como começamos? Só chamar pelo nome? – Perguntou Mykaella.
– Primeiro as regras, vocês nunca podem jogar sozinho, nem em um cemitério e sempre dizer adeus antes de acabar. Segundo a gente faz um circulo para cada pessoa aqui sentada. Um, dois, três, quatro. – Eduarda falou fazendo os círculos. – E agora eu falo. Corações sinceros reunidos estamos. Espíritos próximos os invocamos. Quero falar com Abby Wheeler. Meu nome é Eduarda Matherson. Charles era meu pai. Vi você no túmulo. – Eduarda fala, mas não acontece nada.
– Estamos fazendo certo? – Heleno pergunta.
– Abby... – Na hora que Eduarda fala alguém bate na porta e todos tem susto, inclusive Ellen que assiste tudo caladinha.
Eu me levanto e vou até a porta e ao abrir não tem ninguém. Eu saio e olho pra baixo e vejo um vulto.
– Sr. Collins? – Pergunto, mas ninguém responde. Eu acendo uma lanterna e desço.
Lá em cima Eduarda e Mykaella põem a mão mais uma vez no círculo.
– Talvez devêssemos... Esperar ele voltar. – Falou Heleno e Mykaella e Eduarda olham pra ele com um semblante de raiva, e ele coloca a mão.
– Abby, se tem algo a dizer, conte-nos. – Eduarda fala e alguma coisa faz barulho.
– Ouviram isso? – Ellen pergunta, mas nenhum ali pode ouvi-la. Mais uma vez um barulho, alguém chamando Abby. – Pare com isso! Cale a boca! – Ellen começa a gritar com a voz e de repente ela estava no corredor da casa e alguma coisa a empurra várias vezes. – Abby você está aqui?! – Ellen gritava. – Por favor, fale com a gente! – As luzes começam a pegar fogo e alguma coisa começa a fazer um barulho muito alto e ela põe as mãos nos ouvidos. – Por favor! Eles são tão jovens. Assim como você era. Assim como eu era. Por favor, não deixe que eles morram também. – Os barulhos param e ela ouve um telefone tocando, ela segue o barulho até entrar em uma sala e o vê tocando, ele se mexe e o gancho sai sozinho. Ellen vai até ele e põe o ouvido perto. – Alô. – Ela fala, mas só ouve um chiado. – Abby? – Ela chama, mas só ouve um sussurro e não escuta ninguém falando com ela. – Abby, por favor, fale com a gente. Precisamos saber contra o que vamos lutar.
Após ela dizer isso ela volta para o mesmo lugar que estava antes.
– Abby, você está aí? – Eduarda falava ainda com as mãos no tabuleiro. E dessa vez as mãos deles se movimentam para o “SIM”.
– Você fez isso, certo? – Heleno perguntou a Eduarda.
– Não, não fiz. – Falou Eduarda.
– Ela está aqui. – Falou Mykaella. E Ellen fez uma cara de assustada.
– Abby, meu pai descobriu a maldição de Cidade dos Corvos? – Eduarda perguntou. E mais uma vez as mãos se movimentam pro sim.
Enquanto lá fora eu saio pra ver quem era que estava por ali e vejo Rafael.
– Inacreditável. Eu trabalho aqui quase um ano, e não posso colocar o almoço na geladeira. Você está aqui há uma semana e já tem as chaves do reino. – Ele falou pra mim.
Lá em cima.
– Abby, meu pai está com você? – Eduarda continuava perguntando. E dessa vez a resposta foi não. – Foi a maldição que matou meu pai? – A resposta foi sim. E as coisas começam a tremer e o lustre começa a soltar os parafusos.
– Pessoal. Estão fazendo muito barulho e com uma frequência muito ruim. – Ellen falava assustada. E o lustre soltou mais parafusos e a qualquer momento poderia cair em cima de Mykaella, Heleno e Eduarda. – Alguém está vindo. – Ellen falou e o teto começa a rachar. – Dyêgo! – Ela grita.
– O assassino do meu pai está tentando nos matar? – Eduarda continuava fazendo perguntas ao espírito. E a resposta foi sim. Dyêgo entra em casa e as portas e janelas se fecham e se trancam sozinhas.
– Já chega. – Heleno falou assustado.
– Não, precisamos de respostas. – Mykaella falou.
– Precisamos descobrir como parar com isso. – Eduarda falou.
As letrinhas se mexem sozinha formando a palavra “cinco”.
– Dyêgo, acabe com isso agora! – Ellen falava muito assustada e vendo o teto se rachar mais ainda e o lustre quase despencando.
– Precisamos de respostas. – Falei.
– Porque isso está acontecendo? – Eduarda perguntou.
As letras formaram mais uma palavra “pacto”. E o lustre despenca.
– Gente, cuidado. – Ellen grita batendo com a mão no tabuleiro o fazendo cair da mesa e Mykaella, Heleno e Eduarda se assustam e saem de perto e o lustre cai no centro da mesa e por pouco não caem sobre eles. Depois de Ellen ter feito isso ela começa a brilhar.
– Ellen? – Mykaella falou a vendo. E todos ficam admirados.
Residência dos Collins.
– Eu disse que o último jardineiro se aposentou. – Falou O Sr. Collins a Carla.
– Provavelmente para sempre. Ele acha que as manchas são ferrugens. – Falou Carla olhando para a garagem.
– Ele está dando uma festa? – Perguntou o Sr. Collins.
– Ele tem convidados. – Falou Carla. – Talvez do tipo que ele não deveria convidar.
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