Cidade De Heróis
3 Máquina-Humana
–Ei, Steggerson! Horário!- grita o treinador. -Por que não bota essa sua cabeça mole para pensar?
Invento uma desculpa.
–Desculpa treinador, eu só não comi o café da manhã.
–Refeição mais importante do dia! Que droga você estava pensando?- ele para, olha pra todo mundo, e diz: -Vamos todos bater palma pelo cabeça mole, aqui.
Ninguém bate palma. É um erro levar o que o treinador fala a sério. Mas só estou pensando nas pessoas no hospital. Que isso é culpa minha também.
–Então, vamos começar. Steggerson, você fica no time do Peter. Konah, você fica com Stiles. Pharrels, Peter. Gunter, Stiles...
E ele vai chamando todo mundo. E como sempre, eu acabo ficando no time adversário do Ethan. O treinador examina as pessoas que faltaram, parte delas por causa da explosão. Isso me dá um soco no estômago.
–Ethan, Steggerson, vocês pulam. Se alguém quer reclamar sobre basquete duas vezes seguidas, saiba que faltam seis dias para os torneios e não quero nenhum molenga aqui. Entendido, Leyland?
Leyland balança a cabeça freneticamente.
–Ótimo! Vamos começar...- ele se move para o meio, sinaliza a bola e conta: -Em 3, 2, 1 e vai!
Ele apita, e eu pulo. O mundo parece ir mais lento... eu alcanço o máximo que posso, e o chão desce. Eu pego a bola no ar, e dou mortal antes de cair. Com uma mão, quico a bola até a cesta contrária. Ethan me alcança, tenta pegar a bola...
Eu dou uma giratória, fintando Ethan, segurando a bola e pulando... sei que não vou conseguir... estou abaixo demais...
Engano meu! Eu voo pelos ares, ou é o que me parece, até enfiar a bola na cesta com a própria mão.
Caio direto. A bola também.
O meu time exalta, o adversário empalidece. O treinador vibra.
–Que merda foi essa, Steggerson? Você fez ginástica olímpica? Ou basquete profissional? Você TEM que participar do nosso time. Tá dentro!
Eu sorrio. Mas não posso parar de pensar.
Que diabos foi aquilo?
Vamos andando ao vestiário. Eu me sinto esquisito. Talvez o que eu saiba que aquela pedra também deveria ter me deixado o vírus, mas tanto assim?
Visto um par de luvas para tapar a minha mão negra. Não quero que mais ninguém perceba isso.
–Oi- alguém me chama. É uma voz feminina. Já sei... -Tudo bem ai?
Estamos no refeitório, onde Caitlin acaba de me chamar. Peguei a comida de sempre, evitando qualquer coisa que ainda não foi nomeada.Sorrio ao ver seus cabelos loiros e morenos, uma mistura que deixa ela linda. Tento não pensar muito nisso, mas não tem jeito.
–Tudo.- eu respondo. -Então... por que foi que você faltou o primeiro dia?
Ela senta, colocando a bandeja na mesa. Faço o mesmo.
–Eu tava ajudando a meu pai a arrumar a casa. Nós acabamos de chegar aqui, nessa cidade. Meu pai é bem relaxado. Ele aceitou. Sabe, somos só nós três, eu, meu pai, e a minha irmã, e minha irmã tinha um trabalho de um dia, e eu fiquei ajudando meu pai.- ela parece triste por um momento? Imagino.
–Por que sua irmã não tá aqui?- me arrependo de ter perguntado, porque ela fica a ponto de chorar.
–Ela estava num trabalho. Era na fábrica.- ela pausa para retirar a lágrima que escorria o rosto. Eu me assusto. Fábrica? -Aquela que explodiu... ela estava de vigia.
Bosta, eu penso. Mas ao invés disso, eu digo:
–Sinto muito.
–Não precisa... não foi sua culpa.- ela fala inocentemente.
Haha. É assim que a justiça joga. Meu rosto endurece.
–Eu quebrei o braço na explosão... mas minha irmã ficou em coma. Eu queria que fosse o contrário.
Pego a mão dela. Eu não deveria. Se ela soubesse...
–Não foi sua culpa.- eu sei disso. Se não posso me culpar, já sei quem.
Saio da escola exaltado, pronto para colocar minhas mãos no Edward. Foda-se se ele está machucado, ou preso... ele vai sentir minha ira.
No caminho, Leyland me chama.
–Ei! Cara! Espera!- ele grita. -Onde você vai?
Eu minto:-Para casa, ué. Que foi?
–Que foi? Que foi aquilo na aula de educação física?- ele fala. Não quero ficar para responder. -Me diz a verdade! Que droga de músculo você vem usando?
–Nada. Eu só tentei fazer isso hoje.
–Ah, então você sempre foi capaz de dar saltos incríveis, né?- ele suspira. -Eu disse a verdade.
–Eu já disse. Agora, tchau.
–Ei, espera! Eu vou com você...
Meu telefone toca. É uma mensagem. E de quem... Edward. Abro o celular, e tento ler a mensagem. Está muito claro para uma noite.
Me encontre hoje a noite. Precisamos conversar com o grupo inteiro. A rua na frente da minha casa, AGORA.
–Eu tenho que ir.- digo, apressadamente.
–Quem é Edward?- Leyland pergunta.
–Ninguém.- e começo a correr. Pego minha máscara rasgada no fundo do meu guarda-roupa. Corro rapidamente até o local. Pulo os carros. A quatro pessoas me esperando. Parece que todo mundo conseguiu fugir.
–Ah, Jack, nossa celebridade.- começa Edward. Seus olhos estão negros? -Você ajudou muito aquela última noite, sabia?
–Se VOCÊ tivesse me dito o que aquela pedra era, tudo podia ser evitado.- eu retruco, nervoso.
–Eu te disse para procurar uma maleta preta de metal. Ao invés disso, você achou, e George o Curioso não resistiu, né, garoto?- ninguém responde. Todo mundo está do lado de Edward. Ele aponta pros olhos. -Viu o que você fez com a gente? Nos destruiu. Eu não tenho mais olhos! Seu canalha! Você vai pagar por isso!
Os outro quatro me seguram. Eu tento revidar, mas eles tem uma força sobrenatural.
–E a curiosidade...- continua Edward. -...matou o gato.
A mão dele vai se transmutando, alongando e acinzentando. Num piscar de olhos, é uma espada.
Ele se aproxima. Eu tento alcançar a minha raiva. Meu auge. Meu poder. A espada encosta lentamente na minha garganta... e eu enlouqueço. Minhas mãos brilham como a pedra. Eu giro, e os quatro caem, meus punhos brilham, meus olhos também. Estou queimando.
Edward ri. Ele transforma a outra mão em um cano longo, e atira.
Eu desvio.
–Você sempre foi o esquentadinho, né?- ele tenta me irritar.
Eu penso em algo para rebater, desviando das balas ao mesmo tempo.
–Ao menos eu não sou o homem morto.
Ele sorri.
–Veremos.
Meu punho esquenta o máximo que posso, e soco a parte esquerda do rosto do Edward. Minha raiva é filtrada em chamas. As chamas me dão um impulso, e jogo Edward contra um dos carros. Ele se levanta. Seu rosto está queimado.
Seu rosto se transforma em metal, e logo depois o corpo inteiro.
–É ótimo ver que você é forte... assim, vai ser mais divertido.
Tento socá-lo novamente, mas ele pega minha mão, e dói, ele aperta com toda a força. Posso ouvir os ossos se quebrando.
–Argh!!!
–Lute mais forte, estúpido!- ele me joga contra o outro lado da rua.
Eu concentro minhas chamas para as minhas mãos. Parece tão fácil... e agora que sei que tenho, uso com meu ódio, pensando em destruir Edward.
Meu fogo é jorrado contra o Edward, queimando seu metal, quase derretendo-o. Dessa vez, eu que sorrio. Mas de repente um rinoceronte maior que o normal me ataca, e eu caio, sentindo meu fogo escapar de mim. Olho para o rinoceronte, enquanto ele diminui, fica em duas patas e logo depois vira Christian.
Eu estou ferrado. Edward coloca a espada no meu pescoço, levanta ela, pronto para fazer o último golpe...
Mas nada acontece.
Olho para cima. Uma pessoa mascarada chega voando, derrubando Edward, e chutando Christian.
Eu me levanto. É uma mulher, com certeza.
–Você está bem?- pergunta ela com uma voz destorcida. Seus olhos são tapados por uma máscara em formato que cobre suas bochechas também.
Tento não dizer nada. Eu só fico olhando.
–Eu sou a Revolucionária.- ela responde.
Pego chamas, e começo a correr o mais rápido possível.
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