Cidade De Heróis

7 Início Da Rivalidade


Notas iniciais
CAITLIN, NÃO MORRA!!!

Uma figura escamosa e com certeza verde rumava na minha direção. Pode ser que tinha longas garras, e era veloz para o cacete e podia se passar por qualquer um.

Mas não era ele que eu tava batendo.

Caitlin. Morta por minha causa.

Quando a fera rumou para dar cabo em nós, eu sabia que teria que manter total concentração, mas não é todo dia que você é beijado pela garota que você gosta. Eu acho. De qualquer modo, o Camaleão me ataca repentinamente. Tento evitar suas garras ao máximo, não sei se tem veneno naquelas pontas. Com um berro, começo a queimar, literalmente.

E o Camaleão sai de perto. Com medo eminente.

É claro! Ele é sangue frio. Que irônico.

Começo a acumular chamas em minha mãos, e lanço-as no réptil. Com isso, ele desvia de todas, correndo. Mas não acabei. Corro até ele deixando um rastro de fogo no chão. Ao terminar, estamos em volta de um calor, uma roda de chamas.

Sinto cada parte do fogo que nos envolve em um círculo, como se pudesse cotrolá-lo. O Camaleão tenta fugir, mas aonde ele tenta, uma chama maior aparece. Ele não tem aonde fugir.

Ele não pode se deixar queimar, eu não posso deixar as garras me atingirem. Estamos quase par a par, mas... ele não poder sair do círculo.

Soco ele, deixando meus dedos o queimarem. A fera urra, por pouco tempo.

A face dele se transforma, primeiro em Leyland.

Eu não venho falando com Leyland em dias, o Leyland que está no chão se parece tanto... igualzinho...

—Vai me matar?- ele sorri, sangrando. -Eu dúvido.

Mas não caio nessa mais. Soco a face de Leyland ainda mais.

—Aaargh!- o grito de Leyland vai de normal a parecido com réptiliano, assim como sua face mutável.

Volta a ser o contorcido Camaleão. Por pouco tempo.

A face muda de cor para uma pele pouco pálida, crescem cabelos longos e morenos. Seu lábio toma cor vermelha e os olhos de cobra viram verde.

Mas ainda há o sangue escorrendo da boca e de outra dúzia de ferimentos. Está tão machucada que a cor do seu lábio poderia ser sangue.

Caitlin. Morta. Pálida, mais do que antes.

Por minha causa.

Não penso. Não posso. Está na minha frente, ela, de corpo frágil.

—Cait...

—Não! Não caia na dele!- grita Fatal.

Nada. Largo o corpo, mas ao me levantar, a Caitlin morta se move com rapidez, impossível rapidez, do chão para meu tronco, onde ela enfia longas garras. Dor exalta de mim.

Fatal tenta pular para me ajudar, mas tarde. As garras me levantam, esperava sentir um liquido entrar no meu corpo, um veneno mortífero, mas bem ao contrário, sinto algo ser tirado de mim.

Camaleão muda de volta à aparência normal, retirando as garras de mim. Caio no chão, firme. As chamas apagam, deixando caminho livre para o Camaleão. Fatal começa a lutar contra ele, e eu tento levantar e ajudar, mas não consigo.

Diferente de mim, Fatal pode ver os golpes do inimigo. Ele consegue desviar de todos, um após um, e está ganhando do camaleão. Se eu não tivesse tentado acabá-lo sozinho...

O Camaleão se transforma novamente, dessa vez no irmão de Fatal. O homem de cabelo preto e longo. Mas não muda nada para Fatal, que também havia se acostumado com esse truque.

Mas além de garras, o Camaleão tinha outra carta na manga. Ele se transforma em mim.

—Não vai funcionar!- Fatal grita. -Você não ganhou meus poderes quando tentou lutar comigo, né?

Assim que termina a frase, o Camaleão/Jack se envolve em chamas laranjas.

—Um segredinho...- diz o Camaleão com a minha voz. -Quando minhas garras entram no corpo de alguém, eu copio seus poderes... e ganho sua memória.

E ri novamente. Ele sabe quem eu sou. Sabe quem é Caitlin, e quem é Leyland. Agora todos estão em perigo!

—Que você acha, Jack?- ele diz meu nome lentamente, aparentemente apreciando o momento.

Ele e Fatal começam a lutar. Socos em chama, mãos com garras de fogo. Assim que começa a luta, sei que Fatal não é páreo para ele. O último golpe é desferido, do Camaleão, um chute na cabeça que acaba com Fatal, que cai no chão, sem consciência.

E o Camaleão foge, para não ser visto novamente.

Quando consigo me levantar, pego o Fatal desmaiado e o levo pra o mais longe que posso alcançar. Ele acorda, mas ainda está fraco.

—Teremos que achar um jeito de encontrá-lo.- ele diz, rouco. -O que ele pode fazer com seus poderes, sua identidade...

—Eu sei.- temo só de pensar, ao parar numa árvore perto de um supermercado vazio. -Nós pegaremos ele. Mas da próxima vez lutaremos dois contra um.

Ele levanta e sai andando, e já longe, correndo. Eu fico parado. Não sei quando meu pai irá notar minha falta todas as noites, o melhor é longe de casa.

Nos próximos dias, a polícia reporta roubos à luz do dia e de manhã, dando só espaço para Fatal detê-lo. Agora que sabe sobre minha vida, sabe quando e onde é o melhor momento de ataque, sempre usando chamas nos incêndios e me incriminando, o que me faz levar a um pensamento: apenas Fatal sabe que Hiperion é inocente. Quantas pessoas irão chamar a polícia atrás de mim quando me verem? E a Revolucionária?

E não são as únicas notícias. Agora todos sabem sobre a contaminação e mutação após a gigante explosão da ainda misteriosa pedra brilhante. Estão tentando fazer curas e armas contra nós. A primeira que desenvolveram foi com certeza contra mim. Uma bomba pequena que pode baixar a temperatura de um local a –23˚. E as prisões. Uma delas, também feita para mim, pode atirar milhares de extintores de incêndio ao mesmo tempo.

Se eu forçar a barra com os tiras, eles podem retirar o oxigênio da prisão. Fogo não sobrevive sem oxigênio, nem eu. Então, eu tirei uma boa conclusão: fudeu.

Até que um dia, sabia que o Camaleão iria agir novamente. Então falto aula, torcendo para não ter nenhuma prova surpresa. Vou correndo de casa, pensando em ir ao mesmo ponto de encontro da última vez. Com a mesma roupa de sempre, o casaco vermelho e a touca preta, saio apressado.

Mas no meio do meu caminho, algo me para, voando, e me leva para cima, agarrando-me pela gola da camisa de dentro. Quando vejo, estou acima das nuvens, vendo a cidade de Manhattan perder tamanho, os carros saírem de vista.

Que me agarra pela gola é a Revolucionária. Ela usa um casaco de couro, e cobre a face com uma máscara que lembra algo de carnaval tradicional, cobrindo toda sua face.

—Não me larga.- peço, baixinho.

—Seu FDP!- ela me xinga. -Como ousa? Eu confiei em você! Você e o outro cara. Mas agora...

—Para! Eu não fiz nada!- tento convencê-la, em vão. -Não sou eu!

—Mas agora...- ela continua a frase. -Você irá pagar.

Ela me solta, e eu caio rapidamente, sentindo vento passar por mim. Preciso sobreviver essa queda. Preciso sobreviver... voar...

Pego fogo novamente. Não funciona, preciso ir mais de lado... portanto, ao invés de cair reto, coloco meu corpo de lado e sopro chamas das minhas mãos, que me dão empurrão para trás. Mas não é o suficiente para mover meu corpo. Continuo caindo. Mais perto.

Coloco minhas mãos para baixo, solto chamas, que me fazem aterrissar na superfície calmamente. Quando vejo a Revolucionária voltando em minha direção, corro, o mais rápido o possível. Como será que irei convencê-la de que não fui eu que cometi esses crimes?

Continuo correndo, mas quem voa é mais rápido. Ela me atinge com força na parede próxima do vidro que tampa o Subway, que contém uma TV.

Começo a falar.

—Não fui eu que cometi esses crimes!- digo, com pressa. -Eu e Fatal há muito tempo estamos tentando pegar um cara que nós chamamos de Camaleão!

—Como você acha que vai me fazer cair nessa? Você saiu correndo no mesmo horário de sempre!

—Pra caçá-lo!

Nesse momento, outra voz atinge meus ouvidos.

Neste exato momento, os políciais estão cercando uma joalheria na rua Old Country Road, 630 Garden City. Única informação que temos é que está havendo um roubo com um mutante de habilidade com fogo. Felizmente, os cientistas forenses já haviam desenvolvido técnicas contra esse poder, uma arma de congelamento. Eles já tem tudo em controle.

—Isso prova?- pergunto. Na TV aparece um segundo eu dentro da loja, parecendo desesperado.

Ela me solta com desgosto. -Pode ser.

Na TV, o Camaleão/Eu para de pensar. Ele repentinamente muda de posição e ataca os políciais.

—Mas a polícia tem tudo em controle.- ela diz. -Ele vai se entregar. Vai mudar depois de algum tempo, e vai mostrar que não é você.

—Não. Ele não é um humano que pode se mudar, Revolucionária.- tento respirar ao pronunciar esse nome longo. -Ele é literalmente um camaleão humano. Ele tem sangue frio. Vai sobreviver.

—Essa não.

Corremos para a Old Country Road.

Notas finais
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