Cicatrizes da Alma

1 Prólogo do Desastre


Notas iniciais
É, eu amo drama. Muito. E essa fic é como um desafio pra mim. Espero que todos que leiam gostem.

Boa Leitura.

Nove anos se passaram desde a formação da banda. No entanto, nesses nove anos de estrada, aqueles cinco guardavam mais do que boas lembranças e momentos inesquecíveis. Três deles carregavam uma cicatriz em seu âmago que com muito custo agüentavam dia após dia tentando apenas viver suas vidas. Quatro, sendo eles Aoi e Uruha, Reita e Kai mantinham um caso escondido de todos há onze anos e já estavam acostumados a lidar com isso. Não era muito fácil, mas eles conseguiam.

No entanto, Ruki era o único a saber de todos esses segredos. E ajudava cada um da forma que conseguia. E isso definitivamente era bem mais complicado do que esconder o relacionamento dos amigos do mundo. Mas Ruki tinha que tentar ser forte. Às vezes conseguia, mas todo o trabalho com a banda e esses segredos estavam deixando o vocalista sobrecarregado.

Foi então que, ao término de uma turnê, enquanto todos estavam dentro do ônibus para voltar à Tóquio o vocalista isolou-se no fundo do veículo e permaneceu olhando para qualquer coisa do lado de fora. Precisava espairecer e deixar os problemas saírem de seus ombros. Os amigos, claro, respeitaram a decisão dele de ficar sozinho. No entanto, eles estavam animados, afinal de contas teriam algumas semanas de paz e aquilo era definitivamente agradável.

Provavelmente não iriam para nenhum lugar, e se reuniriam algumas vezes para conversar e passar o tempo, mas só de pensar em não acordar tão cedo já era algo extremamente reconfortante. Ruki iria, de certo, procurar ao máximo esquecer tudo de ruim que lhe rodeava e passaria bons dias sozinho pensando em diversas coisas, sem, claro, escapar demais da realidade, tendo em vista que pensar demais podia deixar ele mais maluco do que já estava.

Ademais, Ruki queria aproveitar para terminar algumas coisas que deixou de lado por causa do trabalho, inclusive atualizar-se em alguns seriados que acompanhava. Pelo menos era assim que ele queria que as coisas acontecessem.

Acabou, por fim, adormecendo, e quando acordou já estava de noite. Como estavam no verão, uma brisa gostosa que adentrava pela pequena abertura na janela beijava o rosto do vocalista, fazendo-o, então, notar como a noite estava bonita, e o céu, estrelado.

O loiro então ligou seu i-pod e enquanto as músicas iam soando pelos fones ao encontro de seus ouvidos, Ruki tratou de esvaziar a mente e só pensar em suas desejadas e tão amadas férias de algumas semanas.

Ruki também notou que os amigos riam e se divertiam alegremente. Quem os via, jamais imaginaria o que passaram quando mais novos. Aliás, e por ter tido certo atrito com seu pai em determinado tempo, Ruki, apesar de ter se entendido com ele, não conseguia, nem em sonho, perdoar os pais dos amigos pelo que aconteceu.

Para ele era extremamente desconfortável ver Kai usar camisas de manga comprida mesmo no verão por não conseguir olhar para as marcas em seu braço. Reita nunca tirava a faixa, com vergonha de sua própria imagem, e Uruha só usava short quando realmente precisava, ou seja, sempre que a banda precisava disso. E para Ruki, que via tudo isso, e ficava calado, era uma situação agonizante e fazia um enorme nó se formar na garganta do vocalista. Nesses momentos, em que pensava tanto nos amigos, a única coisa que podia fazer, era ser forte, porque sabia que se sucumbisse, os outros provavelmente o fariam.

Só depois dessa passageira angustia Ruki notou que, não importava o quanto tentasse, não conseguiria desvencilhar-se dessas dores de seus amigos. Ele podia até saber o que cada um ali passava, mas sabia também que não sentia a dor da mesma forma que eles, claro. Mas, se considerava um bom amigo, e é claro que Uruha, Reita e Kai o consideravam da mesma forma.

E por falar neles, os três, mas desta vez incluindo Aoi, já haviam planejado algumas coisas, sem nem ao menos contatar o vocalista. Era algo como ‘’você vai e pronto’’. Claro, Ruki sabia que não era assim, se não pudesse ir, sua decisão seria respeitada. Mas, ele também sabia que seria um ótimo momento para colocar as cartas na mesa e fazer com que tudo fosse devidamente explicado, pelo menos entre os quatro, para que não houvesse mais segredos. Pelo menos não dessa intensidade.

Enfim. Quando se juntou aos amigos, Ruki finalmente relaxou. Seus pensamentos focaram apenas os planos que eles faziam, e no meio disso tudo as situações que viveram ao longo dessa turnê. Fãs, fanservices, iluminação, som, melhor lugar para fazer show. Enfim, tudo. E em alguns momentos risadas ecoaram no ônibus por bons minutos enquanto eles falavam coisas sem sentido, ou às vezes até mesmo com sentido, o que tornava o momento mais agradável.

No entanto, em alguns momentos Ruki viu o amigo, e líder da banda puxar as mangas da camiseta para esconder, ele sabia o que. Reita havia ficado meio atento a isso, como o vocalista pôde perceber, mas para alívio, pelo menos de Kai, Aoi e Uruha pareciam não ter entendido o porquê da agonia do baterista com a tal camiseta.

Pra disfarçar, Ruki entrou em outro assunto qualquer e os cinco mudaram o foco de suas atenções ao vocalista. Assim foram até que eles resolveram dormir, já de madrugada, e acordaram por volta de sete da manhã, com o motorista batendo-lhes de leve nos ombros, avisando que haviam finalmente chegado.

Aliás, o sol já havia nascido quando os cinco saíram do ônibus. A brisa que soprava em seus braços nus os fazia arrepiar, mas a estrela incandescente que tomava cada vez mais o céu deixava as coisas mais agradáveis. Pelo menos para aqueles que gostavam dela, claro.

Todavia, todos estavam cansados e queriam mesmo a companhia de suas camas. Com isso, Ruki trocou rapidamente algumas palavras com Aoi e logo todos estavam cada um em um táxi em direção às suas casas. Claro que Aoi e Uruha e Reita e Kai se encontrariam mais tarde, mas eles também concordavam que precisavam de um bom descanso.

E assim todos chegaram em suas casas, e fazendo o mínimo de coisas possíveis (Reita até teve a decência de se secar com uma toalha em vez de um secador) todos se jogaram em suas camas e tiveram o sono que tanto desejaram. Ruki ficou algum tempo acordado, mas por fim conseguiu dormir.

Aoi acordou por volta de três da tarde, e só não levou um susto e pulou da cama porque estava acostumado a acordar e encontrar Uruha em sua cama, ou jogando, ou dormindo, ou até mesmo apenas observando-o dormir.

- Você ainda me mata do coração, Kou.

- Shiroyama Yuu, mesmo depois de onze anos você não se acostumou?

- Vou morrer sem me acostumar, Kouyou, aceite.

Uruha deu um suspiro e desligou seu vídeo-game voltando a atenção para o namorado.

- Tava com saudade de poder ficar assim com você sem fazer nada.

- Então é melhor a gente aproveitar o máximo que der, porque o tempo voa quando a gente não está trabalhando.

- E por falar em trabalho, Yuu, você viu o Kai ficar remexendo as mangas da camisa dele? Eu achei estranho.

- Eu também achei, mas o Reita meio que fez vista grossa para aquilo, então resolvi nem tocar no assunto.

Uruha deu de ombros e os dois focaram apenas em si. Eram poucos os momentos em que podiam ficar relaxando e sem nenhuma preocupação, então resolveram aproveitar. Apesar dos dois gênios fortes, os dois se davam extremamente bem, e raramente brigavam. Seus atritos, no entanto, eram mais no sentido de Uruha achar que Aoi se doava mais do que precisava para ele, mas bem, o moreno gostava, e em seu ser sabia que era necessário, por mais que Kouyou negasse. Fora que Yuu sabia que o loiro era de negar muitas coisas, então ele já estava acostumado.

Já no apartamento de Reita, ele já estava acordado, Kai estava com ele, e bem, os dois estavam se divertindo, no sentido podre da palavra mesmo. Eles também não tinham tempo para isso, e bem, nem só de pão vive o homem, claro.

Não que o homem também viva só de sexo, mas enfim, parecia ser um hobbie extremamente divertido para ambas as partes. Fazia-os suarem muito, e era nessa situação que os dois se encontravam, tendo como conseqüência os fazer expelirem as células mortas.

Entretanto, era mais que óbvio que nenhum dos dois estavam interessados nisso, afinal de contas a parte boa era a outra mesmo. E eles, e provavelmente muitas outras pessoas concordariam que o orgasmo é uma faca de dois gumes extremamente broxante. Afinal de contas, quando a coisa é boa, não é agradável quando chega ao fim.

Mas enfim, para eles chegou, algum tempo depois. Kai deitou-se ao lado do namorado, ainda suando, tanto pelo ato, como pelo calor. Aquele ventilador de teto definitivamente não dava conta do recado quando aqueles dois estavam animados. Suas costas estavam totalmente grudadas ao lençol e pensar em se tocar, naquele momento, era quase improvável.

- Quem concorda que eu devo trocar esse ventilador de teto levanta o braço.

Kai não hesitou.

- Apesar de eu ser o único aqui, acho que metade desse país ia concordar comigo.

Os dois riram e só algum tempo depois foram se abraçar.

- Hei, quando você vai conseguir vestir uma camiseta nesse calor? – Os dois estavam deitados de conchinha e Reita praticamente sussurrava ao ouvido de Kai.

- Não é muito fácil, mas isso você sabe. Apesar de que atualmente o que vem me preocupando é que esse segredo está escondido do Aoi e do Uru. Não acha que eles deveriam saber?

Reita ergueu-se na cama apoiado num dos cotovelos.

- Você acha que consegue contar? – disse enquanto passava a outra mão pelas saliências num dos braços do baterista.

- Eu acho que preciso. – O baterista sentiu duas lágrimas formarem-se em seus olhos.

- Eu também preciso, mas se isso for trazer todos aqueles fantasmas de volta, eu acho melhor não contar.

- Akira, — disse Kai sentando-se na cama e passando os dedos pelo rosto do baixista – e se o Ruki estiver sobrecarregado com isso? Sei lá, talvez se a gente compartilhasse isso com o Aoi e o Uru as coisas começariam a melhorar.

- Yutaka eu mal consigo tirar essa faixa perto de você, imagine mostrar isso para mais alguém?

- Você teve coragem de mostrar pro Ruki, tenha coragem de mostrar pros seus outros dois amigos também.

Reita entendia. Definitivamente ele entendia tudo o que Kai dizia. Não havia segredo naquelas palavras do baterista, ele queria apenas o melhor para todos, mas para quem guardava um segredo desde os quinze anos não seria nada fácil se abrir para outras pessoas, ainda que fossem seus melhores amigos.

- Você sabe que eu concordo com você, não sabe?

- Sim, eu sei. E não acha que adiantaria ao menos falar, ainda que não mostrasse nada?

- Yutaka, você sabe como eu me sinto com relação a isso.

- Akira, porque você só consegue enxergar feiúra em você?

- Eu queria ser normal.

- E desde quando você não é?

Aquelas crises eram comuns entre eles, principalmente pelos dois compartilharem dores tão terríveis. Reita simplesmente não conseguia aceitar o que havia acontecido, mas droga sabia que Kai tinha razão. Ruki deveria estar sobrecarregado, e não era justo deixar o amigo com tanto peso para carregar. Todavia, Reita precisava pensar, e muito, diga-se de passagem, em tudo que Kai havia lhe dito, pois, sabia bem, não haveria volta quando contasse, e mostrasse para Aoi e Uruha, a que ponto a ignorância e a intolerância de um homem podia chegar.

- Yutaka, — Reita pegou nas mãos ainda suadas do namorado – eu prometo que vou pensar, mas, por favor, vamos conversar sobre outra coisa.

Mesmo sem querer, Kai assentiu e os dois voltaram a se deitar e a conversar. O clima ainda estava pesado, mas aos poucos, com algumas risadas e gestos as coisas foram amenizando e tomando um rumo mais calmo e tranqüilo. No entanto, Reita acabou colocando sua faixa algum tempo depois que o clima amenizou, nos dois sentidos.

Em sua casa, Ruki estava mais distraído comendo pipoca e assistindo seus seriados. O calor estava quase indo embora, junto com o dia, e o vocalista sentia-se mais confortável com o clima. Vestia apenas uma cueca e uma camiseta, ambas brancas, e de vez em quando jogava pipoca na tela de sua televisão, repreendendo algum ator.

Era uma grande incógnita aquela cena. Até descrente, talvez. Mas, se era o jeito de Ruki se distrair, então não tinha nada que o impedia de ficar assim.

Por fim, terminou um dos seriados em que estava atrasado por volta de sete da noite. Há algum tempo a pipoca havia acabado, e ele se contentou com chocolate, não que aquilo fosse um sacrifício. No entanto, o vocalista estava tenuamente entediado. Lapsos de suas conversas com seus amigos foram, aos poucos, voltando em sua mente.

Ficou refletindo por algum tempo e não conseguia acreditar nos segredos dos amigos. Não que esses fossem mentira, mas eram tão cruéis que às vezes Ruki se pegava em pensar se aquelas eram mesmo pessoas ou algum tipo de monstro disfarçado.

O loiro apenas tentou apagar aquilo da mente. Foi até a cozinha, onde lavou algumas coisas, e já sem fome, resolveu apenas ir se deitar. Não que fosse dormir, mas esticar as pernas e relaxar era algo que Matsumoto Takanori definitivamente não recusava. Não que ele estivesse errado, claro.

Assim ele ficou enquanto escutava música e observava a noite do lado de fora da janela. O céu estava tão bonito como na noite anterior e Ruki o olhava quase constantemente. Sua mente se perdia na imensidão do azul-marinho forte e vivo. E as estrelas, mais parecendo luzes, deixava-o mais esplendoroso.

Ruki não era tanto de ficar observando a natureza, mas desde que sentiu que o céu da noite lhe acalmava, este começou a ser sua companhia noturna quando o loiro não conseguia dormir. De alguma forma todo o conjunto lhe acalmava e aquilo lhe fazia muito bem.

Aoi acabou ligando por volta de nove horas, e os cinco marcaram de se encontrar no apartamento do moreno no dia seguinte. Ruki não estava lá tão animado para sair, mas sabia que seria um momento extremamente propício para que pudesse, finalmente, tentar colocar aqueles quatro no eixo.

Ele sabia que não seria fácil, mas, não custava tentar. Por mais que fossem assuntos delicados ele achava que Aoi e até mesmo Uruha podiam ajudar. Decidiu então que conversaria, pelo menos com Aoi, sobre o que havia acontecido, por mais que não tivesse autorização de Reita ou Kai.

E com essa convicção o vocalista deitou-se para dormir. Ficou algum tempo olhando para a sombra da janela que se formava nas paredes e no teto por causa da luz da lua, e com certo custo conseguiu dormir.

Acordou por volta de dez e meia, agradecendo por estar oficialmente de férias. Levantou-se sem pressa alguma e foi tomar um banho enquanto colocava sua cafeteira para trabalhar. Como não tinha horários para seguir, suas refeições iam ficar desreguladas, mas disso ele tinha ciência. Importava-se, claro, mas como queria relaxar ele apenas ignorou.

Saiu do banho usando apenas um roupão azul escuro e enquanto terminava de pegar as coisas para tomar café, conversava com Aoi pelo celular.

- Cinco horas está bom?

- Sim Aoi, por mim tudo bem.

- Bem, então tudo bem, até mais tarde.

- Não... Espera. – Ruki hesitou, mas droga precisava falar. Respirou fundo e tomou alguma coragem que nem ele mesmo sabia de onde vinha.

- Hum? Que foi Ruki?

- Aoi, er... Sabe, sabe o problema do Uruha?

- Sei, mas o que tem?

- É que... É que... – Ruki mordeu o lábio inferior tentando se conter.

- Ruki, o que tem o problema do Uruha?

- Eu preciso conversar com você sobre outros dois problemas parecidos com o dele.

Ta, Ruki tinha colocado fogo no pavio. Agora era só esperar a bomba explodir.

- Que?

- Aoi, por telefone não. Mas, não me faça perder a coragem quando eu estiver aí. Eu realmente preciso te contar isso, desde que você guarde segredo.

- Eu posso guardar, mas não estou entendendo nada.

- Você vai entender Aoi, você vai.

- Está bem, vou tentar te fazer não perder a coragem, seja lá o que isso queira dizer.

Ruki agradeceu e foi tomar café. Quase perdeu o apetite, mas agora sabia que não teria mais volta. Aoi definitivamente iria lhe cobrar sobre aquilo e ele não poderia inventar uma mentira por querer voltar atrás.

E claro, Aoi estava perplexo. Ruki era bem seguro de si, mas por diversas vezes hesitou. E aquilo era realmente estranho. A parte de guardar segredo também não fazia sentido e Aoi ficava mais confuso a cada momento que pensava sobre aquilo.

Principalmente por serem problemas parecidos com o de Uruha. Aoi conseguia ajudar o namorado mesmo com o passado dele, mas pensar que Ruki sabia do passado de Uruha e outros traumas parecidos fazia o moreno surtar, tendo em vista que se um trauma era complicado, três só poderia dar em desastre.

No entanto, Aoi não podia ficar pensando naquilo. Quando chegasse a hora Ruki certamente lhe contaria o que estava de fato acontecendo e esclareceria todas as dúvidas que rondavam a mente do moreno no momento. Ele então resolveu fazer algumas coisas para ocupar a mente com tudo, menos as palavras que trocou com Ruki.

Em sua casa, Kai estava pensativo. Tentava ler um livro, mas não conseguia. Apesar do calor usava uma camisa de manga comprida que estava fazendo-o suar muito. Suas bochechas estavam vermelhas e ele se tentava a arrancar aquilo a todo o momento, mas era praticamente impossível. Ele tacou o livro na parede e abraçou as pernas, chorando. Vestia uma calça que também estava lhe dando calor, mas não era como se ele pudesse tirar.

Ele apenas conseguia se odiar, e odiar a pessoa que o fazia chorar depois de tanto tempo. Ouviu seu celular tocar, mas não atendeu. Olhou no visor vendo que era Reita quem ligara. Kai queria, queria muito atender, estava se sentindo triste e totalmente sozinho, mas não queria que Reita descobrisse sobre a recaída que ele estava tendo.

Acabou por se deitar e se cobrir sem ligar para o calor tentando apenas dormir e esquecer a própria dor.

Mas, é claro que Reita achou aquilo estranho. Kai nunca deixava de atender o celular, a não ser que estivesse impossibilitado caso estivesse tomando banho ou algo semelhante. Todavia, o baixista não conseguia pensar que era algo assim, e decidiu ir até a casa do namorado.

Reita chegou o mais rápido que pôde. Subiu correndo as escadas até o quarto de Kai, encontrando-o coberto. Foi até ele descobrindo-o, e agradecendo por ter ido até lá.

- Desculpa não ter atendido àquela hora, Reita. Mas, eu não podia deixar você saber que eu ando assim. – Kai ainda chorava muito.

- Não se desculpe Kai. – Disse, sentando-se na cama e abraçando-o. – Eu sei que o fardo que você carrega é pesado demais. Mas, você devia ter me contado.

- Mas o seu fardo é pesado também, Akira.

- Mas eu pisaria nele e em cada lágrima minha para ajudar você. E se um sorriso meu te deixasse feliz eu sorriria mesmo que o meu coração não estivesse inteiro.

- Mas isso dói.

- Mas ver você feliz ameniza qualquer dor.

Kai, no momento, não sabia se aquilo era bom ou ruim. Apenas conseguiu abraçar Reita e deixar as incessantes lágrimas descerem por algum tempo. Só quando se sentiu seguro tirou a camisa deixando os braços à mostra.

- Vai tomar um banho Kai. Eu vou pra casa me arrumar e encontro você lá na casa do Aoi, está bem?

O baterista assentiu e quando Reita foi embora ele dirigiu-se até o banheiro. Tomou um banho demorado, e pensou em diversas coisas. Estava convicto que realmente precisava contar aquilo para outras pessoas, e com alguma coragem saiu do banheiro determinado a contar o seu segredo para Aoi e Uruha.

E por falar em Aoi...

- Ruki eu fiquei tenso o dia inteiro tentando imaginar o que você queria me falar. E para o seu azar e a minha sorte, você foi o primeiro. Nem o Kou está aqui ainda.

Ruki respirou fundo e adentrou o apartamento. Os dois foram até o quarto de Aoi e ele fechou a porta. O nervosismo de Ruki era notável.

- Aoi, mais ou menos na mesma época em que os problemas do Uruha começaram – Ruki estava totalmente sério – duas pessoas ligadas a você atualmente sofreram coisas horríveis nas mãos de outras pessoas, e desde que eu os conheço sei desse segredo. Só que eu preciso contar isso para alguém antes que eu fique maluco...

Enquanto isso, Uruha, Reita e Kai adentravam conversando o apartamento de Aoi. Eles deixaram algumas coisas em cima do sofá e dirigiram-se para o quarto de Aoi...

- Duas pessoas Ruki? Mas, que loucura toda é essa?

- Droga, eu vou surtar! – Ruki levantou-se e levou as duas mãos ao rosto – Aoi, eu sei que te deixei curioso, mas eu não posso contar.

- Como não pode contar? Pelo Amor de Deus Ruki que diabos está acontecendo?

Kai, Uruha e Reita chegaram à porta do quarto de Aoi e assim que Uruha abriu-a encontrou um Aoi assustado e um Ruki quase chorando. Ambos viraram para os três.

- Ruki, o que foi?

O vocalista ignorou a pergunta do guitarrista e encarando Kai e Reita só conseguiu fechar os olhos e deixar as lágrimas escapar.

- Reita, Kai... Eu jurei que jamais falaria, mas... Mas...

Reita levou uma das mãos ao rosto e Kai abaixou a cabeça.

- Mas, o que Ruki? – Perguntou um Reita sério e visivelmente alterado.

- Mas, droga, eu contei pro Aoi que você e o Kai tiveram problemas com seus pais quando eram mais novos.

Uruha sentiu uma faca atravessar seu peito e virou-se para os amigos.

- É bom, Matsumoto Takanori, que você tenha parado aí.

Reita virou-se e fez menção de ir embora. Kai estava confuso, Uruha abalado e Aoi não sabia nem o que pensar. No entanto, Ruki estava aliviado. Apesar de ter traído Reita e Kai, seu coração estava mais calmo.

E por mais que parecesse egoísmo, Ruki também era de carne e osso, sofria, sentia fome, frio e calor. E por ser humano como qualquer um de seus amigos, um dia seu coração não ia agüentar aquilo. E aquele dia havia chegado.

Notas finais
É isso.

A história desses cinco começa dessa forma.

Espero que gostem.

Até o próximo capítulo.