Ciúmes? Elementar
1 Capítulo Único
Sherlock sabia que havia algo errado com ele, nunca se sentiu assim, porém toda vez que olhava para você e John, não podia deixar de sentir algo na boca do estômago... Não estava doente, pois apenas sentia aquilo quando você estava perto dele. Mas era tão inquietante!
Naquele momento, o detetive estava na cozinha, olhando através de seu microscópio. Lhe ouviu dar uma risadinha e percebeu que estava perto de Watson — muito perto — sentados no sofá e envolvidos por memórias dos tempos de guerra. Vocês não se desgrudavam desde o último caso.
Aquele sentimento o abateu outra vez, uma dor na barriga. Mas não era exatamente uma dor, era? Era um sentimento insistente, como se ele tivesse esquecido algo. Espere, não era isso também. Era uma emoção parecida com preocupação não? Não, não poderia ser. Era uma emoção muito similar a preocupação mas definitivamente não era isso.
"O que é tão engraçado?" Holmes perguntou, tentando dar atenção ao espécime no microscópio, mas era difícil quando sua atenção sempre voltava pra você...
"Bem... nada. John estava me contando uma história de sua juventude no exército. Um homem gritava com ele e ele respondia com comentários sarcásticos. Imagine o John sendo sarcástico!" Você ria enquanto falava, cobrindo sua boca com a mão. John sorria, era bom poder contar suas histórias para alguém.
"Eu já ouvi muitas destas histórias e sinceramente não sei onde está a graça." A voz de Sherlock soara aborrecida e mais grave que o normal. Por alguma razão, ele não queria você tão perto de Watson. Qual era o problema dele, afinal?! Você invadia a mente dele, seus olhos, ele nem conseguia se concentrar em seus deveres.
Levantando-se de sua cadeira apressadamente, Sherlock pega seu casaco e chapéu e sai para a rua, murmurando um 'Volto já'.
Você levantou a cabeça e o observou saindo, será que o que disse foi o motivo dessa pressa toda? Pra você não era tanto, mas conhecendo Holmes como conhecia, sabia que pequenos detalhes fazem grande diferença. O que fez foi olhar para John, que apenas deixou escapar um suspiro. "Acho... que devo ir atrás dele. Isso não é bom sinal. Eu volto já, fique aqui." Disse Watson, pegando seu sobretudo e saindo do apartamento 221b.
O que ele tinha? Com certeza nenhuma doença, ele não dava sinais de fraqueza ou coisas do tipo... Será que fora envenenado?! Por Deus, não. Suspirando, Holmes enfiou as mãos nos bolsos; como ele odiava se sentir assim, ainda mais porque ele sempre resolve os casos mais intrincados, mas e quanto ao seu caso?! Ele não conseguia respostas e isso o frustrava.
Ele precisava saber o que era isso! Mas pra quem ele perguntaria, se esse sentimento brotava toda vez que ele ouvia sua voz, ouvia seu nome, sentia seu cheiro, a via perto de outro homem..?
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"Então, caro senhor, para que precisava de mim?" Disse um muito impaciente Dr. Poole, grande amigo de Mycroft. Ou era o que o mesmo dizia.
Sim, Holmes foi até um dos muitos "amigos" de seu irmão. Era um caso de emergência, afinal.
"Doutor, há algo de errado comigo; Sinto como se estivesse doente e bem ao mesmo tempo. Há uma emoção em mim, insistente, toda vez que estou perto dela... Toda vez que John está perto dela, é como se fosse uma febre, entende? Não consigo parar de pensar nela e não consigo parar de olhar pra ela..." Enquanto falava, passava as mãos por seus cabelos cacheados e movimentava a cabeça frenética e nervosamente.
Solomon Poole, que ouvia Sherlock atentamente, abriu seus lábios num sorriso de canto.
"Holmes, de quem está falando?"
"Seu nome é _____, ela vem nos ajudando em alguns casos. Agora me responda, o que há comigo? Como faço para que acabe? Estou enlouquecendo, a vejo onde quer que eu vá. Preciso de algum remédio? Pode receitar?
"Senhor Holmes, não há necessidade de remédio. O caso é que... Está apaixonado e sente ciúmes da senhorita _____, principalmente quando ela está perto de seu amigo médico. O senhor a considera muito e a quer somente para si."
Seria verdade? Seria amor? Mycroft sempre dizia que se importar com alguém é uma fraqueza, mas John não era uma fraqueza; Muito menos você...
"Como faço pra parar?" Holmes pergunta, já recolhendo seu casaco e pronto para partir.
"Diga a ela como se sente, ora." Disse o Doutor, com uma expressão de divertimento no rosto, observando o mais novo amigo partir.
Enquanto Sherlock caminhava de volta para casa, pensava em uma maneira de dizer a você tudo o que sentia; Tudo isso era muito novo pra ele. Nunca havia se sentido assim antes... Bom, talvez para com Irene, mas de uma forma completamente diferente.
"Onde estava, Holmes? Deixei _____ sozinha no apartamento enquanto lhe procurava. Disse-lhe que voltava logo, mas como se trata de você, eu deveria ter pensado melhor." Watson disse, cruzando os braços. Seu aborrecimento era evidente.
"John, onde fica a floricultura mais próxima?" Ignorando-o completamente, perguntou Holmes, fazendo o amigo juntar as sobrancelhas em confusão. Por que Sherlock compraria flores? Será que daria a Senhora Hudson?
"Oh sim! No próximo quarteirão tem uma! Boa sorte!" John ria enquanto pegava um táxi para o apartamento 221b. Sra. Hudson com certeza ficaria muito feliz com tudo isso...
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Pegando um livro qualquer na estante meio empoeirada, você sentou-se no sofá de cor escura. Enquanto folheava a edição original de 'Um Estudo em Vermelho', imaginava o que teria acontecido aos seus dois amigos. Por que estavam demorando assim? Sra Hudson terá um ataque...
O som da porta se abrindo a tirou de seu devaneio, e o que viu a deixou ainda mais surpresa: Sherlock Holmes com flores na mão. As flores com certeza eram espetaculares... Mas pra quem seriam?
Ela ia fazer essa pergunta, porém, antes de abrir a boca, eis que o detetive começa a falar. "____, por favor, silêncio. Respondendo sua pergunta silenciosa, essas flores são pra você. Não pergunte porque, irei dizer: Você tem... Ocupado cada canto de minha mente, tem povoado meus sonhos, tem invadido todos os meus sentidos. Então, acho que isso significa amor, não é? Não pode ser algo ruim. O problema é que... Não sei onde isso vai levar...
"O importante não é saber onde isso vai levar. Que tal começarmos do princípio?"
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