Chá e vinho (parte III – final)

Não fosse pelas diversas poças d’água espalhadas pelo chão onde os pássaros se banhavam, ninguém diria que havia tido uma tempestade tão violenta na noite anterior. No céu não havia mais do umas poucas nuvens brancas que corriam como algodão sendo empurrados pelo imenso azul pleno e suave. O clima ainda era meio frio e o sol fraco não conseguira dissolver totalmente a umidade do ar, mas trazia um morno agradável onde seus raios iluminavam amplamente.

A mansão do Inglaterra estaria imersa em uma paz silenciosa, não fosse pelo tilintar da colher que o França fazia questão de bater insistentemente nas bordas da sua xícara de chá.

- Então... Será que eu poderia saber por que, exatamente, eu estou sendo obrigado á fazer isso? – reclamava o francês debruçado na mesa, com o rosto tediosamente apoiado na mão.

- Pra começar, pare com esse barulho irritante e sente-se direito! Sua postura é um insulto á Rainha!

Antes que pudesse continuar Inglaterra fora atingido na testa por um biscoito.

- Isso também é? – sorria o francês provocativamente, sem si quer fazer questão de disfarçar a colher que ele usara como catapulta pra arremessar o biscoito.

- O que pensa que está fazendo, seu retardado? – dizia o Inglaterra cuspindo fogo pelas ventas. – qual é o problema de ficar sentado quieto e me deixar apreciar calmamente o meu chá?

- Mas isso é muito chato! E a sua comida é horrível. Você não passa mal o resto do dia se comer essas coisas no desjejum? – dizia o francês virando o rosto cheio de curativos para o outro lado. – Aliás, esse chá não deveria acontecer á tarde? Porque está fazendo de manhã?

- Eu esperei mais de uma semana para que você viesse tomar chá comigo! E você não veio! Diga-me apenas um motivo pelo qual eu deveria esperar mais! – e dito isso ele se sentou com uma expressão emburrada, fechou os olhos e começou a apreciar seu chá.

O francês apanhou uma rosa do arranjo da mesa com a mão livre enquanto encarava o Inglaterra com um olhar sinuoso, o rosto apoiado.

- Então, que tal? Agora que eu sou seu subordinado você me tem pra fazer o que você quiser. – ele deu um beijo na rosa e a encostou no rosto do inglês com um sorriso sedutor. – E na hora que quiser.

O rosto do Inglaterra queimou de vergonha. Ele ficou tão nervoso que quase engasgou com o chá que estava bebendo. Assim que se recompôs voltando-se pro frança com um olhar irritadiço.

- Pare de falar isso como se tivesse duplo sentido, seu francês pervertido!

- Ora! Não entendi o que você disse. – respondeu ele com um sorriso cínico.

- Claro que entendeu! Você fala essas coisas de forma á sugerir que eu tenho pensamentos pervertidos ao seu respeito!

- E você não tem?

- Nossa aliança não tem nada a ver com isso! – dizia o inglês ficando cada vez mais vermelho

- Ah! Então você tem. Inglaterra, seu depravado danadinho!

- E-eu... Eu não disse isso!

- Não?

- Nã..não! E-eu... Eu...

- Quanta hesitação! – França levantou da cadeira e apoiou o corpo completamente sobre a mesa, sua camisa de tecido branca com decote em V frouxo caia um pouco sobre o ombro, assim como as mechas de cabelo que ele usava preso em um rabo de cavalo frouxo, como na noite anterior. Ele apoiou a rosa embaixo do queixo do Inglaterra e usou-a para erguer seu rosto na direção do seu. – Vamos lá, Arthur. Conte-me cada pequeno detalhe dos seus pensamentos depravados comigo, Sirvu plé? Aí eu posso realizar seus sonhos hoje á noite. Se quiser, pode ser até agora mesmo. De qualquer forma, seria melhor do que tomar chá, não é?

Inglaterra passou alguns segundos apenas se preocupando em controlar seu corpo, pra que ele não explodisse – ou desmaiasse — de tanta vergonha. E nesse tempo – se é que isso era possível. – seu rosto ficou mais vermelho do que já estava.

- Ora? Você está derramando chá em seu colo Arthur! Segure a xícara direito! Afinal, você não é um cavalheiro inglês? Sabe, essa sua postura é um insulto á Rainha.

- NÃO FIQUE TÃO CONVENCIDO! – gritou o Inglaterra repentinamente.

França se desequilibrou da cadeira e caiu pra trás com o susto derrubando algumas peças do jogo de chá no chão.

- Ora! Vocês estão tão cheios de energia esta manhã! – ressoou uma voz suave e doce que vinha de dentro da mansão.

França e Inglaterra voltaram seus olhares para o homem do tamanho de um armário que se aproximava deles tão silenciosamente. As pontas do cachecol caindo sobre os ombros cobertos por aquele sobretudo em tom pastel velho e puído, o cabelo cor de palha, quase branco e um olhar púrpura cheio de meiguice e timidez que por muitas vezes escondia sua verdadeira natureza. Mesmo que fosse uma manhã morna, por alguma razão olhar pra ele remetia á sensação de frio.

- Ah! Ivan! Bonjour! – exclamou o francês ao reconhecer o amigo

A intimidade com que França tratava o russo deixou Inglaterra perturbado. Ele cruzou os braços e virou o rosto para o outro lado suspirando tediosamente.

- Bem vindo. – disse, tentando disfarçar o ciúme na voz. – O que o trás aqui Rússia?

-Sabe, né? – sorriu meigamente o loiro alto. – Você causou bastante confusão ontem. Deixou todos muito agitados.

França se levantou. Inglaterra continuou com seu chá como se toda aquela conversa fosse irrelevante.

- Ah-ah! –suspirou. – Eu não sei porque você se deu ao trabalho de vir aqui e me contar isso. Eu sei que ninguém vai se impor ao América. Eu e o França vamos dar nosso jeito de nos virarmos sozinhos.

- Hahá! Isso não vai ser preciso. Na verdade, muita gente se impôs ao América. – as palavras do russo surpreenderam tanto ao Inglaterra quanto ao França. Rússia sentou-se junto a mesa e apoiou o rosto na mão com um sorriso doce. – Foi incrível ver tanta confusão entre todos os nossos amigos de novo. E toda aquela formação de blocos, e alianças. Tudo aquilo me trouxe um ar nostálgico! – repentinamente o sorriso que aquele cara esboçava pareceu incrivelmente sombrio, uma vez que o tom de sua voz começou a soar um tanto mais baixo e mais sádica. — Como se fosse começar outra guerra mundial! Fazia tempo que não me divertia tanto...Huhuhuhu... Hahahahahahaha!

França e Inglaterra sentiram um arrepio na espinha enquanto Rússia perdia-se em seus pensamentos perversos e em sua risada diabólica. “Esse cara é doente!” pensaram em uníssono.

- Então é isso. – suspirou Inglaterra. – Vai começar outra guerra.

França e Inglaterra trocaram olhares aflitos. Estavam partilhando de bens econômicos e ambos estavam enfraquecidos demais pra uma batalha. Nenhum dos dois sobreviveria.

França deu um sorriso consolador e postou-se ao lado do Inglaterra debruçando-se sobre seu ombro e tentando aliviar sua preocupação com uma postura relaxada.

- Isso é bem problemático, não é? – sorriu o francês. – Mas, nós vamos dar o nosso jeito. E pelo que parece, nós temos aliados.

- Mesmo que não houvesse nada disso não teria problema. – disse o britânico voltando seu rosto para o jardim com um olhar pensativo e calmo.

França analisou o rosto de seu novíssimo tutor com minunciosidade. Não soube dizer o que Inglaterra estava pensando ou o que aquela frase significava. E antes que tivesse tempo de pensar a respeito Rússia voltou a falar com a mesma tranquilidade afável de antes de seu surto psicótico.

- Mas, não vai haver guerra nenhuma.

- Hã? – os outros dois voltaram seu olhar para o russo simultaneamente.

- Né, né! Por mais que eu gostasse daquele clima. Esse tipo de coisa me pegou desprevenido. E eu não sou do tipo de pessoa que vai pra uma festa com os preparativos pela metade. Quando eu tiver que enfrentar aquele cara de novo. – França e Inglaterra sentiram um vento frio que parecia sussurrar o nome do América em suas nucas, e o olhar do Rússia pareceu momentaneamente muito sombrio outra vez. – Eu quero estar nos auges das minhas forças. Não que isso tenha a ver com o fato de ser culpa dele eu ter tido a minha preciosa família desfragmentada e destruída.

- Então? – perguntou o frança, sentindo-se desconfortável com a postura assustadora do Russia.

O russo sorriu e fez um breve resumo do que aconteceu naquele dia, depois que o Inglaterra saiu correndo da sala de reuniões. Contou como todos os países estavam agitados e nervosos até o momento em que ele se levantou de sua cadeira emanando sua típica aura obscura fazendo com que todos se calassem:

“- Divertido. – sussurrou o russo entre risos baixos. – Isso parece muito divertido. – então ele levantou a cabeça e voltou um sorriso meigo e dócil ao América. – Nesse caso, eu vou ficar ao lado do Inglaterra e do França... Contra o América.

Todos os países congelaram e voltaram seus olhares para aqueles dois inimigos épicos e poderosos.

América mastigava seu hambúrguer despreocupadamente, olhando para o russo de soslaio.

- Hum... – disse com a boca cheia. – Ah! Isso tem á ver com aquela vez, não é? Então você quer me desafiar de novo? Ok, Ok. Boa sorte.

— È você quem vai precisar de sorte.

Todos os países começaram a tremer. Não, aqueles dois poderiam acabar destruindo o mundo inteiro. Não iria restar ninguém pra saber qual dos dois ganhou. Quem precisariam de sorte seriam eles.

- Né, América-san! – disse o Japão se aproximando, com a espinha gelada da memória das últimas bombas atômicas que recebera na última guerra. – Realmente não é necessário fazer tanto escândalo apenas por alguns bolos.

- Sim, sim! – disse o Lituânia temeroso por cair nas mãos de seu antigo patrão novamente. – Pra quê brigar por essa besteira, não é? Afinal de contas, o França fez aquilo por uma boa causa.

- Além do mais, são tempos agitados! Muito movimento na área econômica, essa globalização... Acho que nós devíamos nos preocupar com assuntos mais importantes. – Disse o Alemanha ao Rússia, relembrando dos danos causados pela ultima ocasião.

- Ehhhhhhh? Você acha? – sorriu o Rússia inocentemente.

- Além do mais, América. – comentou outro país. – Esse tipo de atitude não é nada nobre não é? Não é típico de um herói!

- È mesmo, né? – disse o América fazendo uma cara emburrada. – Depois daquela cena que o Inglaterra fez, se eu começar uma guerra agora eu vou parecer o vilão. Pô! È isso que o Inglaterra sempre faz! Ele fica distorcendo minha imagem pra todo mundo só pra eu parecer mal. Ele faz isso desde que eu saí da casa dele! Aquele chato. Há! – ele deu um soco na palma da mão, demonstrando que havia tido uma ótima idéia. – Já sei! Sei exatamente o que fazer!

Ele deu um soco na mesa, entornando o milkshake que tomava.

- Aquietem-se todos vocês! Toda essa atitude conflitante não nos levará á nada. – disse ele com um brilho no olhar. – O que o França fez foi errado! Mas, todos nós sabemos que ele estava passando por vários problemas. E ele já foi punido por seus erros. Então não devemos mais julgá-lo tão severamente! — “Na verdade, quem começou com isso foi você” sussurrou um dos países, mas o América não ouviu. – Nós precisamos ser misericordiosos com nosso amigo! Por isso eu não só perdoarei o França, como também vou ajudá-lo a reestruturar sua economia pra que ele nunca mais cometa crimes! Isso é o que um verdadeiro herói faria! E é isso que eu vou fazer!

Quando América terminou de falar, parecia que tinha uma bandeira de seu país flamejando ás suas costas. O Rússia riu e voltou a se sentar. Ele lançou um olhar sugestivo de canto de olho para o Lituânia com um sorriso cheio de segundas intenções.

- Quando uma coisa dessas acontecer, eu quero ter certeza de que vou ganhar. – sussurrou ele. – Vou recuperar tudo o que é meu e um pouco mais. Haverão outras oportunidades, né?”

- E então foi isso. – completou o russo sorrindo meigamente. – Os outros países também disseram que vão te dar uma colher de chá na hora de fazer transações comerciais. Com isso você deve se recuperar logo.

- Sério? – animou-se o francês. – Eles disseram isso mesmo? – ele voltou-se para Inglaterra cheio de empolgação. – Ouviu isso Inglaterra? Nós não vamos mais...

Ele nem notara quando foi que o britânico saiu de lá, ou para que lado fora. Mas, quando olhou para o lugar onde deveria estar o Inglaterra percebeu que a cadeira estava vazia. Um vento soprou a copa das árvores e no olhar do França se perdeu em sua confusão. Apenas de uma coisa tinha certeza: Inglaterra não sairia dali daquela forma se não estivesse chateado. Mas, o que ele queria saber é porquê o inglês ficaria chateado com uma notícia tão boa.

Inglaterra não sabia no que estava pensando quando saiu da sua varanda e partiu para caminhar no jardim. Nem mesmo sabia se alguém o tinha notado. Ele só estava muito chateado com aquilo tudo. E com aquele América que pensava que era o dono do mundo e que podia fazer o que bem entendesse na hora que quisesse. Era um intrometido! E um maluco! Mudando de atitude daquela maneira. E depois de tudo que havia feito ao França. Ele que fizera os curativos do francês! Ele vira o quanto aquilo estava ruim. E de repente diz que vai ajudar! França não precisava da ajuda do América! França já tinha a ajuda dele! Ele tinha certeza de que os dois superariam aquilo juntos! Com a aliança que haviam feito...

Inglaterra suspirou e parou embaixo da sombra de uma árvore alta. E se deixou cair e encostar no tronco da árvore.

Uma aliança. Aliança esta que não tinha mais o menor sentido agora que a economia do França seria reestruturada. Ele sabia que deveria ficar feliz. Na verdade, antes daquele acontecimento repentino, os dois estavam em sérios apuros. Mas...

“Mas a verdade é que...” pensou o inglês. “A verdade é que eu... Eu estava ansioso porque iria passar muito mais tempo com o França. E nós iríamos trabalhar juntos pra sobreviver. E ficaríamos mais tempo juntos.” . Ele suspirou e fechou os olhos sentindo a brisa fresca da manhã tocar suavemente seu rosto. Por alguns segundos pensou em cochilar e esquecer tudo aquilo. Logo o França iria embora de sua casa e tudo voltaria ao normal. Não tinha porque ficar chateado, não é?

- O que está fazendo, mon petit? – ele ouviu a voz do francês soar suave como a brisa sobre sua cabeça. Inglaterra abriu os olhos ressaltado e encontrou o França debruçado no tronco da árvore em que ele estava encostado. Inglaterra apenas virou o rosto pro outro lado. De certa forma, estava irritado com ele também. O francês sorriu e sentou-se ao seu lado. – Tudo bem. Sabe naquela hora que estávamos conversando com o Ivan?

- “Ivan” – repitiu o inglês com os braços cruzados e o rosto emburrado. – Vocês estão bem íntimos, não é?

França riu, divertindo-se com o ciúme do britânico.

- Você disse: “Mesmo que não houvesse nada disso, não haveria problema”. O que quis dizer com aquilo?

- Isso não importa agora não é? – Inglaterra deu as costas ao francês escondendo seu rosto envergonhado e aborrecido. – Não é melhor você ir agradecer ao América? Ele te salvou não é?

Inglaterra sentiu sua raiva vacilar quando os braços do francês envolveram pelo pescoço por trás, as mãos alongadas acariciando-lhe o peito e o rosto do outro encostado em seu pescoço, com o hálito morno batendo em sua pele.

- Não. Quem me salvou foi você. Ontem. Quando eu estava caído no meio da chuva. Lembro perfeitamente da sensação. – ele levou uma das mãos aos lábios de Inglaterra e o tocou suavemente com a lateral do dedo indicador. – Não quer conversar comigo? Porque não responde minhas perguntas?

O inglês sentiu seu coração bater forte. Também se lembrava do dia anterior com perfeição. A irritação e o medo se tornaram maior. Ainda maior porque ele o estava abraçando naquele momento, e não sabia quando faria isso de novo.

- Eu disse aquilo porque eu não me importava. – disse com os punhos serrados e mo maxilar tenso. – Se íamos enfrentar uma guerra, se íamos ter que passar por apertos financeiros, se teríamos aliados ou não. Nada daquilo importava! Porque eu ficaria com você. Então qualquer coisa que acontecesse não faria diferença.

França encostou o rosto no do inglês sorrindo. Fazendo com que ele sentisse a satisfação que aquelas palavras lhe traziam.

- Nada mudou. – disse o francês quase rindo. – Então porque está irritado?

- Stupid! – praguejou o inglês odiando gostar tanto da presença de seu inimigo. Ele se afastou virando-se bruscamente e empurrando o francês. Sua raiva explodindo com suas palavras. – Porque você fica me provocando desse jeito? Eu odeio isso! O tempo todo você finge que não sabe de nada! È claro que a situação mudou! Agora que você ganhou ajuda do América, você não precisa mais da nossa aliança, não precisa mais da minha ajuda e não precisa mais de mim!

Quando ele terminou estava ofegante. De certa forma aquilo o aliviara. Mas, no momento em que viu o rosto assustado de França se arrependeu. “Agora sim ele vai embora de vez. Inglaterra seu imbecil!”. Mas, para sua surpresa, o francês de repente começou a rir. E soltou uma gargalhada divertida e doce.

- Você é tão bobo Arthur! Hahahahahahahahaha! – riu o Francês. Inglaterra virou o rosto, aliviado por ele ter achado graça e ao mesmo tempo com raiva por ele não tê-lo levado a sério.

Quando voltou a prestar atenção, o francês estava ajoelhado na sua frente e começou a passar a língua suavemente no espaço entre seu queixo e sua boca, enquanto colocava a mão sobre a dele e a segurava. Inglaterra sentiu um calor percorrendo todo seu corpo. Deteve um impulso de pular em cima do francês, derrubá-lo na grama e agarrá-lo ali mesmo.

- Francis... – falou num sussurro desejoso. – pára.

O francês riu baixo e falou com os lábios encostados nos dele:

- Não dá pra acreditar em você, com você me pedindo desse jeito, mon petit. – ele começou a tomar seus lábios com beijos muito leves e suaves.

Inglaterra segurou a mão do francês e entrelaçou os dedos. Aos poucos se deixando entregar aos lábios que pediam pelos seus, sentindo as mordidas suaves do frança e a ponta da língua que passava em seu lábio inferior para provocá-lo. Inglaterra começava a corresponder aos beijos suaves sugando os lábios do francês, pedindo por eles.

- Ahhh, mon chéri Angleterre... – suspirou o França entre os beijos. Então afastou-se um pouco do rosto desejoso do inglês. Trouxe a mão que estava entrelaçada a sua e beijou-a. – Só porque a aliança não é mais necessária isso não quer dizer que eu não precise de você.

- Como posso acreditar em você? – disse o inglês olhando praquele homem que tanto desejava quase chorando com a idéia de perdê-lo. – Depois do que você fez da última vez que estava aqui. Com a aliança eu ao menos teria certeza de que você nunca iria embora!

França amparou o rosto de Inglaterra e acariciou-o com um sorriso.

- Sabe... Naquela hora, eu não menti pra você. Eu disse que foi bom você ter me convidado pra tomar chá porque... Bem, eu não gosto de chá. – ele riu divertidamente. – Se você tivesse me convidado pra tomar um vinho com você, eu não teria sido capaz de recusar e ir embora. E aquilo era algo que eu precisava fazer.

- Então... – Inglaterra voltou seu olhar para o chão envergonhado. – Então estou te convidando pra tomar vinho comigo hoje á noite.

França sorriu.

- Oh! E você está disposto á isso? – ele tocou os lábios do britânico com um indicador e o arrastou até a coxa. – Eu sei como você fica animadinho quando bebe Arthur. Você estará em apuros nas minhas mãos.

Inglaterra virou o rosto envergonhado.

- Eu não tenho escolha, tenho? Além do mais... – ele olhou pra França de soslaio com o rosto enrubescido. – Se for nas suas mãos então tudo bem.

O francês sentiu um palpitar mais forte. Só de olhar para aquela expressão tão indefesa e inocente do Inglaterra, vieram tantas e tantas fantasias em sua cabeça que ele envergonhou-se por se achar um tremendo pervertido.

- Ah! Como você pode me torturar fazendo isso? – disse o francês dramaticamente. – Me seduzindo dessa forma!

- O que? – confundiu-se o Inglaterra.

Antes que ele tivesse tempo de esboçar qualquer outra reação, o francês já havia pulado em cima dele e derrubado-o na grama.

- Espere Francis! O que está fazendo?

-Je t’aime Arthur! – ele segurou o rosto do britânico com as duas mãos e colou seus lábios nos dele, beijando-o ainda mais intensamente que no dia anterior.

Inglaterra puxava mais o corpo de França contra o seu, deliciando-se com a sensação agradável de seu peso. Também apertava os lábios contra os dele saboreando seu beijo e sua língua. As mãos de França massageavam seu pescoço e ele inclinava bem mais seu rosto contra o dele, como se daquela forma pudessem se unir ainda mais.

O francês deu uma mordida de leve nos lábios do Inglaterra que o fez gemer baixo. Afastou os lábios dos dele, mas continuou beijando-o entrelaçando sua língua á dele fora da boca. Então deu mais um beijo em seus lábios e se afastou apenas pra que pudesse ouvi-lo suspirar.

- Love you Francis.

E aquele era apenas o prelúdio de várias noites que aqueles dois passaram juntos a partir daquele dia.

Notas finais
È isso aí! Acabou!
Espero que tenham gostado ♥
Desculpem a demora ^^'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!