Chuva De Novembro

1 Capitulo único


Notas iniciais
Bom, essa é primeira coisa que eu posto aqui no Nyah!
Espero que gostem, pretendo postar aqui tudo (ou quase tudo) que eu escrever... Enfim, aproveitem a leitura :3

Estávamos no parque do Ibirapuera em São Paulo capital onde ela mora, andávamos de mãos dadas pela borda do lago, quando ela viu uma criança com os pais e ela falou:

—Amor, já imaginou a gente por aqui com nosso filho?! Ia ser perfeito, ou melhor, vai ser perfeito.

Olhei-a e falei acariciando o seu rosto:

—Eu imagino isso todos os dias, mal vejo a hora da gente morar junto, ter nosso cantinho e ver nossos moleques correndo pela casa.

Os olhos dela brilhavam, quanto tempo esperei para tê-la do meu lado… Estávamos sentados na grama abraçados olhando as crianças correndo e imaginando nosso futuro, quando ouço um barulho. Foi o despertador, droga, não passou de um sonho, mesmo assim acordei procurando o fio de cabelo dela no meu lençol.

Depois que fiz minha higiene pessoal, eu me lembrei do filme que ela me indicou, depois que baixei o filme no notebook comecei a assistir, ela me veio na mente e pensei: “Nada é tão bom quando você não tá aqui.” Não consegui ver o filme todo, a hora de ir pra o trampo estava chegando, afinal, preciso financiar minha viagem para ir vê-la e tornar o meu sonho realidade.

Dias depois…

Finalmente chegou o dia, vesti minha melhor roupa, comprei uma rosa e um cartão com um desenho. Corri para a rodoviária o ônibus vai sair às 9 da manhã, espero que ela me desculpe pelo cartão molhado, mas é que em novembro sempre chove.

Cheguei à rodoviária, entrei no ônibus, sentei e fiz minha oração se Deus quiser vou chegar em segurança e aproveitar cada momento que eu puder ficar ao lado dela.

Estou indo sentado na janela olhando as montanhas e lembrando que a gente pode brigar inúmeras vezes, mas meu amor por ela nunca vai acabar. Lembrei-me da briga que tivemos ontem, falei que não queria tê-la, que não me importava, mas é mentira, nunca me importei tanto com uma pessoa como eu me importo com ela, eu sinto que essa chuva que ocorre lá fora é o reflexo do estado do meu corpo. E foi pensando nisso que estou aqui nesse ônibus indo ver ela, para ver se quando a gente se encontrar eu faço essa chuva parar. Será que isso é possível? Essa dor que eu sinto é mais do que saudade, é tipo uma necessidade de poder tomá-la em meus braços. E eu preciso ter a certeza de que o que você me falou pelo telefone não era verdade, suas palavras ecoam na minha mente de uma forma impressionante, “Você precisa me provar que pode ser um homem. Que pode ser o meu homem. Por que um menino que não pode nem sustentar um lar, não vai ser bom o suficiente para eu casar.” Foi pensando nisso que eu entrei nesse ônibus, mas talvez eu seja só um menino com uma rosa na mão…

Ligo-te avisando que estou chegando, e te peço para ir lá na rodoviária me buscar. Você nunca falou que me ama, e mais uma vez não diz, falou que vai se arrumar e ir dormir. Tudo bem, pelo menos ela sabe que eu a amo, sempre deixei isso muito claro para ela, sempre tive muito medo de que algo me acontecesse e ela não soubesse do que eu sinto por ela.

A cada segundo a chuva aumenta, não consigo dormir, quando fecho meus olhos sinto a respiração dela no meu pescoço, me sinto vazio sem ela ao meu lado, não vejo a hora de poder abraçá-la. Essa distância me impede de provar que eu a mereço e de mostrar que o dinheiro tá pouco, mas que a nossa alegria não vai ter preço. Enquanto penso nela vou treinando para pedi-la em casamento, depois da nossa briga eu acordei cedo, peguei todas minhas economias e comprei a aliança em segredo. Juntei cada moeda para poder estar nesse ônibus a caminho de vê-la, quero te mostrar que um menino pode sim te fazer feliz, quero te sentir ao menos uma vez, quer achar que sou teu sonho, quero que o meu futuro seja ao seu lado.

Sou tirado dos meus devaneios por um barulho, vejo tudo caindo, tudo está balançando, o que está acontecendo? A aliança caiu do meu bolso, tudo está girando. Quem tá gritando? Por que está girando? Alguém sabe? Eu tento chamar o nome dela, mas nem a boca eu consigo abrir. Ouço o barulho da chuva e não vejo nada além da escuridão, lembrar o rosto dela se tornou minha última opção, depois de ficar tateando o chão enlameado, consigo pegar a rosa e a agarro com todas minhas forças restantes. Sinto meu corpo ficar mole, aos poucos vou perdendo meus sentidos, o rosto e o sorriso dela vão aparecendo na minha mente com mais intensidade. Será que é um adeus? Mas eu nem a vi, nem a tomei em meus braços e falei que a amo olhando nos olhos dela…

Não pensei que fosse para tão longe essa viagem, ouço meu celular tocar, deve ser ela me mandando mensagem, estou preso nas ferragens, não consigo me mexer, sei que ela me escreveu, mas fecho os olhos sem saber o que…

Horas depois…

O resgate finalmente chegou, um dos bombeiros ali presente chegou perto do ônibus tombado e um garoto sem vida com uma rosa na mão o chamou a atenção, ele pegou um celular que estava perto do rapaz e viu que tinha uma mensagem de uma mulher chamada Alice, que dizia: “Júlio meu amor, já estou aqui na rodoviária te esperando, não demora tá?! Eu te amo.”.

Notas finais
Espero que tenham gostado, aceito elogios e criticas :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!