Chuva De Novembro

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Não me matem outra vez por favor! É que eu sou uma pessoa muito enrolada. Mais está aqui outro capítulo novinho pra vcs!

Os dias foram se passando e os meses também. O vento gelado e as folhas caídas no chão anunciavam o início do outono. Rose havia trancado sua faculdade de direito, pois ela sabia que não era aquilo que ela queria para a sua vida. Começou a fazer um curso de escrita pela tarde e de manhã fazia um trabalho voluntário na Casa de Repouso San Diego. Ao longo do tempo, construiu uma amizade muito bonita com os velhinhos que lá moravam, principalmente com a Sra. Aurszwald, a corajosa senhora sobrevivente do Holocausto. Rose tinha mudado. Não era mais fútil. Não era mais egoísta. E devia tudo isso a Emmett. Ele a fez olhar o mundo de uma forma mais ampla. Mais longe. Agora ela conseguia enxergar além do seu mundinho. Tinha até vendido seu luxuoso Volvo e comprado um Sedan de segunda mão, o que deixou sua mãe furiosa. O dinheiro da venda do carro ela havia doado para a Casa de Repouso e pela primeira vez, sentiu-se útil, porque aquele dinheiro iria ajudar muito o asilo. Edward, Bella e Nessie haviam se mudado para Seattle, juntamente com Alice, Jasper e o pequeno Royce, que nem havia nascido ainda. Jacob estava em algum lugar da Europa, com certeza desfrutando do dinheiro de alguma velha rica que ele havia seduzido. Esme era a pessoa que mais havia mudado com o passar do tempo. Mais, para Rose, aquela mudança não era verdadeira.

Numa gélida madrugada de sábado, Rose revirava-se e embolava-se no meio dos dois edredons estendidos em sua cama. Virou para o lado e viu no rádio- relógio que ainda eram quatro da manhã. Virou-se para o outro lado e escutou seu celular tocar. Ligou a luminária e checou o número. Era Emmett.

- O que aconteceu, Em? São quatro horas...

- Desculpe-me, Rose, mais isso não pode esperar.

- O que aconteceu?

- O Phill me ligou lá do asilo.

- O que aconteceu lá?

- A Sra. Aurszwald...

- O que tem ela?

- Infelizmente, ela faleceu.

O mundo de Rose havia caído. As lágrimas começaram a cair sem parar e ela começou a soluçar.

- Mais por quê? Como? Ela estava bem ontem de manhã...

- Eu sinto muito... O coração dela... parou de bater. Ela já tinha uma idade avançada Rose... Eu sinto muito.

- Onde vai ser o velório?

- Lá no asilo mesmo.

- Eles tem como bancar?

- Não se preocupe com isso. Phill já deu um jeito.

- Estou indo pra lá agora.

- Até.

Rose desligou o telefone e pulou da cama. Tomou um banho rápido e vestiu qualquer coisa. No caminho até o asilo, Rose pensava no que Adele havia lhe dito, algumas horas antes, pela manhã. Ela estava em seu quarto, sentada vendo o movimento na rua. Rose entrou e lhe perguntou se ela estava precisando de alguma coisa.

- Não, minha filha. Não preciso de mais nada. Eu tive tudo o que eu precisei nessa minha vida. Por mais que eu tenha sofrido horrores, eu não me queixo. Sabe por quê? Porque eu fui abençoada por Deus. Porque ele me deixou viver até agora. Porque, ao contrário dos meus seis milhões de irmãos que morreram naqueles malditos campos de concentração, eu tive uma segunda chance. Chance de recomeçar minha vida, minha querida. Chance de ter conhecido alguém como Philip. Chance de ter tido seis filhos lindos e cheios de saúde. Chance de conhecer alguém como você e o seu Emmett, minha cara Rosalie. Eu sou muito grata a Deus por ter me dado esta oportunidade. Agora, eu posso ir em paz. Agora, Ele pode me levar, para assim descansar, aonde Ele designar.

- Pare de dizer besteira, Adele. Você está forte ainda. – disse Rose, com cara feia.

- Oh! Esse é o ciclo da vida, minha cara Rosalie; nascer, crescer, sofrer, reproduzir e morrer. Não tem jeito. Sinto que a hora da minha partida está ficando próxima. Por isso, quero lhe mostrar isso. – disse, abrindo a gaveta do criado mudo e tirando de lá um caderno pequeno de capa dura azul.

- O que é isto? – perguntou Rose curiosa.

- Minhas anotações. São crônicas que eu escrevi durante a guerra, quando estava lá no gueto. E escrevi algumas quando eu estava na Inglaterra e as últimas eu escrevi aqui. Eu quero que publique isto. Eu já conversei com uma editora e ela se interessou pelo livro. Creio que não conseguirei conversar mais com eles. Por isso, deixo minha vida em suas mãos.

Rose pegou o caderno nas mãos e o abriu. Na primeira folha estava escrito: “Crônicas sobre amor e guerra”, Adele Aurszwald. No canto esquerdo, Havia uma pequena dedicatória: Para os meus seis milhões de irmãos que morreram durante a guerra. Vocês são meus heróis.

Seattle, 1998

- Eu posso lê-lo? – perguntou Rose, animada.

- Mais é claro que pode. O original é seu. Eu já deixei algumas cópias na editora.

- Eu não sei se...

- Sim, aceite. Rose, você foi como uma neta para mim. Quero que saiba, aonde quer que eu esteja, eu olharei por você. E por Emmett. Quero que vocês sejam muito felizes juntos. De verdade, estou falando isso do fundo do meu velho coração.

- Eu nem sei o que dizer. Sabe, Adele, você foi a melhor amiga que eu tive na vida. A mais sincera, a mais divertida. Obrigada por fazer meus dias felizes. Você me ensinou muita coisa. Serei grata a vida inteira.

- Vem cá dar um abraço nessa velha. – Adele abriu os braços e Rose deu um abraço muito demorado nela. As duas começaram a chorar.

Lembrando-se disso tudo, Rose chorou mais ainda. Mais, ao se lembrar do sorriso lindo que Adele tinha, ela se conformou. Ela havia sofrido demais nessa vida. E tinha lutado bravamente contra tudo de ruim que aconteceu. Ela estaria num lugar melhor agora. Junto com seus seis milhões de irmãos que o céu acolheu há quase setenta anos.

Ela chegou no asilo e já havia grande movimentação no jardim da grande casa.

- Oi Phill. – disse.

- Oi Rose. Eu sinto muito. – disse, com voz pesada. Aparentava ter chorado muito.

- Todos nós sentimos. Os filhos dela estão ai?

- Sim. O mais novo foi o primeiro a chegar. Ele está inconformado. Os outros estão discutindo desde que chagaram sobre a herança de Adele.

- Você tá brincando?

- Eu queria estar.

- Ela morreu. E eles estão pensando na herança?

Rose mal havia terminado sua frase quando escutou um barulho vindo da capela onde estava sendo velado o corpo.

- O que diabos é isto? – perguntou Phill

- Parece uma...

- BRIGA! – disse Emmett, que apareceu atrás dos dois.

- Será que os filhos dela estão brigando?

- Acho que sim Phill. – disse, indo até a capela.

Quando os três chegaram lá, Anne e Arthur estavam discutindo muito alto, usando xingamentos e palavrões. Os filhos estavam tentando apartá-los, mas ninguém conseguia. Quando Arthur levantou a mão para bater em Anne, Emmett entrou no meio e segurou o homem.

- O que é isso? Você não vão respeitar a mãe de vocês que está aqui? – disse Emmett, apontando para a velha, repousada no belo caixão preto.

- Quem é você pra falar assim com a gente, moleque? – disse Anne, furiosa.

- Meu nome é Emmett e eu conhecia a sua mãe melhor do que você.

- Que abuso!

- Você nem vinha vê-la. Agora VOCÊS estão aqui, brigando pela herança dela. Só pra isso que ela prestou pra vocês? Para dar a herança quando ela morresse? Ela era a mãe de vocês. A MÃE, PORRA. Ela quem deu amor, carinho e afeto pra vocês durante a vida inteira. Ela carregou vocês todos durante nove meses no ventre pra chegar no final de sua vida, vocês a colocarem num asilo e nem avisarem se estão bem, ou perguntarem se ela está bem.

- Ele está certo, papai. – disse Melissa, filha de Arthur. – Nós fomos egoístas.

- Agora não é hora de se arrepender. – disse Noah.

- Ele era o único que não ficava um dia sequer sem ligar e a visitava duas vezes por mês. Vocês não têm vergonha? – disse Phill.

Os outros filhos de Adele abaixaram a cabeça, envergonhados por suas atitudes. Ficaram em silêncio durante o resto do funeral. Pela manhã, Adele foi enterrada num cemitério perto dali.

- Eu sei que você a amava. – disse Emmett para Rose, ao saírem do cemitério.

- Eu a amo. E sei que ela está num lugar melhor agora.

- Ela vai ser nossa estrela guia.

- Eu não tenho dúvidas disso.