Afundou a cara no travesseiro e chorou até se cansar. Ouviu seu celular tocar. Por um momento, não quis atender, mas atendeu. Era Emmett

– Oi. Você está muito ocupada? – Disse o rapaz, meio sem jeito.

– Não. Eu estava justamente pensando em você. Na verdade, fiquei o dia inteiro pensando em você, na injustiça que eu cometi com você – disse Rose, meio constrangida.

– Não fique assim, já passou – disse Emmett, prestativo.

– Quer beber uma cerveja? – Convidou- o.

– E a senhorita bebe cerveja?

– Claro. Pra relaxar.

– Pensei que só bebesse Martini, Tequila e esses negócios requintados que os granfinos bebem.

– Pare de besteiras. Vou colocar uma roupa e passo ai pra te pegar, ok?

– Tudo bem.

– E... É tudo por minha conta e nem pense em falar algo contrário. Eu te devo esta.

– Se você insiste. – Até mais.

– Até. Um beijo. – Rose desligou o celular, colocou uma calça jeans meio rasgada nos joelhos que sua mãe odiava, uma blusinha rendada rosa clara que deixava os ombros à mostra e uma sapatilha confortável e saiu sem dar explicações aos pais, que se despediam das últimas vistas que restavam na casa. Emmett colocou a melhor roupa que tinha, deu um beijo em sua mãe e em sua irmã, desceu e ficou sentado na escada, fumando um cigarro barato. Meia hora depois, avistou o carro de Rose e se levantou:

– Demorei? – perguntou a ele com um sorriso lindo nos lábios.

– Não.

– Entra ai. – Disse abrindo a porta do carona para que ele entrasse.

– Aonde vamos?

– Num barzinho calmo que tem aqui perto.

– Hum...

– Conte-me mais sobre você Emmett – Disse Rose, acendendo um cigarro.

– Bom, eu nasci aqui mesmo. Meu pai morreu quanto eu tinha dezesseis anos e de lá pra cá, a nossa vida tem sido muito difícil. Eu tento ajudar minha mãe de todas as formas possíveis, trabalhando de segunda à sexta e de finais de semana fazendo alguns bicos como mecânico e trabalhando no mercadinho do bairro. Mais eu não vou ficar te “enchendo o saco” com a minha vida miserável, conte-me sobre você e sua família.

– Meus pais são uns idiotas. Pensam que o dinheiro pode comprar tudo. Fui criada dentro de uma bolha, superprotegida do mundo que me rodeava. Sabe, depois que eu fui morar em NY eu parei pra analisar como eu era fútil e idiota. Porque eu não vivia mais com eles. Minha mãe é a pior. Ela só pensa no status, no que os outros vão pensar em como se portar perante a sociedade, e blá, blá, blá. Meu pai é mais humilde, porque ele veio de baixo sabe? Batalhou muito pra conseguir tudo o que tem hoje, mas a minha mãe sempre foi mimada e paparicada. Foi por isso que Edward, meu irmão casou-se tão novo. Pra sair de casa e ficar longe da minha mãe.

– Nossa. – Disse num suspiro. – eu sinto por isso.

– Não precisa sentir. Chegamos. – disse parando o carro e dando a chave para o manobrista.

– Ok.

Os dois entraram num barzinho pequeno, porém aconchegante, que tinha uma banda fazendo o cover de uma música do Maroon 5, She Will Be Loved. Eles pegaram uma mesa afastada do palco e começaram a beber cerveja e comer umas porções de frango a passarinho. Emmett se controlou e não bebeu muito. Rose, por sua vez, bebeu muito e já estava falando mole quando Emmett disse que era melhor eles irem embora.

– Rosalie, é melhor nós irmos.

– Ah!!!! Vamos beber mais um pouco...

– Você já bebeu demais hoje, você não acha?

– Claro que não. – Disse, debruçando na mesa.

– Garçom! – Gritou o rapaz – Traz a conta por favor parceiro.

– O dinheiro está na minha bolsa. Pega ai. – Rosalie jogou a bolsa no colo de Emmett, que deixou o dinheiro na mesa e carregou a moça para o carro. Deitou-a no banco traseiro e foi dirigindo até sua casa. Estacionou o carro na garagem e levou-a para cima. Sua mãe estava acordada assistindo ao American Idol e Bree já estava dormindo.

– Quem é esta moça, Emmett? – Perguntou a mãe, assustada.

– Uma amiga mamãe. Ela bebeu demais. Ela pode dormir aqui por esta noite?

– Claro! Coloque-a em sua cama e durma no sofá tudo bem?

– Claro. – Emmett levou-a no colo para seu quarto e colocou-a para dormir. Foi dormir também. Sentiu um alívio por ser sexta feira e por estar de folga no sábado.

O dia amanheceu e Rosalie foi tomada pelo cheiro de ovos e bacon que invadia o quarto. Sentou-se na cama e sentiu uma dor de cabeça insuportável. Tentou se lembrar da noite passada e percebeu que não estava em casa.

– Onde estou?

– Na minha casa. – Disse Emmett, entrando com uma bandeja no quarto. – Como você está?

– Com dor de cabeça. Eu dei vexame ontem?

– Eu pude evitar isso.

– Obrigada.

– De nada. Toma aqui. Não é o que você está acostumada a comer, mas engana o estômago. – disse colocando a bandeja em cima da cama.

– Obrigada. Está delicioso. Foi você que fez?

– Não foi minha mãe.

– Oi querida, sou Sue. E você deve ser Rosalie, estou certa?

– Oi Sra. McCarty. Está certa sim. Eu sinto tanto pela minha falta de modos.

– Querida, não sinta. Isso acontece com qualquer um. Almoce conosco.

– Eu adoraria ficar para almoçar, mas minha mãe deve estar louca atrás de mim...

– Está mesmo. Seu celular tocou umas cem vezes. Na centésima primeira, eu desliguei. – disse Emmett, dando uma gargalhada.

– Jura? Ai que vergonha.

– Que pena! Da próxima venha para almoçar... – disse a mulher.

– Eu prometo.

Rose terminou de tomar café, despediu-se de Sue e Bree e desceu para pegar o carro na garagem.

– Obrigada por tudo, Emmett. – agradeceu. – você é uma boa pessoa, diferente de mim. Desculpe-me por ontem.

– Não precisa agradecer. E você é uma boa pessoa também ouviu?

– Já que você pensa assim. Mais eu sou esnobe, mimada e egoísta.

– Você é linda. – Num impulso, Emmett segurou delicadamente a cabeça de Rose e levou seus lábios nos dela, num beijo calmo e apaixonado.

– Acho que é cedo demais pra isso, não é? – perguntou Rose

– É acho que sim. Eu sinto muito. Não deveria...

– Tudo bem, não se importe.

.– Tchau. – disse Emmett, enquanto ela saia da garagem apertada.

– Tchau.

– O EMMETT TÁ NAMORANDO... – Gritou Bree, pulando no sofá.

– Não estou não.

– ESTÁ SIM. E ELA É BONITA. .

– Eu sei que ela é bonita, mas não é para mim.

– Não fale assim, querido. Ela é uma moça boa.

– Mais os pais dela não são. Eles têm nojo de pobre mãe. Nunca aceitariam um possível relacionamento.

– Emmett, sente-se aqui. – Disse Sue, sentando na cadeira da cozinha. – se você ama você te que correr atrás. Se ela te amar de verdade, ela não vai ligar para o seu status social. Você me entende?

– Sim mãe.

– E parece que ela não liga para isso.

– Acho que não.

– Então, corra atrás dos seus sonhos. Você será feliz. Eu sei.

– Eu te amo mãe.

– Eu também te amo, meu filho – Sue deu-lhe um demorado abraço e levantou-se para fazer comida. – a propósito, tem uma prateleira no quarto da Bree que não se colocará sozinha.

– Já vou por dona Sue, já vou...

Enquanto isso, Rose chegava em casa. Seus pais estavam na porta, conversando com alguns policiais.

– Que diabos está acontecendo aqui? – ela perguntou.

– Rosalie! Graças a Deus filha. Onde você estava? – Perguntou a mãe.

– Na casa de um amigo. Eu bebi demais ontem e ele me levou para casa dele.

– Era o Jake? – Perguntou o pai, com entusiasmo.

– Não é aquele idiota. E ele nem é meu amigo.

– Ah! – disse decepcionado.

– E com quem você estava? Posso saber?

– Com um amigo, já falei.

– Em que lugar?

– Na periferia da cidade. Algum problema?

– Todos os problemas, Rose. Você não vai se misturar com esta gente. Eu não irei permitir. – disse a mãe, se intrometendo na conversa

– Ah! É. Que bonito o seu preconceito. Parabéns!

– Não seja irônica, Rose.

– Não seja idiota, mãe.

– Olha o jeito que você fala comigo menina.

– Olha o jeito que você fala dos outros, mãe

– Rose, acalme-se.

– Elas são melhores que vocês. Pelo menos são humildes e aceitam todos da maneira que são.

– Pode parar. Muito obrigado, Comandante Swan. Qualquer coisa nós avisamos. – Disse o pai, olhando para o policial.

– E você, entre e tome um banho. Você está cheirando a ovos e bacon. – Falou a mãe, com asco.

– Vão para o inferno. – Disse Rose, entrando em casa, batendo as portas.

– O que a gente faz com essa menina? – Perguntou o pai, preocupado.

– Eu não sei. Acho que devemos chamar Irina.

– A psiquiatra da família? Será que é necessário tudo isso?

– Essa menina está com uma depressão profunda, querido. Está fazendo essas coisas para chamar a atenção. Se ela não se tratar, pode piorar.

– Faça como achar melhor. Vou trabalhar.

– Antes disso, irei fazer compras. – Disse Esme, com alegria.

– Cuidado. Você vai me falir qualquer dia desses. – Disse Carlisle, dando um beijo na esposa e entrando no carro. – até mais querida. Te amo.

– Até mais amor. Eu te amo. – ela jogou um beijo para o marido e entrou em seu carro.

Rose tomava um banho, chorava muito e tinha vontade de morrer. Pensou em Emmett. Como mágica, foi melhorando e percebeu que não conseguia ficar mais sem ele. E ficou com medo disso.