Chronnos

3 Lembrança remota


Sou Melissa Müller, mais conhecida como MM’s. Conto-lhes minha história a partir do momento do qual tenho minha lembrança mais remota: uma menina de fita no cabelo sendo levada ao seu primeiro dia de aula no jardim da infância. Foi lá que eu conheci Tommy Wood-Allen, a quem todos chamariam de Lagarto (mais tarde entenderão o apelido). O menino mais indigno que já passou pela face da terra.

Aqueles olhos de cabra pidona... Ai que raiva dele... Nem imaginaria que anos depois estaria (literalmente) lutando pelo tempo para poder tê-lo novamente ao meu lado. Mas não vamos adiantar a história, voltemos ao jardim de infância naquele dia infeliz, de um sol escaldante. Estava lá toda tristonha no canto, olhando para todas aquelas crianças esquisitas. Então, chega um garoto com um olhar e cabra pidona perto de mim. Assim se deu o diálogo:

- Olá, sou Tommy Wood-Allen, você não quer ir brincar comigo e meus amigos no parquinho?

- Oi. Sou Melissa Müller. Acho que não... Não conheço seus amigos e podem não gostar de mim...

- Ah, que besteira. Como não gostariam de uma menina tão linda? — Eu fiquei toda boba.

Se você for homem aprenda essa lição: mulheres adoram ser elogiadas, não importa se estão no jardim da infância ou no ministério público.

- Não sei...

- Vamos MM’s.

Achou que eu não ia cair nessa, não é? Pois caí. Homens usam o mesmo papinho desde o jardim da infância e nós mulheres sempre caímos. Por quê? Acho que gostamos de ser enganadas e procuramos por algo que queríamos fazer, mas, a nossa moral feminina não permite ou então em casos remotos, é assim que encontramos o nosso pedaço perdido.

Fui para o parquinho e, como já devem ter percebido, não havia brincadeiras para ninguém. Exceto para mim. Tommy e seu amigos fizeram um círculo em volta de mim e começaram a me atirar as mais diversas substâncias.

- Vamos fazer um bolo em você, little monster. – Disse um idiotinha qualquer com postura de covarde — Aí vai o ovo!

- Eu mando o açúcar!

- E eu...

De repente eu não ouvia mais nada a não ser o som fino de minhas lágrimas e soluços... Decididamente eu sentia ódio. Primeira vez que senti ódio de alguém na minha vida, principalmente daquele garotinho de olhos de cabra pidona que tinha me convencido de que eu era uma garotinha linda. Tudo isso com o pequeno detalhe de que eu só tinha 5 anos.